Entre os jornalistas existe um mito de quem trabalha em televisão é porque gosta de aparecer. Não necessariamente. Até porque eu e outros colegas começamos em outras mídias até chegar à tevê. Eu, por exemplo, comecei na rádio, depois jornal, internet e por último a tevê. Começei em dezembro de 2001. Não concordo com essa história de que todo repórter de televisão gosta de aparecer. Porém admito que muitos pensam que todo mundo os conhecem. Vou logo dizendo que não penso assim. É tanto que na maioria das vezes que vou entrevistar alguém faço questão de me apresentar, dizer em qual emissora trabalho. No começo de minha carreira na tevê – se bem que eu ainda estou no começo – tive uma experiência interessante, ou melhor, engraçada. Meu amigo Daniel Brito estava comigo e quase morreu de rir. A experiência serviu para mostrar que repórter de televisão não é tão conhecido como às vezes pensa. Em junho de 2002 ou 2003 (não lembro bem) estávamos eu, Daniel - que havia chegado de viagem - e Chico Morais (fotógrafo) no Parque do Povo, época de São João, num quiosque comendo tapioca, batendo papo. De repente a vendedora olha pra mim:
- Eu tô conhecendo o senhor de algum lugar.
- É? perguntei pensando que a mulher tinha me visto na tevê. É um pensamento normal para quem diariamente está num telejornal.
Daniel nem percebeu que eu estava conversando com a vendedora. E ela continuava olhando pra mim, como se tivesse tentando lembrar de onde me conhecia. E o pior é que ela não me conhecia.
- Não estou lembrado de onde conheço o senhor.
- É mesmo? perguntei novamente.
- Ah, agora lembrei. O senhor não é Clóvis, cobrador da Expresso Nacional?
- Não senhora.
- Não? Eu pensei que era. O senhor está com essa camisa azul, que os cobradores da Nacional usam. E o senhor é a cara de Clóvis, disse ela espantada. Talvez até pensando que eu estivesse mentindo.
A Expresso Nacional é uma empresa de ônibus de Campina Grande, na qual os motoristas e cobradores usam como farda camisa azul e calça azul escuro.
Nisso eu já estava morrendo de rir. Daniel, perguntando o que tinha acontecido. Quando contei que a mulher estava pensando que eu era Clóvis da Nacional, Daniel e Chico quase morrem de rir. Na verdade nós não conseguíamos parar de rir. A vendedora ficava olhando, sem entender nada. Passei mais de um mês ouvindo Daniel e Chico contarem essa história a todos que encontravam. E ainda por cima me chamando de Clóvis da Nacional. Eu não fui o único a passar por uma situação como essa. Um colega meu - que não vou revelar o nome, nem onde ele trabalha porque não pedi autorização – também passou por uma dessas com o dono da emissora que trabalha. Ele foi escalado para uma matéria recomendada (a famosa rec) na qual entrevistaria o dono da emissora. O patrão estava conversando com outros empresários quando chega o repórter:
- Com licença, o senhor poderia dar uma entrevista pra tevê?
- Pois não, disse ajeitando o paletó. Qual a sua emissora?
O repórter disse o nome da emissora na maior naturalidade, mas ficou sem jeito porque o patrão não o conhecia. A entrevista ocorreu normalmente. O pior é que tinha uma colega dele que ouviu tudo e, como era de se esperar, contou para vários outros jornalistas de Campina Grande. Já dá pra imaginar o que ele sofreu.
São por essas e outras que o repórter de tevê corre de ouvir: você é o famoso quem?
Trem bala (cover)
Há 8 anos
2 comentários:
Realmente, Leo. Eu que não trabalho com reportagem externa já passei por situações do tipo: "Você trabalha onde?" "Na TV Paraíba" e ouvir da pessoa um "Ah! Bem que eu tava te conhecendo de algum lugar..." Nunca aparecí no vídeo. As poucas vezes que saí com a equipe, fiz off para outro repórter gravar. Mesmo assim sabemos que existem os famosos repórteres "guichês", aqueles que adoram uma passagem... (não vou citar nomes por ética, mas tempos casos na emissora) muitos se acham e quando chegam em outro lugar ouve um "você é o famoso quem"! O importante é saber quando botar o rosto em uma matéria.
leuuuuuuuu mta resenha essas coisas que acontecem com vcs né?!?! Em relação às passagens, fico morrendo de rir com os comentários de rômulo... =) Mas é isso, vcs estão sujeitos a reconhecimento ou completa confusão! Bjs Clóvis!
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