Léo Alves
A idéia que a maioria das pessoas tem é de que entrevistar é fácil. É só chegar, perguntar e pronto. Tudo resolvido. Como já relatou o grande DB, num post em abril, entrevistar é realmente uma arte. Parece simples, mas não é. Porque perguntar é difícil.
Muitas vezes, no intuíto de querer mostrar que estamos por dentro do assunto, alongamos demais a pergunta. E não fica claro para o entrevistado o que de fato queremos perguntar. A regra (que nem sempre é seguida) é ser objetivo. Evita escutar do entrevistado: “dá pra repetir, não entendi a pergunta”.
As situações são variadas. E por mais experiência que se tenha (o que não é o meu caso) um dia o repórter vai ser pego de “calças curtas”. Não tem jeito. Um dia você fará uma pergunta “imbecil”. Ou melhor, que é considerada “imbecil” pelo entrevistado. E até por alguns colegas de profissão.
Ruim mesmo é ter que prosseguir com uma entrevista depois que o entrevistado responde de forma mal educada. Aí entra o jogo de cintura.
No esporte, mais especificamente no futebol, é onde surgem as perguntas mais “imbecis”. Isso porque o jornalismo esportivo é marginalizado. E a maioria das empresas acha que qualquer repórter pode fazer esporte, que não precisa ser especializado. É a cultura de “que jogador de futebol e técnico são burros”. E não é bem assim. Eles sabem quem entende do “traçado” e quem não entende. Mas isso vou relatar noutro post.
Certa vez ouvi um repórter perguntar ao zagueiro Antônio Carlos (aquele da Seleção, do Palmeiras e que, recentemente, no Juventude, foi envolvido num caso de racismo) porque os jogadores sempre respondiam a mesma coisa. “Porque vocês repórteres sempre fazem a mesma pergunta”, disse. Não se engane existe vida inteligente no futebol.
Minha maior dificuldade é entrevistar crianças. Sinceramente não consigo ser compreendido por elas. Na maioria das vezes o máximo que consigo na primeira resposta é um “é..”. Tento mais uma vez. E tenho um balançado de cabeça como resposta. Tentativas esgotadas.
Um dia desses fui pego de “calças curtas” com uma adulta. Vou resumir a história. Fui fazer uma matéria sobre dois policiais rodoviários que tinham ajudado no parto de uma mulher no meio da estrada. Entrevistei os policiais e segui para o hospital. No meio do caminho eu me perguntava: “o que danado eu vou perguntar a uma mulher que teve um filho no meio da estrada?”. Se alguém souber pode me ajudar porque ainda não descobri. Fiz uma pergunta tão fraca (a resposta foi ainda pior porque foi monossílabica) que a entrevista nem entrou na matéria. Talvez o que correto fosse apenas perguntar só o nome do filho.
O livro “Perguntar Ofende – Perguntas cretinas que os jornalistas não podem fazer (mas fazem)”, de José Nello Marques, não é lá essas coisas de bom. Mas traz alguns exemplos que parecem folclore do jornalismo. Só parecem. É pura realidade. Apesar de não ter gostado muito do livro, algumas histórias são interessantes e engraçadas. E mostram que perguntar não é tão fácil como se imagina.
Trem bala (cover)
Há 8 anos
4 comentários:
Acho que você não tinha que perguntar nada para a mulher que deu a luz na estrada. Apenas exclamar:
PUTA QUE PARIU, HEIN???
HEhehehehh... Era uma boa.
Esse caso foi extremamente complicado. Eu também não saberia o que perguntar. Para não ficar calado, mandaria um "Como você de sente ao ter um filho no meio da estrada?". Imbecil, sim... mas vou continuar pensando em coisa melhor. Outras sugestões? :)
Abçs
Rapaz, eu teria perguntado se doeu muito, KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK! Brincadeiras a parte, concordo plenamente com o tema, por isso mesmo acho que é mais difícil perguntar que responder. Abraçooss
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