Léo Alves
Não sei se algum colega já ouviu a frase: “a vida de jornalista é muita boa. Só faz entrevistar gente famosa e viajar muito”. Por incrível que pareça essa é a visão que muita gente tem da nossa profissão. Na cobertura do São de João de Campina Grande ouvi comentários que seguiam esse pensamento. Isso pelo fato de ter entrevistado alguns famosos e outros nem tão famosos assim. Aliás, só entre nós, alguns que eu nem sabia que existiam.
O fato de estar fazendo a matéria de um show é interpretada (por muita gente) como divertimento. Tudo bem que é diferente de uma matéria policial, por exemplo, mas não dá para o repórter se deslumbrar com o show e esquecer do relato jornalístico. É importante nunca esquecer que o repórter está ali para colher informações para sua matéria. E não como um fã.
Na viagem de uma hora e meia até o Distrito de Galante no trem do forró uma cearense me disse que era muito boa a nossa vida “porque a gente estava ali só se divertindo”. Só fiz balançar a cabeça numa resposta negativa. “Não dá pra se divertir?”, ainda perguntou. Quem está no batente sabe que não. Às vezes é difícil até fazer a matéria. No caso do trem é apertado e tem muita gente dançando (a maioria cheia de cachaça). O repórter leva é muito empurrão.
Nas viagens à trabalho somos confundidos, por alguns, com “turistas”. Pensam que a viagem é para se divertir. Fico pensando nos colegas que são mandados para lugares distantes para fazer uma matéria. Acredito que não dá para curtir muito o lugar, por mais bonito que seja. Comparo com minhas viagens às cidades paraibanas. Só dá para se concentrar na matéria. Quase ninguém fala nisso. Mas a responsabilidade do repórter é grande. Já imaginou viajar numseiquantos quilômetros e não voltar com uma boa matéria?
Fiquei pensando nos colegas enviados à Copa do Mundo. Principalmente os de jornais impressos. Aqueles que tiveram que se virar sozinho para fazer suas pautas e matérias. Acredito que seja por isso que só cobrem eventos internacionais os mais experientes. Eles já estão “tarimbados” e nunca vão (pelo menos é o que se espera deles) se encantar com o lugar e esquecer da notícia.
Porém é preciso ter sensibilidade para observar ao redor, pois “esse redor” também pode render uma boa matéria. A diferença é que a visão tem que se jornalística. E não turística.
Trem bala (cover)
Há 8 anos
6 comentários:
Já tibe a oportunidade, Da Silva, de fazer matérias sobre turismo (inclusive foi na Paraíba para o Correio Braziliense) e até neste momento tive que trabalhar muito.
Trabalho não é como estudo, que você vAI fazer uma excursão no zoológico, num museu e fica só de brincadeira com os colegas. Além disso, como você frisou, você tem a responsabilidade da empresa inteira nas suas costas nos lugares onde vai.
Muito desse teu texto tem a ver com o post 'Suave veneno', que escrevi há alguns meses aqui no nosso blog.
Em agosto estamos aí, hein?!?!!?
ë, só como estagiario ja to ouvindo isso, imaginei depois de formado...
Acho que qualquer jornalista que faz essas matérias sofre um pouco com aqueles olhares 'quase-invejosos'. Algumas pessoas pensam que é moleza ficar, por exemplo, prestando atenção no show para fazer uma crítica, acompanhar coletivas e outras coisas mais. Não é mole não. Não dá para curtir.
Bem assinalado grande Léo.
Pedro
É isso Léo, não dá pra assobiar e chupar cana ao mesmo tempo. Muita gente pensa que jornalista curte muito no trabalho, que nada a profissão requer muita atenção.Mas ao final é compensatório, não pelo lado financeiro, mas pelo reconhecimento do público.
Verdade. Temos que não confundir trabalho com diversão. Até nisso, nós mesmos nos pressionamos para não cair em tentação. Acho até que viramos um pouco "personagens" em muitos momentos do batente,principalmente quando a matéria é "recomendada", que aí vem o bombardeio de cobrança de todos os lados.
Essa é a nossa "Nada mole vida".
Abraçoss Léo!
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