Mostrando postagens com marcador El Mundo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador El Mundo. Mostrar todas as postagens

27 fevereiro 2009

Duas realidades

Por Daniel Brito

Os jornais dos Estados Unidos agonizam. Os brasileiros, comemoram recordes de vendas. Lá, eles debatem fórmulas de como voltar a atrair os leitores. Aqui, só se pensa em maneiras de conseguir mais dinheiro do governo.

Até o jornal mais influente do mundo, o New York Times, sofre com a crise do mercado. O Chicago Tribune está para pedir concordata. Com ele, iria o Los Angeles Times, que é do mesmo grupo. Bem mesmo, nos Estados Unidos, está o Wall Street Journal. Coincidência ou não, ele é voltado para o mercado financeiro.

O Brasil registra o boom dos jornais populares. Baratos, de leitura fácil, rápida e de conteúdo diversificado. Há alguns anos eles vendem mais que os grandes, Folha, Estado, Globo, e inspiram a criação de mais jornais neste estilo.

Um ex-editor da revista Time, nos Estados Unidos, acredita que o problema dos jornais impresso dos EUA é a internet. Ele propõe deixar de lado esse blablablá de que os impressos precisam mudar e sugere uma criação de um Inews: uma espécie de Ipod de notícias. Não o aparelho em si, mas a venda de notícias por centavos. Você entra no site do NYT e vê uma manchete sobre o Afeganistão que te interessa? Clica lá, paga X centavos pela notícia e lê.

Os leitores estão sendo cada vez mais esquecidos no processo jornalístico "verde-amarelo". O que importa hoje é faturar. Como a iniciativa privada não é suficiente para bater metas orçamentárias, o grosso da receita dos jornais vem dos cofres públicos. Mas essa verba não vem em forma de anúncios, e sim de artigos jornalísticos, reportagens assinadas e tidas como verdadeiras. Muitas vezes são verdadeiras, mas só interessam a quem está pagando. O jornal deixa de prestar um serviço ao leitor e por consequência à cidade, e passa a se transformar num balcão de negócios. Loteando e revendendo linhas do jornal para propaganda do governo.

O NYT escandalizou seu público ao estampar um anúncio na capa do jornal. Jamais o jornal havia permitido o departamento comercial "contaminar" o jornalístico em sua área mais nobre, a capa do jornal. Mas ou era assim, ou rolava demissões. Os jornalistas entenderam. Aparentemente. Já os leitores...

Assim como no Brasil, os jornais do Reino Unido e da Espanha também registraram aumento na tiragem e publicidade nos últimos anos. Diferentemente daqui, eles fazem um trabalho efetivo visando a convergência de mídias. Estão aí as versões on line do Telegraph, do El Mundo e do Guardian para não me deixar mentir. No Brasil, o máximo que se faz é repetir conteúdo do impresso ou apresentar um áudio ou um vídeo na internet (repetitivos) para dizer que está se adaptando à nova realidade.

Como se vê, o cenário jornalístico internacioal está bem polarizado.

Resta saber qual dos lados é mais cruel.