02 setembro 2007

Jornal relatorial

Por Daniel Brito

Aquele jornal que só traz notícias oficias, muitas vezes com releases reescritos ou copiados ipsis litteris, é o que a gente chama de jornal relatorial.

Aliás, não é só jornal impresso, não. A TV tem feito muito isso. O rádio além de ser relatorial, perdeu sua essência ao deixar de investir em repórteres e passou a ler notícias da internet.

Já disse em um post mais antigo que o departamento de jornalismo das emissoras de TV locais (seja em Brasília, na Paraíba, em Cocal de Telha no Piauí, em Massachusets), já não apura matéria. Pode fazê-la uma vez ou outra, claro, mas os repórteres de TV estão quase que copiando o que é publicado nos jornais.

Foi mais ou menos isso foi o que Da Silva escreveu recentemente.

Peguemos como exemplo, pois, o telejornal de maior audiência do DF. A cada dez matérias exibidas, oito são sobre governo. Crítica ou elogio. Mas são sobre o governo. As outras duas são agenda cultural e meteorologia. Aliás, acho até que previsão do tempo entra como relatório, não é não?

O pior é que os telejornais wannabe das outras emissoras fazem o mesmo na ilusão de ter a audiência idêntica.

No jornalismo esportivo na TV, para ir um pouquinho mais longe. Existe coisa mais repetitiva de se ver do que "Fulano, suspenso, sai para entrada de Sicrano na lateral". Se pegarmos no arquivo do ano passado, vamos encontrar matéria idêntica, mas com nomes diferentes. Isso também é um jornalismo relatorial.

É muito fácil e muito chato fazer jornalismo assim.

Difícil mesmo é colocar opinião no conteúdo.

Sim, porque com a proximidade assustadora dos empresários do setor com políticos e seus partidos, a opinião tende a sair distorcido. As coisas não funcionam como o slogan do Le Monde:

"Sem a liberdade da crítica não existe elogio sincero". Aliás, alguém já me falou - e o Google confirmou - que esta frase é de um camarada chamado Pierre Beaumarchais, autor de teatro do século XVIII.

Do jeito que as coisas se encaminham na nossa área, é capaz de entrarmos na era do jornalismo e da opinião relatorial. Onde toda a verdade vem do governo e só do governo.

PS - Tem um blog novo no ar. É o muitodenada.blogspot.com. Não é sobre jornalismo, como este almeja ser. Tem tudo sobre nada. E ponto final...

Um comentário:

Léo Alves disse...

DB, essa relação entre governo e imprensa tem me deixado bastante inquieto ultimamente. É como você bem disse. Muitos jornais (e tevês) parecem que são oficiais. Só divulgam o governo.
E onde fica a credibilidade da imprensa?