Pedro Henrique Freire
Economia. Para alguns jornalistas, uma paixão. Para outros, apenas mais uma editoria que trata de assunto chato e difícil de entender. Será? Economia é, de fato um tema complexo. Para ser um bom repórter da área, por exemplo, é preciso uma boa calculadora e agilidade na hora de fazer cálculos.
Além disso, é preciso estar antenado com os dados de ontem e de hoje para escrever bem sobre os de amanhã.
Eis a diferença crucial da editoria econômica para as demais: as outras tratam costumeiramente de assuntos que rolam hoje e suas conseqüências serão conhecidas, no máximo, bem no máximo mesmo, em um mês. Economia é diferente. Lá você trata do PIB para 2008, dos rendimentos de títulos para daqui a 20 anos. Da inflação que alcança o centro da meta no final de 2007, os juros que irão cair a 12,25% até dezembro... e por ai vai!
Claro que existem as notícias de hoje, os factuais como toda editoria. Mas o que quero dizer é que ser repórter de economia é ser entendido do assunto. É calcular percentuais, saber, no mínimo, que uma queda de 0,75 % da Selic em uma conjuntura como a atual é uma puta baixa ou que quanto menos juros, mais o país cresce e quanto mais o país cresce, mais perigosa pode ser a inflação.
Dentro de uma redação, se especializar em economia não é simplesmente cobrir o assunto todos os dias. É preciso conhecimento específico. No Correio Braziliense, por exemplo, há a especialização da especialização. Explico-me. Existe um repórter que cobre microeconomia, um macro, um a indústria e o setorista do Ministério da Fazenda.
Em outras editorias também é assim. Em esportes, por exemplo, tem aquele para basquete, atletismo, vôlei.. enfim (né, Daniel?). Tem o de futebol, o de políticas esportivas e assim vai. Em cultura: um cobre teatro, outro música, outro cinema, entre outros.
Sim, mas... então... qual a diferença? É só perguntar para os repórteres de economia qual pós-graduação tiveram que fazer para serem, de fato, bons no assunto que cobrem.
Trem bala (cover)
Há 9 anos
Um comentário:
Na minha entrevista de emprego para o CorreioWeb, a chefe perguntou o que eu não fazia.
Antes mesmo de ela terminar eu já disse, com veemencia:
- ECONOMIA. Eu escolhi jornalismo por uma questao familiar e por imaginar que nao precisaria lidar com numeros...
Ela ficou surpresa.
- Geralmente, qdo eu pergunto isso, a pessoa responde que faz tudo, que nao tem problema com nenhuma editoria! Até porque, eu converso com quem precisa de emprego.
FUi honesto, porque o grau de dificuldade para quem faz economia é muito maior do que para quem faz esporte ou cultura, por exemplo.
Por falar nisso, meu proximo post vai seer sobre graus de dificuldades por editoria.
É isso!!!
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