Por Daniel Brito
Quando estou sem absolutamente nada para fazer, me pergunto o que eu faria se estivesse cara-a-cara com alguma figura polêmica e tivesse que entrevistá-la. Por exemplo, Suzane Von Richtofen (é a primeira pessoa que me veio à cabeça agora).
Até desenhei uma cena na minha mente .
No meio da entrevista, eu tô lá, ouvindo aquelas justificativas e começo a desabafar:
- Sua p*ta, vagab*nda. Não tem medo de morrer não????
Ela abriria os olhos, assustado com minha reação e começaria a chorar. Ou, quem sabe, falaria coisas que nem um repórter conseguiu arrancar dela. Acho que todas as pessoas do planeta têm vontade de fazer ou falar algo parecido para ela.
É impossível isso acontecer, realmente. Mas que dá vontade, isso dá...
Tem o caso da jogadora de vôlei Mari. Foi ela quem errou a bola que tirou o Brasil da final dos Jogos Olímpicos de Atenas, há dois anos, contra a Rússia. De repente, tô levando aquela entrevista monótona com ela e aumento o tom:
- Oh, Mari, vem cá, que p*rra foi aquela no jogo contra a Rússia em Atenas?, grito, jogando o bloquinho de anotações no chão e cruzando os braços com cara de indignado.
Não quero imaginar o resto desta entrevista.
Costumo dizer que o legal de trabalhar em esportes é que, durante o plantão de final de semana, você vai a lugares que já iria se estivesse de folga. Tipo jogo de futebol. E mais: ainda pode falar com os protagonistas da história.
Só não pode ser super-sincero.
Como eu quis ser com o velejador Robert Scheidt. Sete vezes campeão mundial da classe laser, a categoria iniciante na vela, ele já meu deu uns dois foras em entrevistas. No início de setembro, levei o terceiro.
Ele participava de um campeonato em Brasília e tinha a missão de fazer um perfil dele. Aquela conversa furada:
Nome
peso
altura
idade
time de futebol
hobby
ídolo
livro
filme
Ah, aquelas baboseiras dos cadernos de TV.
Anyway, fui fazer com um pé atrás. Ao meu lado estava o professor Fernando Millani, que passava alguns dias no DF e me acompanhou em um dia de pauta.
Veja o diálogo:
- Robert, posso fazer umas perguntinhas para publicar um perfil teu no Correio Braziliense de amanhã?
- É um minutinho só?, disse andando apressado e dois passos à minha frente.
- Um minutinho. Momento mais marcante na carreira?
- Minhas vitórias...
- Momento mais difícil?
- As derrotas.
- O que você imagina que estará fazendo daqui cinco anos?
- Velejando.
- Qual é o seu segundo esporte?
- ... Tênis (ja de cara fechada).
- Quando você nào está velejando, o que você gosta de fazer (uma outra maneira de perguntar: hobby?)
- ... Cara... Faz o seguinte: liga para a minha assessoria que eles já tem todas essas respostas lá.
Bom, não precisa dizer que fiquei com a cara mexendo na frente dele, sem reação.
E você, o que faria se estivesse no meu lugar:
1) Ficaria com a cara mexendo igual a mim e sem resposta
2) Encarnaria o super-sincero???
Trem bala (cover)
Há 8 anos
8 comentários:
Certamente eu ficaria com a cara mexendo. Mas por dentro diria tudo que estava com vontade. kkkk. Se bem que já fui super-sincero com alguns dirigentes de futebol ao dizer que eles eram cheios de frescura. Por pouco não começa uma discussão. Como já relatei aqui num post já fui sincero com um jogador de futebol ao dizer-lhe que eu não me metia no trabalho, então ele não se metesse no meu. Discutimos. E não fica bem bater boca com ninguém. Depois fizemos as pases. Às vezes é melhor ficar com a cara mexendo, calado.
Pois eu já entrei no elevador do Ministério Público com a Suzane Von Richtofen. Éramos eu, ela e um senhor que deveria ser advogado dela. Admito que fiquei com medo daquela garota franzina e aparentemente inofensiva.
É amigo Daniel. De fato presenciei esta sua tentativa de entrevista com o velejador no Lago Paranoá, em Brasília. Vida de repórter não é fácil porque às vezes tem que engolir sapos de gente metida a estrela. Mas acredito que chega o momento da vingança. Eu não entendo como alguém que sai de um ambiente tão desestressante como água e, velejando, possa ser tão mau humorado assim. É estrelismo demais. Porém quando esse pessoal cai no ostracismo e a mídia não dar a menor bola, aí o cara corre atrás. O tempo corrige essas figurinhas. Abraços!!!!
Uma das grandes virtudes do bom jornalista é saber lidar com as diferentes situações. Neste caso, ficar com "a cara mexendo" foi a opção mais acertada. Não vale a pena discutir com pessoas que se sentem mais que as outras, como Scheidt. Um dia a vida se encarrega de endireitá-lo...
Ficaria com a cara mexendo...
ultimamente tenho aprendido a ouvir mais do que falar...
kkkkkkkkkkk
=)
Bjs Daniel e Leo!
Com certeza, com a cara mexendo.
Já tive o desprazer de tal atitude: "logo eu em início de carreira?" pensei.
Mas, entendi que nossa função é essa mesmo, perguntar, perguntar e perguntar. Até quando não restar nenhuma dúvida sobre o assunto.
Depois isso passa e estamos mais preparados para os próximos :-D!
Com certeza, com a cara mexendo.
Já tive o desprazer de tal atitude: "logo eu em início de carreira?" pensei.
Mas, entendi que nossa função é essa mesmo, perguntar, perguntar e perguntar. Até quando não restar nenhuma dúvida sobre o assunto.
Depois isso passa e estamos mais preparados para os próximos :-D!
Uma vez fiquei com a cara mexendo também, engoli seco, só pq o cara era o pai do governador se achou no direito de me dar um fora....esse cururú desceu rasgando de goela a dentro, mas já digeri o bixin!!!!!!!
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