Quer queira, quer não, atletas, treinadores, dirigentes, até políticos e pessoas que costumamos entrevistar diariamente são nossos companheiros de trabalho. Precisamos dos serviços deles para fazer o nosso.
Se eles não quiserem falar com a imprensa, temos uma única alternativa: descer o cacete no jornal, na TV, na rádio ou no espaço que temos, como o blog, por exemplo.
Veja o caso do Brasiliense, time de futebol de Brasília. Criado há cinco anos pelo senador cassado (é com dois S mesmo) Luiz Estevão, o clube é odiado por todos os repórteres esportivos do Distrito Federal.
Como se não bastasse o fato de Lulu (Luiz Estevão) acreditar cegamente e divulgar sempre que tem a oportunidade que repórter de esporte "é o mais burro da editoria. Porque ninguém em uma redação de respeito quer trabalhar com futebol, só os que não entendem sobre nenhum outro assunto", ele proibiu a imprensa de assistir aos treinos lá no campo do time (que por sinal, é público).
Ou seja, além de termos um excelente motivo para dar porrada em Lulu diariamente no jornal, tem o agravante do desrespeito pessoal mesmo. Então, ele é o caso de "companheiro de trabalho non grata" (termo criado por mim agora).
Mas há casos como os dos jogadores de basquete. Acompanho de perto o Campeonato Nacional masculino de basquete em viagens pelo Brasil e acabei me tornando ligado a alguns atletas. Alguém se lembra de Pipoka? Ele é de Brasília, tem 40 anos, participou de três Jogos Olímpicos ao lado do Mão Santa Oscar Schmidt, mas continua jogando profissionalmente.
Ele é o oposto de Lulu. Qualquer matéria que eu faça sobre ele será tedenciosa. Primeiro, porque, assim como Estevão, ele merece um texto tendencioso (só que o senador cassado merece o outra tendência). Segundo, porque Pipoka é uma figura da cidade de Brasília, querida e ovacionada.
Acontece que, dia desses descobri que o time dele não paga salários há dois meses. No futebol, isso é assunto corriqueiro, mas no basquete não. O time de Pipoka, o Universo BRB, é o braço forte de um grupo nacional que engloba seis ou sete universidades pelo país, cujo dono é senador da república (não, não é Lulu), Wellington Salgado de Oliveira. Em outras palavras, não há motivos para atrasos.
Por ser novidade no basquete, corri atrás das fontes para detonar o tal senador no jornal. A primeira pessoa que fui conversar foi Pipoka. A matéria é de interesse dos jogadores. Para minha surpresa, Pipoka reconheceu o atraso nos pagamentos, mas pediu desculpa e disse que não falaria, temendo represálias. Minha matéria dando porrada no senador "companheiro de trabalho" dono do Universo BRB nasceu morta.
Eu tenho todas as informações para detonar a diretoria do time de basquete. Quando foi o último pagamento, quanto é folha salarial, o que foi combinado e o que foi feito pela diretoria. Mas como Pipoka, um dos beneficiados com a publicação da matéria, pediu para não falar, abortei a missão. Nada de salários atrasados no Universo BRB.
Podem dizer que sou parcial, mas, convenhamos, você conhece alguém imparcial?
Eu não.
Veja um caso do estagiário de esportes de um jornal concorrente ao meu. De tanto cobrir os treinos do time de vôlei feminino de Brasília, o camarada passou a sair na night com as jogadoras, e receber ligações a cobrar das atletas.
Ao final da temporada, ele traçou duas grandalhonas (no mal sentido mesmo).
Vamos ser companheiros de trabalho, mas daí a virar amante já é exagero, né?
PS - não estou fazendo apologia à parcialidade do repórter. Só me refiro ao sentimento que o repórter tem na hora de escrever ou apurar uma matéria. Porque antes do espírito profissional, existe um sentimento na pessoa que escreve uma reportagem. É este sentimento que me referi neste post, OK?
Trem bala (cover)
Há 8 anos
Um comentário:
A imparcialidade é algo sempre a ser perseguido no jornalismo. Daí a conseguir é outra história. Até porque como DB disse somos seres humanos, temos nossos valores. A partir do momento que há envolvimento com a história (o fato) a imparcialidade fica um pouco de lado.
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