Por Daniel Brito
Todo dia eu faço tudo sempre igual, me sacudo às 8h da manhã....
Desço na banquinha, na Venâncio Aires, sete andares abaixo da minha janela, e compro o JT e o Estadão. Leio o caderno de esportes dos dois de cabo a rabo. Vejo as fofocas em Variedades no JT, folheio as notícias sobre o trânsito e passo para o Estadão. Leio as colunas do caderno de Cultura, as críticas de cinema e passo para Economia. Passo os olhos no noticiário, demoro mais cinco minutos no caderno de cidades e vou para o primeiro caderno. Leio a editoria de Internacional, dou uma bizurada em política e paro nas páginas 2 e 3 para ler Opinião.
Enquanto acesso aa internet, ligo no SporTV para saber o que rolou nos outros jornais. Almoço pensando na pauta do dia e chego no jornal com pelo menos um texto na cabeça.
Depois de oito, nove horas de expediente, volto para casa pensando no que escrevi.
Resumindo: eu vivo para trabalhar.
Dizem que os cariocas são os que melhor sabem viver, porque, sabem exatamente o que fazer quando não estão trabalhando. Vão malhar, vão correr com o cachorro na praia, vão remar na Lagoa Rodrigo de Freitas, vão tomar UM chopp, vão escalar a Pedra da Gávea...opção não falta!
Eu realmente admiro as pessoas que sabem encaixar a vida normal aos horários do trabalho. Porque, no final das contas, todo mundo vive para trabalhar. No meu caso, eu não reclamo porque fico muito satisfeito quando produzo algo novo. E o jornalismo me dá essa possibilidade.
Não é o caso de um cara que trabalha numa empresa de contabilidade, que passa 15 dias preparando um balancete, ou até mesmo um arquiteto - que é uma profissão sensacional - que demora meses produzindo um super-prédio no estilo neo-clássico. Ou até mesmo um bancário, que todo dia salva ou mata vida de um monte de gente, mas faz algo todo dia, nao é verdade, Da Silva?
No jornalismo tem aquela história de que tem que ser "repórter 24 horas por dia". Se cair um avião aqui em cima da banquinha na Venâncio Aires, agora de madrugada, eu vou lá embaixo apurar de qualquer maneira e NÃO vou cobrar hora extra. Muito pelo contrário.
Bom, deixa eu encerrar o assunto de hora extra nesta linha porque isso é muito controverso para jornalistas.
Aliás, se cair um avião na banquinha da Venâncio Aires, minha rotina vai mudar porque vou ter que procurar outro lugar para comprar o jornal.
Anyway, minha vida é regida pela redação. Pelos horários, temas, furos sofridos, entrevistas para cavar...
Todos os dias eu chego aa conclusão de que poderia ter feito muito melhor daquele jeito ou daquele outro. Durmo pensando no texto que vai ser publicado, para no outro dia acordar aas 8 da manhã e começar tudo de novo!
Trem bala (cover)
Há 9 anos