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19 julho 2010

Imparcialidade espanhola

Por Daniel Brito

Na Espanha é assim: reporter pode se pegar com jogador ao vivo, jornalista pode usar camisa da selecao na redacao e esquecer-se do fechamento...

Olha ai como a redação do Diario Marca, um dos mais renomados veículos esportivos do planeta sediado em Madrid,, assistiu aa final da Copa.

25 junho 2010

Torcer ou não torcer, eis a questão

Por Mário Coelho*

Época de Copa do Mundo de Futebol sempre traz uma série de questões. Os debates ficam mais acalorados. Nos bares, nos fumódromos, no ponto de ônibus, a competição é um dos principais assuntos. E, ao cabo disso, vem a discussão sobre o papel da imprensa na cobertura esportiva. Seja qual for a posição, é quase certeza que vamos apanhar. Agora, se é para levar porrada, que pelo menos seja pelo motivo certo.

Em uma das coletivas de Dunga & Cia, o auxiliar técnico Jorginho fez um discurso emocionado sobre qual, na concepção dele, deveria ser o comportamento da imprensa. Invocou o patriotismo, disse que nessas horas devemos torcer pela seleção da CBF. Em outra coletiva, já na África do Sul, desafiou um jornalista que criticava a equipe. Não disse quem era, mas falou que queria o debate.

Depois veio a história do Dunga com a Globo. Ali, mistura-se jornalismo com entretenimento, com negócios da maior empresa de comunicação da América Latina. Nem tanto ao céu, nem tanto à terra, ambos tinham suas razões e seus erros.

Dunga acertou em bater no peito e acabar com privilégios.

A Globo, em reclamar o cumprimento de um acordo.

Um errou por mostrar-se mais mal educado do que o normal.

A emissora, em agir de forma promíscua com o presidente da CBF.

Enfim, não quero falar sobre isso, nem sobre o cala-boca Globo, Tadeu Schmidt ou qualquer outra pessoa. Esse pensamento binário no twitter me irrita. Talvez por imposição dos 140 caracteres, as pessoas sejam forçadas a se mostrarem maniqueístas.

Sei lá, às vezes dá uma preguiça de debater o bom debate nesses termos.

Ok, voltemos ao que queria escrever desde o começo.

Pede-se que a imprensa seja imparcial. Tá, acho que ninguém percebe que não existe imparcialidade no jornalismo. Isso simplesmente porque o ser humano não é imparcial. Médicos não atendem e tratam parentes por conta da falta de isenção. O nepotismo é proibido e condenado por conta disso também. Então por que nós, que relatamos os fatos devemos ser desse jeito?

É claro que reconhercemos que somos parciais não é motivo para fazer um trabalho tendencioso. São coisas completamente diferentes. A verdade não é única, não tem apenas um lado, mas sim vários. Ouçamos todos. Depois, é deixar para os leitores/ouvintes/
telespectadores tirarem suas conclusões. Só que, ao ouvir tantas queixas sobre a cobertura da imprensa e sobre jornalistas, as pessoas não sabem o que querem.

Leio no twitter e em blogs que jornalistas são, em sua maioria, tendenciosos, safados, um bando de mau caráter, prontos para sacanear o primeiro que der mole. Sim, eu digo, alguns são tudo isso. No entanto, os mesmos que criticam e cospem, são aqueles que mostram uma matéria com um ponto de vista que o agradam.

É fato, então, que o jornalismo que agrada é aquele que vai ao encontro da nossa opinião.

O Daniel costuma dizer que eu sou o único torcedor do Avaí fora da Ilha de Santa Catarina. É mentira, conspiração de um trezeano. Ok, isso não tem nada a ver, eu só queria dar uma cutucada no moleque. ;) O fato de eu ser avaiano me faz ler uma série de blogs de torcedores diariamente. Raramente eles trazem informações. A grande maioria dá pitaco, faz comentários e clipagens do que sai sobre o time na imprensa tradicional.

Apesar de usarem a imprensa tradicional como base para abastecerem seus blogs, a grande maioria deles diz que os veículos da principal empresa de comunicação do sul do país persegue o Avaí. Xingam, dizem que os gaúchos são tendenciosos, que é um desrespeito que fazem com a equipe, blá blá blá.

Quando sai algo contra o Avaí, é um deus-nos-acuda. Vêm à tona uma porção de teorias da conspiração. Porque a empresa quer que o Avaí caia de divisão, morra de inanição, etc. Se alguém noticia que o treinador atual recebeu convite de uma equipe x, é golpe para desestabilizar a equipe. Aí, dias depois, o próprio treinador reconhece que recebeu proposta mas negou, ninguém fala nada.

Basicamente, o que torcedor na sua grande maioria quer, seja ele do Avaí, do Treze de Campina Grande ou da seleção brasileira, é de ler coisas positivas e fatos comuns do dia a dia. É falar sobre a contusão do jogador, a escalação do time, a confirmação oficial de um patrocínio. Poucos querem saber da cobertura de bastidores, da cobertura política ou econômica do esporte. Por conta da paixão, atacam quando algo foge do normal. Como se não fosse notícia do mesmo jeito.

*Mário Coelho é o único torcedor do Avaí fora da Ilha (há controvérsias), foi sócio contribuinte inadimplente deste blog e foi retirado das fileiras "do mesmo" por absoluta incompetência do administrador "do mesmo"

26 abril 2010

Fim de um microciclo proveitoso

Por Daniel Brito

Encerrou-se na sexta-feira, 23 de abril, meu ciclo na editoria de Cidades do Correio Braziliense. Foram cinco meses de correria tremenda e aprendizado idem que muito vão me ser úteis no desafio que se avizinha.

De dezembro de 2009 até o dia do meu desligamento do jornal passei por experiências incríveis. Os (cada vez menos) poucos leitores deste blog acompanharam uma delas sobre as madrugadas insone na porta da Polícia Federal de Brasília, à espera de alguma tragédia do governador preso, José Roberto Arruda. Texto aqui.

Fora isso, ainda tiveram mais uma madrugada dentro da futura sede da Câmara Legislativa; dias inteiros debaixo de sol em frente à casa de políticos e corruptos (perdão pelo pleonasmo); intermináveis viagens a Luziânia em busca de uma solução para o mistérios dos meninos desaparecidos; fiz ronda pelos becos de Brazlândia em busca de traficantes; almocei em Águas Lindas de Goyaz, uma das cidades mais pobres do país; contei mentiras aos nervosos camelôs de Ceilândia e Taguatinga; abordei sem-tetos que moram embaixo das pontes para reportagens que nunca saíram; vi mendigo chorar; tive grandes discussões com assessores preguiçosos (perdão pelo pleonasmo) da Esplanda dos Ministérios; presenciei várias tragédias de perto; aprendi ainda mais sobre a fantástica história de Brasília; chorei vários leads desconstruídos e esculhambados pelos redatores e subs; vibrei pela terceira, quarta e quinta vezes na carreira por matérias que me levaram a manchete do jornal.

Em cinco meses, vi tanta coisa, publiquei apenas metade delas. Nem se eu quisesse conseguiria colocar tudo aqui. Aprendi que repórter de cidades é quase como bombeiro, fica sempre à espera de uma tragédia. A diferença é que às vezes o repórter pode provocar uma tragédia, às vezes, "um pequeno mal para um bem maior", como filosofava Dostoievski.

Escrever sobre acidentes de carro ou de greve dos servidores federais num mesmo dia foi um desafio que tomei para mim, para desespero e menosprezo de alguns, mas não o considero completado. Acredito que um dia eu possa voltar a trabalhar com essa diversificação de assuntos, não exatamente greve/acidentes (daqui uns 15 anos, who knows?).

Antes, tenho um outro super desafio, e não tenho desculpas para não cumpri-lo bem.

Nesta semana me apresento à Folha de S. Paulo. Retorno à editoria de Esportes, setor no qual me especializei e atuo desde 1996, onde sei exatamente onde pisar e por as mãos para fazer um material muito mais interessante do que fui capaz de produzir em Cidades nesses cinco meses.

Desejo sorte a mim mesmo e agradeço ao Correio por ter me acolhido novamente, mesmo que por pouco tempo.


* Crédito: Iano Andrade
** Legenda: Madrugada na futura sede da Câmara Legislativa do Distrito Federal, ao lado de jornalista da Folha, que dorme na parede em frente a que eu descanso minha cabeça.

07 outubro 2009

A vez da editoria de esportes

Por Daniel Brito

Agora vão ter de levar a editoria de esportes a sério. Com Copa do Mundo e Olimpíada no Brasil, não tem como não investir na área.

Por muitos anos a editoria sempre foi uma das menos prestigiadas nos jornais e emissoras de TV. Os salários mais baixos, os menores níveis de exigência, o menor destaque, e a menor mobilização.

Até porque esporte pode ser a coisa mais importante entre as coisas menos importantes. O porteiro do seu prédio, o velho louco da banca de revista, o motorista do táxi, todo mundo sabe/pode comentar alguma coisa sobre esportes/futebol. Essa popularidade que deveria ser um ponto positivo acaba se tornando um aspecto negativo para o jornalismo esportivo.

Existe aquela convenção coletiva entre os chefões das redações que jornalista de esporte é aquele cara que só sabe falar de esportes. E que só é manchete o hardnews: "Flamengo vence com show de Adriano"; "Phelps fatura seu nono ouro em Pequim"; "Ronaldo marca e salva o Corinthians".

Num típico caso de estagnação jornalística. Nos tempos em que os figurões pensam em como fazer um jornalismo diferente para não repetir o que a internet já bombou no dia anterior, os homens da capa fazem com o esporte exatamente o que condenam: repetem o que a internet já bombou no dia anterior.

E aí o trabalho do repórter, de trazer uma informação a mais, de evitar cair no erro que está ferindo mortalmente os jornais, é subaproveitado. Enquanto isso, a notícia sobre a leve queda na bolsa de Xangai ou o jornalismo declaratório e espiral da editoria de política são hiper valorizados.

Com Copa e Olimpíada a história vai mudar.

Essa mania de tentar fazer um 'jornal diferente' com uma equipe de repórteres formada só por focas (mais barata, portanto) ou gente que não é do ramo corre o risco de virar 'comida de leões'.

Um país que recebe eventos desse porte não precisa ter 'somente' atletas e estrutura no mais alto nível internacional. É preciso ter uma imprensa bem preparada. Caso contrário passaremos o vexame de ver alguns furos (para o bem e para o mal) sendo dados por repórteres estrangeiros.

Veja o caso da China e da África do Sul.

No primeiro, a imprensa é controlada, então só foram veiculadas na mídia chinesa as notícias que o governo de Hu Jintao queria que o povo soubesse. Coube aos estrangeiros denunciar que a pequena cantante da cerimônia de abertura estava dublando e que a dona da bela voz havia sido barrada porque não se encaixava nos padrões estéticos que o governo chinês gostaria de passar.

Na África, não se vê notícias de desvio de verba ou superfaturamento de obras. Volta e meia vem à tona as greves dos trabalhadores e o atraso nas obras. Bom, para mim uma coisa está ligada à outra. Mas estabeleceu-se uma regra no país de que é anti-nacionalista falar mal da Copa do Mundo. Pelos mesmos motivos do Brasil: "Vai ser bom pra o povo africano, vai trazer desenvolvimento, finalmente".

Quando a imprensa internacional desembarcar em peso na terra de Mandela, vamos ver, ler e ouvir muitas histórias que foram abafadas pela mídia local. Falo isso porque passei o mês de julho inteiro lá e vi algumas coisas. Mas não tinha onde publicar...

Agora, na condição de jornalista de esporte, é preciso também fazer um mea-culpa.

Muitas editorias de esportes são um antro de acomodados. Torcedores travestidos de chefes que teoricamente teriam experiência para fazer um jornal diário. Gente que não consegue enxergar um palmo além do que lhe é oferecido como discurso oficial. Gente que se sente mais importante do que a própria notícia. De opiniões arcaicas. Que se trancam em seu sarcófago e fazem ali a próxima edição. Com ideias de 25 anos atrás. Que fazem um jornal de acordo com suas impressões pessoais. Que vê, nos colegas de repartição, concorrentes e não parceiros dispostos a fazer uma edição melhor. Que vão morrer acreditando que ninguém nunca fez nada melhor do que ele pôde pensar algum dia...

Se esse tipo de gente ainda estiver dando as cartas atééééé 2016, então, amigo velho, sinal de que o jornalismo esportivo não vai ter dado nenhum passo à frente em sete anos.