Por Pedro Henrique Freire
Quero contar uma história que acontece nas piores redações.
Sem citar nomes, claro.
Depois que os jornais viraram empresas arrojadas, com obsessão pelo lucro, o jornalismo mudou. Agora, o diretor de redação está preocupado, sobretudo, em não desagradar grandes anunciantes. Claro que tentam fazer um bom jornalismo. Mas são pressionados de cima a pensarem sempre em não se indispor com quem lhes dá dinheiro.
O duro é quando o cara que dirige a relação empresa-anunciante não entende bulhufas de jornal. Conheço um desses diretores que chega na redação e faz assim: “Olha, publica esse release e coloca três fotos do governador, tá?”.
Os piores profissionais não contestam, mesmo que o erro seja latente. Eles fazem. Muitas vezes, não fazem e não avisam que não fizeram. No outro dia, o tal diretor olha o jornal com apenas uma foto sobre um assunto (como deve ser). Sabe o que ele faz? Desce na redação e fala o seguinte. “Republique o release e coloca as fotos”.
Não precisamos dizer que isso é totalmente desnecessário.
Mas só reflete o despreparo de alguns profissionais que intervém diretamente na redação sem entender nada de foto, de texto, de notícia...
Não entendem nada de jornalismo!
O resultado é um jornal improvisado, cheio de notícias bobas, sem importância. E o pior, com um texto quase publicitário. No Nordeste, principalmente, os veículos impressos têm mania de release. A assessoria dos governadores chega ao cúmulo de obrigar as redações a publicar o mesmo texto, sobre o mesmo assunto oficial. Caso contrário, perdem a verba publicitária.
É um jogo duro que só destrói o bom jornalismo e a possibilidade de praticá-lo. A razão de tudo: no final do mês, depois de ter sido feito tudo que o grande anunciante mandou, chega uma pomposa verba publicitário.
O mau diretor se fortalece.
E o mau jornalismo também.
Trem bala (cover)
Há 8 anos
Um comentário:
Já trabalhei em assessoria (como estagiário) e escrevia releases que eram publicados na íntegra. Não consigo conceber isso. Não tem lógica. Não era nem jabá, no caso. Era preguiça mesmo, acho.
Abração
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