18 fevereiro 2007

Credibilidade em queda

Por Léo Alves

Quem trabalha cobrindo futebol em Campina Grande(PB) é acusado inúmeras vezes de ser parcial.

É um complexo de perseguição.

Quando o jornalista diz alguma coisa que vai de encontro às convicções de torcedores, jogadores e diretores, surge logo a idéia de conspiração. “Fulano de tal está trabalhando contra time o A”. Em termos genéricos é o que costumam dizer.

Semana passada, escrevi um artigo para o site Agora Esportes, no qual abordei a situação do Treze, um dos principais times da Paraíba. Antes mesmo do artigo entrar no ar já sabia que seria criticado.

Não deu outra!

Aparecerem aqueles velhos argumentos carregados de paixão de torcedor, sem fundamentos, de que eu estaria trabalhando contra o Treze. Como forma de interagir, dei uma resposta no mural do torcedor do site, reafirmando o que havia escrito e apresentei mais dados que reforçaram o artigo.

Dois dias depois de publicado o texto, não vi mais nenhum torcedor exaltado criticar minha opinião. Tampouco reconhecer que eu estava certo.

Sem problema.

As críticas injustas que me fizeram tiveram que ser engolidas a seco.

O assunto reacendeu a discussão sobre a imparcialidade da imprensa esportiva. Dirigentes, jogadores e torcedores exigem imparcialidade. Mas esse episódio me fez chegar a uma conclusão.

As pessoas não querem imparcialidade. Querem jornalistas que só elogiem o clube. Esses são chamados de imparciais porque vivem puxando o saco dos boleiros.

Confesso que não é fácil seguir uma linha diferente. Os próprios colegas ('jornalistas') plantam a idéia de que você está criticando porque é contra tal time. Dirigentes, jogadores e torcedores estão mal acostumados. Vários repórteres (perdoe-me a falta de ética) que vivem a bajular esse pessoal.

Não fazem uma crítica;
Só abrem a boca para falar bem, puxar o saco;
Recebem favores de dirigentes;
Saem para beber com eles;
Isso sem se falar na paixão pelo clube que cobrem diariamente.

Como já abordei aqui no Filhos da Pauta, são os repórteres-torcedores.
Na realidade não têm moral para criticar.

Por essas e outras que a credibilidade da imprensa esportiva de Campina Grande diminui a cada dia. Eu não sei até quando vou agüentar nadar contra a maré.

PS – Peço perdão pela falta de modéstia neste post, que para mim foi muito mais um desabafo.

2 comentários:

Felipe disse...

É fato também que o leitor de esportes é um sujeito extremaente passional e, em regra, mal-educado e irascível. Ele não hesita em pegar o telefone e ligar para a redação do jornal vociferando impropérios para cima do nobre redator, acusando-o de torcer para este ou aquele time, quando uma matéria desfavorável é publicada.

Felipe disse...
Este comentário foi removido pelo autor.