08 fevereiro 2007

Erros

Pedro Henrique Freire

Quando estagiava no jornal O Imparcial (Maranhão) em 2002, todos os dias eu aprendia algo novo. Não importava qual fosse o fato, de tudo se tirava uma lição. Acostumar-se com o texto jornalístico, por exemplo, foi um desafio gostoso de ser enfrentado. Primeiro porque entrei na redação quando ainda estava no primeiro semestre da faculdade. Depois, e agora faço aqui minha confissão, ocupei a adolescência mais com leituras de revistas de surfe e outdoors do que com jornais. Enfim...

Numa sexta-feira de fechamento saí atrasado do jornal. Precisava chegar na aula às 19h. Cheguei às 20h. Estava às voltas com duas matérias de polícia. Fatos simples que exigem apuração minuciosa. Entreguei a matéria pro editor e não fiquei lá para tirar qualquer dúvida. Às 20h40, me ligam. Estava no intervalo. Atendi:

- Olá, Janine (era minha editora). Algum problema com a matéria?
- Não. Só queremos te dizer que o “Mero Preto” (famoso criminoso de São Luís, protagonista de uma das notícias que apurei), estava corcunda e você não colocou isso na sua matéria.
- Ué! Como assim corcunda? Não ouvir falar na DP que o cara estava torto.
- É que ele ficou agora.
- Não tô entendendo, retruquei.

Ela riu. Eu também. Depois me explicou que aquilo era uma brincadeira. Eu tinha escrito na matéria que o tal Mero Preto, “que já carregava vários processos nas costas”, fora preso outra vez. Como o cara era realmente perigoso, estava corcunda de tanto processo pesando sobre suas costas. Entendi o erro. Não se escreve aquilo de jeito nem um. Aquela foi a primeira de muitas pérolas que cometi quando entrei na redação.

Gargalhada geral. Não me senti constrangido. Percebi que essa não era a intenção da minha editora. Dava-me muito bem com ela e os outros editores e repórteres. Só restava-me gargalhar, gargalhar e gargalhar. Depois de um rápido, no qual ela me deu alguns conselhos, combinamos a cervejada com os jornalistas depois do fechamento.

O que me consolava é que, mesmo iniciando nesse mundo, eu já tinha ouvido falar das pérolas do jornalismo. Entre elas, de muita gente consagrada no meio.

No outro dia, cheguei na redação e indaguei: afinal, quem não coleciona erros assim na carreira?

2 comentários:

Felipe disse...

Quando eu estagiava no Caderno de Imóveis do correio, nos idos de 1998, tinha que fazer uma matéria sobre onde tinha apartamenteo de 2 quartos semi-prontos para comrpar. Liguei pras construtoras e uma delas era a Encol. Falei com a assessora que precisava fechar uma matéria pro Correio urgente e tinha que falar com alguém que me desse mais informações sobre os apartamentos. Com uma pressa inimaginável, ela me repassou para um "tal" George Washington, que era tipo o cara mais fodão da construtora. Quando ele atendeu, eu, humildemente (com a devida licença poética de DB), expliquei a ele a pauta e ele ficou perplexo e só respondeu:

- Cara, eu tô com um mandado de prisão nas minhas costas, tá cheio de jornalista aqui fora, televisão, rádio e você quer saber como são os apartamentos de dois quartos?

A entrevista acabou ali e logo fui perceber, ao ligar a TV, que a Encol tinha acabdo de ter a falência decretada e a polícia tava toda atrás do tal George Washington. Com transmissão ao vivo nos jornais, um escarcéu. Enfim,o mundo caindo e o zé bobão aqui fazendo uma mate´ria semanal, sem a menor noção. Coisa de calouro!!!

abração

DB disse...

Os erros me perseguem. Já escrevi isso no lendário texto: "Não sou perfeccionista", em outubro de 2006. Principalmente com números quebradinhos, tipo zero vírgula.
Na minha curta carreira, adquiri um espaço que, se conhecido por aquelas pessoas que adoram me criticar, seria massacrado diariamente.
Deixo os erros 'crássicos' só para os amigos comentarem, não é, Campbell, Da Silva e Grande Predo???