30 outubro 2007

Pode criticar a Copa de 2014?

Por Daniel Brito

Não quero dar uma de estraga prazer. Pelo que acabei de ver na tevê agora há pouco, o "país inteiro comemora a escolha para ser sede da Copa do Mundo de 2014". Humildemente, vi tantos pontos inexplicados nessa "candidatura" do Brasil, que não me contive e tive que socializá-lo aqui neste espaço.

Vou, inclusive, amenizar nos comentários, porque a Copa é um evento mais político do que esportivo e qualquer opinião polarizada minha aqui pode me custar alguma coisa.

(Estou confiando que tem gente importante lendo este blog).

Eu amo futebol. É meu primeiro esporte. Tenho na cabeça o resultado de vários jogos sem importância da Copa do Mundo de 1990 para cá. Seria, realmente, um sonho ir de carro da minha casa ao estádio para ver um jogo do Mundial na minha cidade, mas daqui para lá, espero por esclarecimentos de quem quer que seja.

Eu poderia falar do grave problema de falta de prioridade dos governos estaduais e federais e, por tabela, do povo. O país vai investir mais na construção de estádios do que no combate a dengue, que já é considerada uma epidemia no país. Poderia falar que é obrigação de todos os governos dar transporte público, serviço de saúde e segurança todos os dias e não somente por causa da vinda dos turistas.

Alguém já leu quanto vai custar a organização desta Copa do Mundo? Nem a Fifa sabe. Quando seus emissários vieram ao Brasil, o que mais viram foram maquetes enfeitadas e danças típicas. Na minha singela, humilde, e pálida opinião, quanto mais enfeite eles colocam nos estádios (hastes brilhantes, tetos solares, rampas em espiral...), mais dinheiro público vai para o ralo.

O que se pretende fazer? Monumentos em formato de estádios de futebol ou arenas esportivas funcionais? Eu prefiro a segunda opção. Como eu não mando em nada mesmo, teremos potenciais elefantes brancos espalhados pelo país.

Em Brasília, por exemplo, vão construir um estádio para 76 mil pessoas. E em 2015, depois que a Copa acabar? Quem vai jogar lá? Legião, Paranoá, Dom Pedro II ou o Gama? Vai demorar mais 50 anos para ficar lotado de novo...

O Brasil só ganhou o direito de sediar esta Copa porque concorreu contra ninguém.

Ninguém!!!!!!

Se fosse para obedecer o sistema de rodízio, tão pregado pela Fifa até aqui, a Colômbia deveria sediar o evento. Sim, porque o Mundial de 1986 seria lá, mas com a contribuição do governo Ronald Reagan, as autoridades da Colômbia viram o narcotráfico perder o controle e, conseqüentemente, perderam para o México o status de sede.

Ora, se o Mundial tem que ser realizado na América do Sul, que seja no país que já teve esse direito um dia mas foi tirado de forma obscura pela Fifa, em 1983. Mais detalhes no livro Como eles roubaram o jogo, do jornalista britânico David A. Yallop. Baseado no que li sobre esse episódio no livro, acredito que daqui para 2014 o Brasil ainda vai perder essa Copa.

Estou sendo muito pessimista ou o noticiário diário que é otimista demais?

13 comentários:

Felipe disse...

Alguns esclarecimentos se fazem necessários.

Em primeiro lugar, o governo não investiu e nem vai investir ou gastar nenhum tostão em estádios. A reforma ou ampliação ou reconstrução dos mesmos caberá à iniciativa privada. A exemplo do que ocorreu em 2002 e 2006, os estádios ficam realmente mais vazios (ou BEM mais vazios) depois das copas. Então isso é prboelam da iniciativa privada. Em nenhum momento, portanto, cabe a crítica de que o governo deve resolver o problema da dengue em vez de construir estádio com escada espiral etc. Não se preocupe. Uma coisa não anula a outra.

Se tudo correr bem, como deve correr, por outro lado, as obras de infra-estrutura de ruas, avenidas, hospitais, hotéis, restaurantes e, principalmente, transporte público, acontecerão, por causa da Copa, com muito mais antecedência do que aconteceriam num processo normal. E, com a diferença, que não tem escolha nem enrolação: ou você faz o esquema todo direitinho até 2013 ou dança. Não é uma obra de metrô que vai ser parada por conta de uma mudança de governador. Ou um hospital que teve obras suspensas por falta de grana. Tipo, não tem jeito: tem que fazer. E nesse aspecto, fico ainda mais feliz (mais do que poder ir a pé ou de carro ver um jogo da minha seleção na minha cidade) por conta da realização da Copa do Mundo. Acredito, sim, que o dinheiro público deverá ser investido exclusivamente em obras que trarão benefícios fantásticos e inigualáveis à população. Essa é a teoria. Pode ser que no meio do caminho haja superfaturamento, coisa inacabada e tal. Mas o rigor da Fifa, o caderno de encargos, as inspeções e a obrigação de cumprir com as responsabilidades dentro do prazo, acredito, podem nos trazer um legado inimaginável para uma copa do mundo.

Ah, sobre a Colômbia e o rodízio, acho outra conversa mole: o país não tinha a menor condição de sediar uma copa ali. eu era molque, mas lembro vagamente da situação, sobre a qual fui me informando melhor nos anos seguintes. Foi tão emergencial e necessária a mudança que o país escolhido para substituir os colombianos foi o México, que tinha acabado de sediar uma Copa (16 anos). Não acredito que tenha havido rasteira ou politicagem. E o rodízio funciona assim. O Brasil sediou uma copa há 57 anos. Vai sediar outra 64 anos depois. Tá bom, ne? Não é porque um país é do continente e nunca sediou copa que ele tem que ter prioridade. Tem que ter dinheiro, capacidade e dísposição e dinheiro de resolver os problemas de estrutura e capacidade organizacional dentro do prazo. Não digo nem que ter tradição, porque sou super a favor de copas no Japão, Coréia do Sul, África do Sul, bem como já torço pelo Canadpa ou Austrália (em vez de Inglaterra) em 2018. Mas a França sediou duas copas com intervalo de 60 anos. A Itália com intervalo de 56 e a Alemanha de 32. NA Europa, porém, eu acho que dá muito bem pra fazer uma copa só na Holanda (não gosto de candidaturas duplas), na Rússia, em Portugal, na Croácia. Naõ precisa repetir. Agora, na América do Sul, nem a própria Colômbia achava que daria conta de sediar tanto a copa de 1986 como a de 2014. Então acho muito justo que seja aqui, já que Chile e Argentina (os dois únicos que talvez tenham condição de sediar uma copa aqui, a despeito do interesse uruguaio de sediar a copa de 2030) não quiseram concorrer.

Sem mais para o momento,

DB disse...

Tenho a resposta na "ponta dos dedos" (como diria galvão), mas vou esperar os outros três leitores assíduos deste blog se pronunciarem para responder um a um....
tá beleza?

Felipe disse...

Mentira. Você tá enrolando e ganhando tempo. Tipo o cara que te dá uma sacaneada numa mesa de bar e você responde quatro horas depois. Tipo: aí não tem graça. Tem que ser na hora. Já era!!! Levou moral!!!

Toty Freire disse...

Não darei aqui uma resposta tão bem fundamentada como a do nosso amigo Felipão (aliás, cadê você, meu querido?). Quero apenas salientar aspectos emocionais e não técnicos: 1- O noticiário está, sim, sendo otimista demais. 2 - Mas também considero seu post pessimista demais.

Eu não acredito na total incapacidade do governo Brasileiro em fazer a Copa. Os problemas de hoje podem ser a solução de amanhã. Que não será um evento como de um país muito desenvolvido, isso não vai mesmo. Mas acho que temos sim chance de fazer uma boa Copa. Temos economia para isso. Nossas parcerias (internacionais) também são melhores que outros tempos. Além disso, os investimentos que virão com a Copa poderão viabilizar parte do todo. O que vai sobrar depois, se será usado ou não, é um detalhe super importante, que deverá ser pensado pelas autoridades. Mas isso não compromete um evento tão grandioso...

Super humildemente...

Pedro

Anônimo disse...

Prefiro não me identificar.

Temos que comemorar esse primeiro passo e a "confiança" depositada no Brasil. Apesar de sabermos da índole e da força política de Ricardo Texeira, principalmente, junto à Fifa.

Mas a função da mídia esportiva e do povo é ajudar a fiscalizar essas obras. O Felipe parece ser um cara que acredita em tudo o que lê. Muitos, quando não todos, governadores dirão que a obra será totalmente custeada por entidades privadas. Mas será verdade? Os caras perderão a oportunidade de superfaturar em obras tão rentávies? Duvido muito.

Mas do jeito que a imprensa, em geral, tem rabo preso, isso será abafado. Assim como algumas "fatalidades" que aconteceram no Pan e só foram divulgadas alguns dias após a festa de encerramento.

Não podemos fechar os olhos para certas sacanagens. O Brasil não vai para frente justamente porque escondem algumas coisas. Censuram outras (como fez blater em defesa do seu amigão Ricardo Texeira). Futebol e samba no Brasil representam a "boa e velha" política do pão e circo.

Anônimo disse...

Amigos
Concordo com o Daniel. Não podemos nos iludir. O governo fala em Parceria Público Privada para tocar os projetos. Mas o diálogo é de outro PPP: Parceiros Público Políticos...

Essa é a questão.

A copa é política.

Envovlvido em mais de 20 processos, inclusive de evasão de divisa, Ricardo Teixeira está com os políticos nas mãos. Lula, inclusive -- e principalmente.

Copa do Mundo, assim como olimpíada, é um grande negócio. Um negócio bilionário. Const ruções, investimentos, empregos etc. Mas os estádios, como diz o Daniel, não poderão ser para jogos inexpressivos.

Ou uma empresa estrangeira como a IMG Esporte está interessada, assume e dá enfoque profissional, ou teremos o caos.

O estádio terá que ter restaurantes, cinemas, shopping, boliche, bolinha de gude, estrutura para show musicais, de igrejas (ops!!). Só futebol sera um fracasso.
Abç

Anônimo disse...

Concordo totalmente com o “anônimo”. A primeira consideração a fazer é de que não se deve acreditar em tudo que se lê.

Partindo dessa hipótese e considerando a longa trajetória das relações de poder brasileira, é possível presumir que essa história de investimentos da iniciativa privada é uma tremenda roubada...

Como bem disse Daniel, é preciso perceber que a Copa do Mundo é um evento estritamente político, seja ela realizada aqui no Brasil ou em qualquer outro lugar do planeta.

O grande cerne da questão está no fato de como esses eventos são ‘conduzidos’ pela ‘TRANSPARENTE’ classe política brasileira.

Outro ponto relevante colocado pelo Daniel é o fato de termos que assistir a investimentos bilionários em estádios e paredes de concreto, enquanto milhões de pessoas continuam morrendo de fome nos quatro recantos do país.

Evidentemente que não se pode negar que a realização da Copa aqui em nosso país também trará alguns benefícios, mas não tenho dúvidas de que há outras maneiras bem mais viáveis de tornar uma nação desenvolvida e respeitada internacionalmente.

É impossível esquecer que nosso povo é pobre, vive mal, e há anos espera que o ‘bolo’ do desenvolvimento nacional seja dividido de uma forma menos atroz. Enquanto isso nossos representantes praticam somente a distribuição do pão, e a construção de espetáculos circenses.

É preciso ficar de olho. E a imprensa tem um papel fundamental nessa empreitada. Não se pode deixar que a Copa de 2014 se transforme em mais um desses espetáculos.

Felipe disse...

Caro anônimo (por que não se identifica?),

Eu não acredito em tudo o que leio. Simplesmente se for cair na vala comum do "ah, vão roubar muito dinheiro", não preciso nem começar a discutir. O fato é que gestão pública nenhuma vai se meter a gastar ou investir dinheiro público em construção de estádios que, como vocês sabem e disserem e como foi constatado nas duas últimas copas, não têm nem 30% de ocupação nos eventos pós-copa. É muito fácil chegar e dizer "ah, eles vão dar um jeito de dizer que o governo tem que investir nos estádios para roubar dinheiro". Simplesmente isso não existe porque não há contrapartida. Se você acha que eles vão superfaturar obras de construção de metrôs, terminais rodoviários, estradas, infra-estrutura hoteleira e hospitalar, é outra coisa. Agora, repito: governo nenhum, há anos, investe em construção de estádios. Não tem retorno nem lógica. Eu não acredito em tudo o que leio, mas você deveria ler mais antes de dizer tudo o que acredita. Abração!!!

Anônimo disse...

Calma, assessor de imprensa da CBF e fã da Copa do Mundo...
Não precisa ficar nervoso. É. Eu estava errado mesmo. O Governo não vai gastar sequer R$ 1 para trazer a Copa do Mundo. É verdade.
A verdade dói, mas tem que ser dita. Nada aqui no Brasil é confiável.
Mas quem for da imprensa, que abafe o caso. Temos que mostrar ao mundo inteiro que somos capazes de promover um evento de tamanha importância como esse, sem um probleminha sequer.

Essa vai ser a Copa do Povo!!!
Abração

DB disse...

Vamos aa réplica, Campbell:

não é errad entrar na vala comum ao dizer que "vão roubar muito". Como diz um colega de trabalho meu que voce conhece muito bem, conversador ao extremo, dono de milhares de cabeça de gado no interior mineiro: brasileiro, se tiver a oportunidade, rouba. Mas rouba mesmo.

Acredito que eu, você e os parcos leitores deste blog não nos enquadramos nessa generalização, mas ela não está de toda errada. Mas não dá para acusar ninguém antes mesmo do início de qualquer obra.

Seria demagogia minha afirmar que falta prioridade aos governos? Pode ser que sim. A dengue não está perto da minha casa. A miséria não convive comigo aqui na octogonal ou no meu trabalho. Mas pode ser considerado egoísmo, também, pensar em transferir verbas que seriam destinada a coisas mais urgentes para um evento de 30 dias.

Assim como é assinar atestado de confirmismo por achar que só assim as coisas funcionam no Brasil. Só com a Copa do Mundo, o Pan, a Olimpiada de 2016. Vai ser gastar um bilhao de dolares para 30 dias.

E o legado?
Eu nao acredito nesta historia no Brasil. Vamos dar um exemplo pratico. Qual legado que o Pan deixou aos cariocas? Só de fotografias legais, a briga de bernardinho com ricardinho, dois ginasios super-modernos e ponto final.

O site Contas Abertas fez um levantamento às vésperas do evento e descobriu que dinheiro investido no Pan seria destinado ao sistema de habitacao e aa previdencia social.

Por causa da Copa, o governo será pressionado por todos os lados para ajudar no orçamento. Caso contrário, a popularidade do presidente corre o risco de despencar. O proprio presidente sabe disso.

Vamos a Atenas, sede dos Jogos Olimpicos de tres anos atras. O sistema de transporte lá virou um caos durante o evento. Até hoje a cidade ficou meio bagunçada por causa da olimpiada. Trouxe beneficios, obvio, isso eu nao discuto, mas também nao deixou grandes legados. O estadio olimpico so voltou a ser utilizado recentemente para uma decisao da UEFA Champions League, se nao me engano.

Outro ponto: como fazer uma copa do mundo com "preços populares" se as melhorias serao entregeue a grupos privados? No brasil, como você sabe muito bem, as empresas privatizam os lucros e socializam os prejuízos. Um ingresso por R$50 ´pode ser considerado preço popular? Sim, mas para um tifozzi ou um hooligan (se é que eles vão se atrever em chegar por aqui).

Por último, vamos ao trecho do livro "Como eles roubaram o jogo", de David Yallop, sobre como a Colombia perdeu a Copa de 1986.

"João Havelange disse aos repórteres [ao final da copa de 1982] que estava 'aguardando acom grande ansiedade a copa do mundo de 1986, na Colômbia'. Apresentando suas despedidas, Havelange dirigiu-se ao Aeroporto Internaciola de Madrid. Nesse local, acompanhado de Guillermo Cañedo, ex-presidente da federação mexicana de futebol, tomou o jato particular de Emílio Azcárraga, presidente da Mexicana Televisa. O avião tomou o rumo da Cidade do México e um plano secreto de substituir a Colômbia pelo México, como nova sede da Copa do Mundo. (...)
O México, na opinião de Havelange, tinha muito para recomendá-lo. Grande parte da estrutura de 1970 continuava a existir. No máximo, só um novo estádio seria necessário. A Colômbia bem que poderia sediar um torneio de dezesseis seleções, mas Havelange já cuidara disso. Seria um campeonato de 24 seleções e, se esse número mudasse um dia, seria para cima.
Havia também o problema da violência endêmica, corrupção e tráfico de drogas que afligia a Colômbia. Claro, exatamente o mesmo problema afligia o México, mas pelo menos lá não havia uma guerra civil em grande escala.
(...)
Os Estados Unidos e o Brasil desejariam ser considerados alternativas e os dois eram candidatos. O México, contudo, tinha uma vantagem excepcional em seu favor: Emilio Azcárraga.
(...)
Secretamente, Havelange fez um trato com Azcárraga que, em virtude de sua riqueza incalculável, podia pessoalmente garantir e assumir as despesas do torneio.
(...)
O recém-eleito presidente da Colômbia, Belisário Betancur, informou à Fifa que estava inteiramente disposto a referendar todas as garantias dadas por seu predecessor, Dr. Borrero.
(...)
Havelange enviou uma comissão à Colômbia. A missão do grupo era examinar "toda a infra-estrutura necessária, estradas de rodagem, ferrovias, companhias de aviação, estádios, hotéis, todo pacote de milhões de dólares que a Fifa considera absolutamente essencial para montar uma competição.
(...)
Em janeiro de 1983, o governo da Colômbia reconheceu a derrota. De repente, sem nenhuma grande surpresa de quem quer que trabalhasse no andar executivo da Fifa, a Copa do Mundo de 1986 começou a procurar novo lar.
Canadá, Estados Unidos, Brasil e México se apresentaram"

Isso aqui já tá muito longo. O resto já é sabido...

Felipe disse...

Anônimo,

Não sou assessor de imprensa da CBF. Acredito que teremos muitas dificuldades para fazer a copa. Mas se você quer detonar, o faça com coerência e não em projeções futuras. A imprensa não está abafando nada. Pelo contrário. O que mais se vê são preocupações e ponderações e questionamentos acerca da viabilidade de realizarmos a copa, mesmo já tendo sido escolhidos.

O problema em questão é apenas de desinformação (e você parece ser um cara, além de covarde por não assinar seus comentários, desinformado por não saber a origem das verbas). Quer achar que haverá superfaturamento de obras de infra-estrutura? Beleza. Agora, se você se informar um pouco, vai ver que estádio quem constrói é a iniciativa privada. Governo cuida (e pode até roubar, superfaturar ou o que seja) de infra-estrutura. Pesquise mais, se informe, e voltemos a conversar. De preferência, assine. É fácil detonar todo mundo, chamar uma pessoa de ingênua ou de assessora da CBF (o que é uma baita ofensa) sem dar as caras.

Daniel, não li esse livro, mas, de fato, trata de uma versão interressante dos fatos. Com muita informação, aliás (você devia ensinar o digníssimo "anônimo" ali em cima a se informar, coisa que ele não sabe fazer). Mas nunca vi dirigentes colombianos reclamando de terem sido sacaneados. Outra: a Copa de 1982 ja´teve 24 times. Então não haveria aumento para 1986. Apenas uma manutenção do número que já existia. Se não güenta, por que veio?

Sobre a infra-estrutura, você há de convir que Atenas já tinha uma estrutura muito mais evoluída (ainda que caótica) do que as cidades brasileiras. O metrô do Rio e o Maracanã, pelo menos, do que pude observar, ainda (e é muito cedo pra dizer que isso é definitivo, pois passaram-se apenas dois meses do pan) estão muito ajeitados e organizados. Coisa de alto nível. Não se resolvem todos os problemas de uma hora para outra. E o Pan é um evento bem menor. Com cobrança menor - vc lembra bem de Santo Domingo a zona que era até às vesperas do torneio; a Copa América na Venezuela também.

Mas estamos falando de Copa do Mundo. E nos últimos anos o caderno de encargos é muito exigente, grande e rigoroso. Se a gente não der conta (e isso é perfeitamente possível), vamos perder a Copa pro Canadá ou pros EUA ou pra Austrália. É isso que tô falando: acredito no rigor das inspeções e que isso puxará para cima a qualidade das obras realizadas. A Fifa naõ tolerará enrolação, acredito. É diferente co COB, da Codepa. O COI, por definição, não vai levar olimpíadas para países de terceiro mundo. Então elas já têm uma estrutura bastante montada para receber os jogos. Fazem obras e ajustes sim. Mas a discrepância entre o que existe e o que precisa existir em sete anos é muito menor do que num processo seletivo de copa do mundo, por exemplo. Por isso, acredito que, se a gente vier a sediar a Copa, é porque teremos passado por uma prova de fogo que terá deixado um legado de qualidade bem alta. Para quem não tem nada, ter o mínimo de estrutura será um avanço muito maior.

Abração, companheiro!!!

Anônimo disse...

Eu vejo isso tudo com muita desconfiança. E a justificativa para isso é do próprio Pan do Rio de Janeiro. Muito antes de começarem as obras, foi alardeado que a iniciativa privada ia cobrir os gastos, que a verba de televisão ia ajudar e etc. O que aconteceu? Que eu saiba, o governo federal acabou custeando quase tudo. O Rio continua com os mesmos problemas. Sou mais pessimista ainda quanto à outro tópico. O país receber uma copa do mundo é mais uma chance de dirigentes como Ricardo Teixeira se perpetuarem no poder. Me desculpem aqueles que se calam com os resultados, mas prefiria ver o Brasil perder e essa cambada ser defenestrada do esporte do que ganhar e continuar com esse povo. Um pequeno mal para um bem maior, se preferirem.

Abs

Léo Alves disse...

Não dá para pensar a Copa será de todo mal. Nem de todo bom, como pinta uma grande emissora de tevê. Aliás, fico pensando que até 2014 quase todos os dias teremos matérias sobre a Copa do Mundo. Dia desses vi uma chamada "faltam apenas sete anos para a Copa do Mundo". Só sete anos? Até lá muita coisa pode acontecer. Inclusive o Brasil não cumprir com as obrigações e perder o evento.