21 março 2006

A arte de ser chefe

Não sei o que deu na minha cabeça, mas eu passei a odiar todos os chefes. Tudo bem, todos não, vai. A maioria, o meu chefe atual, Paulo Rossi, é extremamente gente boa. Nem parece chefe, por isso não conta. Passei a odiar os chefes dos outros, então.

Um companheiro de redação, o experiente repórter Roberto Naves, soltou uma frase sensacional sobre a "A Arte de Ser Chefe":

"Chefe não quer saber quantos problemas você vai enfrentar para fazer a matéria pedida. Quer apenas dar a ordem e ponto final".

Neste momento que estou escrevendo esse post me veio à cabeça três tipos de chefe:

1 - Autoritário;
3 - Inexperiente;
2 - Rei sem coroa.

1 - O autoritário é famoso. É a figura mais horrenda que existe. Ele aparenta estar sempre sob pressão por parte do próprio chefe dele. Veja bem, se em uma guerra, um pelotão perde, a culpa do fracasso não vai para os soldados, mas para o capitão do pelotão. Esse chefe aproveita para descarregar toda a pressão proporcionada pelos superiores dele nos pobres e humildes soldados. O chefe autoritário tem vida longa, porque todos têm medo dele. Mas como o mundo dá muitas voltas, ele pode acabar sendo demitido e o autoritário estará, como se diz em Brasília, "fudido e mal pago". Se esse camarada estiver desempregado ele estará mal visto no mercado e sem nenhum amigo a quem recorrer. Só os babões de plantão, que mesmo levando porrada diariamente, fazem questão de agradar o mandão.

2 - A carreira jornalística arma algumas armadilhas aos mais novos (aos mais velhos também, mas como sou novo, não posso falar pelos mais velhos). Muitas vezes, por corte de gastos, por uma prova de competência precoce, ou por um golpe da sorte, focas acabam se transformando em chefes. Como citei no post "Suave Veneno", é inevitável que a alta dose de veneno tome conta do espírito do recém-formado. Às vezes o cara é totalmente gente boa, toma cervas com você enquanto é repórter, troca idéias, mas basta ser promovido para o sucesso subir à cabeça. Queimar etapas dentro de uma redação é uma das piores coisas que pode acontecer a um jornalista novato, os chamados focas. O que agrava a situação é que ele vai se tornar um chefe autoritário no futuro, porque ele pensa que você, por ter mais ou menos a mesma idade dele, está querendo derrubá-lo, justamente por saber que talvez não tenha o conhecimento necessário para estar na posição de chefe. No final das contas, o cara acaba se tornando uma figura odiada na editoria.

3 - Como eu disse, tenho a sorte de ter um chefe extraordinário. Gente boa, compreensivo, e inteligente. As falhas dele eu não conto aqui, porque ele pode acabar lendo. Anyway, ele é um pequeno exemplo de "Rei sem Coroa". É o cara que manda sem precisar ter o direito de mandar. É um líder natural. Rei sem coroa é o cara que te pede para fazer tal tipo de matéria complicadíssima e que não tem nada a ver com o que você trabalha, mas você faz mesmo assim pelo simples fato de ajudar aquele chefe. Porque ele merece. Ele é quase um amigo do peito. É aquele tipo de pessoa que cobra as coisas mostrando teu potencial para fazer coisas interessantes.
É dificílimo encontrar uma pessoa desse naipe. Sorte de quem tem um desses.

E você, qual tipo de chefe é o seu?

4 comentários:

Léo Alves disse...

Realmente saber ser chefe não é uma coisa fácil. Ser qualquer um pode ser. Agora saber ser é outra história. Afinal já dizem os administradores que liderança se conquista, não se impõe. O chefe autoritário perdeu e perde espaço a cada dia. O líder não. Ele cobra e você não se sente cobrado. Pelo contrário se sente motivado pela confiança que ele dá. Já convivi com alguns chefes até hoje, nunca tive problemas com eles. Há nove meses estou na TV Paraíba, onde passei a conviver com outro chefe, Rômulo Azevedo, que inclusive foi meu professor na universidade. Se fosse para encaixá-lo em uma das definições certamente a "Rei sem coroa" é a apropriada.
O grande problema também é que alguns profissionais não cumprem com a obrigação. Confundem o jeito gente boa do chefe (do Rei sem coroa) e querem fazer a coisa do jeito deles. Eu sempre costumo dizer que, em muitos casos, quem faz o chefe é o profissional, é a forma como ele encara seu trabalho.

Anônimo disse...

Concordo em gênero, numero e grau com meu amigo e colega de trabalho leozinho! Nosso chefe é a melhor pessoa do mundo, um paizão, super competente e inteligente. Pena que algumas pessoas não dão valor a isso e acabam se aproveitando.
Se bem que nós somos suspeitos né? Afinal, somos queridinhos de Rômulo =) Mas só porque sabemos valorizar o chefe que temos!

Lenildo Ferreira disse...

Eu também concordo plenamente com o texto. Olha, confesso que acho é pouco quando esses chefes autoritários quebram a cara. Como diz meu pai, "babão só sai da empresa com três pés: dois no chão e um na bunda". Agora, quanto ao atual momento, ainda encontro-me sem chefe, mas estou esperando arrumar um logo... Ahh! Agora essa de encaixar teu chefe na categoria legal soou suspeito, rapaz... KKKKKKKKKKKKK !!! Abraços

DB disse...

Realmente, Nildo, pareceu babação pura encaixar meu chefe nesta classe de chefes. Não que ele seja exatamente um "Rei sem Coroa", mas como disse, é um pequeno exemplo. Não é o melhor exemplo, porque tem alguns defeitos omitidos no texto. No fundo, no fundo, acredito que poucos são os reis sem coroa no mercado...