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17 novembro 2010

Sempre a imparcialidade

Por Léo Alves

Desde a época da faculdade escuto o discurso que o jornalismo deve ser pautado pela imparcialidade. Hoje, como professor reproduzo a mesma versão. Mas o tempo de profissão me mostrou que essa imparcialidade parece algo utópico.

A imparcialidade é uma característica do imparcial, que o dicionário define como um adjetivo de dois gêneros: que julga desapaixonadamente; reto, justo e que não sacrifica a sua opinião à própria conveniência.

Sempre que esse tema surge gosto de me perguntar se é realmente possível agir de forma imparcial em algum momento da nossa vida? Antes de sermos jornalistas somos pessoas que possuem arcabouços diferentes. Somos resultado de nossa construção histórica, influenciada por gostos familiares, educação, leituras, filmes, músicas e outro tanto de coisas que formam a nossa personalidade.

Por mais imparcial que tentemos ser, algo de nós possivelmente vai influenciar a nossa construção textual. Se for alguém mais sensível à dor do outro, uma reportagem sobre fome tentará sensibilizar as pessoas para a solução do problema. Talvez sendo um repórter mais “seco” a descrição será mais fria. Nenhum dos dois está errado. É apenas um exemplo de como nos influenciamos por nós mesmos.

Na hora crítica de fechamento de jornal, por exemplo, ao optar por essa ou aquela matéria para ser derrubada o editor vai se basear em sua opinião. Provavelmente alguém que está lendo esse texto vai dizer que essa escolha está baseada em critérios. Se os critérios fossem universais as decisões dos editores seriam iguais. E não são. Editar tem muito de subjetividade. Fazer jornalismo, também.

Não esperava que esse preâmbulo ficasse tão grande. Enfim, vamos ao tema que me levou a voltar a escrever sobre a imparcialidade. Durante as eleições, o Estadão se posicionou. Assumiu apoiar a candidatura de José Serra no artigo “O mal a evitar” (clique e leia).

A (o)posição do jornal paulista, como não poderia deixar de ser, trouxe novamente à tona o tema imparcialidade. A maioria foi contra a exposição do apoio. A justificativa: “O jornalismo tem que ser isento”.

Entre alguns colegas, a opinião de um me chamou atenção. Ele alegou que achava correta a posição do Estadão que teve coragem de assumir seu apoio a Serra. Afinal, segundo ele (o que eu concordo), todos os veículos têm seu alinhamento político. De fato. Uma determinada publicação semanal de grande circulação no país não se posicionou (e precisava), mas todo mundo sabe de que lado estava.

De algum lado toda empresa de comunicação está. O apoio é moeda de troca. Garante bons contratos de publicidade em caso de vitória do candidato apoiado. Mas nem todo mundo tem coragem de assumir como fez o Estadão. A parcialidade da imprensa já não é tão velada. E isso coloca em xeque a credibilidade do jornalismo.

19 julho 2010

Imparcialidade espanhola

Por Daniel Brito

Na Espanha é assim: reporter pode se pegar com jogador ao vivo, jornalista pode usar camisa da selecao na redacao e esquecer-se do fechamento...

Olha ai como a redação do Diario Marca, um dos mais renomados veículos esportivos do planeta sediado em Madrid,, assistiu aa final da Copa.

25 junho 2010

Torcer ou não torcer, eis a questão

Por Mário Coelho*

Época de Copa do Mundo de Futebol sempre traz uma série de questões. Os debates ficam mais acalorados. Nos bares, nos fumódromos, no ponto de ônibus, a competição é um dos principais assuntos. E, ao cabo disso, vem a discussão sobre o papel da imprensa na cobertura esportiva. Seja qual for a posição, é quase certeza que vamos apanhar. Agora, se é para levar porrada, que pelo menos seja pelo motivo certo.

Em uma das coletivas de Dunga & Cia, o auxiliar técnico Jorginho fez um discurso emocionado sobre qual, na concepção dele, deveria ser o comportamento da imprensa. Invocou o patriotismo, disse que nessas horas devemos torcer pela seleção da CBF. Em outra coletiva, já na África do Sul, desafiou um jornalista que criticava a equipe. Não disse quem era, mas falou que queria o debate.

Depois veio a história do Dunga com a Globo. Ali, mistura-se jornalismo com entretenimento, com negócios da maior empresa de comunicação da América Latina. Nem tanto ao céu, nem tanto à terra, ambos tinham suas razões e seus erros.

Dunga acertou em bater no peito e acabar com privilégios.

A Globo, em reclamar o cumprimento de um acordo.

Um errou por mostrar-se mais mal educado do que o normal.

A emissora, em agir de forma promíscua com o presidente da CBF.

Enfim, não quero falar sobre isso, nem sobre o cala-boca Globo, Tadeu Schmidt ou qualquer outra pessoa. Esse pensamento binário no twitter me irrita. Talvez por imposição dos 140 caracteres, as pessoas sejam forçadas a se mostrarem maniqueístas.

Sei lá, às vezes dá uma preguiça de debater o bom debate nesses termos.

Ok, voltemos ao que queria escrever desde o começo.

Pede-se que a imprensa seja imparcial. Tá, acho que ninguém percebe que não existe imparcialidade no jornalismo. Isso simplesmente porque o ser humano não é imparcial. Médicos não atendem e tratam parentes por conta da falta de isenção. O nepotismo é proibido e condenado por conta disso também. Então por que nós, que relatamos os fatos devemos ser desse jeito?

É claro que reconhercemos que somos parciais não é motivo para fazer um trabalho tendencioso. São coisas completamente diferentes. A verdade não é única, não tem apenas um lado, mas sim vários. Ouçamos todos. Depois, é deixar para os leitores/ouvintes/
telespectadores tirarem suas conclusões. Só que, ao ouvir tantas queixas sobre a cobertura da imprensa e sobre jornalistas, as pessoas não sabem o que querem.

Leio no twitter e em blogs que jornalistas são, em sua maioria, tendenciosos, safados, um bando de mau caráter, prontos para sacanear o primeiro que der mole. Sim, eu digo, alguns são tudo isso. No entanto, os mesmos que criticam e cospem, são aqueles que mostram uma matéria com um ponto de vista que o agradam.

É fato, então, que o jornalismo que agrada é aquele que vai ao encontro da nossa opinião.

O Daniel costuma dizer que eu sou o único torcedor do Avaí fora da Ilha de Santa Catarina. É mentira, conspiração de um trezeano. Ok, isso não tem nada a ver, eu só queria dar uma cutucada no moleque. ;) O fato de eu ser avaiano me faz ler uma série de blogs de torcedores diariamente. Raramente eles trazem informações. A grande maioria dá pitaco, faz comentários e clipagens do que sai sobre o time na imprensa tradicional.

Apesar de usarem a imprensa tradicional como base para abastecerem seus blogs, a grande maioria deles diz que os veículos da principal empresa de comunicação do sul do país persegue o Avaí. Xingam, dizem que os gaúchos são tendenciosos, que é um desrespeito que fazem com a equipe, blá blá blá.

Quando sai algo contra o Avaí, é um deus-nos-acuda. Vêm à tona uma porção de teorias da conspiração. Porque a empresa quer que o Avaí caia de divisão, morra de inanição, etc. Se alguém noticia que o treinador atual recebeu convite de uma equipe x, é golpe para desestabilizar a equipe. Aí, dias depois, o próprio treinador reconhece que recebeu proposta mas negou, ninguém fala nada.

Basicamente, o que torcedor na sua grande maioria quer, seja ele do Avaí, do Treze de Campina Grande ou da seleção brasileira, é de ler coisas positivas e fatos comuns do dia a dia. É falar sobre a contusão do jogador, a escalação do time, a confirmação oficial de um patrocínio. Poucos querem saber da cobertura de bastidores, da cobertura política ou econômica do esporte. Por conta da paixão, atacam quando algo foge do normal. Como se não fosse notícia do mesmo jeito.

*Mário Coelho é o único torcedor do Avaí fora da Ilha (há controvérsias), foi sócio contribuinte inadimplente deste blog e foi retirado das fileiras "do mesmo" por absoluta incompetência do administrador "do mesmo"