28 fevereiro 2007

Táticas (primárias) de investigação jornalística

Por Daniel Brito

Estou com uma mania incrível de digitar os nomes das pessoas que conheço no Google. Depois no Orkut. Depois no Blogger. Basta ser apresentado a uma pessoa mais ou menos interessante (em todos os aspectos) que eu já vou atrás do histórico dela.

Já descobri coisas estranhas sobre pessoas esquisitas. Como disse a ex-leitora desse blog, Manu, eu realmente sou um curioso. Em um desses dias de viagem pelo Google, Orkut e outros sites de procura tive a idéia de escrever este post.

Há dez anos o jornalismo tornou-se ainda mais investigativo. Desde a apuração do desempenho de determinado atacante no campeonato árabe até a quebra de sigilo bancário de políticos oposicionistas.

Na palestra de um figurão do jornalismo nacional em uma faculdade do Distrito Federal, o repórter contou como derrubou o presidente de um órgão do governo. Digitou o nome do camarada no google e foi na seção "imagens". Lá, encontrou a foto desse político ao lado de uma terceira pessoa que já estava presa por estelionato. A imagem fora publicada em uma dessas inúteis colunas sociais de algum jornaleco do nordeste. Aí foi mais fácil associar o tal presidente à denúncia e detoná-lo no jornal.

O que eu costumo, humildemente, fazer é procurar referências nos site de buscas. Se o nome ou o sobrenome (principalmente o sobrenome) não for comum, tipo Da Silva, Freire ou Brito, por exemplo, a pesquisa é tranqüila .

Geralmente, o Orkut revela muitas coisas.

Recentemente, o pessoal do Correio Braziliense fez uma matéria com um brasileiro morto em algum lugar na Europa baseada nas informações do que a imprensa chama de "maior site de relacionamentos da rede". Deu uma olhadinha nas comunidades, nos 'scraps', nas fotos e acrescentou os dados à matéria.

Até as polícias Civil e Federal vigiam as pessoas pelo Orkut.

Orkut e Google, como está explícito no título deste post, são táticas primárias de investigação jornalística. Um segundo passo é digitar placas de carro no site do detran, telefone no site de informações do 102 (lista telefônica) e o CPF no site da receita federal.

Já dá para adquirir algumas informações mais preciosas sobre o denunciado (apesar de serem, repito, estratégias de iniciantes).

Trabalhei com um maníaco há uns sete anos que era viciado nisso. Pelo simples fato de investigar a vida das pessoas. Ele era capaz de citar o número do meu renavam de trás para frente. Na época da ditadura ele era dedo-duro, salvo engano.

Anyway, tenho que encerrar este texto nas táticas primárias porque as avançadas estão em poder dos maiores repórteres do país. Eles têm, naturalmente, fontes em vários órgãos federais e aqueles que estão no topo da cadeia alimentar jornalística têm condições, até, de acessar a conta bancária de peixe grande da política nacional.

23 fevereiro 2007

Trabalho no carnaval

Por Daniel Brito

Fui ironizado por um companheiro de trabalho, aqui mesmo neste blog, quando disse que assistia aos jogos do Campeonato Candango de futebol, mesmo nas horas de folga. Hoje, quero tentar mostrar que o conceito de diversão e trabalho é totalmente abstrato.

Vamos lá. Fiquei no plantão do carnaval aqui do Correio Braziliense. Não sou adepto da folia, até porque estou sem tomar cerveja até o domingo de Páscoa (por questões religiosas), e por isso não achei ruim ter que trabalhar neste feriado.

Meu tormento começou quando fui escalado para trabalhar nos bailes e desfile de carnaval pelo Distrito Federal. Se alguém além de Da Silva, Pedro e Felipe Campbell ler este post, preciso esclarecer que o festejo momesco no quadrilátero federativo se aproxima da depressão coletiva.

Bailes de clubes sociais com garotos bombados prontos para arrumar confusão com alguém e meninas com creme no cabelo e lembrando o rebolado da finada Carla Perez em frente ao palco. Uma banda de quinta categoria, com o repertório que vai desde Jorge Ben Jor a MC Leozinho, passando por Patchanka (ainda existe isso?), Chiclete com Banana, Banda Eva, Ivete Sangalo e outros grupos manjados do carnaval da Bahia.

Há um ou outro bloco de rua forçando a barra de pernambucanos radicados no DF tentando chegar perto da animação das ruas de Olinda e do Centro de Recife. E, para completar, o desfile das escoals de samba do Distrito Federal.

Mocidade do Valparaíso
Águia Imperial da Ceilândia
Associação Recreativa Unidos do Cruzeiro (Aruc)
Acadêmicos da Asa Norte
Império do Guará
Bola Preta de Sobradinho

Esses são alguns nomes das agremiações candangas do "Grupo Especial".

Neste cenário desolador, você há de concordar comigo:

Cobrir o carnaval de Brasília é triste.

Como sou adepto da política do "manda quem pode, obedece quem tem juízo", siga à risca a pauta e ainda sugeri melhoramentos. Deixa eu fazer um relato sobre como foram minhas três noites de labuta:

Sábado, 17 de fevereiro:
Percorri quatro clubes sociais e uma cidade-satélite chamada Paranoá. A pauta era fazer uma matéria sobre os hits do carnaval 2007. Depois disso, passar no Paranoá para ver a festa por lá e fazer algum flagrante. Em 2005, um fotógrafo do Correio ganhou prêmios com uma seqüência de fotos de um assassinato na avenida central da cidade. Desde então, o local virou parada obrigatória na folia. Por sorte (ou não), não teve festa nesta noite.
Para fugir no lugar-comum, bolei um texto diferente, associando marchinhas históricas de carnaval à situação de cada um dos clubes que visitei. Fiz um texto grane (40cm), que só foi publicado na segunda-feira (nenhum jornal esperaria até 4h da manhã para eu entregar o texto da primeira noite de carnaval). Quando recebi o jornal em casa, o texto estava minúsculo, sem as marchinhas que ligavam os hits do ano ao meu texto.

Domingo, dia 18 de fevereiro:
A pauta era, mais uma vez, percorrer os clubes da cidade. Desesperado para não ter que voltar a esses lugares, me ofereci para cobrir o carnaval de Brazlândia. Situada a 60km do Plano Piloto, Brazlândia é a cidade do DF mais distante de Brasília (o Plano Piloto). Chateado por ver o texto criativo esfacelado, apurei tudo em 30 minutos, assisti a 1h30 de show de uma banda qualquer da cidade e voltei para redação para escrever 25cm a 30 cm. Detalhe: o local estava entupido, com surpreendentes 20 mil pessoas se divertindo sem nenhum sinal de confusão. Para meu espanto, recebi a informação que o carnaval de Brazlândia seria a matéria no alto da página e chamada na capa. Alguém gostou do texto. Logo o que eu escrevi menos...

Segunda-feira, dia 19 de fevereiro:
folga no carnaval e retorno às atividades normal na editoria de esportes.

Terça-feira, dia 20 de fevereiro:
A missão era acompanhar a última noite de desfile no Ceilabódromo, o sambódromo da Ceilândia. Cinco mil pessoas enfrentaram frio, chuva forte, lama até a canela para ver aquelas escolas que citei acima. Aruc, Império, Bola Preta, Águia.... Eu e o repórter André Bezerra ficamos de 20h ás 4h30 da manhã de quarta-feira anotando todos os detalhes das apresentações. Na quarta-feira à tarde, 12 horas depois de sair do Ceilambódromo escrevi quatro parágrafos sobre o que vi na avenida. A harmonia da Mocidade, a evolução da Águia Imperial, os adereços da Aruc blablabla... Na quinta, publicaram um parágrafo e meio do que relatei.

No dia seguinte, liga um camarada organizador de um dos bailes dos clubes de Brasília e pergunta para um repórter:

- O cara que veio aqui cobrir o carnaval teve ressaca no domingo? Ele encheu a cara enquanto esteve aqui...

Não bastasse a folia candanga, ainda tive que aturar acusações de bebedeira durante o plantão. Isso sim, seria patético!!!

19 fevereiro 2007

Entrevista com Mike Tyson

Extraído do blog de André Kfouri
http://blogol.blig.ig.com.br/

09/02/2007
"Rocky Balboa" estréia hoje nos cinemas brasileiros. Um amigo meu, ex-atleta, já viu e disse que o (sexto) filme faz uma abordagem interessante dos problemas de um esportista aposentado.

Eu parei em "Rocky IV", no já distante ano de 1985 (dá pra acreditar nisso?), mas acho que vou conferir. Soube que Mike Tyson faz uma ponta, e é por causa dele que a entrevista de hoje é sobre boxe.

Na verdade, não é exatamente sobre boxe. É sobre jornalismo, e sobre histórias que estão por trás de grandes entrevistas. Histórias, às vezes, tão boas quanto.

O jornalista Eduardo Ohata, da Folha de S. Paulo, conseguiu uma entrevista exclusiva com Iron Mike, durante sua rápida (e agitada) passagem por São Paulo, em novembro de 2005.
Já seria sensacional, mesmo que os bastidores não fossem tão surreais.

BLOGOL - O que o Tyson veio fazer em São Paulo mesmo?
EDUARDO OHATA - Ele foi à Buenos Aires participar daquele programa do Maradona na televisão, e resolveu conhecer a cidade. Não tinha nenhum compromisso aqui.

BLOGOL - Era uma pauta obrigatória, lógico...
EO - Uma pessoa que eu conheço, um amigo do Tyson, me passou a informação de que ele viria, o nome do hotel e tudo. Eu não achei que era verdade, à princípio, mas fui para o hotel esperá-lo.


BLOGOL - Tinha outros jornalistas lá?
EO - O pessoal do Diário de S. Paulo, que tinha recebido a informação de uma garota brasileira com quem o Tyson se envolveu nos Estados Unidos. A informação era quente.


BLOGOL - Você ficou surpreso ao vê-los?
EO - Não, porque o
Diário tinha feito uma matéria com essa menina, então eu logo liguei os pontos. Mas a situação não era ruim, não. Dois repórteres, só. Estava bom.

BLOGOL - E o que aconteceu?
EO - Eu estava no lobby e, de repente, o Tyson apareceu. Eu saí correndo na direção dele. Ele ficou meio assustado e, quando cheguei perto, ele falou "se você der mais um passo, eu vou te socar". Eu recuei, tentei me proteger, enquanto falava "eu sou amigo do Mario! Sou amigo do Mario!". O Tyson entrou no elevador e subiu. Um tempo depois, a informação vazou e um monte de gente foi pra lá. Era uma cena curiosa, porque quando ele aparecia, ninguém tinha coragem de chegar perto. Mas eu me aproximei outra vez, novamente citando o Mario.

BLOGOL - Quem é esse Mario? (pergunta perigosa...)
EO - O Mario é dono de uma lanchonete e de uma academia de boxe em Nova Jérsei (EUA), e é amigo do Tyson. Eu o conheci quando fui cobrir a luta do Tyson contra o (sul-africano) Franz Botha, em Las Vegas, em 1998. O Tyson frequenta a lanchonete e a academia do Mario. Nós mantivemos contato e ele me ligou para avisar sobre a chegada do Tyson a São Paulo.


BLOGOL - Voltando à cena no lobby...
EO - Ele me olhou e disse "você não sabe que eu sou uma pessoa violenta?", eu falei "sei", e ele "então o que você está esperando para dar o fora?". Nessa hora juntou um monte de gente, e ele ficou bem irritado. Foi aí que ele resolveu dar uma entrevista coletiva, desde que ninguém o seguisse depois.

BLOGOL - Você ficou satisfeito com a coletiva?
EO - Não. Foi aquela coisa de "o que você acha do Brasil?", "você lembra do Maguila?"... Eu fiquei revoltado, liguei pro Mario e disse que além de o Tyson ter ameaçado me bater, ele ainda falou com todo mundo. Eu fui lá para ter uma exclusiva, quase apanhei e ele ainda deu uma coletiva. O Mario disse que ia falar com o Tyson, mas eu já tinha perdido a esperança.

BLOGOL - Mas continuou por lá?
EO - Continuei. No dia seguinte, o Tyson saiu de carro e todo mundo foi atrás dele. Quando estávamos no carro, o fotógrafo que estava comigo disse que nós teríamos que voltar ao hotel, porque ele tinha esquecido de carregar a bateria da câmera. Eu falei que ele estava maluco e que não iria voltar, mas não teve jeito. Voltamos e eu fiquei lá, torcendo para que nada acontecesse. Para minha surpresa, um pouco depois o Tyson voltou, sozinho.

BLOGOL - E o que você fez?
EO - Eu fiquei meio receoso, ele é imprevisível. Quando me aproximei, ele perguntou o que eu estava fazendo lá. Eu disse que estava o incomodando um pouco mais. Ele perguntou se eu era o amigo do Mario, e eu falei que era. Aí ele disse "então vamos subir que eu vou falar com você".

BLOGOL - Você ficou com medo?
EO - Não, por causa do Mario. Mas depois eu conto uma coisa que aconteceu e me deixou com medo. Ainda no elevador, eu disse que ele tinha que tratar as pessoas com mais respeito, porque ele era um campeão mundial, uma pessoa pública. Ele falou que isso era besteira, que ele não era importante. Ele é muito depressivo. Eu disse que ele influenciou a vida de muita gente, e até citei o meu caso. Eu era muito tímido, não falava com ninguém, e me transformei em uma pessoa completamente diferente depois que comecei a praticar o boxe, e só comecei por causa dele. Falei das crianças, dos fãs, de outros lutadores, que ele deveria levar isso em conta, ter mais auto-estima. Ele disse que eu estava falando do passado, que não era mais assim, que ele ia morrer pobre e sozinho, o mesmo destino de outros campeões mundiais. Nessa hora ele ficou visivelmente emocionado.

BLOGOL - Por quê você teve medo?
EO - No começo da entrevista, já no quarto, ele se aproximou de mim e tirou meus óculos. Disse que também usava óculos quando era menino, e que era ridicularizado pelos outros. Eu achei estranho, mas o gesto estava num contexto. Depois, quando estávamos conversando, sentados numa mesa, ele pegou minha mão e perguntou se eu era gay. Eu disse que não era, e ele quis saber se eu gostaria de ter filhos. Nessa hora eu fiquei amedrontado, e estudei uma rota de fuga caso ele viesse para cima de mim. Pensei em pular da janela, apesar de estarmos acima do décimo andar. Mas não houve mais nada, logo depois um amigo dele chegou no quarto, e eu fiquei mais tranquilo.

BLOGOL - Não teve um episódio no final?
EO - Teve. Ele ficou emocionado ao falar do passado, da solidão, virou para mim e disse que eu tinha de ir embora. Eu quis fazer mais uma pergunta, mas ele não deixou, me mandou embora. Quando eu me levantei, ele falou "se você contar para alguém que me viu chorando, eu te mato". Eu saí do quarto e liguei pro Mario. Quando eu disse que ia publicar a história do choro, ele começou a me chantagear. Disse que tinha confiado em mim, e que agora eu iria denegrir a imagem de um campeão mundial, que eu não era uma pessoa confiável. Ele estava incomodado com o fato de eu publicar que vi o Tyson chorando, como se isso fosse chamá-lo de maricas.Foi um dilema pra mim, porque ele tinha me ajudado e ficaria decepcionado comigo. Mas era a coisa mais importante da entrevista, eu tinha que publicar. Eu até entendo por que ele não queria que eu publicasse, mas não concordo em absoluto. Eu tinha a obrigação de publicar, e publiquei.

BLOGOL - O Tyson ficou sabendo?
EO - Ficou, e ficou puto. Mas não me matou (risos). Eu voltei a encontrá-lo, no último dia, e ele não teve nenhuma reação violenta. Apenas falou que nós (repórteres) estávamos o prejudicando. Mas aí eu disse que ele também estava nos prejudicando, porque eu tinha uma namorada nova e não conseguia vê-la, porque meu editor tinha me mandado ficar de plantão no hotel enquanto ele estivesse lá. Ele fez uma cara de espanto, não disse nada.

BLOGOL - Você voltou a falar com o Tyson?
EO - Nunca mais.

BLOGOL - E com o Mario?
EO - Continuamos mantendo contato. Ele me perdoou.
Link para a matéria da Folha de São Paulo: http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u95350.shtml

18 fevereiro 2007

Credibilidade em queda

Por Léo Alves

Quem trabalha cobrindo futebol em Campina Grande(PB) é acusado inúmeras vezes de ser parcial.

É um complexo de perseguição.

Quando o jornalista diz alguma coisa que vai de encontro às convicções de torcedores, jogadores e diretores, surge logo a idéia de conspiração. “Fulano de tal está trabalhando contra time o A”. Em termos genéricos é o que costumam dizer.

Semana passada, escrevi um artigo para o site Agora Esportes, no qual abordei a situação do Treze, um dos principais times da Paraíba. Antes mesmo do artigo entrar no ar já sabia que seria criticado.

Não deu outra!

Aparecerem aqueles velhos argumentos carregados de paixão de torcedor, sem fundamentos, de que eu estaria trabalhando contra o Treze. Como forma de interagir, dei uma resposta no mural do torcedor do site, reafirmando o que havia escrito e apresentei mais dados que reforçaram o artigo.

Dois dias depois de publicado o texto, não vi mais nenhum torcedor exaltado criticar minha opinião. Tampouco reconhecer que eu estava certo.

Sem problema.

As críticas injustas que me fizeram tiveram que ser engolidas a seco.

O assunto reacendeu a discussão sobre a imparcialidade da imprensa esportiva. Dirigentes, jogadores e torcedores exigem imparcialidade. Mas esse episódio me fez chegar a uma conclusão.

As pessoas não querem imparcialidade. Querem jornalistas que só elogiem o clube. Esses são chamados de imparciais porque vivem puxando o saco dos boleiros.

Confesso que não é fácil seguir uma linha diferente. Os próprios colegas ('jornalistas') plantam a idéia de que você está criticando porque é contra tal time. Dirigentes, jogadores e torcedores estão mal acostumados. Vários repórteres (perdoe-me a falta de ética) que vivem a bajular esse pessoal.

Não fazem uma crítica;
Só abrem a boca para falar bem, puxar o saco;
Recebem favores de dirigentes;
Saem para beber com eles;
Isso sem se falar na paixão pelo clube que cobrem diariamente.

Como já abordei aqui no Filhos da Pauta, são os repórteres-torcedores.
Na realidade não têm moral para criticar.

Por essas e outras que a credibilidade da imprensa esportiva de Campina Grande diminui a cada dia. Eu não sei até quando vou agüentar nadar contra a maré.

PS – Peço perdão pela falta de modéstia neste post, que para mim foi muito mais um desabafo.

15 fevereiro 2007

Influência de poder

Por Léo Alves

Pedro abordou, no post anterior, uma situação que ocorre com freqüência nas redações. O amigo do dono do jornal se envolve em alguma confusão, mas a matéria não é publicada em nome da amizade.

Semana passada, um editor me contou sobre uma matéria com o sobrinho de um secretário envolvido numa confusão de trânsito. Chegou até a agredir os agentes. Muito mal educado com a equipe, empurrou o jornalista.

Como forma de intimidar os repórteres perguntava o nome de todos. Com isso, queria dizer que ligaria para o dono da empresa para não publicar a matéria.

A matéria foi feita. E o bagunceiro também usou de sua influência.

Perto do fechamento da edição, o dono do jornal liga pedindo que a matéria não fosse publicada porque se tratava de um amigo da família. O editor pede para fazer uma ponderação. Argumenta que, além da confusão ter parado o trânsito, o jovem agrediu a equipe de reportagem.

O dono fica pensativo, mas diante dos argumentos do editor, cede. Pede, apenas, para não citar o nome do envolvido. Mas a imagem dele fala por si só.

Alguém pode até reclamar que a matéria não saiu com o nome do bagunceiro.

É verdade.
É uma falha.

Mas para quem não teria o direito de colocar nada, já foi uma evolução.
Pequena, mas não deixa de ser uma evolução.

11 fevereiro 2007

O que você faria?

Pedro Henrique Freire


- Você soube o que aconteceu com o Lucas, filho do dono da Planta Engenharia?

- Não, o que foi?

- Ele foi preso. Estava fraudando seguros de carro.

- Como assim?

- Ele comprava o carro aqui em São Luís (MA), levava para Fortaleza (CE) e registrava lá como roubado. Voltava e recebia o dinheiro do seguro. Fez isso com dois carros.

- Ah! então não era uma quadrilha. Mas como ele foi pego?

- A mulher dele estava com um dos carros, a polícia abordou e ela não tinha o documento. Pediu aos policiais que a acompanhassem até em casa. Chegando lá, já tinham levantado o paradeiro do veículo e descoberto a fraude. Pra piorar, na garagem estava o outro carro, também registrado como roubado. Entraram nele e encontraram uma arma.

- Isso é porte ilegal. É inafiançável.

- Exatamente. Ele foi preso por isso e acusado de estelionato. A mulher, que é sobrinha do Sarney, não sabia de nada e ficou só como testemunha.

- Que coisa, hein, rapaz? Eu o conheço. Jogava futebol na casa dele na época do colégio. Pra mim era um cara correto e muito rico. Não precisava fazer isso. Mas, e ai, se tratando de um crime envolvendo uma família tradicional daí, ainda mais com a mulher que é sobrinha do Sarney, os jornais fizeram a festa, né?

- No Jornal Pequeno foi manchete. A gente aqui não deu nada, não. Estávamos com a matéria, mas pedi que suspendessem a publicação.

- Por quê?

- O pai dele é meu amigo pessoal. Eu achei muito chato esse negócio. Tenho filhos e imagino como se fosse com os meus. Ele não pediu nada. Eu que realmente não quis publicar.

- É, se tratando, de um amigo, acho que não valia mesmo se indispor assim...

- Ele foi no jornal ontem. Imagina um cara arrasado, sem saber o que faz, completamente envergonhado? Pois é. Ele está assim. Ele foi me agradecer por eu não ter publicado nada.

- É... deve ter sido duro pra ele mesmo. E o Estado do Maranhão?

- Este é que não publicou nada mesmo. Como a mulher dele é da família... Só o Jornal Pequeno que colocou a manchete: “Escândalo: Sobrinha de Sarney é abordada dirigindo carro roubado”. Rarará. Eles não perdem uma.

- Não perdem mesmo.

O fato descrito acima ocorreu mesmo. A publicação foi vetada pela amizade entre o pai do protagonista da notícia e o diretor do jornal. Se fosse você o fodão do jornal, se fosse amigo pessoal do pai do estelionatário, o que você faria?

08 fevereiro 2007

Erros

Pedro Henrique Freire

Quando estagiava no jornal O Imparcial (Maranhão) em 2002, todos os dias eu aprendia algo novo. Não importava qual fosse o fato, de tudo se tirava uma lição. Acostumar-se com o texto jornalístico, por exemplo, foi um desafio gostoso de ser enfrentado. Primeiro porque entrei na redação quando ainda estava no primeiro semestre da faculdade. Depois, e agora faço aqui minha confissão, ocupei a adolescência mais com leituras de revistas de surfe e outdoors do que com jornais. Enfim...

Numa sexta-feira de fechamento saí atrasado do jornal. Precisava chegar na aula às 19h. Cheguei às 20h. Estava às voltas com duas matérias de polícia. Fatos simples que exigem apuração minuciosa. Entreguei a matéria pro editor e não fiquei lá para tirar qualquer dúvida. Às 20h40, me ligam. Estava no intervalo. Atendi:

- Olá, Janine (era minha editora). Algum problema com a matéria?
- Não. Só queremos te dizer que o “Mero Preto” (famoso criminoso de São Luís, protagonista de uma das notícias que apurei), estava corcunda e você não colocou isso na sua matéria.
- Ué! Como assim corcunda? Não ouvir falar na DP que o cara estava torto.
- É que ele ficou agora.
- Não tô entendendo, retruquei.

Ela riu. Eu também. Depois me explicou que aquilo era uma brincadeira. Eu tinha escrito na matéria que o tal Mero Preto, “que já carregava vários processos nas costas”, fora preso outra vez. Como o cara era realmente perigoso, estava corcunda de tanto processo pesando sobre suas costas. Entendi o erro. Não se escreve aquilo de jeito nem um. Aquela foi a primeira de muitas pérolas que cometi quando entrei na redação.

Gargalhada geral. Não me senti constrangido. Percebi que essa não era a intenção da minha editora. Dava-me muito bem com ela e os outros editores e repórteres. Só restava-me gargalhar, gargalhar e gargalhar. Depois de um rápido, no qual ela me deu alguns conselhos, combinamos a cervejada com os jornalistas depois do fechamento.

O que me consolava é que, mesmo iniciando nesse mundo, eu já tinha ouvido falar das pérolas do jornalismo. Entre elas, de muita gente consagrada no meio.

No outro dia, cheguei na redação e indaguei: afinal, quem não coleciona erros assim na carreira?

06 fevereiro 2007

Plantão rima com diversão

Por Daniel Brito

Domingo é um dia legitimamente esportivo em Brasília. Para quem mora no Plano Piloto (Brasília propriamente dita), basta olhar pela janela para ver o Eixão (principal avenida da cidade) fechado para carros e aberto para milhares de pessoas, que aproveitam para caminhar, correr ou andar de bike. Se você for ao Parque da Cidade, a pista de 10km está entupida de gente. No Lago Sul, o Pontão fica repleto de atletas de final de semana.

Definitivamente não falta opção para se movimentar nos dias de folga. Agora, se você é como eu, que tem até a intenção de um dia, quem sabe, correr 6km numa manhã de domingo (mas esse dia nunca chega), e gosta mesmo é de assistir a eventos esportivos do final de semana, então Brasília é o seu lugar.

Tá, tudo bem, a cidade não é lááááá aqueeeeela agitação esportiva a ponto de você ter que abrir mão de um jogo de vôlei da Seleção Brasileira para ver um torneio de tênis da ATP a cinco quilômetros de casa. Mas, uma ou duas vezes em um mês normal de trabalho tem um final de semana caprichado (sim, porque dezembro, janeiro e julho o DF fica às moscas).

Olha a programação de um domingo qualquer de janeiro de 2007:

9h - Copa da República de ciclismo, na Esplanada;
11h - CAmpeonato Nacional de Basquete, na Asa Sul, Universo BRB x Unitri Uberlândia;
13h - Superliga feminina de vôlei, também na Asa Sul, Brasil Telecom x Finasa Osasco;
16h - Campeonato CAndango de futebol, Asa Norte, Gama x Paranoá;
16h - Campeonato Candango de futebol, Taguatinga, Brasiliense x Esportivo.

Como eu disse lá em cima, se você gosta de ver, há um cardápio até interessante para o domingo brasiliense. Eu sei, também, que jogo do Campeonato Candango não é a melhor coisa do mundo de se ver. O problema é que eu gosto de assistir, mesmo assim.

Antes que venham com brincadeiras e provocações, é bom lembrar que aqui não tem mar, tá...

Em dias como esse, acima, agradeço por ter escolhido a editoria de esportes para trilhar minha carreira. Ao ponto de, mesmo de folga, ter me escalado para trabalhar neste agitado domingo.
Como repórter de esportes, vou aos lugares que já iria por prazer, e ainda tenho a oportunidade de bater um papo com os protagonistas da história.

By the way, neste mesmo domingo vi/trabalhei em dois jogaços: o do basquete, com a vitória do time do DF no segundo final por um ponto de diferençaa, e o do vôlei, com mais uma derrota das candangas no tie break.

Parece deslumbramento?

Pode ser, mas esse é o sentimento de quem se diverte trabalhando!

03 fevereiro 2007

O mau diretor e o mau jornalismo

Por Pedro Henrique Freire

Quero contar uma história que acontece nas piores redações.
Sem citar nomes, claro.

Depois que os jornais viraram empresas arrojadas, com obsessão pelo lucro, o jornalismo mudou. Agora, o diretor de redação está preocupado, sobretudo, em não desagradar grandes anunciantes. Claro que tentam fazer um bom jornalismo. Mas são pressionados de cima a pensarem sempre em não se indispor com quem lhes dá dinheiro.

O duro é quando o cara que dirige a relação empresa-anunciante não entende bulhufas de jornal. Conheço um desses diretores que chega na redação e faz assim: “Olha, publica esse release e coloca três fotos do governador, tá?”.

Os piores profissionais não contestam, mesmo que o erro seja latente. Eles fazem. Muitas vezes, não fazem e não avisam que não fizeram. No outro dia, o tal diretor olha o jornal com apenas uma foto sobre um assunto (como deve ser). Sabe o que ele faz? Desce na redação e fala o seguinte. “Republique o release e coloca as fotos”.

Não precisamos dizer que isso é totalmente desnecessário.

Mas só reflete o despreparo de alguns profissionais que intervém diretamente na redação sem entender nada de foto, de texto, de notícia...

Não entendem nada de jornalismo!

O resultado é um jornal improvisado, cheio de notícias bobas, sem importância. E o pior, com um texto quase publicitário. No Nordeste, principalmente, os veículos impressos têm mania de release. A assessoria dos governadores chega ao cúmulo de obrigar as redações a publicar o mesmo texto, sobre o mesmo assunto oficial. Caso contrário, perdem a verba publicitária.

É um jogo duro que só destrói o bom jornalismo e a possibilidade de praticá-lo. A razão de tudo: no final do mês, depois de ter sido feito tudo que o grande anunciante mandou, chega uma pomposa verba publicitário.

O mau diretor se fortalece.

E o mau jornalismo também.

30 janeiro 2007

"Se eu fosse chefe..."

Por Daniel Brito

Esta semana, percebi que estou cercado de pessoas, jovens jornalistas, ávidas para ser chefe.

Tudo bem, faz parte da vida útil de um profissional competente chegar ao topo da "cadeia alimentar". Geralmente, esse caminho começa no estágio, em seguida, reportagem bruta (hard news pesadíssimo), reportagens qualificadas (no caso de esportes, Olimpíada e/ou Copa do Mundo), fechamento da edição (como sub-editor, por exemplo), editor setorizado até chefia de redação.

Menos de 1% dos jornalistas chegam ao topo desta pirâmide, cada dia mais íngrime e cruel. Mas 99% sonham em chegar até lá.

Conversando com colegas de profissão, já neste ano, ouvi três ou quatro vezes a expressão:

"Se eu fosse o chefe daquele lugar..."

O curioso é que todos que me disseram isso completeram a frase da seguinte maneira:

"...demitiria umas 30 pessoas que não servem de nada para o jornal (e/ou TV)".

Sinônimo de chefia para esses camaradas não é saber trabalhar em equipe.

É botar para fora quem ele não simpatiza. Qualquer demissão é traumática. Desde um incompetente assumido a um caçador de furos que tropeçou em um zero de uma cifra interminável que dava o tamanho da denúncia de uma matéria de política.

Quando ouvi essas opiniões fiquei com vontade de perguntar:

"O que você falaria para as 30 pessoas que demitiria aqui dentro?".

Como disse meu grande amigo Da Silva, nem todas as verdades podem ser ditas. Não se trata de falsidade, mas uma questão de educação.

Hoje, após meus oito primeiros anos como jornalista profissional, afirmo que não faz parte dos meus planos me tornar chefe. Acredito que nem meus chefes têm esse pensamento em relação a mim, obviamente.

O meu sonho de consumo profissional, mesmo, é não ter que dar satisfação a chefe nenhum.
(E eu não estou falando em estar desempregado!!!)

26 janeiro 2007

Nem tudo

Por Léo Alves

Quando criamos este blog, achávamos que poderíamos escrever o que quiséssemos. Afinal, aqui é um espaço livre, onde eu, o Daniel e o Pedro somos os editores.

Mas a experiência mostrou, em mais de um ano de Filhos da Pauta, que a coisa não é como imaginávamos. Não dá para escrever qualquer coisa, contra tudo e contra todos. Até porque todos têm acesso ao contéudo do blog. Basta querer.

Qualquer pessoa que se sentir atingida pode reclamar. Tudo bem que ainda não existe uma legislação específica, mas ninguém (e nenhuma empresa) gostaria de ver seu nome manchado num espaço público.

Estou escrevendo isso, porque algumas pessoas estranharam o fato de Daniel ter mudado a linha editorial do post anterior depois de ter sido alertado por alguém que ele (o post) poderia acarretar prejuízos futuros.

Não é a primeira vez que acontece no Filhos da Pauta. Ano passado, Daniel também retirou o nome de uma pessoa de um post porque ela se sentiu atingida (também pudera, né, DB? Chamar o cara de orelhudo foi demais).

Por mais que seja um espaço nosso, não dá para escrever tudo. É preciso também medir as palavras. Afinal, vivemos em sociedade. E precisamos saber a hora certa de dizer as coisas.

Muitas verdades parecem grosserias.

Em muitos momentos, eu (e talvez Daniel e Pedro) sinto vontade de escrever uma crítica mais forte a uma empresa ou até mesmo a um colega de profissão. Mas não há como negar que seria falta de ética.

Além disso, poderia criar um mal estar (desnecessário) com o colega e até com a empresa.

Já imaginou se no futuro eu estiver trabalhando na empresa e ao lado do colega criticado aqui neste blog?

É o mercado de trabalho. Você pode até não concordar com a linha editorial da empresa, mas não está totalmente livre de trabalhar nela. Lógico que é uma questão de escolha. E neste momento vai pesar a proposta. Principalmente se você estiver desempregado.

Vejo muitos colegas criticarem a Rede Globo. Porém, não tenho dúvida de que a maioria estaria lá se recebesse uma proposta de trabalho.

No blog (como na vida) muitas vezes é melhor silenciar.

Lembro da minha aula da saudade, quando meu ex-professor Rômulo Azevedo disse:

"Em muitos momentos da profissão, precisamos ser como bambus, que se curvam, mas depois voltam a ficar firmes e retos".

Resumindo: é preciso ter jogo de cintura.

24 janeiro 2007

Peladeiros qualificados

Por Daniel Brito

Quem joga futebol sabe identificar uma situação dessas:

Pelada entre amigos. Todo mundo se conhece, sabe onde cada um joga melhor. De repente, um desconhecido chega e pede para jogar. Como o futebol, inicialmente, é um esporte agregador, ele entra na pelada, mas a pergunta é inevitável:

- Tu joga em qual posição, Fulano de Tal?

Quando a resposta é:

- Qualquer uma. Onde me colocarem eu jogo...

Pode entender uma coisa. Esse beltrano aí não joga nada.

Não existe jogador de futebol que seja bom zagueiro, volante, meia-ofensivo e atacante ao mesmo tempo. Não tem profissional assim, quanto mais peladeiro...

Uma entrevista de emprego funciona mais ou menos desse jeito. O entrevistado, neste caso um desempregado, deseperado por uma ocupação, não tem embaraço em dizer:

- Eu faço tudo. Desde cuspe em distância aas reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central. Pode ser em rádio, TV, jornal, internet, semanário, panfleto. Qualquer veículo!!!

O entrevistador, certamente, vai desconfiar deste camarada. Pode, realmente, haver profissionais multifacetados. Mas todas as habilidades do mundo não cabem em um peladeiro só. Tô mentindo?

Como estou viciado em escrever sobre jornalismo na internet, dei esses dois exemplos (desempregado e peladeiro) para ilustrar minha mais nova opinião sobre o ramo.

Seguindo os passos do britânico Daily Telegraph e do brasileiro Lance!, os jornalistas se verão obrigados a se tornar um peladeiro qualificado. Ou melhor, um profissional capaz de lidar com todos os veículos. Estes dois periódicos citados no início deste parágrafo estão fazendo das redações dos jornais impresso e on-line uma só.

Houve gente na Inglaterra e no Brasil que não se adaptou a esse ritmo e foi demitido. É preciso saber atuar em todas os setores do campo.

O repórter vai para a rua com uma máquina digital, onde fotografa, filma e grava entrevistas, além de anotar tudo "como antigamente". Ao voltar para sua confortável cadeira na sede da empresa, ele joga a parte digital na internet e o texto apurado "como antigamente" vai para o jornal do dia seguinte, praticamente sem muitas novidades do que já foi publicado na internet.

Eu, com meu humilde futebol, mal vejo a hora de experientar essa novidade.

22 janeiro 2007

Os cinco MELHORES assuntos

Por Daniel Brito*

Decidi começar 2007 com disposição para fazer todo e qualquer tipo de matéria que me pautarem. De briga de vizinho, aos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro.

O que vier, eu traço.

Divido com nossas quatro testemunhas que visitam este blog (além dos proprietários) quais são as melhores pautas para mim:

5) Triatlo: é um sonho de consumo. Apesar de estar engordando descontraladamente, invejo as pessoas que têm disposição para participar de uma prova de triatlo. É um esporte sensacional. Muita estratégia; contato com modalidades que todas as pessoas gostam e praticada em lugares sensacionais.

4) Natação: por causa da natação passei a prestar mais atenção na importância da matemática no esporte. O cálculo dos tempos ou a soma dos índices pode dar uma margem de acerto muito grande para aqueles jornalistas que gostam de fazer previsões sobre as provas. Eu, por exemplo...

3) Futebol: é o meu primeiro esporte. Respiro futebol, almoço futebol, bebo futebol... Mas só costumo conversar sobre isso com as pessoas que realmente entendem do assunto. Isso é raridade. De tantos pangarés que existem por aí dando pitaco sobre futebol, o esporte perdeu alguns pontos na minha lista de melhores esportes para se cobrir.


2) Vôlei: Desde 2004, quando passei a ser setorista de vôlei no Correio Braziliense, aprendi que este esporte é pura estratégia. A inteligência dos atletas faz a diferença no resultado e isso me intrigou. A cada texto que escrevo sobre vôlei, cada entrevista que faço, aprendo coisas que podem ser adaptadas para minha vida pessoal (E eu não estou falando de bloqueios ou bolas foras!)

1) Basquete: Sempre gostei de basquete. Há 10, 15 anos, era torcedor do Utah Jazz. Nunca soube jogar, mas sempre gostei. Passei um tempo sem ver nada sobre basquete até entrar para o CB. A afinidade com o esporte voltou mais forte do que nunca, a ponto de ele liderar a minha humilde lista de esportes preferidos para cobrir. Confesso, contudo, que preciso aprender um pouquinho mais para escrever textos melhores sobre o tema.

E você, quais são suas pautas preferidas?

* Por motivo de força maior (leia-se: bom senso), o título original deste post e a tendência editorial do texto foram drasticamente alterados.

18 janeiro 2007

A falta que um editor faz

Por Daniel Brito

Desde que os 'simples mortais' passaram a determinar o conteúdo da internet, a vida das pessoas ligadas (direta ou indiretamente) aa rede mundial de computadores mudou.

Desde estudantes que copiam monografias pelo Google; passando por engenheiros que escrevem um blog sobre música erudita; ou um fazendeiro que coloca vídeo do nascimento de bezerros nelore em sua fazenda no You Tube; jornalistas que apuram reportagens com maior precisão, até desocupados que criam sites racistas ou passam o dia fuçando a vida dos outros no orkut ou qualquer coisa parecida.

Já disse isso em posts anteriores.

O que eu não disse foi que o gosto dessa 'liberdade' é (meio) amargo.

Na própria internet pipocam notícias de investigação da polícia em sites. Ainda não conhecemos todos os limites da internet.

O Orkut, por exemplo. Era para ser um local de encontros. Tipo um cartão de visitas.
Se tornou quase que um site de criminosos dada a quantidade de comunidades ofensivas criadas por 'simples mortais'.

Até hoje o Google não sabe se deixa ou não a Polícia Federal investigar os criadores de comunidades racistas. Liberou uma vez, mas não será todo dia, avisou o advogado da empresa.

No Wikipédia, volta e meia alguns itens são retirados do ar às pressas porque um engraçadinho manda uma definição engraçadinha.

O You Tube, por exemplo. Permite quase todo tipo de vídeo: briga de mulher, nascimento de bezerros nelore, enforcamento de ditador, sex-on-the-beach. Mas já percebi que sexo explícito ou imagens tipo o filme Faces da Morte não são permitidas.

Dia desses encontrei um vídeo com o nome:

Britney Spears naked!!!

Curioso, entrei lá para ver.
Não tinha mulher pelada coisa nenhuma.

Era um nerd americano segurando uma webcam com a mão esquerda, falando por seis minutos e gesticulando com a mão direita como se apontasse o dedo indicador para o meu nariz. Ele dizia algo tipo:

"Se você quer vídeos de mulher pelada, sexo ou coisa parecida, vá para outro site. Nào estrague o You Tube. A pornografia está destruindo a internet. E você, ao clicar neste link, está comprovando que quer ver o You Tube chegar ao fim".

Quase que eu mando um email pedindo desculpas oficiais.

Mas o nerdzão lá tá certo.
Talvez não.
Talvez sim!

Se houvesse um editor para 'adivinhar' (ou editar) o que as pessoas querem ou não ver no You Tube ou no Orkut, a internet não teria tanto sucesso.

Se no lugar de um editor, existisse apenas um 'moderador'. Uma pessoa com bom senso para saber o que passa dos limites da convivência harmoniosa e vetar isso ou aquilo teríamos uma internet politicamente-correta.

Ainda assim, não sei se a internet teria a mesma graça!

16 janeiro 2007

Sobre política de políticos

Pedro Henrique Freire

Um dia estava conversando com o repórter de política Rudolfo Lago (ex-Correio, agora Istoé) e ele me dizia o seguinte: “Numa matéria com políticos, o mínimo que você pode fazer é escutar todos os envolvidos na história. Mas é preciso ter cuidado para não ser enganado ou entrar num jogo que não estava previsto”.

Entendi aquilo como a habilidade natural que os políticos adquirem no trato com o jornalista. Tudo, penso eu, é uma relação de poder. Eles querem a boa imagem para si ou a péssima para o outro. Nós queremos notícias. Quando as duas coisas podem ser trocadas sem desgaste, ali está uma boa matéria.

Mas é interessante refletir sobre a maneira como Aldo Rebelo (PCdoB) se comporta nas entrevistas. Ao ser cercado por microfones e gravadores, o presidente da Câmara dos Deputados centra um olhar de peixe morto em algum ponto do ambiente e começa a selecionar palavras com pinça. Fala devagar e quase nunca o que o jornalista espera. Parece ter aversão a imprensa e nunca usar ela em favor próprio.

Diferente do seu adversário na disputa pela casa. Arlindo Chinaglia (PT) é bem mais espontâneo. Abraça e fala alto (e rápido) quase tudo que pensa. Pior pra ele e melhor para nós. O melhor entrevistado é aquele que sabe revidar. E o bom jornalista, penso eu, é o que sabe provocar com perguntas.

Na cobertura sobre as eleições legislativas, ele aparecia e falava todos os dias. Rebelo (antes de ser passado pra trás) evitava polêmicas e reflexões sobre o que está fora de sua alçada. É discreto.

Rebelo e Chinaglia são duas personalidades distintas. Para entrevistá-los, assim como outros políticos, é preciso conhecer seus perfis. Identificar suas reações é fundamental para encaixar a pergunta na hora certa e, assim, obter uma boa resposta, que dê uma ótima matéria. Mas tudo isso, como aconselhou Rudolfo, sem entrar no jogo deles.

Numa fria
No final das contas, é importante ouvir tudo aquilo que os caras têm pra falar (até mesmo quando não têm nada a falar). Mas aqui e ali, segundo Rudolfo, tentam te colocar numa fria. É um exercício comum, feito para alimentar o próprio jogo. Inventam e pedem matéria. Supervalorizam o que acham importante. Quando apuramos, não é nada demais! Mas o que podemos fazer se nosso papel é checar, checar e checar?

Abraços

08 janeiro 2007

O impresso como (boa) fonte

Por Léo Alves

É rotina o jornalismo de tevê se pautar pelos impressos. Não que toda produção dependa dos impressos, mas não há como negar que são boas fontes. Isso não acontece apenas em nível local. O caso dos sanguessugas foi denunciado pelo Correio Braziliense. O mensalão, pela Folha de São Paulo.

Depois os escândalos ganharam o Brasil através da tevê.

As reportagens bem produzidas pelos impressos servem de pauta. Há cerca de um mês o Esporte Espetacular exibiu uma matéria sobre a falsificação de idade de jogadores, os famosos “gatos”. A reportagem foi "pautada" pela Placar, que havia chegado às bancas na mesma semana.

Lembro que em junho, na Copa do Mundo, o mesmo Esporte Espetacular se pautou por uma matéria do colega Daniel Brito sobre os Calungas, uma comunidade da cidade de Cavalcante (GO), que assistia pela primeira vez o Mundial na televisão.

Sempre que os impressos saem na frente surge uma pergunta nas redações das tevês: “Como não ficamos sabendo disso?”. Acredito que não se trata de incompetência da produção. Porém tem que se admitir que os impressos (na maioria das vezes) têm melhores fontes.

A própria estrutura da televisão não permite muito o estreitamento da relação com as fontes.

Explico:
O contato com as fontes para agendamento das matérias é feito por telefone pela produção. O repórter vai às ruas fazer a reportagem apurada pela produção. É ele (o repórter) que tem contato direto com a fonte. Nota-se aí uma quebra da relação. O cara que mantém contato não é o mesmo que faz a entrevista.

Nos impressos é diferente. Na maioria das vezes o jornalista que mantém contato com a fonte é o mesmo que a entrevista. Com o tempo, cria-se um vínculo de confiança. É ao homem do impresso que a fonte vai confiar seus furos.

A setorização que existe nos impressos contribuiu para melhorar a relação com as fontes. O jornalista de esportes cobre rotineiramente só esportes, por exemplo. Cada macaco no seu galho.
Na tevê – refiro-me às emissoras afiliadas – o repórter é um faz tudo.
Esportes.
Polícia.
Política.
Cultura.
O que aparecer.

É praticamente impossível criar vínculo com as fontes de uma dessas áreas. Até porque o repórter não dispõe de muito tempo para aprofundar a relação com os entrevistados no intuito de ganhar a confiança dele.

Produtores visitarem as fontes melhoraria a relação. Ajudaria a descobrir furos. Porém não é o produtor quem faz a reportagem. Existe o risco de o repórter fugir do foco da matéria. Aí não tem jeito. A fonte se irrita (e o produtor também) e tudo volta à estaca zero.

A aparente saída seria o próprio repórter cultivar as fontes e descobrir furos. Senão o jornalismo impresso continuará (na maioria das vezes) furando os outros meios.

05 janeiro 2007

Questão de assinatura

Por ...*

A revista inglesa The Economist é uma das maiores (e melhores) publicações do planeta. Trabalhar nela é motivo de orgulho para qualquer um. Qualquer jornalista que se preze sonha em ver o nome lá assinado em algum artigo.

Mas quem trabalhe na Economist sabe: ninguém assina matéria por lá.

O princípio é o seguinte:

"O texto é da Economist e não do jornalista".

Mais ou menos isso aí.

Imagina a frustração daqueles jornalistas que adoram aparecer mais que a notícia que escreve se trabalhassem na Economist?

Conheço gente que seria capaz de recusar uma oferta de emprego na revista por causa disso.

No New York Times, alguns repórteres com nomes de judeus tinham que abrevia-los para não deixar o jornal com cara-de-judeu. Isso foi na década de 1950, no período pós-guerra. O NYT foi erguido por sionistas.

Tenho um companheiro de trabalho que me parou na redação dia desses para reclamar:

"Há oito anos escrevo matérias sobre ******* e tem gente que ainda pergunta meu nome. Será que eles não lêem quem assina as reportagens?".

Não tinha a intenção de desapontá-lo, mas fui sincero:

"Não, eles não lêem quem assina as reportagens".

Ao leitor comum, não interessa quem escreveu o texto. Quem se importa com isso são os jornalistas, intelectuais, ou personagens criticados na reportagem.

Jornalista que gosta de aparecer tem que ir para televisão fazer gracinhas, como eu (confesso) já fiz bem no início da minha carreira.

* Este texto foi escrito por um dos filhos da pauta. Desde que foi publicado, não pertence mais a ele, e sim ao blog.

03 janeiro 2007

Perseguição ao invasor

Por Daniel Brito

Calça jeans clara, camisa branca, com uma foto de Lula nas costas, por cima de um casaco laranja, e cabelos lisos.

Cinqüenta metros nos separam. Neste espaço, o Rolls Royce Silver Wraith 1958 com o presidente Lula e Dona Marisa, um batalhão de seguranças engravatados, quase 100 cavalos dos Dragões da Independência.

Eu acompanho cada passo dele. No gramado da Esplanada dos Ministério, corro no meio da multidão, esbarrando em criança, vendedores de milhos, faixas vermelhas gigantescas amarradas aos galhos das árvores. Do outro lado do Eixo Monumental, o invasor (Calça jeans clara, camisa branca, com uma foto de Lula nas costas, por cima de um casaco laranja, e cabelos lisos).

Duas grades de aço, de aproximadamente 1,20m de altura cada, à margem de cada calçada (a minha e a dele).

Ensopado pela chuva torrencial que caracteriza o mês de janeiro em Brasília, corro sem olhar para frente. Atenção somente para o camarada do outro lado do Eixo Monumental. Ele É a minha pauta.

O único motivo da minha presença na segunda cerimônia de posse de Lula, em 1º de janeiro, é encontrar com esse cara.
Eis a minha missão:

TRAJETO PRESIDENCIAL - DANIEL BRITO - A PARTIR DAS 13H
Daniel acompanha o carro de Lula da Catedral ao Congresso. Fica atento se alguém tenta pular no carro do presidente e da primeira dama (como aconteceu na posse do primeiro mandato), acenos etc.

Quando recebi esta incumbência, lembrei de um trecho do livro O Reino e o Poder, de Gay Talese, que estou lendo atualmente. Tom Wicker era apenas mais um repórter da sucursal do New York Times em Washington, no final da década de 1960. Foi a Dallas acompanhar um desfile em carro aberto do presidente John Fitzgerald Kennedy e alavancou a carreira com a reportagem sobre o assassinato do presidente.

Não que eu imaginasse que Lula pudesse ser metralhado em plena Esplanada. Mas, quem sabe, um fato inusitado poderia coincidir com o meu plantão na posse da reeleição.

Assim "como aconteceu na primeira posse", uma pessoa pulou a cerca que separava o comboio presidencial do público. Em vez de agarrar no pescoço de Lula, como ocorreu em 2003, o corajoso apenas tirou uma foto ao lado do carro do presidente e saiu pelo outro lado da rua.

Corri no mesmo ritmo que ele por 200 metros. O invasor de um lado do carro de Lula. Eu, do outro.

Tentei invadir a pista logo depois que o comboio presidencial passase por mim. Não contava com a cavalaria dos Dragões da Independência. Um verdadeiro exército de cavalos enfeitados demorou dois minutos para passar. Quando a cavalaria se foi, o invasor já não estava visível.

Isso era por volta de 16h05 de segunda-feira, dia 1º de janeiro de 2007. Passei as três horas seguintes olhando para a multidão buscando as seguintes caracterísitcas:

Calça jeans clara, camisa branca, com uma foto de Lula nas costas, por cima de um casaco laranja, e cabelos lisos.

Tinha uma chance em 10 mil de encontrar o invasor e cumprir minha pauta.

Não encontrei.

Nem a polícia.

Nem os jornais concorrentes.

30 dezembro 2006

Fidel, Andy e a mídia

Por Pedro Henrique Freire

Andy Garcia e a mídia mundial tem algo em comum. O filme CidadePerdida, dirigido pelo ator, mostra uma Cuba injusta nas mãos deFidel Castro e Ernesto Che Guevara. Uma Cuba que reprime a arte e tiradas pessoas o direito de morar em suas casas que construíram comtrabalho e suor. Uma Cuba que confisca propriedades e faz dos ricospobres e dos pobres mais pobres.

Garcia (que representou o calculista e ambicioso Vicent Corleone em OPoderoso Chefão – Parte III) levou para o cinema o desejo e a opiniãode uma leva de neoliberais e figuras capitalistas – que demarcamterritórios nos EUA e no resto do mundo.

Assim como na saga dos Corleone.

Caso alguém pergunte sua opinião sobre o regime de Fidel Castro, instalado há 47 anos, o que você responderia? Uns dizem que é quaselírica a resistência que Fidel e sua família fazem aos EUA de Bush etantos outros presidentes. Mas o socialismo instalado ali representaum atraso. Por um fato simples: não existe democracia.

Outros diriam que aqueles que lutaram por um ideal na insurgência que levou o ditador ao poder devem hoje perceber que o ideal não era ademocracia camuflada e asfixiada pelo então general Batista. O idealera Fidel e suas vontades. Trocaram uma ditadura por outra. Uma a la Pinochet: desenvolvimentista e violenta. E outra atrasada e cheia decensuras.

Uns terceiros podem até falar que o socialismo é o caminho. Que a economia inegociável e uma figura que governa, há tanto tempo, seu povo sob as teorias de Marx é uma avenida de igualdade e liberdade, embora não seja de tanta fraternidade assim.

Enfim, é por isso que quando meu amigo Daniel Brito me propôs um texto sobre como a mídia mundial reagiria com a morte de Fidel (o que não está muito distante, dizem). Respondi que muitas matérias viriam recheadas de confetes, preparando terreno para que o império americano intervenha de maneira quase imediata (imprensa dos EUA).

Outras viriam com um quê de imparcialidade, mostrando as supostas atrocidades do ditador, os atrasos em Cuba e, claro, a magnífica subida ao poder ao lado de Guevara e centenas de barbudos revolucionários. Mesmo assim, a imagem de um socialismo fracassado estaria latente (mídia brasileira e outras).

Ao final do império de Fidel, portanto, a mídia reforçaria a imagem de Cuba como o país que se perdeu dentro de suas teorias impraticáveis e revelaria que aprendeu bastante ao viver em uma democracia de verdade, podendo ouvir, ver e falar o que quiser.

O jornalismo é liberdade.

A mídia é capitalista.

Para felicidade de Andy Garcia e tristeza de Fidel.

26 dezembro 2006

Análise dos grandes portais

Por Daniel Brito

Aos poucos, a internet vai substituindo a televisão na vida dos brasileiros de classe média/alta. Em vez de correr para a frente da tevê para ver um noticiário ao chegar em casa, o hábito agora é disputar a cadeira do computador para acessar a internet.

Aqui em casa é mais ou menos assim.

Isso gera o (excelente) hábito da leitura e destaca a figura do "sabe-tudo". Aquela pessoa que tudo viu, tudo leu e tudo entendeu. É diálogo comum em mesas de botecos de Brasília:

- Deu no Globo.com que Clodovil xingou Marisa Monte.
- Ah, é? O que ele falou?
- Eu só vi a chamada lá, ele dizendo que ela só canta para comer...
- É mesmo? E quê mais?
- Ah, nem li o resto da notícia, só vi o título lá mesmo.

Isso é só uma ilustração do que as notícias da internet costumam causar nas pessoas. Deve acontecer em todos os cantos do país, claro. Tipo: "Eu vi, mas não li até o final".

É muita notícia disponível facilmente se esfregando na cara do internauta. Muitas delas inúteis, como esta de Clodovil, por exemplo. Mas são essas que fazem o sucesso de um portal.

Veja o caso do próprio Globo.com. Logo na Home dele tem quatro grandes espaços para notícias. Um no alto, para a manchete, e três "tripinhas" embaixo da manchete: uma para notícias gerais (inflação, Iraque, Lula), uma para esportes e outra para "entretenimento" (popularmente chamado de FOFOCA).

Na espaço da manchete há a principal notícia do dia. Hoje, por exemplo, é sobre a auditoria na TAM, e o resto, neste momento, estão lá, logo abaixo:
1 - Saddam será executado em 30 dias;
2 - Pelada reúne Diego, Robinho e Elano, em SP;
3 - Uma Thurma é operada após acidente;
Foto-legenda: China revela porcos que brilham no escuro.

De notícia, notícia mesmo, aquela que vai estar nos jornais amanhã, talvez até na primeira página deles, apenas a da TAM (que é a manchete do site) e a de Saddam. O resto é amenidade para os leitores "sabe-tudo".

Tudo bem que a Globo criou o G1 para fazer jornalismo de verdade, mas a página principal é voltada para curiosos e pessoas interessadas em fofocas.

O G1 concorre diretamente com o UOL. Pertencente ao Grupo Folha (de S. Paulo), o Universo On-Line (UOL) é o maior (e melhor) portal da internet verde-amarela. Tem de tudo. Muito do que se vê nos jornais impressos e nos telejornais aa noite saiu do UOL.

É a minha primeira parada quando acesso aa internet. Dá destaque ao jornalismo hard news e não deixa de colocar as amenidades, porém, em menor destaque na parte de baixo da página principal. Desde horóscopo aos manjados sites de bate-papo, passando por dicas de turismo até trânsito de São Paulo.

O Estadão poderia fazer frente ao UOL, mas não me parece interessado em marcar terreno no mundo virtual.

A terceira maior força no jornalismo "internético" na minha modesta, opaca e pálida opinião, é o Terra. Investe muito em formas de acesso: banda larga, internet phone, coisas do tipo. Na Home do site há mais destaque para publicidades do que para notícias. Pode entrar lá e ver.

Talvez por isso, o Terra esteja em todos os lugares. Eles têm jornalistas em vários cantos do planeta. Tinham seis ou cinco na Copa do Mundo da Alemanha, por exemplo.

Justamente porque vendem bem os espaços na capa do seu site. É muito difícil vender anúncios na internet (tema para outro post).

Sem limite de tempo e espaço e com a opção de ser lido, visto e ouvido, o jornalismo da internet está deixando de engatinhar e começando a andar com as próprias pernas.

É bom ficar atento, para não perder nenhum passo nessa revolução.