Na segunda-feira pós eleições, o Jornal da Paraíba lançou numa mesma edição duas manchetes. Uma sobre a eleição de Ricardo Coutinho e outra a de Dilma Roussef. Bastava virar o jornal de ponta-cabeça e escolher o destaque que mais lhe apetece.
Entre os coleguinhas de profissão, a edição foi alardeada como uma inovação no jornalismo. A ideia é interessante, mas está longe de ser uma novidade. Na Copa do Mundo de 2002, o Correio Braziliense já havia feito uma capa “carta de baralho”.
O detalhe é que a capa do Correio tinha uma justificativa. Naquela madrugada o Brasil enfrentaria a Inglaterra na Copa Mundo da Coréia-Japão. Para driblar o tempo (já que depois do jogo não daria tempo imprimir o jornal), o CB fez duas manchetes na mesma capa. Uma com vitória da Seleção Brasileira e outra com o triunfo dos adversários.
Analisando os dois jornais, a minha humilde opinião é de que a capa do Correio se justificava.
O impresso usou a criatividade para trazer a notícia do dia, que era o jogo da Seleção, ocorrido na madrugada. No caso paraibano, o JP poderia muito bem ter colocado as duas notícias (Ricardo e Dilma) numa mesma manchete.
Nesse caso, a criatividade não foi funcional. Apenas uma forma de passar a ideia de pioneirismo. Talvez para os leitores menos atentos ou antenados, tratou-se uma grande inovação, mas como se viu não foi nada além de uma cópia, um plágio, uma reprodução de uma ideia de oito anos atrás.

