Pedro Henrique Freire*
Depois da Operação Sanguessuga, deflagrada pela Polícia Federal, descobriu-se entre as escutas telefônicas que o empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin, apontado como chefe do grupo, e o deputado Nilton Capixaba (PTB-RO), tramavam a morte do jornalista Lúcio Vaz, do Correio Braziliense. Em dezembro do ano passado ele estava justamente investigando a fraude nas licitações de ambulâncias em vários estados Brasileiros.
Nesta sexta, o jornal O Globo lançou matéria divulgando o trecho em que um dois membros do grupo tramam o assassinato do jornalista. A gravação também foi divulgada pela Globo News. “O que você acha de mandar matar esse jornalista?”, pergunta. “Eu acho uma boa”, responde o interlocutor. Lúcio Vaz esteve nesta tarde no CorreioWeb e gravou mensagem (que está no site) em que trata do caso.
Ele diz que desconhecia esse trecho das escutas e confirma que realmente esteve em Rondônia para investigar a fraude. “Fiquei surpreso com a matéria do Globo. Eu realmente acompanhava o caso desde dezembro. Sabia que haviam escutas feitas pela polícia, mas desconhecia o trecho em estava envolvido”, diz ele.
Vaz ainda criticou a postura da Polícia Federal. Ele diz que deveria ter sido avisado pela própria PF que sofria ameaça de morte. “A polícia deveria ter avisado a mim. Isso é fundamental. Se as pessoas estão correndo risco de vida deveriam ser avisadas para que tomassem precauções”, afirma.
Na edição deste sábado, o Correio Braziliense lançará editorial na capa tratando do assunto. Provavelmente, criticando a postura da PF, que sabia que um jornalista corria perigo e não fez nada.
Lúcio Vaz é repórter investigativo do Correio Braziliense. Recentemente, lançou o livro Ética da Malandragem – O submundo do Congresso Nacional. Nele, conta os bastidores de matérias investigativas que fez ao longo da carreira.
*Colaborador e repórter do CorreioWeb
Trem bala (cover)
Há 8 anos
Um comentário:
O texto de Pedro me tirou a dúvida. Quando vi a matéria na Globo imaginei que o repórter que corria risco era Lúcio Vaz. E acabei esquecendo de perguntar a Daniel. Como li o Ética da Malandragem eu achava que os denunciantes procurariam Lúcio porque ele é acostumado a esse tipo de matéria. Como já relatamos aqui no blog, ser repórter é uma "Profissão Perigo". Como sugestão seria interessante DB ou Pedro colocar no blog a matéria em que Lúcio conta como conseguiu as informações, que foi publicada no Correioweb.
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