Pedro Henrique Freire
Outro dia, criou-se na redação uma discussão saudável. De um lado, eleitores do Lula. De outro, do Alckmin. “Eu vou votar no Lula”, disse um jornalista. “Nossa! Logo você... uma pessoa tão inteligente”, retrucou outro colega. Isso causou a ira de alguns companheiros. Para eles, votar no Lula não é sinônimo de asneira. Votam no Lula porque não suportam o Alckmin.
Vendo aquela confusão, comentei. “Gente, o povo brasileiro está sem saída”. Ainda assim, existiram mais brasileiros que preferiram os quatro anos de escândalos do Lula a mais quatro anos iguais aqueles oito do FHC.
Ao final do quadriênio à frente do Palácio do Planalto, aquele “Lulinha Paz e Amor” de 2002 deve está cansado de esbravejar, xingar e beber um pouco para apagar a irritação com tanta denúncia. Mas uma coisa ele tem que admitir: a oposição tucana mandou bem. Explorou os podres do governo. Deixou-o com as calças arreadas.
Tudo isso, temos que colocar na mesa, se deveu aos vícios de servidores tucanos herdados por Lula. A Polícia Federal é um exemplo. Teve tanta liberdade que fu*d* com o presidente. Lá dentro, o ninho tucano ocupa uma floresta inteira. Será que o mesmo aconteceria no governo FHC? Duvido. Tudo naquela época era abafado, como num balé de armação herdado pela ditadura.
No governo Lula, a Procuradoria-Geral da União passou a fazer sorteios para investigar municípios. Aquela cidade tinha suas contas devassadas independentemente do partido. No governo FHC, o mesmo órgão engavetava tudo que poderia constranger o presidente ou seu governo.
Concordo que o governo Lula foi uma vergonha na área social, um desastre no relacionamento político e, até mesmo, no trato com o dinheiro público. Mas o governo FHC foi igual ou pior. Pior porque durou o dobro. Pior porque teve tempo para fazer mais e não fez.
E o que esperamos do Lula? Ele ganhou mais tempo e deverá fazer bem mais do que já fez. Caso contrário, marcará a história como um governo corrupto e “meia boca”, assim como foi o do senhor Fernando Henrique Cardoso. Não queremos mais um governo sem futuro. Sem futuro como a discussão que nós, jornalistas, travamos em plena redação.
A vitória deste domingo não teve nada a ver com aquela de 2002. O povo não votou em mudança. Votou na permanência de um migrante nordestino, ex-pobre, no poder. Lula venceu mais pelo que foi do que pelo que fez.
Ps: Será que continuaremos a contagem regressiva para o próximo escândalo?
Trem bala (cover)
Há 9 anos