17 outubro 2006

Eu NÃO sou perfeccionista

Por Daniel Brito

Quantas pessoas trabalham/estudam contigo reconhecem os próprios erros?
Quantas se dizem "perfeccionista"?

É duro reconhecer um erro. É fácil demais ouvir em um bate-papo entre companheiros de trabalho:

- Porque eu sou muito chato comigo mesmo. Eu me cobro muito, sabe? Sou super perfeccionista...

Isso é um dos auto-elogios mais ridículos que existem. Aos meus ouvidos soam como:

- Da licença, mas eu sou é f*da mesmo!

Eu, por exemplo, estou cercado de perfeccionistas. Pessoas que se classificam assim e não tem vergonha de espalhar essa impressão. Nas últimas semanas, conversei com três ou quatro repórteres que se confessaram perfeccionistas.

Eu poderia manter a conversa no nível e dizer:

- Pois eu sou igual a você, também sou perfeccionista.

O negócio é que eu não sou.

Tomo os devidos cuidados para não cometer erros absurdos, checo todas as informações vitais de uma matéria e reviso com freqüência meus textos. Mas não me prendo a detalhes. Coisa peculiar aos perfeccionistas.

Talvez por isso minhas matérias saem com erros aqui ou acolá.

Não é porque eu quero. Eu posso errar por três motivos:

1 - desatenção;
2 - informação repassada errada;
3 - mentira do entrevistado.

Pode acontecer com qualquer um. Nem sempre eu tenho tempo de apurar se a "mentira do entrevistado" é mentira mesmo. Até porque, não sou perfeccionista.

O mais curioso é que tem sempre um grupinho na minha cola à espera dos meus errinhos. Isso vem desde os tempos que eu era repórter de rádio em 1996, em João Pessoa. Em 1999, quando virei repórter de tevê, na Grande Campina , tinha um batalhão de gente me detonando a qualquer deslize. Hoje, no jornal impresso, continuo sendo alvo do big brother da concorrência.

Se eu disse que a competição tinha 332.182 atletas e eram 331.182, ERRO FEIO!
Se contei a história por um ângulo diferente: VACILEI!
Se esquentei uma matéria besta: EXAGEREI!

Há algum tempo isso me incomodava. Imaginava que as pessoas que me fiscalizavam fossem tão boas quanto elas queriam que eu fosse.

Hoje, contudo, estou tranqüilo. Até porque (sem querer ser demagogo), aprendo com as cornetadas-amigas.

Quer um exemplo:
A partir de amanhã estarei em São Paulo, cobrindo a Fórmula 1. Em Brasília ficarão os big brothers garimpando meus erros.

E vão encontrar, afinal, não sou perfeccionista!

17 comentários:

Anônimo disse...

Daniel,
outro dia o Max Gehringer, da CBN, falou justamente disso. Hoje todo mundo se classifica "perfeccionista", achando que é a melhor qualidade do mundo. Em uma entrevista de emprego alguns colocam até como "defeito", mas claro pensando ser aquele "defeito bom". Eu também não sou perfeccionista, em muitas coisas, e acho isso ótimo!
E para os perfeccionistas que se preocupam com a perfeição, ou imprefeição, alheia, fica o recado!
beijos!

Léo Alves disse...

Verdade DB, nunca tinha parado pra pensar que quando dizemos que "exigimos muito de nós mesmos" estivesse enchendo a própria bola. Já disse isso algumas vezes. A partir de hoje esta frase está banida do meu vocabulário.
Pois, sempre vão existir pessoas detonando nosso trabalho. Infelizmente, a maioria por inveja, despeito ou qualquer outra coisa.
É aquela história que sempre conversamos. Os elogios a gente releva, as críticas a gente filtra.
E o interessante é quando apontamos o dedo para o erro do próximo esquecemos que existem três dedos apontando pra gente.
Pra fechar, as pessoas só atiram pedras nas árvores que tem frutos.
"Com as pedras que te atiram construirás teu castelo". Abs e boa viagem.

Anônimo disse...

É isso mesmo, gente! Eu acho o perfeccionista um chato, eu erro sem medo. E quem fica perdendo tempo apontando os erros dos outros é porque não tem do que se ocupar. No nosso trabalho (meu e de Leo) isso é bem comum, muita gente fica ligando pra dizer que isso tá errado, que aquilo é pra fazer assim...e quando erram é sempre a culpa de outra pessoa, ou seja, não assumem os erros porque são perfeitos demais para errar.

Felipe disse...

Eu estou longe de ser perfeccionista. Sou até mal cuidado e nojento. Quando fiz uma matéria chamada "Direção de Arte" no curso de Publicidade, da UnB, o professor e um amigo meu "perfeccionista" ficaram enojados com o acabamento que eu dei pra coisa. Eu tipo fiz o que tinha que fazer (o trabalho) e deixei umas paradas meio sujas no acabamento do trabalho. Sabe como é, cola de bastão, impressão digital, etc. Aí os caras ficaram acabando comigo e eu só conseguia responder, cheio de razão e indignado: "Porra, mas eu fiz o que foi pedido e fiz diretinho. Não tenho obrigação de ir além do que sou capaz e do que me foi exigido".

Não, eu não tô faland que o repórter tem que se limitar à pauta. PElo contrário, o melhor repórter é o que muda tudo de acordo com a percepção de realidade dele. Não se deixar prender por isso. Assim como não se deixa prender por horas a fio lambendo um texto ou tomando cuidado excessivo com uma informação que nem sempre é essencial à matéria. Na dúvida, apague, como bem sabe meu amigo Daniel (pede pro redator apagar, pra ver no que dá!!!).

Em tempo: já trabalhei contigo e te respeito pra caralho. Sei o tanto que vc toma cuidado com as coisas e capricha no texto. Erros acontecem e é melhor entregar uma matéria redondinha com um ou outro errinho no horário do que atrasar cinco horas e entregar um texto polido a ouro. Ninguém precisa disso.

Abração!!!

DB disse...

Inicialmente, gostaria de dizer que fiquei surpreendido com o testemunho de Felipe Campbell. Deixou de ser o fogo-amigo para se tornar o Dilbert Paz e amor. Obrigado mesmo, Felipe...
Esse post nada mais é que um comentário, apesar de ter parecido um desabafo.
Até porque, como diz meu pai, eu ainda cheiro a xixi no jornalismo. Recém saí do ventre (faculdade) serei alvo de várias críticas (honestas e/ou não). ANtes que me condenassem, contudo, informei o que está neste texto.
Só não acreditava que tantas pessoas também NÃO gostassem de perfeccionistas. Os verdadeiros perfeccionistas que conheço NÃO distribuem panfletos informando que são perfeccionista.
Bueno...

Toty Freire disse...

Briba, isso está me cheirando a inveja.. No seu caso, eu continuaria fazendo o que acho correto, sem esquentar com a concorrência.. Perfeccionismo é mesmo muito chato!

Gilberto Silva disse...

Por pensar assim (ser perfeccionista) é que muitas pessoas de talento deixão de ter carreiras brilhantes.

Não fazem jornalismo a vontade.

Léo Alves disse...

Por favor não clique nesse link do comentário em inglês. É um virus.

Anônimo disse...

Achei que o artigo ia muito bem até que o daniel enveredou pelo mesmo caminho nada modesto dos PERFECCIONISTAS...Digo por que no final,infelizmente ele deu uma escorregada daquelas: "enquanto vou pra sampa,os big ficam em brasilia!" PUXA A VIDA DANI,NAO PRECISAVA SER ARROGANTE,NEH. mas de quaquer forma parabens pelo blog.

Anônimo disse...

é,concordo com o Crisostomo. Endento que o texto fala com muita sinceridade a respeito do perfeccionismo(que as vezes faz bem,viu). No entanto,a prepotencia de ir a sao paulo foi uma chatice...É preciso ser um pouquinho mais humilde viu cara.Afinal,ir ou nao a Sao Paulo nao credita ninguem de qualidade jornalistica...

Anônimo disse...

PARABENS PELO ARTIGO,DANIEL.
VC FOI MUITO FELIZ EM TUDO. OS PERNOSTICOS E PERFECCIONISTAS QUE SE CALEM...

Anônimo disse...

O texto está perfeito ou melhor,muito bom e sem perfeccionismo,kkkkkkkkkkk.
Um beijo dani e continue assim>>>

Anônimo disse...

É o artigo até que defende uma tese interessante sobre o perfeccionismo pejorativo. Só acho que essa busca do ideal muitas vezes dá qualidade a informacao e todo bom reporter tem de seguir isso. Imaginem se nao buscassemos o melhor,hein:::
Outra coisa,não precisava dizer que os colegas são menos profissionais porque náo vijarao para S.Paulo. Foi uma bola fora,garoto! Ve se melhora na proxima,torco por vc!!!

Felipe disse...

Gente, mas vocês estão "inventando aspas" por aqui. Em nenhum momento, nosso representante paraibano no planalto central desmereceu alguém por não ir a São Paulo ou tirou onda com isso.

Aula de interpretação de texto aí, galera!!!

Abs

DB disse...

Faço minhas as palavras de Campbell. Não menosprezei ninguem por nao ir a Sao Paulo. Ate pq, de uma certa maneira, caí de para-quedas nessa cobertura. E o post coincidiu com o evneto. Se tivesse que cobrir o campeonato candango de volei juvenil feminino, diria a mesma coisa....
Mais uma vez, se eu errei, é pq eu NãO sou perfeccionista!!
PS - esse post serve para me livrar de todos os futuros erros que cometer. Algo tipo: "Eu avisei que ia errar"(nao é, campbell?)

Anônimo disse...

professora da unb? sem se identificar? e que não sabe interpretar um textinho super simples?? será? será?
ou será que em vez de ser professora essa pessoa não é um dos big brothers que não foram à f1? é brito, vc tem razão. até em blogs os tais concorrentes estão de olho!
êêê perda de tempo!!

Anônimo disse...

esse é o mal da nossa profissão... INVEJA!
bom blog. acessarei mais vezes!
ferds