Por Pedro Henrique Freire
Andy Garcia e a mídia mundial tem algo em comum. O filme CidadePerdida, dirigido pelo ator, mostra uma Cuba injusta nas mãos deFidel Castro e Ernesto Che Guevara. Uma Cuba que reprime a arte e tiradas pessoas o direito de morar em suas casas que construíram comtrabalho e suor. Uma Cuba que confisca propriedades e faz dos ricospobres e dos pobres mais pobres.
Garcia (que representou o calculista e ambicioso Vicent Corleone em OPoderoso Chefão – Parte III) levou para o cinema o desejo e a opiniãode uma leva de neoliberais e figuras capitalistas – que demarcamterritórios nos EUA e no resto do mundo.
Assim como na saga dos Corleone.
Caso alguém pergunte sua opinião sobre o regime de Fidel Castro, instalado há 47 anos, o que você responderia? Uns dizem que é quaselírica a resistência que Fidel e sua família fazem aos EUA de Bush etantos outros presidentes. Mas o socialismo instalado ali representaum atraso. Por um fato simples: não existe democracia.
Outros diriam que aqueles que lutaram por um ideal na insurgência que levou o ditador ao poder devem hoje perceber que o ideal não era ademocracia camuflada e asfixiada pelo então general Batista. O idealera Fidel e suas vontades. Trocaram uma ditadura por outra. Uma a la Pinochet: desenvolvimentista e violenta. E outra atrasada e cheia decensuras.
Uns terceiros podem até falar que o socialismo é o caminho. Que a economia inegociável e uma figura que governa, há tanto tempo, seu povo sob as teorias de Marx é uma avenida de igualdade e liberdade, embora não seja de tanta fraternidade assim.
Enfim, é por isso que quando meu amigo Daniel Brito me propôs um texto sobre como a mídia mundial reagiria com a morte de Fidel (o que não está muito distante, dizem). Respondi que muitas matérias viriam recheadas de confetes, preparando terreno para que o império americano intervenha de maneira quase imediata (imprensa dos EUA).
Outras viriam com um quê de imparcialidade, mostrando as supostas atrocidades do ditador, os atrasos em Cuba e, claro, a magnífica subida ao poder ao lado de Guevara e centenas de barbudos revolucionários. Mesmo assim, a imagem de um socialismo fracassado estaria latente (mídia brasileira e outras).
Ao final do império de Fidel, portanto, a mídia reforçaria a imagem de Cuba como o país que se perdeu dentro de suas teorias impraticáveis e revelaria que aprendeu bastante ao viver em uma democracia de verdade, podendo ouvir, ver e falar o que quiser.
O jornalismo é liberdade.
A mídia é capitalista.
Para felicidade de Andy Garcia e tristeza de Fidel.
Trem bala (cover)
Há 9 anos
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