No último post Daniel falou sobre “fugir do oficial” nas matérias e as dificuldades que o repórter enfrenta numa cobertura como a Copa do Mundo. A colega dele no Correio Braziliense, Cida Barbosa, escreveu uma matéria nesta terça-feira (06/06) que é ótimo exemplo de fuga do “lugar comum”.
Centro das atenções
Königstein (Alemanha) - Se o assédio da imprensa à Seleção Brasileira era grande na fase de preparação, em Weggis (Suíça), ganhou proporções gigantescas na também pequena e pacata Königstein, porém, já no território da Copa do Mundo. Um turbilhão de, estimados, 800 profissionais, entre repórteres, fotógrafos, cinegrafistas e técnicos, invadiu ontem o campo de treino do Sportlange Altkonigblick. A massa era formada por brasileiros e estrangeiros de vários países.
A confusão, claro, foi total. Na zona mista (espaço para entrevistas com atletas) cada pedaço no alambrado que isola o jogador do repórter era disputado na base do empurra-empurra. A assessoria de imprensa da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) separou o local por setor, com baia para cada meio de comunicação - mídia impressa, internet e rádio, tevês e imprensa estrangeira.
Com tanto gringo atrás de entrevista com os pentacampeões, acabou virando tumulto. Uns invadiram o espaço dos outros e a coisa se agravava porque alguns atletas pulavam uma baia e só atendiam em outra. Ai corria todo mundo para aquele lado. Quem estava na frente tinha de agüentar o aperto, pisão no pé, braços no rosto e coisas do tipo.
Os jornalistas brasileiros perderam a paciência com os estrangeiros e houve bate boca. Havia briga também para que os repórteres de sites, mesmo os brasileiros, ficassem longe dos jornais e revistas porque eles usavam imediatamente as declarações que os impressos só divulgariam no dia seguinte.
O assessor da imprensa da CBF, Rodrigo Paiva, explicou que a segurança deixou passar todos os profissionais credenciados pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) para cobrir a Copa. "Temos de dar um jeito nisso. Se não houver uma redução espontânea dessa quantidade de jornalistas, teremos de mudar o projeto", avisou ele, numa referência à troca da zona mista por coletivas. O que seria ruim porque, nesse segundo caso, são escolhidos dois ou três atletas para as entrevistas, enquanto que na zona mista todos são liberados para falar, desde que queiram. "Não dá para submeter os jogadores a mil jornalistas", argumento Paiva.
Cida Barbosa
Correio Braziliense
Trem bala (cover)
Há 8 anos
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