25 julho 2006

Números: os donos da riqueza

Pedro Henrique Freire*

O poder dos números. É exatamente nele que o presidente Lula deposita as fichas da reeleição.

Juros
bolsa família
empregos
PIB
inflação e outras coisas...

Eles serão importantes na campanha como são para o jornalismo. Fazendo matérias de economia – onde se concentram, digamos, 90% do quinhão numérico do universo da hard news – é fácil escutar a máxima:

“Jornalista adora números”

É um comentário clássico. Também, pudera. Nós adoramos mesmo. Eu, pelo menos, sou fã incondicional. Meu desafio nos dias atuais é enfiar números em matéria de tudo quando é editoria.

Para o jornal O IMPARCIAL (MA), por exemplo, escrevo muitas histórias de política. Por incrível que pareça, não foram declarações bombásticas que me renderam matérias. Foram os números.

Eis alguns exemplos:

"Os 680 candidatos do Maranhão gastarão R$ 462,76 milhões para garantir vaga no governo, no Senado Federal, na Câmara dos Deputados ou na Assembléia Legislativa. O número representa 2,3% do total de despesas que os 19,1 mil candidatos do Brasil terão nas eleições deste ano, equivalente a R$ 19,79 bilhões. Com esse numerário, o Maranhão é a 13ª unidade da federação que mais reservou dinheiro para a eleição em 2006."
(Matéria publicada no dia 23/07/2006)

Com números, a matéria ganha ares de verdade. Não somos nós que estamos dizendo, são eles (os números). Até mesmo em matérias de cultura, eles são importantes. Eis o que coloquei no final da notícia sobre o Prêmio Tim de Música, escrito para o CorreioWeb:

"A peneira que findou nos 104 indicados ao prêmio incluiu 700 CDs e 104 DVDs inscritos. A organização leva em consideração a produção fonográfica brasileira de 2005. Nesta noite, serão conhecidos 35 vencedores nas 16 categorias (...)"
(Matéria publicada em 25/07/2006)

Ou então no meio da matéria sobre denúncia de fraude em ambulâncias (as tais sanguessugas) no interior do Maranhão:

"Dos 119 municípios de vários estados, ficaram comprovadas irregularidades em 77. Em 42 – entre eles Jatobá – há indícios de fraude na compra de unidades móveis de saúde, mas as investigações ainda não foram concluídas. A apuração da Controladoria é realizada por meio de sorteios de municípios. Até agora, a CGU liberou apenas relatórios de Bernardo do Mearim e Jatobá. Cada um adquiriu uma ambulância. O primeiro, em 2003. O segundo, em 2001. O recurso usado na compra das duas unidades móveis de saúde chega a R$ 101,1 mil."
(Matéria publicada em 12/07/2006)

Nesta matéria em especial, nos seus 11 parágrafos (cerca de 70 linhas) não deixei de colocar números em nenhum deles. Claro que a razão da notícia existir eram os números. Mesmo assim, é possível compreender o poder deles. O melhor de tudo é que a informação numérica vem, sobretudo, de provas documentais, que são incontestáveis tanto para o leitor quanto para a fonte. Rechear a matéria com números é enriquecer o texto, dar-lhe legitimidade.

Diria mais: é autenticá-lo!

Não é só
Como já perceberam, os números podem ser lindos e maravilhosos dentro da matéria. Mas como frisou bem certa vez o meu amigo DB, eles sozinhos endurecem o texto. O ideal é intercalar a informação numérica com questões mais humanas. Seja uma declaração ou um personagem atingido por aquela estatística.

Um bom exemplo é o que faz o Jornal Nacional. Toda vez que o IBGE divulga o resultado daquelas pesquisas que duraram anos para serem concluídas, Bonner e sua turma fazem matéria e sempre começam com um personagem. A partir da história da “Fulana Beltrana de Sicrano de Tal”, eles desenrolam os dados e se fazem entender da maneira mais simples possível.

Esse é o segredo.

Fazer dos números uma coisa simples, inteligível. Como já perceberam, eles (os números) são um dos meus pratos preferidos dentro do jornalismo.

O meu eterno desafio é mastigá-los e fazer os leitores digerí-los bem...

*Pedro está na semana pré-natal para se tornar um Filho da Pauta

6 comentários:

Léo Alves disse...

Os números realmente dão legitimidade a matéria. Como você bem disse Pedro é preciso ter cuidado. Não só com a questão do texto "duro". Mas também com algumas contam que precisam ser feitas. Na maioria das vezes recebemos a informação: 20% de tal coisa. às vezes é preciso dizer quanto representa esses 20%. Aì entra aquele lance da regra de três (né DB?). E também às vezes costumamos dizer em tevê: de acordo com a organização mundial de saúde 20 % população sofre de ~tal doença. Fica complicado para o telespectador. O mais claro (e o pra mim o correto): de acordo com a OMS duas em cada dez pessoas tem tal doença. Além de legitimar a informação, fica compreensível. Valeu grande Pedro, o quase-novo filho da pauta.

DB disse...

Ler uma matéria só com números é como ver uma foto aérea de qualquer cidade. Você pode até ver a direçao das ruas e a localizacao dos predios, mas nao sabera os detalhes daquele lugar.
Na minha modesta opinião, reportagem sobre número, como bem frisou o Grande Predo, deve vir acompanhada de personagens e de interpretação deles (como disse Da Silva).
O problema é que jornalista pensa que não precisa saber de matemática por apenas precisar escrever. Mas, segundo meu chefe, todo jornalista deveria pagar as cadeiras Calculo 1 e Calculo 2 na faculdade.
As vezes, reconheco, erro até soma de saldo de gols em uma matéria de futebol.
Hoje mesmo fiz uma matéria de basquete e errei uma conta lá...
Humildemente

Anônimo disse...

Concordo com os amigos. A clareza é fundamental. Números devem ser bem explicados. A função deles também. O melhor é abstrair os efeitos práticos e ressaltá-los na matéria.

Abçs

Pedro, feliz por ser um quase-novo filho da pauta.

Humildemente... sempre

Anônimo disse...

Uma verdadeira aula de jornalismo economico. Bom para os estudantes.

Anônimo disse...

I say briefly: Best! Useful information. Good job guys.
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Anônimo disse...

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