Pedro Henrique Freire
Semanas atrás peguei os dados do IVC de outubro para dar uma olhada curiosa e vi lá que com mais de 360 mil exemplares vendidos por dia, o impresso campeão de circulação no país chama-se Super Notícias, de Minas Gerais. É um jornal popular, daqueles que quase nunca são repercutidos nas tribunas do Congresso Nacional e pouco influenciam as grandes emissoras e os jornais de forte influência.
Dias depois comprei um exemplar e logo vi a fórmula que lhe fez circular tanto: preço, promoção e muita informação. As matérias são curtas. Falam muitos dos problemas dos bairros e dos crimes que chocam a cidade. Repercutem as boas novas do mundo das celebridades e fazem sempre uma cobertura quantitativa dos fatos esportivos.
O preço? 25 centavos. Mixaria. Sem dúvida, um jornal que vale muito mais do que custa. Sem falar no seguinte: se você comprá-lo 60 vezes e se der ao trabalho de recortar e guardar os selos impressos na capa, vai ganhar um aparelho de DVD. Eu, que gosto mesmo é de saber com profundidade sobre assuntos importantes, leria com certeza aquele jornal diariamente. Me rendia a ele e sua fórmula.
Ela, por sinal, não é privilégio do Super Notícias. É muito usada por milhares de jornais pelo Brasil e pelo mundo. E está sendo reproduzida há um bom tempo nas principais capitais do país (veja o Extra e O Dia, no Rio; o Agora e o Jornal da Tarde, em São Paulo).
Pois é. Falo tudo isso porque, no último mês, me debrucei para estudar esses fenômenos. Tudo porque deixei Brasília e voltei para minha cidade para editar justamente um jornal popular, o Aqui-MA. Assumi há uma semana, com um frio na barriga e a responsabilidade de colocar qualidade num diário que já vende 30 mil exemplares por dia.
Não foi difícil entender. O que está sendo mais complicado é me livrar dos vícios do jornalismo tradicional para me reinventar dentro dessa vertente. Fazer jornal popular é diferente, exige mais criatividade para títulos, um faro para coisas curiosas e muita disciplina no cumprimento do projeto gráfico estabelecido.
Basicamente, suas páginas devem ter três coisas (aprendi isso no livro "Confissões de um FdaP", de Al Neuharth, fundador do US Today): 1 - uma manchete que prenda o leitor; 2 - uma matéria que ajude o leitor; 3 - e uma foto boa de uma mulher ou alguém de alguém de uma minoria. Se conseguimos colocar isso todos os dias, as pessoas vão ler.
No Aqui-MA - que é, disparado, o jornal mais vendido do estado - inciamos na primeira semana o que batizei de "processo de bairrificação" (de bairro) do jornal. Mesmo vendendo bastante, percebemos que o conteúdo não estava bom, não interagia com os leitores, com seus bairros e funcionava mais para propagar a violência e a insegurança do que propriamente para contribuir para as milhares de pessoas que pagam os 25 centavos para lê-lo.
Estamos no meio deste processo. Aliado a isso, preparamos um mudança mais importante: o formato do Aqui-MA passará de tablóide para o berlini (que eu chamava ingenuamente de 'mini-stander'). Isso vai ocorrer na primeira semana de janeiro. Com ele, vem a mudança do projeto gráfico, que ficará mais colorido e melhor diagramado.
O essencial, porém, é que essas mudanças não atingam de maneira negativa o leitor, já acostumado ao formato atual. Ai entra uma boa campanha de marketing, com tizer´s para anunciar a boa nova e segurar a venda. Sem esquecer que o melhor marketing sempre será o conteúdo local, que faça do jornal o espelho da comunidade onde circula.
4 comentários:
é isso, grande pedro, boa sorte na nova fase. BSb e a QI 23 vai sentir sua falta. Mas, falando de coisa séria, o JT, de SP, mudou o perfil.Agora quer atingir um público meio que emergente, aquela galera que nao se assume pobre e tem certeza que vai ser rica, tipo classe intermédiaria c para b. o que, na minha opiniao, dificulta na producao do conteudo pq ninguem se assumne emergente ou "aspiracional" como os editores do jornal gostam de dizer. entao, eles dao manchete sobre plano de saude, sobre taxa de juros, sobre financiamento de carro, sobre escolas públicas...coisas da cidade. coisas normais, nada muito criativo nem conservador. Mais ou menos como fazia o JBr, lembra? As vendas sem mantem em 15 mil exemplares e a assinatura, o dobro.
abracao e volte sempre (a bsb e ao nosso humilde blog)!
boa sorte, meu irmão.
se precisar de ajuda para o faro de coisas curiosas, grite!
valeu, meu amigos!! vou precisar de sorte e muito trabalho.. Ah! Briba, foi bom você falar. Não sabia que esses jornais tinham mudado de linha. Desconhecia esse nincho até. Mas pode ser uma boa solução. Esse é o tipo de jornal que daria certo por aqui pelo Nordeste: nem popularesco, nem elitista demais. Um emergente... hehe... abração! Saudade de vocês!!
bom comeco
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