07 dezembro 2005

Suit...

No jornalismo, existe um termo chamado SUIT. Eu nao sei se é exatamente assim que se escreve (já vi várias versões), mas é muito importante no dia-a-dia. Suit é o simples fato de você dar continuidade a um assunto que você começou no dia anterior, na publicaçao anterior, no programa anterior, enfim...
É comum um jornal dá notícia de que um assassinato terá seu laudo divulgado em 15 dias e nunca mais dar notícias sobre o assassinato. Isso é um erro jornalístico...
Pois bem. Fazendo uma suit do história que postei ontem, aí vai o lado de William Bonner sobre a história de o "pai de família brasileiro ser a cara de Homer Simpson".
A notícia abaixo foi publicada no UOL:

Em resposta encaminhada ao site de notícias "Blue Bus", que recebe ampla participação dos leitores, o jornalista William Bonner diz que se sente "envergonhado" por ter de justificar o motivo pelo qual comparou o telespectador do "Jornal Nacional" a Homer Simpson, o chefe da família Simpson.

A polêmica surgiu com a publicação de um artigo assinado pelo professor da USP Laurindo Lalo Leal Filho na revista "Carta Capital" desta semana, no qual relata suas impressões após uma visita à redação do "Jornal Nacional". No artigo de duas páginas, que abre a publicação, Leal Filho critica William Bonner por ter se referido ao telespectador médio de um dos principais telejornais do país como Homer Simpson, porque teria dificuldade de "entender notícias complexas e pouca familiaridade com siglas como BNDES".

No e-mail que encaminhou ao "Blue Bus", Bonner classifica Homer Simpson como "um pai de família, trabalhador, protetor, conservador, sem curso superior e que assiste à TV depois da jornada de trabalho". Segundo o jornalista, sua intenção ao citá-lo foi simplesmente tentar exemplificar o tipo de público que assiste ao telejornal da TV Globo. "Jamais tive informação de que alguém guardasse imagem tão preconceituosa, tão negativa do personagem do desenho", justifica.

O apresentador, que também é o editor-chefe do "JN", disse ainda que ele e o professor universitário não compartilham a mesma opinião sobre o persongem. "O Professor Laurindo tem uma visao diferente de Homer. Em vez do trabalhador (numa usina nuclear), o acadêmico o vê como um preguiçoso. Em vez do chefe de família, o Professor Laurindo o vê como um comedor de biscoitos. Esta imagem não é a que tenho", completou.

William Bonner finaliza o texto dizendo que "fracassou no desafio de ser claro e objetivo" na manhã de 23 de novembro, quando recebeu na redação do "Jornal Nacional" Laurindo Lalo Leal Filho e o grupo de professores universitários.

Particularmente, acredito que Bonner não está errado. É claro que o JN tem vários pontos de interesses duvidosos, mas não se pode negar que o programa jornalístico mais assistido do Brasil não pode tratar as notícias como se estivesse "falando" para um público seleto.

É exatamente o oposto. Vai colocar no jornal nacional que o BNDES não liberou financiamento dA COnstrução de uma usina de carvão no interior do Mato Grosso do Sul... Certamente as pessoas que têm negócios com carvao, ou moram no interior do Mato Grosso do SUl estao interessadas no assunto. Mas o que os brasileiros de baixa renda (que é maioria) tem a ver com a história?Imagine a historia do gás para pessoas pobres em Massachussets???

Além disso, tem a história que Boni, o chefão da Globo (não sei se ele ainda é), tem uma pesquisa de cinco, sete anos atrás, que comprova que apenas 30% da audiência dos programas jornalísticos pretam atenção se o repórter errou concordância gramatical no texto, se o batom da repórter está vermelho demais, se o cabelo da apresentadora tá com chapinha, se o comentarista passou uma informaçao fora do contexto... Os outros 70% querem mesmo é a informaçao bruta e ponto final!

Para completar, queria dizer que realmente deve ser difícil para um professor de jornalismo, que nunca teve a experiência de trabalhar numa redaçao, entender como se faz um jornal diário. Todas as empresas (eu disse TODAS) tem interesses. A minha, por exemplo, tem interesses políticos. A Globo tem comercial e político. Por isso, não existe jornalismo isento. Há interesse em tudo.

No caso de Bonner, é aumentar índices de audiência com matérias que mexam diretamente com a vida do telespectador. Claro que por trás disso, está os interesses da Globo, é claro (aí é o maior erro do JN, na minha modesta opinião. Erro que não será corrigido nunca). Bonner não está errado em se pautar pela audiência. Até porque, mesmo o fazendo, produz um jornal interessante que não deixa de informar a ninguém sobre as principais notícias do dia... (E olha que nem da Globo eu gosto, hein??)

Um comentário:

Anônimo disse...

Ôh muído grandi...

Afffffffffy!