Pedro Henrique Freire
Reposta 1
“...O que nada impede de eu ir pra rua, fazer minhas campanhas e tudo, né? O que eu não quero, porque meu eleitorado não vai entender... como é que, né não? Você vai para uma campanha, dá o sangue, né? E depois você tá no mesmo..., né? Ele não vai entender”
Resposta 2
“O próprio Alckmin me ligou, me pediu... e tudo. Gente, eu preciso... vem cá... O meu eleitorado vai votar no Alckmin. (...) Tem coisa que você... num é? Política não é assim: acabou, acabou tudo. Não é assim. Fica mágoas. Eles sofreram muito...”
Os dois trechos acima são resultado de uma entrevista corriqueira com um político de Brasília. Nesse caso, as perguntas soam diretas. Mas as respostas... Nada aí em cima foi modificado. Os dois parágrafos são partes diferentes de uma mesma entrevista. Percebe-se, portanto, a dificuldade de articulação da fonte.
Jornalisticamente, o motivo de essas respostas estarem transcritas aí é o seguinte: o que você, jornalista, faria para amarrar essas idéias? Tratando-se de uma fonte importante, não seria possível, simplesmente, pegar as informações e abster as “aspas”. E mais: você também não poderia modificar o que a pessoa falou para adequar a seu texto. O que fazer?
Sinuca de bico
Estava em apuros. No popular, numa “sinuca de bico”. Quando peguei essas declarações e sentei na frente do computador para escrever, coloquei no discurso indireto quase tudo e pincelei as aspas com aquilo que considerava “comentários-chave”. Empobreceu o texto, mas resolveu. (Fiz a escolha certa?)
Ainda assim, quando a matéria estava sendo editada, fui chamado pela chefia. “Pedro, o que quiseram dizer com isso?”. Expliquei o que minha fonte estava querendo dizer e acrescentei. “Com ela é complicado arranjar uma “aspas” que preste. Ela nunca completa um pensamento e fala tudo atravessado”, disse.
A superior concordou, mas insistiu que pensássemos em outra forma para aquela declaração: mais simples e fácil de entender. No começo falei que não mudei porque não costumava mexer em frases de gente importante (apesar de ter colocado uns elementos de ligação entre parênteses para ficar melhor).
Resolvemos, então, inverter a ordem das duas frases. Não acrescentamos palavras. Mas demos um “trato” naquele pensamento, até então, meio “torto”. Foi modificado, mas ficou, de fato, melhor.
Depois de tudo, veio a dúvida: aspas que nasce torta, se endireita? Até que ponto é ético mudar declarações, digamos, desajeitadas?
Trem bala (cover)
Há 8 anos
7 comentários:
Em primeiro lugar, eu gostaria de pedir aos nossos oito leitores diários, fora eu, Da Silva e Predo, que NÀO cliquem em p*rra nenhuma em inglês. Esses hackers, crackers ou qualquer onomatopeia inutil em inglês deveriam procurar um site mais acessado para espalhar armadilhas, cavalos de tróia ou qualquer coisa parecida.
Alías, se alguém souber como se faz para apagar esses comentários, por favo, help us...
Sobre o texto, muito interessante.
Acho que na reportagem que tu escreveu sobre essa entrevista, vocë deveria colocar este texto aqui. Seria muito mais explicativo do que qualquer texto jornalístico. Afinal, com uma aspa dessa, não dá para colocar nem um título na matéria...
O Daniel sempre modifica aspas. E naõ vejo mal nisso. Não é modificar, é adaptar. É preciso usar bom senso. A gente não pode escrever no texto interjeições ou coisas coloquiais como "pra" em vez de para. Ou "Entendeu?", sabe? Há também aquele caso clássico em que o entrevistado é uma criatura-porta que responde apenas com "sim" e "é" ou "não". E aí a solução é você forçar. "DEputado, o seu projeto vai melhorar o país?". "ACho que sim", responde o cara. Aí vc taca no texto a aspas. "ACho que meu projeto vai melhorar o país", disse o deputado Daniel Brito (GLS-PB), por exemplo.
Abrex!!!
Direito de resposta:
há algum tempo eu já havia percebido que não rende nada adaptar inferências ao texto. Se a pessoa não disser todas as palavras da frase, como a citada pelo (fogo-)amigo Campbell, eu não a utilizo mais. Só dá dor de cabeça.
Para fazer parte de um texto meu, é preciso ter a frase completada saída da boca do entrevistado.Isso, inclusive, já foi tema de dois ou três posts meus aqui...
Nâo adianta usar a aspas direito, se vc a usa fora de contexto. Tipo
O técnico do Gama acredita em uma punição severa, à altura de sua falta. "Acho que vou pegar uns 10 jogos de suspensão", confidenciou ao Correio, em raro momento de intimidade.
Ah, tá... Nesse caso isolado?
Como você sabe que foi fora de contexto?
Você participou da entrevista? Você viu como surgiu a resposta?
Não?
Ah, tá...
Volte sempre!
Eu sou amigo do Galli. Ele me contou o contexto.
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