29 outubro 2007

Politicagem em pauta

Por Daniel Brito

Enquanto no Brasil se assiste novela ou Big Borther depois das 20h, na França debate-se políticas públicas. Leis anti-tabigistas, reformas no sistema de imigração, participação na União Européia e por aí vai.

Nos Estados Unidos, o noticiário de Washington DC é voltado para as comissões parlamentares do senado. Além, óbvio, da política externa do governo. Na Espanha, os jornais dão amplo destaque às reformas contitucionais de cada região. Na Inglaterra, não se discute cargos ou fofocas em jornais como o The Independent. Até porque só existem os partidos trabalhista, liberal e conversador no Reino Unido, se não me engano...

Já no Brasil... Bem, no Brasil o noticiário político é pautado em denúncias, especulações e fofocas. Quem sou eu para julgar o que os mais renomados jornalistas de Brasília fazem diariamente. Acredito que eles repassam o que é produzido no Congresso Nacional diariamente.

Deputados e senadores "trabalham" terça-feira e quarta-feira e por isso é impossível fazer algo que interfira de forma prática na vida dos cidadãos comuns, como eu e você (que conseguiu chegar até esta parte do texto).

Quando vão ao plenário, não fazem mais que negociar emendas de origem duvidosa e barganhar espaço no governo. A oposição, por sua vez, distribui críticas e denúncias, muitas até sem fundamento.

Isso aí, na minha humilde visão, é politicagem.

É claro, a imprensa é obrigada a acompanhar essa movimentação, o que torna o noticiário político tedioso para o grande público e recheado de blablabla.

A CPMF e a reforma política chegaram a ser "abre de página" nos principais veículos do país - só para citar dois temas recentes. Mas apenas metade dessas notícias veio dos parlamentares, quem deveria tratar do assunto. O início da reforma política teve que ser tema no STF, já que os deputados evitam colocá-lo em pauta. A CPMF, que mexe com o nosso saldo bancário, é tema recorrente no Congresso, porém, sua aprocação virou uma novela sobre negociação de cargos e liberação de verba.

Culpa dos parlamentares.

São eles que nos fazem ouvir aquela desesperadora frase:

- Ai, eu odeio política, sabe?

Um comentário:

Felipe disse...

Quinta linha de baixo para cima: "aprocação" é com vê.

E esse assunto da CPMF é hipocrisia. Deveria ser extinta ou ser definitiva logo. Não dá é pra ficar lendo que ela é "provisória" há tipo 15 anos.