23 setembro 2007

Relação vantajosa

Por Léo Alves

Os colegas Pedro e Daniel já trataram do tema em posts anteriores. Mas como o assunto dá “muito pano pra manga” não vou sair da linha da relação (comercial) entre veículo e governo.

O governo é, sem dúvida, um dos maiores anunciantes.

O veículo de comunicação precisa da publicidade do governo para sobreviver.

Reféns das verbas publicitárias, muitos veículos acabam também tornando-se reféns do próprio governo.

Só fazem matérias para agradar o anunciante.

Quando o assunto “bate” no governo é censurado, na maioria das vezes, pelo dono do jornal.

Não deveria ser assim.

Os empresários da comunicação bem que poderiam perceber que o governo precisa de seus veículos para exibir sua propaganda.

Se o governo deixa de anunciar ele perde.

As ações governamentais não são divulgadas.

A publicidade é uma espécie de prestação de contas com a população. O governo precisa dela.

E, mesmo que o veículo seja contra determinada administração, o governo também terá que anunciar nele.

Lógico que esses investimentos serão menores em relação aos veículos aliados.

De certa forma o governo também é refém dos meios de comunicação.

Mas a maioria dos empresários da comunicação não percebe isso. Acha que só o veículo precisa do governo (leiam-se verbas publicitárias).

Ambos são reféns. Um precisa do outro para sobreviver.

Recorro a um termo da biologia para definir a relação entre veículo e governo: mutualismo.

Segundo a ciência mutualismo é a associação entre indivíduos de espécies diferentes na qual ambos se beneficiam. Esse tipo de associação é tão íntima, que a sobrevivência dos seres que a formam torna-se impossível, quando são separados.

Um comentário:

Toty Freire disse...

é exatamente isso, grande léo. costumo dizer que os donos de jornais mais conservadores invertem as bolas e pensam que publicidade governamental é compra de elogio. outros acham que os governos pagam para calar os jornais, que é uma tese feia, mas mais aceitável...