07 maio 2007

A força dos blogs

Por Léo Alves

Os blogs completaram dez anos de existência. Serviram, inicialmente, como diários virtuais. Há algum tempo, contudo, deixaram de ser ferramentas de amadores. A maioria dos jornalistas tem um blog.

Comecei a utilizar esta ferramenta há pouco mais de um ano, quando eu e Daniel (em seguida, o grande Pedro) decidimos criar o Filhos da Pauta. A idéia era relatar um pouco de nossas experiências jornalísticas e discutir assuntos ligados à área. Nossa pretensão nunca foi ficar famoso. Por isso não nos preocupa muito a pequena quantidade de acessos diários temos.

Gostei tanto da experiência que há pouco mais de três meses resolvi investir em outro blog: o Esportes na Rede (http://blogdeesportes.blogspot.com/).

Como estou afastado do jornalismo impresso, pensei em reeditar na internet o estilo da coluna de esportes que escrevia no Diário da Borborema, na qual abordava notícias dos bastidores do futebol paraibano.

Mesmo longe do esporte, as notícias continuavam chegando a mim através das fontes que cultivei. Na maioria das vezes, repassava as notícias para colegas que ainda estão no batente.

Nestes três meses, o blog conseguiu dar vários furos na mídia tradicional. Eles (os furos) só ganharam força quando divulgados nos outros meios.

E não é que neste pouco tempo, o blog sofreu até ameaça de processo?

Quando publiquei a informação de que jogadores do Campinense, um clube tradicional de Campina Grande, estavam curtindo a Micarande, o carnaval fora de época da cidade. O detalhe é que o time estava mal no campeonato. A notícia foi republicada por um jornal e revoltou a torcida, que invadiu o gramado em um dos treinos.

Como o jornal divulgou a fonte, o número de acessos no meu humilde blog cresceu consideravelmente. E outras notícias como passaram a fazer parte dos noticiários.

Escuto e leio vários comentários a respeito de panelinhas de jogadores, brigas dentro do elenco e da diretoria do Campinense. Notícias que hoje são comentadas abertamente, mas que foram publicadas exclusivamente no blog. Ninguém sabe como elas chegaram a mim.

Não importa.

O que importa é que sabem que são verdadeiras, pois em todas elas procurem usar o princípio básico do jornalismo: checagem. Os jogadores que ameaçaram processar o blog (e o jornal) estão indo embora. O assunto já esfriou.

Esse episódio mostra que o blog pode muito bem ser usado como ferramenta jornalística. Desde que, obviamente, sejam respeitados os princípios éticos.

Os blogs ganham força a cada dia e se torna uma fonte de informação para muitos leitores.

28 abril 2007

Tudo se repete

Por Daniel Brito

É uma coincidência sobrenatural ou falta de criatividade mesmo. Eu aposto na segunda opção. Mas é incrível como alguns dos fatos que têm freqüentado as partes mais visíveis das páginas de jornal são insistentemente comparados a manchetes passadas.

Parece que tudo se repete. Quase tudo, eu diria.

Vamos aos exemplos?
Então:

1- Crise na aviação civil do país recebeu o nome de Apagão Aéreo. O nome remete ao Apagão Elétrico de 2001. Atualmente, os aviões não saem do chão por problemas com os controladores, então a crise foi chamado de apagão porque proporcionou prejuízos idênticos ou piores ao da crise de energia elétrica.

2 - Essa operação da PF de prender bingueiros e peixes graúdos no judiciário acusados de receber uma grana preta para conceder liminares em favor das casa de bingo. O nome dessa 'verba' que os juízes levaram na surdina já foi apelidada pela imprensa como Mensalão do Judiciário.

3 - O primeiro mensalão foi denunciado por Roberto Jefferson, em 2005. Daí começou unma crise gigantesca e começaram a falar em impeachment. Compararam Lula com Collor e insistiram que a história deveria se repetir.

4 - A famigerada guerra do Iraque (Part II, de Walker Bush) é sempre pintada com as mesmas cores da Guerra do Vietnã, quando os Estados Unidos fracassaram. Ora, os EUA fracassaram em outras oportunidades, que não convém citá-las aqui, mas porque não equipará-las também?

5 - Ainda nos Estados Unidos, qualquer caso que envolva a CIA e o presidente do país já é chamado de Watergate. Aquela história de escutas clandestinas, na década de 1970, denunciado por um cara que recebeu o nome de Garganta Profunda. Ao longo desses trinta anos, várias figuras que serviram de fonte à imprensa também receberam esse apelido infame.

6 - Para trazer o post para um tema mais ameno, chegamos, finalmente, ao suposto milésimo gol de Romário. Tudo está sendo comparado ao momento atravessado por Pelé há 40 anos. "Pelé fez cinco jogos a menos que Romário quando tinha 999 gols", "Romário usa mesmo vestiário de Pelé, na noite do milésimo gol".

Antes que os parcos leitores que vigiam nosso blog venham debater se Romário tem ou não mil gols, se Lula merecia ser impeachmado, se o apagão aéreo foi tão ruim quanto o elétrico, preciso esclarecer que minha opinião sobre cada um desses assuntos não cabe aqui, agora. Quem sabe num próximo post?

Também tenho a obrigação de explicar que a importância da história para qualquer nação e inestimável. A partir dela, é possível evitar os erros já cometidos. Não sou contra a seção "Memória" que acompanha as reportagens nos casos citados acima ou qualquer outro. Até porque, serve para situar o leitor na história.

O que lamento é necessidade dos jornalistas de obrigar a repetição da história. Com nomes, sobrenomes, aspas e ponto final iguais. Isso faz com que muitas manchete precisem ser comparadas, em todos os aspectos, com o passado.

Será que tudo se repete neste mundo???

22 abril 2007

Fucking checagem!!!

Por Daniel Brito

Depois de passar alguns dias rodando os Estados Unidos com uma banda de rock, o garotinho protagonista do filme Quase Famosos, escreve um texto contando todos os podres do grupo. Sexo grtupal com fãs, drogas de todas as espécies e shows alucinantes.

Uma matéria espetacular. Capa da revista Rolling Stones. No filme, a publicação o pagara para acompanhar a turnê da tal banda. Acontece que o garotinho (dizem ser o próprio diretor do filme, Cameron Crowe) tinha lá seus 15, 16 anos e pensava que tudo que visse poderia ser publicado livremente.

Os editores adoraram a história de Crowe adolescente, mas quando ela passou pelo setor de checagem da Rolling Stones, os caras ligaram para os personagens da matéria. Eles, claro, desmentiram as informações do garoto. Ele (Crowe adolescente) ficou como mentiroso.

O filme se desenrola e ele acaba se perdendo no meio do história com os roqueiros.

No New York Times existe uma editoria de checagem também. Ela só funciona quando alguma fonte suspeita de informações já publicadas. Então, a checagem entra em campo. Pede, oficialmente, o bloquinho de anotações do repórter, envia outro repórter para o local onde a informação original foi apurada.

No Brasil, até onde eu sei, isso não existe.

Certa vez, o diretor do time de basquete de Brasília confirmou ao meu editor que um jogador norte-americano da equipe dele havia atuado sem visto de trabalho no Brasil. A informação foi repassada em OFF.

Quando partir para apuração, juntei dados do Ministério do Trabalho e da Polícia Federal. Ambas as instituições confirmavam que o atleta não tinha visto de trabalho. Em ON, o dirigente negou que o time tivesse deixado o jogador sem a autorização. A entidade que organiza o basquete se negou a informar se havia recebido a cópia do passaporte do gringo com o documento.

De qualquer maneira, eu já possuía tudo que precisava, menos a declaração do jogador.
Na pressa para fechar a matéria, liguei duas ou três vezes para o celular do cara. Ele me atendeu uma vez. Fez que a ligação estava falhando e desligou. Depois, não me atendeu mais.

Achei o suficiente para detonar a matéria no jornal. Fui criticado por não ter checado a denúncia com o jogador, mas eu tinha a certeza, em OFF, que ele estava irregular.

Checagem requer paciência e inteligência para abordar as fontes.

Um colega me confidenciou, recentemente, que um senador do DF pediu o auxílio moradia que todos os parlamentares têm direito aos R$ 3 mil para alugar um apê. Quem já é de Brasília, óbvio, abre mão. Mas esse senador fez questão, de acordo com essa minha fonte.

Repassei a informação para uma jornalista de uma publicação de alcance nacional. Ela passou a notícia para o chefe, que reservou o espaço para a notícia na edição da semana passada. A jornalista ligou no senado, buscou suas próprias fontes, acionou seus conhecidos para confirmar a informação.

Não conseguiu.
O espaço foi ocupado por outra notícia.

E se ela não tivesse checado???

13 abril 2007

Chatos por natureza

Por Léo Alves

Há entrevistados e entrevistados.

A classificação deles é feita com base no histórico das entrevistas.

O primeiro tipo é aquele super gente boa. Dá boas entrevistas e ainda por cima trata bem o repórter.

Na maioria das vezes depois da entrevista ainda rola uma conversa informal.

Todos os repórteres falam bem desse tipo de entrevistado. É querido nos meio dos jornalistas.

O segundo tipo é o terror dos repórteres. É aquele que todo mundo precisa entrevistar, mas é marcado pela chatice, má educação.

Esse tipo faz questão de ser chato. Adora maltratar os repórteres. Responde como se estivesse fazendo um favor aos jornalistas.

Tive oportunidade de entrevistar dois que são conhecidos por sua chatice com a imprensa.

O primeiro foi Nelson Piquet. Esse dispensa apresentações.

Piquet era craque em receber o Troféu Limão dado pelos jornalistas esportivos para o piloto mais antipático da temporada.

O ex-piloto esteve em Campina Grande para divulgar o produto de sua empresa a Autotrac, que é um sistema de monitoramento via satélite de caminhões.

Nos contatos preliminares a assessora de imprensa marcou a hora da entrevista. Mas deixou claro que Piquet não falaria de Fórmula 1.

Não estava nem um pouco interessado nas ações mercadológicas da Autotrac. Queria uma entrevista sobre Fórmula 1.

Mesmo sabendo da chatice de Piquet decidi arriscar.

Estávamos eu e outro colega apenas.

Acertamos começar com perguntas sobre a Autotrac. Em seguida passaríamos para Nelsinho Piquet e por fim a Fórmula 1.

Deu certo.

Paramos quando percebemos que Piquet já demonstrava estar chateado com as perguntas.

Consegui minha entrevista.

Outro osso duro foi Emerson Leão.

Leão vinha de uma polêmica com a repórter da Record, Marília Ruiz.

O agora ex-técnico do Timão havia se irritado com uma pergunta de Marília. E chamado-a para o motel.

O Corinthians tinha se hospedado em João Pessoa.

Na capital paraibana, Leão disse que não dava entrevista enquanto a repórter da afiliada da Record não saísse.

Estava cobrindo o jogo Treze x Corinthians (Copa do Brasil), em Campina Grande, com a colega Manuella Soares.

Antes da partida, ela se escalou logo para entrevistar o técnico do Treze, Arnaldo Lira.

Disse que não queria correr o risco de ouvir alguma grosseria de Leão.

Não seria deselegante em pedí-la para entrevistar Leão.

Sobrou pra mim.

Pensei: “Só falta arrumar uma confusão ao vivo com Leão”.

Só tinha a certeza de que ele não me chamaria pro motel como fez com a Marília.

Terminada a partida desci para os vestiários.

O assessor anunciou que cada repórter poderia fazer duas perguntas ao treinador.

As rádios de São Paulo começaram.

As quatro perguntas feitas pelos repórteres estavam na minha lista.

Como já tinham queimado todas as minhas perguntas fiz uma básica, em cima da hora:

- Leão a série de desfalques por suspensão e problemas de contusão tem prejudicado até que ponto o time?

- O que? ..... não entendi., com aquela cara de abuso típica do treinador.

Pensei que ele estava se preparando para soltar a patada.

Repeti a pergunta esperando uma descortesia. Ainda bem que não veio.

- O Corinthians é um time que preciso de conjunto para vencer...e tal, tal, e tal.

Escapei do rugido do Leão.

Até que neste dia ele estava bem humorado. Um colega de rádio repetiu a pergunta que eu acabara de fazer.

Mesmo com a cara amarrada, respondeu educadamente.

Depois dessa pergunta sai de perto.

Não dá pra confiar muito em um Leão.

06 abril 2007

Lição do motora

Pedro Henrique Freire

Todo motorista de jornal tem um pouco de repórter. Como estão de um lado pro outro sempre, começam a enxergar as coisas com olhos jornalísticos. É comum sugerirem pauta. E ainda dizem, entusiasmados: “Aquilo ali dá uma boa matéria”. E muitas vezes dá mesmo. É por isso que a conversa com eles, além de ser agradável, é bastante produtiva.

Pois bem. Outro dia estava me deslocando para um pauta e, como sempre, começo a conversar. No carro, eu e uma outra repórter. Como meu destino era o último, ela desceu e o motora muito falador e sensível começou a articular suas idéias.

- Essa menina é uma ótima repórter, disse. E o melhor. É gente boa! Tem repórter ai que não entende nada. Se a gente pára em algum lugar antes de chegar ao jornal com eles, por exemplo, já reclamam e contam pro chefe. E o chefe briga também quando algum deles quer parar e eu paro, pra comprar comida ou qualquer outra coisa.

A conclusão dele me entusiasmou e, confesso, percebi que aquele motorista entendia bem o processo jornalístico:

- Eu tenho a seguinte opinião, continuou. Estou aqui para servir vocês (repórteres). Então tudo que fizer, vou está ajudando o trabalho de vocês. E ajudando o trabalho de vocês, ele vai ficar mais bem feito. Isso melhora o jornal. E, se o jornal tá bom, meu salário sai sempre no final do mês.

Toda aquela análise da produção da notícia me surpreendeu. São poucos os que pensam daquele jeito. Ele, por exemplo, entende que a matéria depende até da velocidade com a qual ele dirige o carro. Uma boa pauta nasce do acaso, mas sua feitura depende do empenho de todos, inclusive dos motoristas.

29 março 2007

"Octingentésimo nonagésimo nono gol"

José Roberto Torero*

Neste fim de semana é bem provável que Romário marque um gol contra o Botafogo. Se isso acontecer, no domingo ele será o principal assunto de todas as mesas-redondas e terá reportagem especial no "Fantástico". E, na segunda-feira, estará em todas as primeiras páginas dos jornais do país.

Na verdade, é isso o que é este gol mil de Romário: uma forma de chegar às manchetes, um ótimo trabalho de assessoria de imprensa. Todos gostamos de Romário, todos temos carinho e admiração por ele, mas daí a aceitar que ele está fazendo mil gols há uma grande distância. É ser muito condescendente, complacente, frouxo.

Aceitar este gol como o milésimo é ser conivente com o jeitinho brasileiro, com a mania nacional de acochambração.

E o Baixinho merece uma homenagem mais verdadeira.

Essa história de "deixa ele contar os gols do jeito dele" é um desrespeito com os amantes do futebol e com o próprio Romário. Para driblar o problema de aceitar ou não os gols de Romário, alguns jornais usam asterisco ou dizem entre parênteses algo como "segundo as suas contas".

Isso me parece pouca coisa.

É preciso estabelecer um parâmetro e fazer a estatística certa.

Por exemplo, é óbvio que contar os gols dos tempos de amador não vale. Nem gols contra amadores. Se for assim, o cantor Daniel também vai querer contar seus gols em jogos beneficentes, e Didi (o humorista, não o jogador) poderia contabilizar seus gols quando fazia shows futebolísticos pelo Brasil. Sem falar nos milhares de craques de fim de semana espalhados pelo Brasil, que fazem jogos que servem de aperitivo para seus churrascos pantagruélicos.

É claro que festejar é divertido
É claro que chegar aos mil gols seria um bom modo de Romário deixar o futebol por cima.

Seria colocá-lo num panteão onde estão apenas três deuses: Eusébio, Puskas (ambos em números não muito precisos) e Pelé (que também tem alguns gols absurdos em suas contas, como os da seleção do Exército, gols que também não deveriam ser contados).

Mas mentir para chegar a este panteão não vale.
Contar os gols de quando ele tinha 13 anos ou da partida entre os Amigos de Luisinho x América-RJ é mentir.

Muitos aceitam essas contas porque, de certa forma, tratamos os jogadores, e especialmente Romário, como meninos traquinas, como crianças que não cresceram e continuam a jogar bola como quando pequenos.

Mas não pode ser assim.

Os jogadores são adultos, o futebol é seu trabalho, e eles devem ser tratados com toda a seriedade. Por isso creio que só podem ser considerados os gols que ocorreram em jogos que utilizaram jogadores profissionais. E, é claro, seleções oficiais de atletas profissionais. Isso diminuiria o número de gols de Romário, mas não faria dele um jogador menos fantástico, não faria com que ele deixasse de ser o maior centroavante da história do nosso futebol.

Friedenreich, por exemplo, teve seus gols recontados e, se antes estava à frente de Pelé, agora tem menos de 600 tentos. Isso não tira o brilho da história de Fried, o nosso primeiro grande craque, só evita que transformemos mentiras em verdade pela repetição.

Por enquanto, estou com a contagem da revista "Placar", que desconsidera 101 gols marcados pelo Baixinho. Ele estaria, então, em busca do gol 899, o que é uma marca sensacional, histórica, pela qual ele merece todos os parabéns.

E parabéns também merece seu assessor de imprensa, que inventou esta balela de mil gols.

Balela que boa parte da imprensa e dos torcedores (que sempre têm fome de grandes feitos e marcas históricas) engoliu sem mastigar.

*Extraído do jornal Folha S. Paulo, dia 29/3/07

28 março 2007

Graus de dificuldade

Por Daniel Brito

Criei na minha cabeça uma escala de grau de dificuldades que diferencia o jornalismo dos grandes centros ao praticado nas cidades menores. Na minha mente, coloquei na escala que vai de 5 a 10 os assuntos por editoria nos jornais e telejornais.


Partindo do princípio que não é fácil fazer jornalismo, por isso ninguém habita em level abaixo de cinco, o nível cinco, basicamente, é merecido para aqueles jornais que servem como balcão de negócios. Ou os jornais chapa-branca. Só falam bem do governo e os textos ainda são mal escritos. Isso acontece porque só quem fatura as gordas verbas estatais são os donos do jornais e eles costumam atrasar o pagamento dos funcionários, que têm salários baixíssimos.

Da nota 6 aa 9, a variação é muito sensível. È uma questão subjetiva, o que gera muita briga entre jornalistas em mesa de bar. Aí já entra em apresentação física da matéria, com detalhes da arte, estilos de textos e grau de exigência e participação dos leitores e/ou telespectadores.

Fazer uma matéria de economia -- que meu amigo Pedro tanto venera -- o grau de dificuldade oscila dos 9 para os 10 pontos. É preciso entender de macroeconomia, encaixá-la na vida de personagens humildes que possam transformar uma sopa de números em assunto compreensível para todos.

O Correio Braziliense, a Folha de São Paulo e O Globo fazem isso muito bem. Mais o CB e O Globo, na minha modesta opinião.

Cobrir política (aquela politicagem partidária, mesmo) ou políticas públicas, por exemplo, é de um grau de dificuldade nível 9. É espinhoso o terreno da crítica e elogio ao governo. Pesa a verba publicitária recebida mensalmente de um lado; o compromisso com o bom jornalismo e o dever de bem informar do outro lado dessa balança.

Um telejornal do DF, por exemplo, faz seu noticiário diário totalmente baseado nas ações do governo. Curioso é que só sai porrada. Crítica atrás de crítica.

São até bem feitas.
Mas poderiam ser mais aprofundadas.

Se quiserem encontrar lixo nas ruas, hospitais precários e ruas esburacadas, vão fazê-lo sempre. Cabe aos editores, se quiserem dar porrada no governo, começar a fazer pautas mais investigativas.

Nível 10 de dificuldade, mesmo, é fugir do oficial no esporte.

Ver e fazer o óbvio todo mundo faz.

O negócio é fazer algo diferente. Mais assuntos de interesse do torcedor, menos picuinhas jurídicas e edições apaixonadas, aliadas a textos curtos, críticos e criativos com ilustrações.

Este seria o jornalismo esportivo nota 10, na minha opinião.
Em dificuldade e qualidade!

25 março 2007

Editor que faz raiva

Pedro Henrique Freire

Quem aqui já teve um editor ruim? Eu já. E isso é extremamente irritante. Imagina alguém que, teoricamente, tem que entender mais que você, pega seu texto e muda. Já não é legal, né? Mais: muda pra pior. É o fim da picada!

Recentemente ocorreu de mexerem no meu texto e, no mínimo que modificaram, fizeram uma burrada. A primeira eu vi antes da publicação. Mas a segunda não deu. Foi para rede, assinado, com um baita erro de concordância.

Um deles era sobre uma matéria do Exame de Ordem da OAB. Agora, as provas serão iguais nos 27 estados e no DF. E serão no mesmo dia. Mas, por hora, somente 17 estados praticam a unificação. Os outros não conseguiram se livrar de contratos antigos para realizar as provas. Na matéria, eu coloquei assim: “Ficaram de fora Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, entre outros”.

Eu entreguei o texto e tempos mais tarde tive que acrescentar uma informação. A matéria ainda não tinha sido publicada. Quando abri para escrever o que faltava, me deparo com a frase. “Somente 17 estados realizam o exame, entre eles Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais”.

Fiquei chateado. Disse: “Acrescentei a informação e corrigir um errinho lá. Aqueles estados não farão a prova. Lá tava que eles fariam”. O editor escutou, mas não disse nada.

No mesmo dia, como se não bastasse, entrego uma outra matéria. Fico lá para sanar qualquer dúvida que o editor eventualmente tenha. Mas não teve nem uma. Em compensação, acrescentou umas informações no lide e acabou errando duas vezes. Eis o texto:

“O projeto que prevê a retirada, nas próximas semanas, de parte da vegetação exótica do Parque Nacional de Brasília que darão lugar a 10 mil mudas de plantas nativas ganhou forte oposição dentro da própria administração do parque”.

Existe ai um erro de concordância e uma falta de vírgula. Deveria ser assim:

“O projeto que prevê a retirada, nas próximas semanas, de parte da vegetação exótica do Parque Nacional de Brasília, que DARÁ lugar a 10 mil mudas de plantas nativas, ganhou forte oposição dentro da própria administração do parque”.

Assim que li, depois de chegar em casa, liguei imediatamente para o jornal e pedi que corrigissem.

O pior de tudo é que, quem leu, acha que o errado sou eu! E, nas duas horas que o erro ficou na rede, muita gente deve ter lido.

18 março 2007

Ainda sobre estudar

Por Léo Alves

Minha intenção era atualizar o blog (depois de muito tempo) com a história da minha entrevista com Emerson Leão. Calma, ele não me chamou para ir ao motel como fez com a repórter Fernanda Ruiz.

Porém decidi mudar de tema e acompanhar meus colegas DB e Pedro.

A história de Leão eu conto depois.

Pois bem. Já fiz concurso público. E já fui aprovado. A primeira coisa que leva a maioria das pessoas a optar por um cargo concursado é a estabilidade.

O dinheiro também é levado em conta.

Imagino a quantidade de pessoas que está estudando para o concurso da Câmara pensando na estabilidade e nos (acho que é isso) R$ 9 mil de salário.

Recentemente fiz o concurso do MPU que certamente não vou passar. E se passar ficarei no cadastro de reserva.

Quando fiz a inscrição fiquei me questionando se seria feliz no MPU. O salário é bastante interessante para a nossa realidade.

Mas como disse Felipe (e eu concordo) o serviço público acomoda.

Não existe muita cobrança.

E quando você tenta mostrar serviço encontra funcionários mais antigos que não estão nem aí. A tendência é seguir o mesmo caminho.

A experiência que tive em cargo concursado não foi na área de jornalismo. Mas serviu para sentir que com o tempo me acomodaria.

E olha que no Banco do Brasil existia muita cobrança. Era meta aqui, meta ali, clientes reclamando, gerente e superintendência cobrando resultados.

Quando fiz a inscrição do concurso do BB estava desempregado. Quando fui chamado já estava trabalhando numa redação de jornal.
Só que eu buscava estabilidade e, claro, salário melhor. Até porque escutava muito “que jornalismo não tinha futuro, não dava dinheiro”.

E decidi largar o jornalismo e ir para a vida mansa (mero engano) de funcionário do BB.

Passei apenas onze meses. Tive sorte de em apenas cinco meses assumir a gerência de expediente de uma agência.

Muito mais por falta de pessoal que qualificação. Afinal não entendia ainda muita coisa do sistema bancário.

Daí só agüentei mais seis meses.

Pouco tempo depois comecei a sentir falta do jornalismo. Imaginava como seria vinte, trinta anos fazendo a mesma coisa.

Não era para aquele serviço que eu tinha largado o curso de Engenharia Mecânica para me dedicar ao jornalismo.

Pedi demissão.

Lembro que na época DB me falou que a estabilidade iria depender da competência do profissional.

Hoje acredito que a estabilidade não depende apenas da competência. Tem outros fatores como, por exemplo, o chefe novo ir com a sua cara.

Não me arrependi de ter saído. Aliás, sempre costumo dizer que as melhores coisas que fiz para a minha carreira foi ter ido e ter saído do BB.

Em menos de um ano de banco percebi o quanto eu havia parado no tempo.

Quando voltei para o jornal (para ganhar a metade que ganhava no BB) quase não conseguia escrever um lide.

O serviço público não é a única saída para quem quer fugir das redações. Existe vida além dele.

Eu descobri meio que por acaso um caminho gratificante: a sala de aula. Não que eu tenha saído da redação. E não pretendo sair tão cedo.

Estou no terceiro ano de minha carreira de professor do curso de jornalismo da UEPB.

Quando fui aprovado na seleção relutei para assumir. Não me achava capaz de ensinar alguma coisa a alguém.

Não era bem verdade. Percebi que os alunos gostam de interagir experiências práticas com a teoria.

Se não sou um professor que conhece profundamente os grandes autores, pelo menos tenho a experiência prática do dia-a-dia.

E o aluno adora ouvir histórias da rotina do jornalista.

Pedro ressaltou que não se ganha muito como professor. É verdade.

Mas a recompensa vem de outras formas.

É muito bom ouvir um aluno dizer que se espelha em você como profissional.

Já comentei com o DB que a responsabilidade é muito grande.

Um professor pode estimular ou desanimar o aluno com uma frase.

Reconheço que preciso melhorar minha parte teórica.

A meta é fazer um mestrado (já tenho especialização) e depois um doutorado.

Tentei, mas não fui aprovado.

Preciso me aprofundar mais nos assuntos. Melhorar para ser aprovado.

E a saída para isso é estudar.

14 março 2007

A saída é estudar... mesmo!

Pedro Henrique Freire

Economia. Para alguns jornalistas, uma paixão. Para outros, apenas mais uma editoria que trata de assunto chato e difícil de entender. Será? Economia é, de fato um tema complexo. Para ser um bom repórter da área, por exemplo, é preciso uma boa calculadora e agilidade na hora de fazer cálculos.

Além disso, é preciso estar antenado com os dados de ontem e de hoje para escrever bem sobre os de amanhã.

Eis a diferença crucial da editoria econômica para as demais: as outras tratam costumeiramente de assuntos que rolam hoje e suas conseqüências serão conhecidas, no máximo, bem no máximo mesmo, em um mês. Economia é diferente. Lá você trata do PIB para 2008, dos rendimentos de títulos para daqui a 20 anos. Da inflação que alcança o centro da meta no final de 2007, os juros que irão cair a 12,25% até dezembro... e por ai vai!

Claro que existem as notícias de hoje, os factuais como toda editoria. Mas o que quero dizer é que ser repórter de economia é ser entendido do assunto. É calcular percentuais, saber, no mínimo, que uma queda de 0,75 % da Selic em uma conjuntura como a atual é uma puta baixa ou que quanto menos juros, mais o país cresce e quanto mais o país cresce, mais perigosa pode ser a inflação.

Dentro de uma redação, se especializar em economia não é simplesmente cobrir o assunto todos os dias. É preciso conhecimento específico. No Correio Braziliense, por exemplo, há a especialização da especialização. Explico-me. Existe um repórter que cobre microeconomia, um macro, um a indústria e o setorista do Ministério da Fazenda.

Em outras editorias também é assim. Em esportes, por exemplo, tem aquele para basquete, atletismo, vôlei.. enfim (né, Daniel?). Tem o de futebol, o de políticas esportivas e assim vai. Em cultura: um cobre teatro, outro música, outro cinema, entre outros.

Sim, mas... então... qual a diferença? É só perguntar para os repórteres de economia qual pós-graduação tiveram que fazer para serem, de fato, bons no assunto que cobrem.

09 março 2007

A saída é estudar (Parte II)

Por Daniel Brito

Um texto como o anterior a este ("A saída é estudar") escrito por um jornalista de uma sucursal brasiliense de um grande jornal paulista resultaria em demissão. Eu explico.

A onda de concursos públicos no DF é muito grande. Dia desses, mesmo, minha dentista me revelou que estava estudando para o concurso do Ministério Público. Eu ouvi isso enquanto leva uma anestesia na gengiva. Em 2004, quando houve o último concurso para jornalistas para a Câmara dos Deputados, o chefe da tal sucursal que citei nas primeiras linhas deste post demitiu os jornalistas inscritos.

A alegação:

"Não quero repórteres acomodados!"

Na visão dele, quem vai para o emprego público se acomoda. O amigo e colaborador fiel deste espaço, Felipe CAmpbell foi o terceiro melhor concursado na prova da Agência Brasileira de Apoio à Exportação (Apex), engrossou o coro do chefão da sucursal em seu comentário na Parte I deste texto.

Imagina se eu fosse subordinado a esse cara e ele desse de cara com este texto na internet assinado por mim?

Estaria estudando para concurso agora.

Ou não.

Estudar nunca foi a minha praia. Reprovei a quinta série e o primeiro ano do segundo grau. Concluí o ensino médio na base do supletivo, no longíquo ano de 1999. Por um milagre passei em dois vestibulares (uma faculdade estadual e outra particular).

Hoje, quase 10 anos após entrar na faculdade, percebo que a saída para mim é desmentir o meu passado. É estudar mesmo. Não para concursos, mas para uma pós-graduação. Pode ser especialização, mestrado, doutorado, whatever...

Convencido pelo meu grande amigo Da Silva e por minha namorada, entendi que ser professor de jornalismo é uma saída honrosa do ambiente das redações.

Após dois ou três bate-papos com estudantes de jornalismo em São Paulo, Pernambuco e Paraíba, percebi que tão gratificante quanto apurar uma matéria sensacional e escrevê-la com todos os detalhes, é ver seu conhecimento sendo assimilado por pessoas tão interessadas quanto você era quando estava na faculdade.

Não que eu queira ser professor imediatamente. Nem num futuro próximo. Não tenho conteúdo para mais que um bate-papo informal com focas.

Daqui 15 ou 20 anos, quem sabe, eu posso estar falando as besteiras que escrevo aqui em uma sala de aula e sendo pago por isso.

A saída, portanto, é estudar!

05 março 2007

A saída é estudar

Por Daniel Brito

A resposta preferida das pessoas que estudam para concursos públicos é:

"É um emprego estável".

Se você mandar teu chefe tomar no c*;
correr nu pelo corredor principal;
derramar café na blusa branca da secretária propositadamente;
você não será demitido do órgao do governo.

Isso é estabilidade.

Chegar atrasado todos os dias;
faltar quatro dias de trabalho por semana;
Isso também é estabilidade.

Sobreviver a cortes de gastos, igualmente.

De todos os fatos citados, acima, o que mais aflige os jornalistas é o último.

Corte de gastos.

Nunca diga essas três palavrinhas, nem por brincadeira, em uma redação. Eu digo nas redações, porque é o meu habitat natural. Em escritórios de advocacia, indústrias, laboratórios químicos ou qualquer outra atividade, o corte de gastos deve causar espanto também.

Ao cortar os gastos, os donos da empresa querem, principalmente, diminuir o impacto da folha salarial no orçamento mensal. Não se preocupam em reduzir despesas em outros ramos, tipo papel (lixo), energia, gasolina, telefone, tinta para impressora e coisas do ramo.

Existem casos que a empresa está tão quebrada, que mesmo reduzindo a conta de telefone, o gastos com papel, impressora, cafezinho, energia, não cobre o buraco. Buraco este, causado pelo administrador da empresa.

Quem paga o pato são os funcionários. Não adianta ser um profissional aplicado, competente, "amigo da empresa", ou ter vários anos na casa. Na hora de passar a faca na folha de pessoal, nada de positivo conta pela permanência do funcionário.

Daí a vontade de ser um "funcionário estável" do governo.

Para tanto, é preciso estudar um bocado. E sempre que for perguntado por um jornalista (sobrevivente a uma redução de gastos na empresa) o motivo pelo qual resolveu estudar para concurso, responda:

"Quero um emprego estável".

28 fevereiro 2007

Táticas (primárias) de investigação jornalística

Por Daniel Brito

Estou com uma mania incrível de digitar os nomes das pessoas que conheço no Google. Depois no Orkut. Depois no Blogger. Basta ser apresentado a uma pessoa mais ou menos interessante (em todos os aspectos) que eu já vou atrás do histórico dela.

Já descobri coisas estranhas sobre pessoas esquisitas. Como disse a ex-leitora desse blog, Manu, eu realmente sou um curioso. Em um desses dias de viagem pelo Google, Orkut e outros sites de procura tive a idéia de escrever este post.

Há dez anos o jornalismo tornou-se ainda mais investigativo. Desde a apuração do desempenho de determinado atacante no campeonato árabe até a quebra de sigilo bancário de políticos oposicionistas.

Na palestra de um figurão do jornalismo nacional em uma faculdade do Distrito Federal, o repórter contou como derrubou o presidente de um órgão do governo. Digitou o nome do camarada no google e foi na seção "imagens". Lá, encontrou a foto desse político ao lado de uma terceira pessoa que já estava presa por estelionato. A imagem fora publicada em uma dessas inúteis colunas sociais de algum jornaleco do nordeste. Aí foi mais fácil associar o tal presidente à denúncia e detoná-lo no jornal.

O que eu costumo, humildemente, fazer é procurar referências nos site de buscas. Se o nome ou o sobrenome (principalmente o sobrenome) não for comum, tipo Da Silva, Freire ou Brito, por exemplo, a pesquisa é tranqüila .

Geralmente, o Orkut revela muitas coisas.

Recentemente, o pessoal do Correio Braziliense fez uma matéria com um brasileiro morto em algum lugar na Europa baseada nas informações do que a imprensa chama de "maior site de relacionamentos da rede". Deu uma olhadinha nas comunidades, nos 'scraps', nas fotos e acrescentou os dados à matéria.

Até as polícias Civil e Federal vigiam as pessoas pelo Orkut.

Orkut e Google, como está explícito no título deste post, são táticas primárias de investigação jornalística. Um segundo passo é digitar placas de carro no site do detran, telefone no site de informações do 102 (lista telefônica) e o CPF no site da receita federal.

Já dá para adquirir algumas informações mais preciosas sobre o denunciado (apesar de serem, repito, estratégias de iniciantes).

Trabalhei com um maníaco há uns sete anos que era viciado nisso. Pelo simples fato de investigar a vida das pessoas. Ele era capaz de citar o número do meu renavam de trás para frente. Na época da ditadura ele era dedo-duro, salvo engano.

Anyway, tenho que encerrar este texto nas táticas primárias porque as avançadas estão em poder dos maiores repórteres do país. Eles têm, naturalmente, fontes em vários órgãos federais e aqueles que estão no topo da cadeia alimentar jornalística têm condições, até, de acessar a conta bancária de peixe grande da política nacional.

23 fevereiro 2007

Trabalho no carnaval

Por Daniel Brito

Fui ironizado por um companheiro de trabalho, aqui mesmo neste blog, quando disse que assistia aos jogos do Campeonato Candango de futebol, mesmo nas horas de folga. Hoje, quero tentar mostrar que o conceito de diversão e trabalho é totalmente abstrato.

Vamos lá. Fiquei no plantão do carnaval aqui do Correio Braziliense. Não sou adepto da folia, até porque estou sem tomar cerveja até o domingo de Páscoa (por questões religiosas), e por isso não achei ruim ter que trabalhar neste feriado.

Meu tormento começou quando fui escalado para trabalhar nos bailes e desfile de carnaval pelo Distrito Federal. Se alguém além de Da Silva, Pedro e Felipe Campbell ler este post, preciso esclarecer que o festejo momesco no quadrilátero federativo se aproxima da depressão coletiva.

Bailes de clubes sociais com garotos bombados prontos para arrumar confusão com alguém e meninas com creme no cabelo e lembrando o rebolado da finada Carla Perez em frente ao palco. Uma banda de quinta categoria, com o repertório que vai desde Jorge Ben Jor a MC Leozinho, passando por Patchanka (ainda existe isso?), Chiclete com Banana, Banda Eva, Ivete Sangalo e outros grupos manjados do carnaval da Bahia.

Há um ou outro bloco de rua forçando a barra de pernambucanos radicados no DF tentando chegar perto da animação das ruas de Olinda e do Centro de Recife. E, para completar, o desfile das escoals de samba do Distrito Federal.

Mocidade do Valparaíso
Águia Imperial da Ceilândia
Associação Recreativa Unidos do Cruzeiro (Aruc)
Acadêmicos da Asa Norte
Império do Guará
Bola Preta de Sobradinho

Esses são alguns nomes das agremiações candangas do "Grupo Especial".

Neste cenário desolador, você há de concordar comigo:

Cobrir o carnaval de Brasília é triste.

Como sou adepto da política do "manda quem pode, obedece quem tem juízo", siga à risca a pauta e ainda sugeri melhoramentos. Deixa eu fazer um relato sobre como foram minhas três noites de labuta:

Sábado, 17 de fevereiro:
Percorri quatro clubes sociais e uma cidade-satélite chamada Paranoá. A pauta era fazer uma matéria sobre os hits do carnaval 2007. Depois disso, passar no Paranoá para ver a festa por lá e fazer algum flagrante. Em 2005, um fotógrafo do Correio ganhou prêmios com uma seqüência de fotos de um assassinato na avenida central da cidade. Desde então, o local virou parada obrigatória na folia. Por sorte (ou não), não teve festa nesta noite.
Para fugir no lugar-comum, bolei um texto diferente, associando marchinhas históricas de carnaval à situação de cada um dos clubes que visitei. Fiz um texto grane (40cm), que só foi publicado na segunda-feira (nenhum jornal esperaria até 4h da manhã para eu entregar o texto da primeira noite de carnaval). Quando recebi o jornal em casa, o texto estava minúsculo, sem as marchinhas que ligavam os hits do ano ao meu texto.

Domingo, dia 18 de fevereiro:
A pauta era, mais uma vez, percorrer os clubes da cidade. Desesperado para não ter que voltar a esses lugares, me ofereci para cobrir o carnaval de Brazlândia. Situada a 60km do Plano Piloto, Brazlândia é a cidade do DF mais distante de Brasília (o Plano Piloto). Chateado por ver o texto criativo esfacelado, apurei tudo em 30 minutos, assisti a 1h30 de show de uma banda qualquer da cidade e voltei para redação para escrever 25cm a 30 cm. Detalhe: o local estava entupido, com surpreendentes 20 mil pessoas se divertindo sem nenhum sinal de confusão. Para meu espanto, recebi a informação que o carnaval de Brazlândia seria a matéria no alto da página e chamada na capa. Alguém gostou do texto. Logo o que eu escrevi menos...

Segunda-feira, dia 19 de fevereiro:
folga no carnaval e retorno às atividades normal na editoria de esportes.

Terça-feira, dia 20 de fevereiro:
A missão era acompanhar a última noite de desfile no Ceilabódromo, o sambódromo da Ceilândia. Cinco mil pessoas enfrentaram frio, chuva forte, lama até a canela para ver aquelas escolas que citei acima. Aruc, Império, Bola Preta, Águia.... Eu e o repórter André Bezerra ficamos de 20h ás 4h30 da manhã de quarta-feira anotando todos os detalhes das apresentações. Na quarta-feira à tarde, 12 horas depois de sair do Ceilambódromo escrevi quatro parágrafos sobre o que vi na avenida. A harmonia da Mocidade, a evolução da Águia Imperial, os adereços da Aruc blablabla... Na quinta, publicaram um parágrafo e meio do que relatei.

No dia seguinte, liga um camarada organizador de um dos bailes dos clubes de Brasília e pergunta para um repórter:

- O cara que veio aqui cobrir o carnaval teve ressaca no domingo? Ele encheu a cara enquanto esteve aqui...

Não bastasse a folia candanga, ainda tive que aturar acusações de bebedeira durante o plantão. Isso sim, seria patético!!!

19 fevereiro 2007

Entrevista com Mike Tyson

Extraído do blog de André Kfouri
http://blogol.blig.ig.com.br/

09/02/2007
"Rocky Balboa" estréia hoje nos cinemas brasileiros. Um amigo meu, ex-atleta, já viu e disse que o (sexto) filme faz uma abordagem interessante dos problemas de um esportista aposentado.

Eu parei em "Rocky IV", no já distante ano de 1985 (dá pra acreditar nisso?), mas acho que vou conferir. Soube que Mike Tyson faz uma ponta, e é por causa dele que a entrevista de hoje é sobre boxe.

Na verdade, não é exatamente sobre boxe. É sobre jornalismo, e sobre histórias que estão por trás de grandes entrevistas. Histórias, às vezes, tão boas quanto.

O jornalista Eduardo Ohata, da Folha de S. Paulo, conseguiu uma entrevista exclusiva com Iron Mike, durante sua rápida (e agitada) passagem por São Paulo, em novembro de 2005.
Já seria sensacional, mesmo que os bastidores não fossem tão surreais.

BLOGOL - O que o Tyson veio fazer em São Paulo mesmo?
EDUARDO OHATA - Ele foi à Buenos Aires participar daquele programa do Maradona na televisão, e resolveu conhecer a cidade. Não tinha nenhum compromisso aqui.

BLOGOL - Era uma pauta obrigatória, lógico...
EO - Uma pessoa que eu conheço, um amigo do Tyson, me passou a informação de que ele viria, o nome do hotel e tudo. Eu não achei que era verdade, à princípio, mas fui para o hotel esperá-lo.


BLOGOL - Tinha outros jornalistas lá?
EO - O pessoal do Diário de S. Paulo, que tinha recebido a informação de uma garota brasileira com quem o Tyson se envolveu nos Estados Unidos. A informação era quente.


BLOGOL - Você ficou surpreso ao vê-los?
EO - Não, porque o
Diário tinha feito uma matéria com essa menina, então eu logo liguei os pontos. Mas a situação não era ruim, não. Dois repórteres, só. Estava bom.

BLOGOL - E o que aconteceu?
EO - Eu estava no lobby e, de repente, o Tyson apareceu. Eu saí correndo na direção dele. Ele ficou meio assustado e, quando cheguei perto, ele falou "se você der mais um passo, eu vou te socar". Eu recuei, tentei me proteger, enquanto falava "eu sou amigo do Mario! Sou amigo do Mario!". O Tyson entrou no elevador e subiu. Um tempo depois, a informação vazou e um monte de gente foi pra lá. Era uma cena curiosa, porque quando ele aparecia, ninguém tinha coragem de chegar perto. Mas eu me aproximei outra vez, novamente citando o Mario.

BLOGOL - Quem é esse Mario? (pergunta perigosa...)
EO - O Mario é dono de uma lanchonete e de uma academia de boxe em Nova Jérsei (EUA), e é amigo do Tyson. Eu o conheci quando fui cobrir a luta do Tyson contra o (sul-africano) Franz Botha, em Las Vegas, em 1998. O Tyson frequenta a lanchonete e a academia do Mario. Nós mantivemos contato e ele me ligou para avisar sobre a chegada do Tyson a São Paulo.


BLOGOL - Voltando à cena no lobby...
EO - Ele me olhou e disse "você não sabe que eu sou uma pessoa violenta?", eu falei "sei", e ele "então o que você está esperando para dar o fora?". Nessa hora juntou um monte de gente, e ele ficou bem irritado. Foi aí que ele resolveu dar uma entrevista coletiva, desde que ninguém o seguisse depois.

BLOGOL - Você ficou satisfeito com a coletiva?
EO - Não. Foi aquela coisa de "o que você acha do Brasil?", "você lembra do Maguila?"... Eu fiquei revoltado, liguei pro Mario e disse que além de o Tyson ter ameaçado me bater, ele ainda falou com todo mundo. Eu fui lá para ter uma exclusiva, quase apanhei e ele ainda deu uma coletiva. O Mario disse que ia falar com o Tyson, mas eu já tinha perdido a esperança.

BLOGOL - Mas continuou por lá?
EO - Continuei. No dia seguinte, o Tyson saiu de carro e todo mundo foi atrás dele. Quando estávamos no carro, o fotógrafo que estava comigo disse que nós teríamos que voltar ao hotel, porque ele tinha esquecido de carregar a bateria da câmera. Eu falei que ele estava maluco e que não iria voltar, mas não teve jeito. Voltamos e eu fiquei lá, torcendo para que nada acontecesse. Para minha surpresa, um pouco depois o Tyson voltou, sozinho.

BLOGOL - E o que você fez?
EO - Eu fiquei meio receoso, ele é imprevisível. Quando me aproximei, ele perguntou o que eu estava fazendo lá. Eu disse que estava o incomodando um pouco mais. Ele perguntou se eu era o amigo do Mario, e eu falei que era. Aí ele disse "então vamos subir que eu vou falar com você".

BLOGOL - Você ficou com medo?
EO - Não, por causa do Mario. Mas depois eu conto uma coisa que aconteceu e me deixou com medo. Ainda no elevador, eu disse que ele tinha que tratar as pessoas com mais respeito, porque ele era um campeão mundial, uma pessoa pública. Ele falou que isso era besteira, que ele não era importante. Ele é muito depressivo. Eu disse que ele influenciou a vida de muita gente, e até citei o meu caso. Eu era muito tímido, não falava com ninguém, e me transformei em uma pessoa completamente diferente depois que comecei a praticar o boxe, e só comecei por causa dele. Falei das crianças, dos fãs, de outros lutadores, que ele deveria levar isso em conta, ter mais auto-estima. Ele disse que eu estava falando do passado, que não era mais assim, que ele ia morrer pobre e sozinho, o mesmo destino de outros campeões mundiais. Nessa hora ele ficou visivelmente emocionado.

BLOGOL - Por quê você teve medo?
EO - No começo da entrevista, já no quarto, ele se aproximou de mim e tirou meus óculos. Disse que também usava óculos quando era menino, e que era ridicularizado pelos outros. Eu achei estranho, mas o gesto estava num contexto. Depois, quando estávamos conversando, sentados numa mesa, ele pegou minha mão e perguntou se eu era gay. Eu disse que não era, e ele quis saber se eu gostaria de ter filhos. Nessa hora eu fiquei amedrontado, e estudei uma rota de fuga caso ele viesse para cima de mim. Pensei em pular da janela, apesar de estarmos acima do décimo andar. Mas não houve mais nada, logo depois um amigo dele chegou no quarto, e eu fiquei mais tranquilo.

BLOGOL - Não teve um episódio no final?
EO - Teve. Ele ficou emocionado ao falar do passado, da solidão, virou para mim e disse que eu tinha de ir embora. Eu quis fazer mais uma pergunta, mas ele não deixou, me mandou embora. Quando eu me levantei, ele falou "se você contar para alguém que me viu chorando, eu te mato". Eu saí do quarto e liguei pro Mario. Quando eu disse que ia publicar a história do choro, ele começou a me chantagear. Disse que tinha confiado em mim, e que agora eu iria denegrir a imagem de um campeão mundial, que eu não era uma pessoa confiável. Ele estava incomodado com o fato de eu publicar que vi o Tyson chorando, como se isso fosse chamá-lo de maricas.Foi um dilema pra mim, porque ele tinha me ajudado e ficaria decepcionado comigo. Mas era a coisa mais importante da entrevista, eu tinha que publicar. Eu até entendo por que ele não queria que eu publicasse, mas não concordo em absoluto. Eu tinha a obrigação de publicar, e publiquei.

BLOGOL - O Tyson ficou sabendo?
EO - Ficou, e ficou puto. Mas não me matou (risos). Eu voltei a encontrá-lo, no último dia, e ele não teve nenhuma reação violenta. Apenas falou que nós (repórteres) estávamos o prejudicando. Mas aí eu disse que ele também estava nos prejudicando, porque eu tinha uma namorada nova e não conseguia vê-la, porque meu editor tinha me mandado ficar de plantão no hotel enquanto ele estivesse lá. Ele fez uma cara de espanto, não disse nada.

BLOGOL - Você voltou a falar com o Tyson?
EO - Nunca mais.

BLOGOL - E com o Mario?
EO - Continuamos mantendo contato. Ele me perdoou.
Link para a matéria da Folha de São Paulo: http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u95350.shtml

18 fevereiro 2007

Credibilidade em queda

Por Léo Alves

Quem trabalha cobrindo futebol em Campina Grande(PB) é acusado inúmeras vezes de ser parcial.

É um complexo de perseguição.

Quando o jornalista diz alguma coisa que vai de encontro às convicções de torcedores, jogadores e diretores, surge logo a idéia de conspiração. “Fulano de tal está trabalhando contra time o A”. Em termos genéricos é o que costumam dizer.

Semana passada, escrevi um artigo para o site Agora Esportes, no qual abordei a situação do Treze, um dos principais times da Paraíba. Antes mesmo do artigo entrar no ar já sabia que seria criticado.

Não deu outra!

Aparecerem aqueles velhos argumentos carregados de paixão de torcedor, sem fundamentos, de que eu estaria trabalhando contra o Treze. Como forma de interagir, dei uma resposta no mural do torcedor do site, reafirmando o que havia escrito e apresentei mais dados que reforçaram o artigo.

Dois dias depois de publicado o texto, não vi mais nenhum torcedor exaltado criticar minha opinião. Tampouco reconhecer que eu estava certo.

Sem problema.

As críticas injustas que me fizeram tiveram que ser engolidas a seco.

O assunto reacendeu a discussão sobre a imparcialidade da imprensa esportiva. Dirigentes, jogadores e torcedores exigem imparcialidade. Mas esse episódio me fez chegar a uma conclusão.

As pessoas não querem imparcialidade. Querem jornalistas que só elogiem o clube. Esses são chamados de imparciais porque vivem puxando o saco dos boleiros.

Confesso que não é fácil seguir uma linha diferente. Os próprios colegas ('jornalistas') plantam a idéia de que você está criticando porque é contra tal time. Dirigentes, jogadores e torcedores estão mal acostumados. Vários repórteres (perdoe-me a falta de ética) que vivem a bajular esse pessoal.

Não fazem uma crítica;
Só abrem a boca para falar bem, puxar o saco;
Recebem favores de dirigentes;
Saem para beber com eles;
Isso sem se falar na paixão pelo clube que cobrem diariamente.

Como já abordei aqui no Filhos da Pauta, são os repórteres-torcedores.
Na realidade não têm moral para criticar.

Por essas e outras que a credibilidade da imprensa esportiva de Campina Grande diminui a cada dia. Eu não sei até quando vou agüentar nadar contra a maré.

PS – Peço perdão pela falta de modéstia neste post, que para mim foi muito mais um desabafo.

15 fevereiro 2007

Influência de poder

Por Léo Alves

Pedro abordou, no post anterior, uma situação que ocorre com freqüência nas redações. O amigo do dono do jornal se envolve em alguma confusão, mas a matéria não é publicada em nome da amizade.

Semana passada, um editor me contou sobre uma matéria com o sobrinho de um secretário envolvido numa confusão de trânsito. Chegou até a agredir os agentes. Muito mal educado com a equipe, empurrou o jornalista.

Como forma de intimidar os repórteres perguntava o nome de todos. Com isso, queria dizer que ligaria para o dono da empresa para não publicar a matéria.

A matéria foi feita. E o bagunceiro também usou de sua influência.

Perto do fechamento da edição, o dono do jornal liga pedindo que a matéria não fosse publicada porque se tratava de um amigo da família. O editor pede para fazer uma ponderação. Argumenta que, além da confusão ter parado o trânsito, o jovem agrediu a equipe de reportagem.

O dono fica pensativo, mas diante dos argumentos do editor, cede. Pede, apenas, para não citar o nome do envolvido. Mas a imagem dele fala por si só.

Alguém pode até reclamar que a matéria não saiu com o nome do bagunceiro.

É verdade.
É uma falha.

Mas para quem não teria o direito de colocar nada, já foi uma evolução.
Pequena, mas não deixa de ser uma evolução.

11 fevereiro 2007

O que você faria?

Pedro Henrique Freire


- Você soube o que aconteceu com o Lucas, filho do dono da Planta Engenharia?

- Não, o que foi?

- Ele foi preso. Estava fraudando seguros de carro.

- Como assim?

- Ele comprava o carro aqui em São Luís (MA), levava para Fortaleza (CE) e registrava lá como roubado. Voltava e recebia o dinheiro do seguro. Fez isso com dois carros.

- Ah! então não era uma quadrilha. Mas como ele foi pego?

- A mulher dele estava com um dos carros, a polícia abordou e ela não tinha o documento. Pediu aos policiais que a acompanhassem até em casa. Chegando lá, já tinham levantado o paradeiro do veículo e descoberto a fraude. Pra piorar, na garagem estava o outro carro, também registrado como roubado. Entraram nele e encontraram uma arma.

- Isso é porte ilegal. É inafiançável.

- Exatamente. Ele foi preso por isso e acusado de estelionato. A mulher, que é sobrinha do Sarney, não sabia de nada e ficou só como testemunha.

- Que coisa, hein, rapaz? Eu o conheço. Jogava futebol na casa dele na época do colégio. Pra mim era um cara correto e muito rico. Não precisava fazer isso. Mas, e ai, se tratando de um crime envolvendo uma família tradicional daí, ainda mais com a mulher que é sobrinha do Sarney, os jornais fizeram a festa, né?

- No Jornal Pequeno foi manchete. A gente aqui não deu nada, não. Estávamos com a matéria, mas pedi que suspendessem a publicação.

- Por quê?

- O pai dele é meu amigo pessoal. Eu achei muito chato esse negócio. Tenho filhos e imagino como se fosse com os meus. Ele não pediu nada. Eu que realmente não quis publicar.

- É, se tratando, de um amigo, acho que não valia mesmo se indispor assim...

- Ele foi no jornal ontem. Imagina um cara arrasado, sem saber o que faz, completamente envergonhado? Pois é. Ele está assim. Ele foi me agradecer por eu não ter publicado nada.

- É... deve ter sido duro pra ele mesmo. E o Estado do Maranhão?

- Este é que não publicou nada mesmo. Como a mulher dele é da família... Só o Jornal Pequeno que colocou a manchete: “Escândalo: Sobrinha de Sarney é abordada dirigindo carro roubado”. Rarará. Eles não perdem uma.

- Não perdem mesmo.

O fato descrito acima ocorreu mesmo. A publicação foi vetada pela amizade entre o pai do protagonista da notícia e o diretor do jornal. Se fosse você o fodão do jornal, se fosse amigo pessoal do pai do estelionatário, o que você faria?

08 fevereiro 2007

Erros

Pedro Henrique Freire

Quando estagiava no jornal O Imparcial (Maranhão) em 2002, todos os dias eu aprendia algo novo. Não importava qual fosse o fato, de tudo se tirava uma lição. Acostumar-se com o texto jornalístico, por exemplo, foi um desafio gostoso de ser enfrentado. Primeiro porque entrei na redação quando ainda estava no primeiro semestre da faculdade. Depois, e agora faço aqui minha confissão, ocupei a adolescência mais com leituras de revistas de surfe e outdoors do que com jornais. Enfim...

Numa sexta-feira de fechamento saí atrasado do jornal. Precisava chegar na aula às 19h. Cheguei às 20h. Estava às voltas com duas matérias de polícia. Fatos simples que exigem apuração minuciosa. Entreguei a matéria pro editor e não fiquei lá para tirar qualquer dúvida. Às 20h40, me ligam. Estava no intervalo. Atendi:

- Olá, Janine (era minha editora). Algum problema com a matéria?
- Não. Só queremos te dizer que o “Mero Preto” (famoso criminoso de São Luís, protagonista de uma das notícias que apurei), estava corcunda e você não colocou isso na sua matéria.
- Ué! Como assim corcunda? Não ouvir falar na DP que o cara estava torto.
- É que ele ficou agora.
- Não tô entendendo, retruquei.

Ela riu. Eu também. Depois me explicou que aquilo era uma brincadeira. Eu tinha escrito na matéria que o tal Mero Preto, “que já carregava vários processos nas costas”, fora preso outra vez. Como o cara era realmente perigoso, estava corcunda de tanto processo pesando sobre suas costas. Entendi o erro. Não se escreve aquilo de jeito nem um. Aquela foi a primeira de muitas pérolas que cometi quando entrei na redação.

Gargalhada geral. Não me senti constrangido. Percebi que essa não era a intenção da minha editora. Dava-me muito bem com ela e os outros editores e repórteres. Só restava-me gargalhar, gargalhar e gargalhar. Depois de um rápido, no qual ela me deu alguns conselhos, combinamos a cervejada com os jornalistas depois do fechamento.

O que me consolava é que, mesmo iniciando nesse mundo, eu já tinha ouvido falar das pérolas do jornalismo. Entre elas, de muita gente consagrada no meio.

No outro dia, cheguei na redação e indaguei: afinal, quem não coleciona erros assim na carreira?

06 fevereiro 2007

Plantão rima com diversão

Por Daniel Brito

Domingo é um dia legitimamente esportivo em Brasília. Para quem mora no Plano Piloto (Brasília propriamente dita), basta olhar pela janela para ver o Eixão (principal avenida da cidade) fechado para carros e aberto para milhares de pessoas, que aproveitam para caminhar, correr ou andar de bike. Se você for ao Parque da Cidade, a pista de 10km está entupida de gente. No Lago Sul, o Pontão fica repleto de atletas de final de semana.

Definitivamente não falta opção para se movimentar nos dias de folga. Agora, se você é como eu, que tem até a intenção de um dia, quem sabe, correr 6km numa manhã de domingo (mas esse dia nunca chega), e gosta mesmo é de assistir a eventos esportivos do final de semana, então Brasília é o seu lugar.

Tá, tudo bem, a cidade não é lááááá aqueeeeela agitação esportiva a ponto de você ter que abrir mão de um jogo de vôlei da Seleção Brasileira para ver um torneio de tênis da ATP a cinco quilômetros de casa. Mas, uma ou duas vezes em um mês normal de trabalho tem um final de semana caprichado (sim, porque dezembro, janeiro e julho o DF fica às moscas).

Olha a programação de um domingo qualquer de janeiro de 2007:

9h - Copa da República de ciclismo, na Esplanada;
11h - CAmpeonato Nacional de Basquete, na Asa Sul, Universo BRB x Unitri Uberlândia;
13h - Superliga feminina de vôlei, também na Asa Sul, Brasil Telecom x Finasa Osasco;
16h - Campeonato CAndango de futebol, Asa Norte, Gama x Paranoá;
16h - Campeonato Candango de futebol, Taguatinga, Brasiliense x Esportivo.

Como eu disse lá em cima, se você gosta de ver, há um cardápio até interessante para o domingo brasiliense. Eu sei, também, que jogo do Campeonato Candango não é a melhor coisa do mundo de se ver. O problema é que eu gosto de assistir, mesmo assim.

Antes que venham com brincadeiras e provocações, é bom lembrar que aqui não tem mar, tá...

Em dias como esse, acima, agradeço por ter escolhido a editoria de esportes para trilhar minha carreira. Ao ponto de, mesmo de folga, ter me escalado para trabalhar neste agitado domingo.
Como repórter de esportes, vou aos lugares que já iria por prazer, e ainda tenho a oportunidade de bater um papo com os protagonistas da história.

By the way, neste mesmo domingo vi/trabalhei em dois jogaços: o do basquete, com a vitória do time do DF no segundo final por um ponto de diferençaa, e o do vôlei, com mais uma derrota das candangas no tie break.

Parece deslumbramento?

Pode ser, mas esse é o sentimento de quem se diverte trabalhando!