02 outubro 2006

Por onde começar ?

Léo Alves

A reportagem investigativa é o que se pode chamar do grande “sonho de consumo” de boa parte dos jornalistas. É ela (a reportagem) que, na maioria das vezes, dá visibilidade ao profissional. Afinal a informação é exclusiva.

Mas conseguir furos tem seus riscos. Lúcio Vaz, do Correio Braziliense, que o diga. O jornalista teve sua morte tramada pelos sanguessugas.

Toda investigação parte de uma denúncia. E as denúncias só chegam a nós jornalistas pelas mãos de alguém que está insatisfeito com o denunciado. Os políticos são mestres em ferrar os adversários. Entregam documentos e indicam o caminho que deve ser seguido para se chegar a fraude. Depois pedem sigilo de fonte.

A primeira impressão é de que você está sendo usado. Pode até ser. Mas se existe fraude tem que ser denunciada. É a nossa função. Independente da fonte.

Pois bem. Nos últimos meses “caíram” em minhas mãos documentos que são indícios fortes de fraudes em dois setores. Pelo que consegui analisar até agora são pontas de dois icebergs.

O meu grande dilema é saber por onde começar a investigação.

A primeira denúncia é na área esportiva. Os documentos foram entregues por um cara que está puto da vida com um dos possíveis envolvidos. O detalhe é que o envolvido conta com a ajuda de um (ou mais) funcionário de um órgão federal.

O problema está justamente aí. Não tenho como ligar para a sede do órgão porque corro o risco de falar com um dos envolvidos, que certamente desconfiarão do meu interesse pelo assunto.

Nesse caso vou precisar da ajuda dos amigos candagos, Pedro Henrique e Daniel Brito, para checar algumas informações na sede do órgão em Brasília. Com isso pretendo evitar que os “meninos sabidos” daqui fiquem alertas.

O outro caso envolve uma prefeitura paraibana. Preciso apenas de um pouco de paciência para analisar o site do Tribunal de Contas do Estado (TCE). É só cruzar os dados que o resto do iceberg da fraude aparece.

Como na Paraíba vamos ter segundo turno para governador o momento é delicado. É difícil publicar algum tipo de denúncia.

Nesse período de campanha vou aproveitar para colher mais dados, fundamentar melhor a matéria.

Confesso que o maior dilema está em não saber se terei espaço para publicar a reportagem. Independente do que possa acontecer farei minha parte. Isso me deixará mais tranqüilo. Porém, não menos frustrado.

4 comentários:

Toty Freire disse...

Esse é mesmo um desafio, grande Léo. Mas é daí que surgem as grandes reportagens. Vá fundo e qualquer coisa estamos aqui... Abçs

DB disse...

Não é fácil, realmente, fazer jornalismo investigativo. É preciso, no mínimo, coragem. Depois tem disposição (que é quase a mesma coisa que coragem), boas informaçòes e ótimo texto.
Pelo que me lembre, nunca fiz uma matéria investigativa-investigativa de verdade.
Esse negócio de denúncias, Da Silva, parte justamente de inimigos políticos. Fazendo a matéria, você vai acabar beneficiando a alguém, mesmo que ele seja um tremendo mala. Mas o mala não aparecerá na reportagem...
Ja apurei algumas coisas confidenciais e por ali foi, mas nada como nosso grande Lucio Vaz, autor do livro a "ética da malandragem".

Gilberto Silva disse...

São esses desafios que faz que amemos o jornalismo de verdade.

Lenildo Ferreira disse...

Essa questão de não se saber se haverá espaço p veiculação de uma matéria é triste e lamentável. MAs, qualquer coisa, o Jornal Independente vai estar na área ano q vem (se Deus ajudar), aí, já sabe :b . Abs