Na falta de histórias interessantes para postar, completo a série Leitura Obrigatória desta semana com o texto de Diogo Mainardi na Revista VEJA desta semana. Provocar é com ele mesmo. E no texto abaixo, ele cutucou Deus e o Diabo com vara curta. Só não me pergunte quem é Deus e quem é o Diabo no texto abaixo (Mainardi, certamente está entre os dois):
Diogo Mainardi
Observatório da imprensa
Os lulistas reclamam da imprensa. Não entendo o motivo. Lula já teria sido deposto se jornais, revistas e redes de televisão não estivessem tomados por seus partidários.
Eu acompanho todo o noticiário político. Minha maior diversão é tentar adivinhar a que corrente do lulismo pertence cada jornalista. Não sou um grande especialista no assunto. Não freqüento o ambiente jornalístico. Tenho apenas quatro ou cinco amigos no ramo. E nunca fui de esquerda.
Não sei direito quem é quem dentro do PT. Esses pelegos me parecem todos iguais. Mas tenho um bom olho para reconhecer o jargão lulista. Não preciso de mais de uma frase, perdida no meio de um artigo, para identificar um governista infiltrado.
O Globo tem Tereza Cruvinel. É lulista do PC do B. Repete todos os dias que o mensalão ainda não foi provado. E que, de fato, José Dirceu não deveria ter sido cassado. Cruvinel aparelhou o jornal da mesma maneira que os lulistas aparelharam os órgãos públicos. Quando ela tira férias, seu cunhado, Ilimar Franco, assume sua coluna.
Kennedy Alencar foi assessor de imprensa do PT. Ele continua sendo assessor de imprensa do PT, só que agora de maneira não declarada, em suas matérias para a Folha de S.Paulo. Ele é o taquígrafo oficial de André Singer, secretário de Imprensa de Lula. Singer dita e Kennedy Alencar publica.
Franklin Martins é José Dirceu até a morte. Eliane Cantanhêde é da turma de Aloizio Mercadante. Luiz Garcia é lulista, sem dúvida nenhuma, mas não consigo identificar sua corrente. Vinicius Mota é do grupo de Marta Suplicy.
Quem mais? Alberto Dines é seguidor de Dirceu, e só se cerca de seguidores de Dirceu. Alon Feuerwerker, do Correio Braziliense, é do partidão, e apóia quem o partidão mandar. Paulo Markun, da TV Cultura, tem simpatia por qualquer um que seja minimamente de esquerda. Paulo Henrique Amorim é lulista de linha bolivariana. Ricardo Noblat era lulista ligado a Dirceu, mas pulou fora no momento oportuno.
Leonardo Attuch, da IstoÉ Dinheiro, é subordinado a Daniel Dantas. Quando Dantas está satisfeito com o governo, Attuch é governista. Quando Dantas está insatisfeito com o governo, Attuch vira oposicionista. Mino Carta, por outro lado, é subordinado a Carlos Jereissati. Tem a missão de atacar Dantas. E de defender a ala lulista representada por Luiz Gushiken.
Os jornalistas que não pertencem à área de Dirceu, Gushiken, Mercadante, Suplicy ou Rebelo em geral pertencem à área de Antonio Palocci. Nunca houve um político tão protegido pela imprensa quanto ele. Palocci tem defensores influentes em todos os veículos, sobretudo em O Estado de S. Paulo e Valor.
Nem mesmo VEJA escapa do tribunal macartista mainardiano. Os lulistas costumam definir a revista como tucana, mas eu desconfio que ela esteja cheia de lulistas. Não posso revelar seus nomes por puro corporativismo. E porque não quero perder aqueles quatro ou cinco amigos na profissão.
Pelo pouco que circulo com essas pessoas citadas por Mainardi, posso dizer que Ricardo Noblat é, sim, petista. Não digo lulista. Petista. O filho dele se formou em jornalismo, mas vai se candidatar a deputado distrital (o Distrito Federal tem deputado distrital e não estadual) pelo PT. Mas eu diria que Noblat quer ver o circo pegar fogo. Pode até ser lulista, mas se esbalda com qualquer coisa de errado que o presidente faça.
Um conhecido meu trabalha numa revista semanal em Brasília. Trabalha diretamente com os safados, ou melhor, os políticos no Congresso Nacional e conhece muitos dos jornalistas citados por Mainardi. Inclusive o próprio Mainardi. Ela contou que assistiu a um ligeiro bate-boca entre Dirceu e Mainardi na Sala do CAfezinho da Câmara, um dos ambientes mais freqüentados da Câmara Federal (mais até que o próprio plenário). Ela não se lembra como foi o bate-boca exatamente, mas disse que nenhum dos dois elevou o tom de voz e mesmo assim a discussão foi calorosa só na base do "Vossa Excelência"...
Outra pessoa que ela encontra muito nos corredores com cheiro de mofo do Congresso é Teresa Cruvinel, de O Globo. A única coisa que minha namorada me contou sobre ela é que essa Cruvinel tem o singelo apelido de Cruvileão. Será que é bruta?
De qualquer maneira, eu não acho legal criticar jornalistas à toa. O que esses caras fizeram para Mainardi? Escreveram suas opiniões e ele não gostou ao ponto de querer "acabar" com eles em seu espaço semanal na VEJA.
Não se discute a categoria de Mainardi de escrever textos provocativos, mas ele mesmo esquece que o mundo jornalístico dá voltas. Qualquer dia desses, ele pode trabalhar em uma redação em que a chefe seja ninguém menos que a própria Cruvileão. Aí, quero ver falar mal...
Trem bala (cover)
Há 8 anos
Um comentário:
Exato... mas essa é mesmo a cara de mainardi, que aliás...adooooooro
=)
Xêro!
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