Daniel Brito
Quando digo para minha família que já apresentei uma palestra sou motivo de piadas.
Logo eu, o pior aluno de todos os tempos dando palestra? Eles, realmente, têm motivos para rir.
Mas é verdade.
Eu dei quatro palestras em minha vida. Três em Campina Grande, na Universidade Estadual da Paraíba, onde me formei. Outra, no final de maio deste ano em Ribeirão Preto (SP), na UniCOC.
Em todas elas fiz questão de começar dizendo o seguinte: "Sempre fui o pior aluno do colégio. O pior mesmo, de tirar 0,5 (zero vírgula cinco) em cinco ou seis matérias por bimestre".
Meu grande amigo Da Silva, autor dos convites para Campina Grande, sempre me pediu para excluir este comentário.
Em Ribeirão, uma professora gritou: "Não diga isto aqui, pelamordeDeus".
Ela não esperou eu concluir a frase. Sempre fui o pior aluno do colégio. Em todos os colégios que passei. Mas me arrependo amargamente por isso.
Hoje, formado, trabalhando, longe das salas de aula e dos aterrorizantes deveres-de-casa (coisa de 1º grau, é verdade), me deparo com assuntos sensacionais que sei que poderia fazer um texto fantástico. Mas me falta conhecimento.
Hoje mesmo, dia do segundo jogo do Brasil na Copa da Alemanha me aconteceu isso.
Li, certa vez, há muito (mas muito tempo), uma história de um guerreiro chamado El Cid. Vendo o nosso atacante Ronaldo jogar contra a Austrália, tive uma vaga lembrança da história. O colega Roberto Naves rememorou a história:
El Cid era um guerreiro matador na Espanha de mil anos atrás (ano de 999). Ele era "temido e destemido" e nunca havia perdido uma guerra. A presença dele nos combates amedrontava os inimigos. Um dia, ele morreu em ação, mas os soldados do exército o colocaram sentado no cavalo dando a impresão de que ele estava vivo ainda, justamente para intimidar o adversário.
Essa saga me lembrou Ronaldo na Seleção Brasileira. Gostaria de poder escrever sobre isso, mas não me interessei quando tinha tempo de me aprofundar nessas coisas. Hoje não sou uma pessoa totalmente ocupada, mas não tenho disposição para começar do zero e ler tudo que não li no tempo que deveria ter lido.
Não bastasse esse sentimento de falta de aprendizado, (como se diz no futebol, falta de um trabalho de base), brigo comigo todos os dias quando tenho uma matéria legal mas deixei de perguntar uma coisinha que mudaria todo rumo do texto.
Aconteceu no jogo de estréia do Brasil na Copa, dia 13. Como disse no post "Até 2026...", fui à cidade de Cavalcante, no interior de Goiás, fazer matéria com algumas comunidades que não tinham energia elétrica até o ano passado. Portanto, esta seria a primeira copa desse povo.
Passei por oito casas, quase todas com a mesma história. Conversei com 15 ou 16 pessoas. Na hora de escrever o texto, fiquei devendo informação ao leitor. Veja abaixo os primeiros parágrafos:
Em um lugar onde a Copa do Mundo não passa de mais um programa na televisão, a Seleção Brasileira já deixou uma família de 10 pessoas passar fome. Aconteceu na final do Mundial de 1998.
As galinhas que Valdomiro Fernandes Castro, 45 anos, criava no quintal de casa eram a fonte de renda. Já estavam no ponto para ser vendidas para a vizinhança em caso de vitória do Brasil. Deu França.
A via crúcis começou no caminho de Valdomiro de volta para casa. O agricultor é um dos sete mil calungas, descendentes de escravos que povoam 235 mil hectares de Goiás. Eles estão espalhados pelos municípios de Cavalcante, Teresina e Monte Alegre, no Norte do estado. A cidade mais próxima de Brasília é Teresina, a 290km da capital.
Valdomiro mora no povoado de Ribeirão II, a 30km de Teresina, nove deles em estrada de barro. O vendedor de galinhas estava em Monte Alegre, a 40km, para ver a Seleção de Zagallo naquela final da Copa da França. Não havia energia elétrica em Ribeirão II.
Foi em Monte Alegre que o calunga assistiu à derrota por 3 x 0 do Brasil para a equipe anfitriã. O retorno para casa foi em um pau-de-arara. Os dias que sucederam à tragédia do Saint-Dennis foram piores ainda.
Ele não se lembra quanto tempo demorou para vender a única fonte de renda da família, mas descobriu que Copa do Mundo e dinheiro, até mesmo na zona rural, têm ligação direta. Tanto que teve que matar duas galinhas para alimentar os filhos.
“A gente até aceita que os jogadores sejam milionários e não dividam o dinheiro deles com os torcedores. Mas os torcedores não podem deixar de fazer as coisas porque o Brasil perdeu um jogo”, queixa-se Valdomiro.
A mãe dele, Dona Lorença, tem a mesma opinião. “Já aprendemos: se o Brasil vence, ganhamos mais dinheiro na roça.” A relação do Mundial com a comida no prato das crianças faz com que Valdomiro e os calungas assistam – e torçam – para a Seleção Brasileira na Alemanha.
Essa informação de Valdomiro foi apenas um detalhe no meio do oceano de dramas pessoais que ouvi nas casas em que passei. Juninho Fonseca, um ex-treinador do Treze, me disse que, em certa altura da vida, é preciso tirar alguma informação da cabeça para acrescentar outra e não apenas agregá-la a que já está "disponível em seu disco rígido".
Estava escrevendo o miolo do texto quando acrescentei a história de Valdomiro. Lá pelas tantas, percebi que seria muito mais chamativo se abrisse a reportagem contando essa história dramática. Tive que cortar outra história para enfatizar a fome da família de Valdomiro.
Acontece que a conversa com Valdomiro sobre a fome após a derrota na Copa foi bem superficial. Enrolei o máximo que pude para abrir a matéria com essa historieta, mas se você parar para analisar, veja que faltam algumas informações importantes:
- por quanto ele vendia uma galinha?
- quem eram os compradores que ele aguardava?
- quanto tempo demorou para vender a galinha após a Copa?
Podem parecer informações fúteis, mas são imprescindíveis, na minha opinião, para esse tipo de matéria. Servem para ilustrar a história. Note que eu citei no texto que ele não se lembrava quanto tempo demorou para vender uma galinha.
Não é exatamente que ele não se lembrava, é que eu nem perguntei... (que meu chefe não leia isto). Mas tive que acrescentar esta informação porque era importante na história. Para meu consolo, o povo lá não tem noção de tempo. Para lembrar que o Brasil perdeu a final da Copa de 1998. Eles não se apagam a números de anos, décadas, meses, essas coisas. (Essa era outra história que não coube na minha matéria, por falta de espaço)
A cada dia que passa me convenço que quanto mais informações puder ter, melhor. Se não couber na cabeça, como disse Juninho Fonseca, que anote, então, para deixar guardada em outro lugar fácil para ser pesquisado.
Só lamento por ter notado agora que não posso deixar passar a oportunidade que me falta para aprender.
Trem bala (cover)
Há 8 anos
Um comentário:
A FILHA DO LULA FICOU HOSPEDADA NA RESIDÊNCIA DE ANA ALMEIDA EM PARIS POR DOIS ANOS.
ANA ALMEIDA ERA FILHA DE UMA FAMÍLIA MUITO RICA , O PAI ERA DONO DA EMPREITEIRA ANDRADE GUTIERREZ, ANA, NAS SUAS IDAS E VINDAS DE PARIS, CONHECEU UM CIDADÃO DE NOME FELIPE BELIZÁRIO WERMUS , {VULGO LUIS FAVRE} E SE CASOU COM ELE. ( atual marido da Marta Suplicy). Ele exerce função de assessoria ao Gushiken no Planato é um dos relações internacionais do PT.
Felipe Belizário é, POR SUA VEZ, IRMÃO de JORGE ALTAMIRA - LÍDER TROTIKISTA DA ARGENTINA e QUE FOI DIRIGENTE DO MIR E DA FACÇÃO ARGENTINA DE ESQUERDA PERONISTA QUE ENTROU PARA LUTA ARMADA NTERNACIONAL e QUE PRATICOU SEQÜESTRO EM DIVERSOS PAISES DA AMÉRICA LATINA, INCLUSIVE NO BRASIL.
O VERDADEIRO NOME DE JORGE ALTAMIRA É JOSE SAUL WERMUS, CANDIDATO A PRESIDENTE DA ARGENTINA PELO PARTIDO OBREIRO.
O DINHEIRO QUE ALIMENTOU A CAMPANHA DE LULA, TAMBÉM ALIMENTOU A CAMPANHA DO PARTIDO OBREIRO NA ARGENTINA DE JORGE ALTAMIRA.
É, como se nota, uma quadrilha internacional, muito bem organizada!
E daí, fica tudo por isso mesmo? Divulgue, já que a mídia não o faz!
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