23 julho 2006

Falsa realidade

Daniel Brito

Caso Waldomiro. Mensalão. Sanguessuga.

Esses são os três escândalos de corrupção do governo Lula que os deputados e senadores estão "investigando" por intermédio de CPIs.

Coloquei o verbo inverstigar entre aspas porque aqueles senhores que nós empregamos a cada quatro anos nas eleições federais não passam de enganadores. Eles não descobrem nada, não sabem de nada e não fazem nada além de uma encenação para dar uma resposta a quem precisa dela.

Não pensava em escrever um desabafo, mas estou achando que este texto vai acabar se tornando isso mesmo.

Vamos resumir aqui os três casos citados na primeira linha deste post:

Caso Waldomiro
Um assessor de José Dirceu é filmado cobrando dinheiro de donos de bingo no Rio de Janeiro e Brasília para ser usado nas campanhas do PT nas duas cidades, em 2002.

Mensalão
Acusado de comandar um pequeno grupo de corruptores na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), o deputado Roberto Jefferson denuncia a existência de uma mesada para os deputados dos partidos pequenos votarem a favor das emendas do governo no Congresso.

Sanguessugas
Mais de 60 deputados são acusados de vender ambulâncias superfaturadas para prefeituras do interior (principalmente do Nordeste).

Todas estas histórias surgiram primeiro na imprensa para depois ser "investigada" pelos deputados. Tudo bem, o papel da imprensa é realmente denunciar.

Mas, me explica uma coisa, será que ninguém no Congresso não sabia da existência de nenhum desses escandâlos antes de estourar nas páginas dos jornais???

Claro que sabia.

Algum traidor-do-movimento-punk no Congresso passou na surdina a informação para a imprensa, que detonou as histórias.

E se nós vivéssemos na China, onde todos os jornais têm como sócio o governo chinês?

Não existiria CPI no Brasil. Denúncias de escândalo?

Tá louco...

Lá, pelo menos, o crescimento do país é visto a olho nu.

Nas CPIs instauradas para apurar todos os três escândalos não foi provado nada mais do que os jornais denunciaram. O caso Waldomiro, por exemplo. A Revista Época que detonou a história. Interrogaram quinze mil pessoas citadas nas fitas e ninguém foi considerado culpado. Só "o pobre" do Waldomiro Diniz mesmo, que se deixou ser pego.

No Mensalão, a Folha de S. Paulo publicou em primeira mão. Deste caso, surgiram vários outros. Chegaram até a derrubar o ministro da Fazendo porque descobriram um caseiro, que o denunciou.

Quem descobriu o caseiro?

O jornal Estado de São Paulo.

No caso dos sanguessugas, o Correio Braziliense levou à tona a roubalheira de deputados do (mais) baixo clero e até o senador-sabonete Ney Suassuna, da Paraíba. Ele escapa de todas, mesmo que todo mundo saiba que ele está envolvido. (Cadê um inimigo político para denunciá-lo agora??)

Se forem criadas 15 mil novas CPIs, nada de novo ou extraordinário será descoberto. Os deputados e senadores, mesmo que sejam opositores uns dos outros, vivem num jogo de cumadre. Atacando pelas costas, entregando dossiês aos jornalistas, porque poucos (ou nenhum) tem a disposição de tomar o microfone para contar qualquer uma das coisas que tenham sido relatadas aqui.

O que tem de diferente do governo Lula para os anteriores?

A imprensa.

É ela quem denuncia, quem apura e, principalmente, quem julga.

7 comentários:

Anônimo disse...

É por esse e outros casos, que a imprensa é o 1º poder. Alguém tem dúvida?

Anônimo disse...

Eu não tenho mínima dúvida disso. Agora, imagina se não existisse imprensa? Onde será que o mundo estaria? Não consigo imaginar.

Pedro

Lenildo Ferreira disse...

Pois é, seu Daniel. De fato, a imprensa tem cumprido um grande papel na História desse País, se não, o caos seria realmente completo. E olhe que esse trabalho é prestado embora nós saibamos de todo o relacionamento espúrio que existe entre veículos de imprensa e esquemas políticos, imagine-se então, pobres de nós, paraibanos, que temos sistemas de comunicação vendidos a certos grupos. Pobres de nós... Abraçuuuuuussss

Léo Alves disse...

Os políticos (pra mim nenhum presta) não denunciam uns aos outros diretamente porque todos têm rabo preso. Quem tem telhado de vidro não atira pedra. Então fica para a imprensa.

Anônimo disse...

o problema é que nem sempre a imprensa é justa. muitas vezes os jornalistas, que deveriam agir em prol da sociedade, agem em causa própria. vale refletir e interpretar de forma crítica o que lemos nos jornais. Absorver o escrito como se não fosse produzido por uma pessoa que pode vir a ser corrompida é ilusão.

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