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08 julho 2010

Os cinco clichês da Copa de Catorze (até que a bola role)

Por Daniel Brito

A "Copa de 14" (aspas para Ricardo Teixeira e sua maneira de se referir ao próximo mundial) tem tudo para ser uma das mais chatas até que a bola role.

Por quê?, você vai me perguntar.

Por causa dos assuntos que vão bombar na imprensa até que o Brasil enfrente os Emirados Árabes em 13 de junho, na abertura da Copa em um futuro White Elephant que está por venir.

Abaixo, relaciono os cinco temas preferidos dos jornalistas para a Copa de 14:

1 - Arenas verdes
Brasil fará a Copa verde. Por causa do aquecimento global, o Brasil é personagem principal no cenário internacional para conscientizar as pessoas da importância de se jogar futebol em verdes relvados, em estádios com teto solar, reuso da água da chuva... (Enquanto isso, em 2018, Qatar surge como favorito por propor a criação de 12 arenas completamente climatizadas no deserto)

2 - Arenas multiuso
Futebol por si só não sustenta estádio. As arenas tëm que ser multiuso. Todos os anos, cada um dos estádios da Copa de 14 vai receber um show do Elton John, outro do Rolling Stones, Madonna. Só assim eles vão se sustentar e não virar White Elephants.

3 - Licenciamento ambiental
Como Fortaleza, Salvador, Recife, Natal, Cuiabá e São Paulo (metade das cidades sedes) ainda não tem estádio pronto, vão ter que encontrar uma área adequada para tal. Vão descolar um terreno baldio na perifa (O estádio de recife, veja voce, vai ser em ...Olinda!!) e desmatar. Acontece que aquele terreno baldio, na verdade, era zpna de proteção ambiental. E para desapropriar a área serão necessários dois anos de análises do Ibama.

4 - PPP
O Estado, sempre previdente, não vai bancar pelos estádios novos. Que venham as empreiteiras e os consórcios. Vamos celebrar as parcerias público-privadas. Nosso castelo de cartas marcadas, trabalho escravo, nosso pequeno universo.

5 - Tribunal de Contas da União
É hora de conhecermos os nomes dos ministros do TCU. Eles serão inseridos paulatinamente em jornais e revistas, e depois portais noticiosos e transparentes e, em seguida, matérias de tv. Quando eles estiverem bombando na TV é pq o monstro já vai estar formado. Os ministros que serão cobrados por fiscalizar os gastos pelas arenas verdes (1), arenas multiuso (2), os gastos para agilizar o licenciamento ambiental (3)e as parcerias público-privadas (4). Se eles vão conseguir...Aí é outra história!

25 junho 2010

Torcer ou não torcer, eis a questão

Por Mário Coelho*

Época de Copa do Mundo de Futebol sempre traz uma série de questões. Os debates ficam mais acalorados. Nos bares, nos fumódromos, no ponto de ônibus, a competição é um dos principais assuntos. E, ao cabo disso, vem a discussão sobre o papel da imprensa na cobertura esportiva. Seja qual for a posição, é quase certeza que vamos apanhar. Agora, se é para levar porrada, que pelo menos seja pelo motivo certo.

Em uma das coletivas de Dunga & Cia, o auxiliar técnico Jorginho fez um discurso emocionado sobre qual, na concepção dele, deveria ser o comportamento da imprensa. Invocou o patriotismo, disse que nessas horas devemos torcer pela seleção da CBF. Em outra coletiva, já na África do Sul, desafiou um jornalista que criticava a equipe. Não disse quem era, mas falou que queria o debate.

Depois veio a história do Dunga com a Globo. Ali, mistura-se jornalismo com entretenimento, com negócios da maior empresa de comunicação da América Latina. Nem tanto ao céu, nem tanto à terra, ambos tinham suas razões e seus erros.

Dunga acertou em bater no peito e acabar com privilégios.

A Globo, em reclamar o cumprimento de um acordo.

Um errou por mostrar-se mais mal educado do que o normal.

A emissora, em agir de forma promíscua com o presidente da CBF.

Enfim, não quero falar sobre isso, nem sobre o cala-boca Globo, Tadeu Schmidt ou qualquer outra pessoa. Esse pensamento binário no twitter me irrita. Talvez por imposição dos 140 caracteres, as pessoas sejam forçadas a se mostrarem maniqueístas.

Sei lá, às vezes dá uma preguiça de debater o bom debate nesses termos.

Ok, voltemos ao que queria escrever desde o começo.

Pede-se que a imprensa seja imparcial. Tá, acho que ninguém percebe que não existe imparcialidade no jornalismo. Isso simplesmente porque o ser humano não é imparcial. Médicos não atendem e tratam parentes por conta da falta de isenção. O nepotismo é proibido e condenado por conta disso também. Então por que nós, que relatamos os fatos devemos ser desse jeito?

É claro que reconhercemos que somos parciais não é motivo para fazer um trabalho tendencioso. São coisas completamente diferentes. A verdade não é única, não tem apenas um lado, mas sim vários. Ouçamos todos. Depois, é deixar para os leitores/ouvintes/
telespectadores tirarem suas conclusões. Só que, ao ouvir tantas queixas sobre a cobertura da imprensa e sobre jornalistas, as pessoas não sabem o que querem.

Leio no twitter e em blogs que jornalistas são, em sua maioria, tendenciosos, safados, um bando de mau caráter, prontos para sacanear o primeiro que der mole. Sim, eu digo, alguns são tudo isso. No entanto, os mesmos que criticam e cospem, são aqueles que mostram uma matéria com um ponto de vista que o agradam.

É fato, então, que o jornalismo que agrada é aquele que vai ao encontro da nossa opinião.

O Daniel costuma dizer que eu sou o único torcedor do Avaí fora da Ilha de Santa Catarina. É mentira, conspiração de um trezeano. Ok, isso não tem nada a ver, eu só queria dar uma cutucada no moleque. ;) O fato de eu ser avaiano me faz ler uma série de blogs de torcedores diariamente. Raramente eles trazem informações. A grande maioria dá pitaco, faz comentários e clipagens do que sai sobre o time na imprensa tradicional.

Apesar de usarem a imprensa tradicional como base para abastecerem seus blogs, a grande maioria deles diz que os veículos da principal empresa de comunicação do sul do país persegue o Avaí. Xingam, dizem que os gaúchos são tendenciosos, que é um desrespeito que fazem com a equipe, blá blá blá.

Quando sai algo contra o Avaí, é um deus-nos-acuda. Vêm à tona uma porção de teorias da conspiração. Porque a empresa quer que o Avaí caia de divisão, morra de inanição, etc. Se alguém noticia que o treinador atual recebeu convite de uma equipe x, é golpe para desestabilizar a equipe. Aí, dias depois, o próprio treinador reconhece que recebeu proposta mas negou, ninguém fala nada.

Basicamente, o que torcedor na sua grande maioria quer, seja ele do Avaí, do Treze de Campina Grande ou da seleção brasileira, é de ler coisas positivas e fatos comuns do dia a dia. É falar sobre a contusão do jogador, a escalação do time, a confirmação oficial de um patrocínio. Poucos querem saber da cobertura de bastidores, da cobertura política ou econômica do esporte. Por conta da paixão, atacam quando algo foge do normal. Como se não fosse notícia do mesmo jeito.

*Mário Coelho é o único torcedor do Avaí fora da Ilha (há controvérsias), foi sócio contribuinte inadimplente deste blog e foi retirado das fileiras "do mesmo" por absoluta incompetência do administrador "do mesmo"