Pedro Henrique Freire*
Época de eleição é sempre um Deus-nos-acuda. O "bicho" começa a pegar na preparação para as filiações dos partidos. Depois de dada a largada oficial para os candidatos, a coisa piora. O melhor, portanto, é estar preparar. Nos últimos dias, os repórteres dos veículos dos Associados Centro-Oeste (Aqui DF, Correio Braziliense, CorreioWeb e as rádios) que irão cobrir eleições, foram bombardeados com informaçõesimportantes que ajudarão na cobertura.
O lema é: evite processos judiciais.
A recomendação é: na dúvida, não publique, não corra riscos.
Como assim?
Ora, apesar das maneiras "peculiares" dos juízes e ministros interpretarem alguma denúncia, a maioria, penso eu, tenta ser justo. Mas ninguém sabe que fim leva um processo que tem, em média, somente um dia para ser julgado.
Por isso, a recomendação é que a cobertura de política não entre no jogo político. Evite denúncias sem fundamento de um candidato contra o outro, tenha feeling para perceber quando o político tenta usar o jornal como palanque e, acima de tudo, se atenha às propostas. Só as propostas!
Espaços
Na tentativa de buscar a imparcialidade (morta antes mesmo de Gutemberg inventar a prensa), o Correio Braziliense dará o mesmo espaço para os principais candidatos. A lógica segue a mesma do tempo de televisão.
Na telinha funciona assim: quanto maior a representatividade do partido naquela eleição, mais minutos ele ganha.
No jornal será assim: quem estiver melhor nas pesquisas ganhará maior espaço. Digamos: uma página por dia para Lula, Alckmin e Heloísa Helena. Quem estiver com 1%, terá, no máximo, sua agenda ressaltada em algumas linhas.
Acredito que, para o leitor-eleitor, é um belo exemplo e também dará segurança ao jornal caso candidatos que estão no páreo queiram reivindicar o mesmo espaço. Mas essa igualdade impressa nas páginas do jornal tem seus contras.
Se um candidato produzir notícias e o outro não?
O que será colocado naquela página?
Amenidades?
Outro caso: se o espaço reservadopara um receber matérias propositivas e o outro matérias denunciativas, numa clara demonstração de parcialidade?
Reservar tamanho de jornal antes da notícia aparecer é uma medida, no mínimo, polêmica.
Na reunião, os advogados que estavam nos municiando com as informações elogiaram a medida. Mas ressalvaram: não é preciso fazer isso. Os jornais têm liberdade garantida, pois não precisam de concessão pública para existir.
Bom, mas o Correio fará. No entanto, o diretor de redação do jornal disse que agirá também com o bom senso jornalístico. Isto é, espera-se que a notícia fique em primeiro plano.
Veremos!
Pode ser que eu mude de idéia. Mas, no momento, acho que jornalismo é um mar e nós, repórteres, navegamos nele. Ou melhor, somos levados por ele. Então, como mudar a rota do barco se não sabemos de onde vem a chuva? Como reservar espaço para matérias que nem mesmo sabemos se é notícia?
Lembra da recomendação dos advogados?
Pois é, na dúvida, evite correr riscos.
É o que o Correio fará.
* Pedro Henrique Freire está a um passo do paraíso
Trem bala (cover)
Há 8 anos
2 comentários:
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