28 março 2007

Graus de dificuldade

Por Daniel Brito

Criei na minha cabeça uma escala de grau de dificuldades que diferencia o jornalismo dos grandes centros ao praticado nas cidades menores. Na minha mente, coloquei na escala que vai de 5 a 10 os assuntos por editoria nos jornais e telejornais.


Partindo do princípio que não é fácil fazer jornalismo, por isso ninguém habita em level abaixo de cinco, o nível cinco, basicamente, é merecido para aqueles jornais que servem como balcão de negócios. Ou os jornais chapa-branca. Só falam bem do governo e os textos ainda são mal escritos. Isso acontece porque só quem fatura as gordas verbas estatais são os donos do jornais e eles costumam atrasar o pagamento dos funcionários, que têm salários baixíssimos.

Da nota 6 aa 9, a variação é muito sensível. È uma questão subjetiva, o que gera muita briga entre jornalistas em mesa de bar. Aí já entra em apresentação física da matéria, com detalhes da arte, estilos de textos e grau de exigência e participação dos leitores e/ou telespectadores.

Fazer uma matéria de economia -- que meu amigo Pedro tanto venera -- o grau de dificuldade oscila dos 9 para os 10 pontos. É preciso entender de macroeconomia, encaixá-la na vida de personagens humildes que possam transformar uma sopa de números em assunto compreensível para todos.

O Correio Braziliense, a Folha de São Paulo e O Globo fazem isso muito bem. Mais o CB e O Globo, na minha modesta opinião.

Cobrir política (aquela politicagem partidária, mesmo) ou políticas públicas, por exemplo, é de um grau de dificuldade nível 9. É espinhoso o terreno da crítica e elogio ao governo. Pesa a verba publicitária recebida mensalmente de um lado; o compromisso com o bom jornalismo e o dever de bem informar do outro lado dessa balança.

Um telejornal do DF, por exemplo, faz seu noticiário diário totalmente baseado nas ações do governo. Curioso é que só sai porrada. Crítica atrás de crítica.

São até bem feitas.
Mas poderiam ser mais aprofundadas.

Se quiserem encontrar lixo nas ruas, hospitais precários e ruas esburacadas, vão fazê-lo sempre. Cabe aos editores, se quiserem dar porrada no governo, começar a fazer pautas mais investigativas.

Nível 10 de dificuldade, mesmo, é fugir do oficial no esporte.

Ver e fazer o óbvio todo mundo faz.

O negócio é fazer algo diferente. Mais assuntos de interesse do torcedor, menos picuinhas jurídicas e edições apaixonadas, aliadas a textos curtos, críticos e criativos com ilustrações.

Este seria o jornalismo esportivo nota 10, na minha opinião.
Em dificuldade e qualidade!

25 março 2007

Editor que faz raiva

Pedro Henrique Freire

Quem aqui já teve um editor ruim? Eu já. E isso é extremamente irritante. Imagina alguém que, teoricamente, tem que entender mais que você, pega seu texto e muda. Já não é legal, né? Mais: muda pra pior. É o fim da picada!

Recentemente ocorreu de mexerem no meu texto e, no mínimo que modificaram, fizeram uma burrada. A primeira eu vi antes da publicação. Mas a segunda não deu. Foi para rede, assinado, com um baita erro de concordância.

Um deles era sobre uma matéria do Exame de Ordem da OAB. Agora, as provas serão iguais nos 27 estados e no DF. E serão no mesmo dia. Mas, por hora, somente 17 estados praticam a unificação. Os outros não conseguiram se livrar de contratos antigos para realizar as provas. Na matéria, eu coloquei assim: “Ficaram de fora Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, entre outros”.

Eu entreguei o texto e tempos mais tarde tive que acrescentar uma informação. A matéria ainda não tinha sido publicada. Quando abri para escrever o que faltava, me deparo com a frase. “Somente 17 estados realizam o exame, entre eles Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais”.

Fiquei chateado. Disse: “Acrescentei a informação e corrigir um errinho lá. Aqueles estados não farão a prova. Lá tava que eles fariam”. O editor escutou, mas não disse nada.

No mesmo dia, como se não bastasse, entrego uma outra matéria. Fico lá para sanar qualquer dúvida que o editor eventualmente tenha. Mas não teve nem uma. Em compensação, acrescentou umas informações no lide e acabou errando duas vezes. Eis o texto:

“O projeto que prevê a retirada, nas próximas semanas, de parte da vegetação exótica do Parque Nacional de Brasília que darão lugar a 10 mil mudas de plantas nativas ganhou forte oposição dentro da própria administração do parque”.

Existe ai um erro de concordância e uma falta de vírgula. Deveria ser assim:

“O projeto que prevê a retirada, nas próximas semanas, de parte da vegetação exótica do Parque Nacional de Brasília, que DARÁ lugar a 10 mil mudas de plantas nativas, ganhou forte oposição dentro da própria administração do parque”.

Assim que li, depois de chegar em casa, liguei imediatamente para o jornal e pedi que corrigissem.

O pior de tudo é que, quem leu, acha que o errado sou eu! E, nas duas horas que o erro ficou na rede, muita gente deve ter lido.

18 março 2007

Ainda sobre estudar

Por Léo Alves

Minha intenção era atualizar o blog (depois de muito tempo) com a história da minha entrevista com Emerson Leão. Calma, ele não me chamou para ir ao motel como fez com a repórter Fernanda Ruiz.

Porém decidi mudar de tema e acompanhar meus colegas DB e Pedro.

A história de Leão eu conto depois.

Pois bem. Já fiz concurso público. E já fui aprovado. A primeira coisa que leva a maioria das pessoas a optar por um cargo concursado é a estabilidade.

O dinheiro também é levado em conta.

Imagino a quantidade de pessoas que está estudando para o concurso da Câmara pensando na estabilidade e nos (acho que é isso) R$ 9 mil de salário.

Recentemente fiz o concurso do MPU que certamente não vou passar. E se passar ficarei no cadastro de reserva.

Quando fiz a inscrição fiquei me questionando se seria feliz no MPU. O salário é bastante interessante para a nossa realidade.

Mas como disse Felipe (e eu concordo) o serviço público acomoda.

Não existe muita cobrança.

E quando você tenta mostrar serviço encontra funcionários mais antigos que não estão nem aí. A tendência é seguir o mesmo caminho.

A experiência que tive em cargo concursado não foi na área de jornalismo. Mas serviu para sentir que com o tempo me acomodaria.

E olha que no Banco do Brasil existia muita cobrança. Era meta aqui, meta ali, clientes reclamando, gerente e superintendência cobrando resultados.

Quando fiz a inscrição do concurso do BB estava desempregado. Quando fui chamado já estava trabalhando numa redação de jornal.
Só que eu buscava estabilidade e, claro, salário melhor. Até porque escutava muito “que jornalismo não tinha futuro, não dava dinheiro”.

E decidi largar o jornalismo e ir para a vida mansa (mero engano) de funcionário do BB.

Passei apenas onze meses. Tive sorte de em apenas cinco meses assumir a gerência de expediente de uma agência.

Muito mais por falta de pessoal que qualificação. Afinal não entendia ainda muita coisa do sistema bancário.

Daí só agüentei mais seis meses.

Pouco tempo depois comecei a sentir falta do jornalismo. Imaginava como seria vinte, trinta anos fazendo a mesma coisa.

Não era para aquele serviço que eu tinha largado o curso de Engenharia Mecânica para me dedicar ao jornalismo.

Pedi demissão.

Lembro que na época DB me falou que a estabilidade iria depender da competência do profissional.

Hoje acredito que a estabilidade não depende apenas da competência. Tem outros fatores como, por exemplo, o chefe novo ir com a sua cara.

Não me arrependi de ter saído. Aliás, sempre costumo dizer que as melhores coisas que fiz para a minha carreira foi ter ido e ter saído do BB.

Em menos de um ano de banco percebi o quanto eu havia parado no tempo.

Quando voltei para o jornal (para ganhar a metade que ganhava no BB) quase não conseguia escrever um lide.

O serviço público não é a única saída para quem quer fugir das redações. Existe vida além dele.

Eu descobri meio que por acaso um caminho gratificante: a sala de aula. Não que eu tenha saído da redação. E não pretendo sair tão cedo.

Estou no terceiro ano de minha carreira de professor do curso de jornalismo da UEPB.

Quando fui aprovado na seleção relutei para assumir. Não me achava capaz de ensinar alguma coisa a alguém.

Não era bem verdade. Percebi que os alunos gostam de interagir experiências práticas com a teoria.

Se não sou um professor que conhece profundamente os grandes autores, pelo menos tenho a experiência prática do dia-a-dia.

E o aluno adora ouvir histórias da rotina do jornalista.

Pedro ressaltou que não se ganha muito como professor. É verdade.

Mas a recompensa vem de outras formas.

É muito bom ouvir um aluno dizer que se espelha em você como profissional.

Já comentei com o DB que a responsabilidade é muito grande.

Um professor pode estimular ou desanimar o aluno com uma frase.

Reconheço que preciso melhorar minha parte teórica.

A meta é fazer um mestrado (já tenho especialização) e depois um doutorado.

Tentei, mas não fui aprovado.

Preciso me aprofundar mais nos assuntos. Melhorar para ser aprovado.

E a saída para isso é estudar.

14 março 2007

A saída é estudar... mesmo!

Pedro Henrique Freire

Economia. Para alguns jornalistas, uma paixão. Para outros, apenas mais uma editoria que trata de assunto chato e difícil de entender. Será? Economia é, de fato um tema complexo. Para ser um bom repórter da área, por exemplo, é preciso uma boa calculadora e agilidade na hora de fazer cálculos.

Além disso, é preciso estar antenado com os dados de ontem e de hoje para escrever bem sobre os de amanhã.

Eis a diferença crucial da editoria econômica para as demais: as outras tratam costumeiramente de assuntos que rolam hoje e suas conseqüências serão conhecidas, no máximo, bem no máximo mesmo, em um mês. Economia é diferente. Lá você trata do PIB para 2008, dos rendimentos de títulos para daqui a 20 anos. Da inflação que alcança o centro da meta no final de 2007, os juros que irão cair a 12,25% até dezembro... e por ai vai!

Claro que existem as notícias de hoje, os factuais como toda editoria. Mas o que quero dizer é que ser repórter de economia é ser entendido do assunto. É calcular percentuais, saber, no mínimo, que uma queda de 0,75 % da Selic em uma conjuntura como a atual é uma puta baixa ou que quanto menos juros, mais o país cresce e quanto mais o país cresce, mais perigosa pode ser a inflação.

Dentro de uma redação, se especializar em economia não é simplesmente cobrir o assunto todos os dias. É preciso conhecimento específico. No Correio Braziliense, por exemplo, há a especialização da especialização. Explico-me. Existe um repórter que cobre microeconomia, um macro, um a indústria e o setorista do Ministério da Fazenda.

Em outras editorias também é assim. Em esportes, por exemplo, tem aquele para basquete, atletismo, vôlei.. enfim (né, Daniel?). Tem o de futebol, o de políticas esportivas e assim vai. Em cultura: um cobre teatro, outro música, outro cinema, entre outros.

Sim, mas... então... qual a diferença? É só perguntar para os repórteres de economia qual pós-graduação tiveram que fazer para serem, de fato, bons no assunto que cobrem.

09 março 2007

A saída é estudar (Parte II)

Por Daniel Brito

Um texto como o anterior a este ("A saída é estudar") escrito por um jornalista de uma sucursal brasiliense de um grande jornal paulista resultaria em demissão. Eu explico.

A onda de concursos públicos no DF é muito grande. Dia desses, mesmo, minha dentista me revelou que estava estudando para o concurso do Ministério Público. Eu ouvi isso enquanto leva uma anestesia na gengiva. Em 2004, quando houve o último concurso para jornalistas para a Câmara dos Deputados, o chefe da tal sucursal que citei nas primeiras linhas deste post demitiu os jornalistas inscritos.

A alegação:

"Não quero repórteres acomodados!"

Na visão dele, quem vai para o emprego público se acomoda. O amigo e colaborador fiel deste espaço, Felipe CAmpbell foi o terceiro melhor concursado na prova da Agência Brasileira de Apoio à Exportação (Apex), engrossou o coro do chefão da sucursal em seu comentário na Parte I deste texto.

Imagina se eu fosse subordinado a esse cara e ele desse de cara com este texto na internet assinado por mim?

Estaria estudando para concurso agora.

Ou não.

Estudar nunca foi a minha praia. Reprovei a quinta série e o primeiro ano do segundo grau. Concluí o ensino médio na base do supletivo, no longíquo ano de 1999. Por um milagre passei em dois vestibulares (uma faculdade estadual e outra particular).

Hoje, quase 10 anos após entrar na faculdade, percebo que a saída para mim é desmentir o meu passado. É estudar mesmo. Não para concursos, mas para uma pós-graduação. Pode ser especialização, mestrado, doutorado, whatever...

Convencido pelo meu grande amigo Da Silva e por minha namorada, entendi que ser professor de jornalismo é uma saída honrosa do ambiente das redações.

Após dois ou três bate-papos com estudantes de jornalismo em São Paulo, Pernambuco e Paraíba, percebi que tão gratificante quanto apurar uma matéria sensacional e escrevê-la com todos os detalhes, é ver seu conhecimento sendo assimilado por pessoas tão interessadas quanto você era quando estava na faculdade.

Não que eu queira ser professor imediatamente. Nem num futuro próximo. Não tenho conteúdo para mais que um bate-papo informal com focas.

Daqui 15 ou 20 anos, quem sabe, eu posso estar falando as besteiras que escrevo aqui em uma sala de aula e sendo pago por isso.

A saída, portanto, é estudar!

05 março 2007

A saída é estudar

Por Daniel Brito

A resposta preferida das pessoas que estudam para concursos públicos é:

"É um emprego estável".

Se você mandar teu chefe tomar no c*;
correr nu pelo corredor principal;
derramar café na blusa branca da secretária propositadamente;
você não será demitido do órgao do governo.

Isso é estabilidade.

Chegar atrasado todos os dias;
faltar quatro dias de trabalho por semana;
Isso também é estabilidade.

Sobreviver a cortes de gastos, igualmente.

De todos os fatos citados, acima, o que mais aflige os jornalistas é o último.

Corte de gastos.

Nunca diga essas três palavrinhas, nem por brincadeira, em uma redação. Eu digo nas redações, porque é o meu habitat natural. Em escritórios de advocacia, indústrias, laboratórios químicos ou qualquer outra atividade, o corte de gastos deve causar espanto também.

Ao cortar os gastos, os donos da empresa querem, principalmente, diminuir o impacto da folha salarial no orçamento mensal. Não se preocupam em reduzir despesas em outros ramos, tipo papel (lixo), energia, gasolina, telefone, tinta para impressora e coisas do ramo.

Existem casos que a empresa está tão quebrada, que mesmo reduzindo a conta de telefone, o gastos com papel, impressora, cafezinho, energia, não cobre o buraco. Buraco este, causado pelo administrador da empresa.

Quem paga o pato são os funcionários. Não adianta ser um profissional aplicado, competente, "amigo da empresa", ou ter vários anos na casa. Na hora de passar a faca na folha de pessoal, nada de positivo conta pela permanência do funcionário.

Daí a vontade de ser um "funcionário estável" do governo.

Para tanto, é preciso estudar um bocado. E sempre que for perguntado por um jornalista (sobrevivente a uma redução de gastos na empresa) o motivo pelo qual resolveu estudar para concurso, responda:

"Quero um emprego estável".

28 fevereiro 2007

Táticas (primárias) de investigação jornalística

Por Daniel Brito

Estou com uma mania incrível de digitar os nomes das pessoas que conheço no Google. Depois no Orkut. Depois no Blogger. Basta ser apresentado a uma pessoa mais ou menos interessante (em todos os aspectos) que eu já vou atrás do histórico dela.

Já descobri coisas estranhas sobre pessoas esquisitas. Como disse a ex-leitora desse blog, Manu, eu realmente sou um curioso. Em um desses dias de viagem pelo Google, Orkut e outros sites de procura tive a idéia de escrever este post.

Há dez anos o jornalismo tornou-se ainda mais investigativo. Desde a apuração do desempenho de determinado atacante no campeonato árabe até a quebra de sigilo bancário de políticos oposicionistas.

Na palestra de um figurão do jornalismo nacional em uma faculdade do Distrito Federal, o repórter contou como derrubou o presidente de um órgão do governo. Digitou o nome do camarada no google e foi na seção "imagens". Lá, encontrou a foto desse político ao lado de uma terceira pessoa que já estava presa por estelionato. A imagem fora publicada em uma dessas inúteis colunas sociais de algum jornaleco do nordeste. Aí foi mais fácil associar o tal presidente à denúncia e detoná-lo no jornal.

O que eu costumo, humildemente, fazer é procurar referências nos site de buscas. Se o nome ou o sobrenome (principalmente o sobrenome) não for comum, tipo Da Silva, Freire ou Brito, por exemplo, a pesquisa é tranqüila .

Geralmente, o Orkut revela muitas coisas.

Recentemente, o pessoal do Correio Braziliense fez uma matéria com um brasileiro morto em algum lugar na Europa baseada nas informações do que a imprensa chama de "maior site de relacionamentos da rede". Deu uma olhadinha nas comunidades, nos 'scraps', nas fotos e acrescentou os dados à matéria.

Até as polícias Civil e Federal vigiam as pessoas pelo Orkut.

Orkut e Google, como está explícito no título deste post, são táticas primárias de investigação jornalística. Um segundo passo é digitar placas de carro no site do detran, telefone no site de informações do 102 (lista telefônica) e o CPF no site da receita federal.

Já dá para adquirir algumas informações mais preciosas sobre o denunciado (apesar de serem, repito, estratégias de iniciantes).

Trabalhei com um maníaco há uns sete anos que era viciado nisso. Pelo simples fato de investigar a vida das pessoas. Ele era capaz de citar o número do meu renavam de trás para frente. Na época da ditadura ele era dedo-duro, salvo engano.

Anyway, tenho que encerrar este texto nas táticas primárias porque as avançadas estão em poder dos maiores repórteres do país. Eles têm, naturalmente, fontes em vários órgãos federais e aqueles que estão no topo da cadeia alimentar jornalística têm condições, até, de acessar a conta bancária de peixe grande da política nacional.

23 fevereiro 2007

Trabalho no carnaval

Por Daniel Brito

Fui ironizado por um companheiro de trabalho, aqui mesmo neste blog, quando disse que assistia aos jogos do Campeonato Candango de futebol, mesmo nas horas de folga. Hoje, quero tentar mostrar que o conceito de diversão e trabalho é totalmente abstrato.

Vamos lá. Fiquei no plantão do carnaval aqui do Correio Braziliense. Não sou adepto da folia, até porque estou sem tomar cerveja até o domingo de Páscoa (por questões religiosas), e por isso não achei ruim ter que trabalhar neste feriado.

Meu tormento começou quando fui escalado para trabalhar nos bailes e desfile de carnaval pelo Distrito Federal. Se alguém além de Da Silva, Pedro e Felipe Campbell ler este post, preciso esclarecer que o festejo momesco no quadrilátero federativo se aproxima da depressão coletiva.

Bailes de clubes sociais com garotos bombados prontos para arrumar confusão com alguém e meninas com creme no cabelo e lembrando o rebolado da finada Carla Perez em frente ao palco. Uma banda de quinta categoria, com o repertório que vai desde Jorge Ben Jor a MC Leozinho, passando por Patchanka (ainda existe isso?), Chiclete com Banana, Banda Eva, Ivete Sangalo e outros grupos manjados do carnaval da Bahia.

Há um ou outro bloco de rua forçando a barra de pernambucanos radicados no DF tentando chegar perto da animação das ruas de Olinda e do Centro de Recife. E, para completar, o desfile das escoals de samba do Distrito Federal.

Mocidade do Valparaíso
Águia Imperial da Ceilândia
Associação Recreativa Unidos do Cruzeiro (Aruc)
Acadêmicos da Asa Norte
Império do Guará
Bola Preta de Sobradinho

Esses são alguns nomes das agremiações candangas do "Grupo Especial".

Neste cenário desolador, você há de concordar comigo:

Cobrir o carnaval de Brasília é triste.

Como sou adepto da política do "manda quem pode, obedece quem tem juízo", siga à risca a pauta e ainda sugeri melhoramentos. Deixa eu fazer um relato sobre como foram minhas três noites de labuta:

Sábado, 17 de fevereiro:
Percorri quatro clubes sociais e uma cidade-satélite chamada Paranoá. A pauta era fazer uma matéria sobre os hits do carnaval 2007. Depois disso, passar no Paranoá para ver a festa por lá e fazer algum flagrante. Em 2005, um fotógrafo do Correio ganhou prêmios com uma seqüência de fotos de um assassinato na avenida central da cidade. Desde então, o local virou parada obrigatória na folia. Por sorte (ou não), não teve festa nesta noite.
Para fugir no lugar-comum, bolei um texto diferente, associando marchinhas históricas de carnaval à situação de cada um dos clubes que visitei. Fiz um texto grane (40cm), que só foi publicado na segunda-feira (nenhum jornal esperaria até 4h da manhã para eu entregar o texto da primeira noite de carnaval). Quando recebi o jornal em casa, o texto estava minúsculo, sem as marchinhas que ligavam os hits do ano ao meu texto.

Domingo, dia 18 de fevereiro:
A pauta era, mais uma vez, percorrer os clubes da cidade. Desesperado para não ter que voltar a esses lugares, me ofereci para cobrir o carnaval de Brazlândia. Situada a 60km do Plano Piloto, Brazlândia é a cidade do DF mais distante de Brasília (o Plano Piloto). Chateado por ver o texto criativo esfacelado, apurei tudo em 30 minutos, assisti a 1h30 de show de uma banda qualquer da cidade e voltei para redação para escrever 25cm a 30 cm. Detalhe: o local estava entupido, com surpreendentes 20 mil pessoas se divertindo sem nenhum sinal de confusão. Para meu espanto, recebi a informação que o carnaval de Brazlândia seria a matéria no alto da página e chamada na capa. Alguém gostou do texto. Logo o que eu escrevi menos...

Segunda-feira, dia 19 de fevereiro:
folga no carnaval e retorno às atividades normal na editoria de esportes.

Terça-feira, dia 20 de fevereiro:
A missão era acompanhar a última noite de desfile no Ceilabódromo, o sambódromo da Ceilândia. Cinco mil pessoas enfrentaram frio, chuva forte, lama até a canela para ver aquelas escolas que citei acima. Aruc, Império, Bola Preta, Águia.... Eu e o repórter André Bezerra ficamos de 20h ás 4h30 da manhã de quarta-feira anotando todos os detalhes das apresentações. Na quarta-feira à tarde, 12 horas depois de sair do Ceilambódromo escrevi quatro parágrafos sobre o que vi na avenida. A harmonia da Mocidade, a evolução da Águia Imperial, os adereços da Aruc blablabla... Na quinta, publicaram um parágrafo e meio do que relatei.

No dia seguinte, liga um camarada organizador de um dos bailes dos clubes de Brasília e pergunta para um repórter:

- O cara que veio aqui cobrir o carnaval teve ressaca no domingo? Ele encheu a cara enquanto esteve aqui...

Não bastasse a folia candanga, ainda tive que aturar acusações de bebedeira durante o plantão. Isso sim, seria patético!!!

19 fevereiro 2007

Entrevista com Mike Tyson

Extraído do blog de André Kfouri
http://blogol.blig.ig.com.br/

09/02/2007
"Rocky Balboa" estréia hoje nos cinemas brasileiros. Um amigo meu, ex-atleta, já viu e disse que o (sexto) filme faz uma abordagem interessante dos problemas de um esportista aposentado.

Eu parei em "Rocky IV", no já distante ano de 1985 (dá pra acreditar nisso?), mas acho que vou conferir. Soube que Mike Tyson faz uma ponta, e é por causa dele que a entrevista de hoje é sobre boxe.

Na verdade, não é exatamente sobre boxe. É sobre jornalismo, e sobre histórias que estão por trás de grandes entrevistas. Histórias, às vezes, tão boas quanto.

O jornalista Eduardo Ohata, da Folha de S. Paulo, conseguiu uma entrevista exclusiva com Iron Mike, durante sua rápida (e agitada) passagem por São Paulo, em novembro de 2005.
Já seria sensacional, mesmo que os bastidores não fossem tão surreais.

BLOGOL - O que o Tyson veio fazer em São Paulo mesmo?
EDUARDO OHATA - Ele foi à Buenos Aires participar daquele programa do Maradona na televisão, e resolveu conhecer a cidade. Não tinha nenhum compromisso aqui.

BLOGOL - Era uma pauta obrigatória, lógico...
EO - Uma pessoa que eu conheço, um amigo do Tyson, me passou a informação de que ele viria, o nome do hotel e tudo. Eu não achei que era verdade, à princípio, mas fui para o hotel esperá-lo.


BLOGOL - Tinha outros jornalistas lá?
EO - O pessoal do Diário de S. Paulo, que tinha recebido a informação de uma garota brasileira com quem o Tyson se envolveu nos Estados Unidos. A informação era quente.


BLOGOL - Você ficou surpreso ao vê-los?
EO - Não, porque o
Diário tinha feito uma matéria com essa menina, então eu logo liguei os pontos. Mas a situação não era ruim, não. Dois repórteres, só. Estava bom.

BLOGOL - E o que aconteceu?
EO - Eu estava no lobby e, de repente, o Tyson apareceu. Eu saí correndo na direção dele. Ele ficou meio assustado e, quando cheguei perto, ele falou "se você der mais um passo, eu vou te socar". Eu recuei, tentei me proteger, enquanto falava "eu sou amigo do Mario! Sou amigo do Mario!". O Tyson entrou no elevador e subiu. Um tempo depois, a informação vazou e um monte de gente foi pra lá. Era uma cena curiosa, porque quando ele aparecia, ninguém tinha coragem de chegar perto. Mas eu me aproximei outra vez, novamente citando o Mario.

BLOGOL - Quem é esse Mario? (pergunta perigosa...)
EO - O Mario é dono de uma lanchonete e de uma academia de boxe em Nova Jérsei (EUA), e é amigo do Tyson. Eu o conheci quando fui cobrir a luta do Tyson contra o (sul-africano) Franz Botha, em Las Vegas, em 1998. O Tyson frequenta a lanchonete e a academia do Mario. Nós mantivemos contato e ele me ligou para avisar sobre a chegada do Tyson a São Paulo.


BLOGOL - Voltando à cena no lobby...
EO - Ele me olhou e disse "você não sabe que eu sou uma pessoa violenta?", eu falei "sei", e ele "então o que você está esperando para dar o fora?". Nessa hora juntou um monte de gente, e ele ficou bem irritado. Foi aí que ele resolveu dar uma entrevista coletiva, desde que ninguém o seguisse depois.

BLOGOL - Você ficou satisfeito com a coletiva?
EO - Não. Foi aquela coisa de "o que você acha do Brasil?", "você lembra do Maguila?"... Eu fiquei revoltado, liguei pro Mario e disse que além de o Tyson ter ameaçado me bater, ele ainda falou com todo mundo. Eu fui lá para ter uma exclusiva, quase apanhei e ele ainda deu uma coletiva. O Mario disse que ia falar com o Tyson, mas eu já tinha perdido a esperança.

BLOGOL - Mas continuou por lá?
EO - Continuei. No dia seguinte, o Tyson saiu de carro e todo mundo foi atrás dele. Quando estávamos no carro, o fotógrafo que estava comigo disse que nós teríamos que voltar ao hotel, porque ele tinha esquecido de carregar a bateria da câmera. Eu falei que ele estava maluco e que não iria voltar, mas não teve jeito. Voltamos e eu fiquei lá, torcendo para que nada acontecesse. Para minha surpresa, um pouco depois o Tyson voltou, sozinho.

BLOGOL - E o que você fez?
EO - Eu fiquei meio receoso, ele é imprevisível. Quando me aproximei, ele perguntou o que eu estava fazendo lá. Eu disse que estava o incomodando um pouco mais. Ele perguntou se eu era o amigo do Mario, e eu falei que era. Aí ele disse "então vamos subir que eu vou falar com você".

BLOGOL - Você ficou com medo?
EO - Não, por causa do Mario. Mas depois eu conto uma coisa que aconteceu e me deixou com medo. Ainda no elevador, eu disse que ele tinha que tratar as pessoas com mais respeito, porque ele era um campeão mundial, uma pessoa pública. Ele falou que isso era besteira, que ele não era importante. Ele é muito depressivo. Eu disse que ele influenciou a vida de muita gente, e até citei o meu caso. Eu era muito tímido, não falava com ninguém, e me transformei em uma pessoa completamente diferente depois que comecei a praticar o boxe, e só comecei por causa dele. Falei das crianças, dos fãs, de outros lutadores, que ele deveria levar isso em conta, ter mais auto-estima. Ele disse que eu estava falando do passado, que não era mais assim, que ele ia morrer pobre e sozinho, o mesmo destino de outros campeões mundiais. Nessa hora ele ficou visivelmente emocionado.

BLOGOL - Por quê você teve medo?
EO - No começo da entrevista, já no quarto, ele se aproximou de mim e tirou meus óculos. Disse que também usava óculos quando era menino, e que era ridicularizado pelos outros. Eu achei estranho, mas o gesto estava num contexto. Depois, quando estávamos conversando, sentados numa mesa, ele pegou minha mão e perguntou se eu era gay. Eu disse que não era, e ele quis saber se eu gostaria de ter filhos. Nessa hora eu fiquei amedrontado, e estudei uma rota de fuga caso ele viesse para cima de mim. Pensei em pular da janela, apesar de estarmos acima do décimo andar. Mas não houve mais nada, logo depois um amigo dele chegou no quarto, e eu fiquei mais tranquilo.

BLOGOL - Não teve um episódio no final?
EO - Teve. Ele ficou emocionado ao falar do passado, da solidão, virou para mim e disse que eu tinha de ir embora. Eu quis fazer mais uma pergunta, mas ele não deixou, me mandou embora. Quando eu me levantei, ele falou "se você contar para alguém que me viu chorando, eu te mato". Eu saí do quarto e liguei pro Mario. Quando eu disse que ia publicar a história do choro, ele começou a me chantagear. Disse que tinha confiado em mim, e que agora eu iria denegrir a imagem de um campeão mundial, que eu não era uma pessoa confiável. Ele estava incomodado com o fato de eu publicar que vi o Tyson chorando, como se isso fosse chamá-lo de maricas.Foi um dilema pra mim, porque ele tinha me ajudado e ficaria decepcionado comigo. Mas era a coisa mais importante da entrevista, eu tinha que publicar. Eu até entendo por que ele não queria que eu publicasse, mas não concordo em absoluto. Eu tinha a obrigação de publicar, e publiquei.

BLOGOL - O Tyson ficou sabendo?
EO - Ficou, e ficou puto. Mas não me matou (risos). Eu voltei a encontrá-lo, no último dia, e ele não teve nenhuma reação violenta. Apenas falou que nós (repórteres) estávamos o prejudicando. Mas aí eu disse que ele também estava nos prejudicando, porque eu tinha uma namorada nova e não conseguia vê-la, porque meu editor tinha me mandado ficar de plantão no hotel enquanto ele estivesse lá. Ele fez uma cara de espanto, não disse nada.

BLOGOL - Você voltou a falar com o Tyson?
EO - Nunca mais.

BLOGOL - E com o Mario?
EO - Continuamos mantendo contato. Ele me perdoou.
Link para a matéria da Folha de São Paulo: http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u95350.shtml

18 fevereiro 2007

Credibilidade em queda

Por Léo Alves

Quem trabalha cobrindo futebol em Campina Grande(PB) é acusado inúmeras vezes de ser parcial.

É um complexo de perseguição.

Quando o jornalista diz alguma coisa que vai de encontro às convicções de torcedores, jogadores e diretores, surge logo a idéia de conspiração. “Fulano de tal está trabalhando contra time o A”. Em termos genéricos é o que costumam dizer.

Semana passada, escrevi um artigo para o site Agora Esportes, no qual abordei a situação do Treze, um dos principais times da Paraíba. Antes mesmo do artigo entrar no ar já sabia que seria criticado.

Não deu outra!

Aparecerem aqueles velhos argumentos carregados de paixão de torcedor, sem fundamentos, de que eu estaria trabalhando contra o Treze. Como forma de interagir, dei uma resposta no mural do torcedor do site, reafirmando o que havia escrito e apresentei mais dados que reforçaram o artigo.

Dois dias depois de publicado o texto, não vi mais nenhum torcedor exaltado criticar minha opinião. Tampouco reconhecer que eu estava certo.

Sem problema.

As críticas injustas que me fizeram tiveram que ser engolidas a seco.

O assunto reacendeu a discussão sobre a imparcialidade da imprensa esportiva. Dirigentes, jogadores e torcedores exigem imparcialidade. Mas esse episódio me fez chegar a uma conclusão.

As pessoas não querem imparcialidade. Querem jornalistas que só elogiem o clube. Esses são chamados de imparciais porque vivem puxando o saco dos boleiros.

Confesso que não é fácil seguir uma linha diferente. Os próprios colegas ('jornalistas') plantam a idéia de que você está criticando porque é contra tal time. Dirigentes, jogadores e torcedores estão mal acostumados. Vários repórteres (perdoe-me a falta de ética) que vivem a bajular esse pessoal.

Não fazem uma crítica;
Só abrem a boca para falar bem, puxar o saco;
Recebem favores de dirigentes;
Saem para beber com eles;
Isso sem se falar na paixão pelo clube que cobrem diariamente.

Como já abordei aqui no Filhos da Pauta, são os repórteres-torcedores.
Na realidade não têm moral para criticar.

Por essas e outras que a credibilidade da imprensa esportiva de Campina Grande diminui a cada dia. Eu não sei até quando vou agüentar nadar contra a maré.

PS – Peço perdão pela falta de modéstia neste post, que para mim foi muito mais um desabafo.

15 fevereiro 2007

Influência de poder

Por Léo Alves

Pedro abordou, no post anterior, uma situação que ocorre com freqüência nas redações. O amigo do dono do jornal se envolve em alguma confusão, mas a matéria não é publicada em nome da amizade.

Semana passada, um editor me contou sobre uma matéria com o sobrinho de um secretário envolvido numa confusão de trânsito. Chegou até a agredir os agentes. Muito mal educado com a equipe, empurrou o jornalista.

Como forma de intimidar os repórteres perguntava o nome de todos. Com isso, queria dizer que ligaria para o dono da empresa para não publicar a matéria.

A matéria foi feita. E o bagunceiro também usou de sua influência.

Perto do fechamento da edição, o dono do jornal liga pedindo que a matéria não fosse publicada porque se tratava de um amigo da família. O editor pede para fazer uma ponderação. Argumenta que, além da confusão ter parado o trânsito, o jovem agrediu a equipe de reportagem.

O dono fica pensativo, mas diante dos argumentos do editor, cede. Pede, apenas, para não citar o nome do envolvido. Mas a imagem dele fala por si só.

Alguém pode até reclamar que a matéria não saiu com o nome do bagunceiro.

É verdade.
É uma falha.

Mas para quem não teria o direito de colocar nada, já foi uma evolução.
Pequena, mas não deixa de ser uma evolução.

11 fevereiro 2007

O que você faria?

Pedro Henrique Freire


- Você soube o que aconteceu com o Lucas, filho do dono da Planta Engenharia?

- Não, o que foi?

- Ele foi preso. Estava fraudando seguros de carro.

- Como assim?

- Ele comprava o carro aqui em São Luís (MA), levava para Fortaleza (CE) e registrava lá como roubado. Voltava e recebia o dinheiro do seguro. Fez isso com dois carros.

- Ah! então não era uma quadrilha. Mas como ele foi pego?

- A mulher dele estava com um dos carros, a polícia abordou e ela não tinha o documento. Pediu aos policiais que a acompanhassem até em casa. Chegando lá, já tinham levantado o paradeiro do veículo e descoberto a fraude. Pra piorar, na garagem estava o outro carro, também registrado como roubado. Entraram nele e encontraram uma arma.

- Isso é porte ilegal. É inafiançável.

- Exatamente. Ele foi preso por isso e acusado de estelionato. A mulher, que é sobrinha do Sarney, não sabia de nada e ficou só como testemunha.

- Que coisa, hein, rapaz? Eu o conheço. Jogava futebol na casa dele na época do colégio. Pra mim era um cara correto e muito rico. Não precisava fazer isso. Mas, e ai, se tratando de um crime envolvendo uma família tradicional daí, ainda mais com a mulher que é sobrinha do Sarney, os jornais fizeram a festa, né?

- No Jornal Pequeno foi manchete. A gente aqui não deu nada, não. Estávamos com a matéria, mas pedi que suspendessem a publicação.

- Por quê?

- O pai dele é meu amigo pessoal. Eu achei muito chato esse negócio. Tenho filhos e imagino como se fosse com os meus. Ele não pediu nada. Eu que realmente não quis publicar.

- É, se tratando, de um amigo, acho que não valia mesmo se indispor assim...

- Ele foi no jornal ontem. Imagina um cara arrasado, sem saber o que faz, completamente envergonhado? Pois é. Ele está assim. Ele foi me agradecer por eu não ter publicado nada.

- É... deve ter sido duro pra ele mesmo. E o Estado do Maranhão?

- Este é que não publicou nada mesmo. Como a mulher dele é da família... Só o Jornal Pequeno que colocou a manchete: “Escândalo: Sobrinha de Sarney é abordada dirigindo carro roubado”. Rarará. Eles não perdem uma.

- Não perdem mesmo.

O fato descrito acima ocorreu mesmo. A publicação foi vetada pela amizade entre o pai do protagonista da notícia e o diretor do jornal. Se fosse você o fodão do jornal, se fosse amigo pessoal do pai do estelionatário, o que você faria?

08 fevereiro 2007

Erros

Pedro Henrique Freire

Quando estagiava no jornal O Imparcial (Maranhão) em 2002, todos os dias eu aprendia algo novo. Não importava qual fosse o fato, de tudo se tirava uma lição. Acostumar-se com o texto jornalístico, por exemplo, foi um desafio gostoso de ser enfrentado. Primeiro porque entrei na redação quando ainda estava no primeiro semestre da faculdade. Depois, e agora faço aqui minha confissão, ocupei a adolescência mais com leituras de revistas de surfe e outdoors do que com jornais. Enfim...

Numa sexta-feira de fechamento saí atrasado do jornal. Precisava chegar na aula às 19h. Cheguei às 20h. Estava às voltas com duas matérias de polícia. Fatos simples que exigem apuração minuciosa. Entreguei a matéria pro editor e não fiquei lá para tirar qualquer dúvida. Às 20h40, me ligam. Estava no intervalo. Atendi:

- Olá, Janine (era minha editora). Algum problema com a matéria?
- Não. Só queremos te dizer que o “Mero Preto” (famoso criminoso de São Luís, protagonista de uma das notícias que apurei), estava corcunda e você não colocou isso na sua matéria.
- Ué! Como assim corcunda? Não ouvir falar na DP que o cara estava torto.
- É que ele ficou agora.
- Não tô entendendo, retruquei.

Ela riu. Eu também. Depois me explicou que aquilo era uma brincadeira. Eu tinha escrito na matéria que o tal Mero Preto, “que já carregava vários processos nas costas”, fora preso outra vez. Como o cara era realmente perigoso, estava corcunda de tanto processo pesando sobre suas costas. Entendi o erro. Não se escreve aquilo de jeito nem um. Aquela foi a primeira de muitas pérolas que cometi quando entrei na redação.

Gargalhada geral. Não me senti constrangido. Percebi que essa não era a intenção da minha editora. Dava-me muito bem com ela e os outros editores e repórteres. Só restava-me gargalhar, gargalhar e gargalhar. Depois de um rápido, no qual ela me deu alguns conselhos, combinamos a cervejada com os jornalistas depois do fechamento.

O que me consolava é que, mesmo iniciando nesse mundo, eu já tinha ouvido falar das pérolas do jornalismo. Entre elas, de muita gente consagrada no meio.

No outro dia, cheguei na redação e indaguei: afinal, quem não coleciona erros assim na carreira?

06 fevereiro 2007

Plantão rima com diversão

Por Daniel Brito

Domingo é um dia legitimamente esportivo em Brasília. Para quem mora no Plano Piloto (Brasília propriamente dita), basta olhar pela janela para ver o Eixão (principal avenida da cidade) fechado para carros e aberto para milhares de pessoas, que aproveitam para caminhar, correr ou andar de bike. Se você for ao Parque da Cidade, a pista de 10km está entupida de gente. No Lago Sul, o Pontão fica repleto de atletas de final de semana.

Definitivamente não falta opção para se movimentar nos dias de folga. Agora, se você é como eu, que tem até a intenção de um dia, quem sabe, correr 6km numa manhã de domingo (mas esse dia nunca chega), e gosta mesmo é de assistir a eventos esportivos do final de semana, então Brasília é o seu lugar.

Tá, tudo bem, a cidade não é lááááá aqueeeeela agitação esportiva a ponto de você ter que abrir mão de um jogo de vôlei da Seleção Brasileira para ver um torneio de tênis da ATP a cinco quilômetros de casa. Mas, uma ou duas vezes em um mês normal de trabalho tem um final de semana caprichado (sim, porque dezembro, janeiro e julho o DF fica às moscas).

Olha a programação de um domingo qualquer de janeiro de 2007:

9h - Copa da República de ciclismo, na Esplanada;
11h - CAmpeonato Nacional de Basquete, na Asa Sul, Universo BRB x Unitri Uberlândia;
13h - Superliga feminina de vôlei, também na Asa Sul, Brasil Telecom x Finasa Osasco;
16h - Campeonato CAndango de futebol, Asa Norte, Gama x Paranoá;
16h - Campeonato Candango de futebol, Taguatinga, Brasiliense x Esportivo.

Como eu disse lá em cima, se você gosta de ver, há um cardápio até interessante para o domingo brasiliense. Eu sei, também, que jogo do Campeonato Candango não é a melhor coisa do mundo de se ver. O problema é que eu gosto de assistir, mesmo assim.

Antes que venham com brincadeiras e provocações, é bom lembrar que aqui não tem mar, tá...

Em dias como esse, acima, agradeço por ter escolhido a editoria de esportes para trilhar minha carreira. Ao ponto de, mesmo de folga, ter me escalado para trabalhar neste agitado domingo.
Como repórter de esportes, vou aos lugares que já iria por prazer, e ainda tenho a oportunidade de bater um papo com os protagonistas da história.

By the way, neste mesmo domingo vi/trabalhei em dois jogaços: o do basquete, com a vitória do time do DF no segundo final por um ponto de diferençaa, e o do vôlei, com mais uma derrota das candangas no tie break.

Parece deslumbramento?

Pode ser, mas esse é o sentimento de quem se diverte trabalhando!

03 fevereiro 2007

O mau diretor e o mau jornalismo

Por Pedro Henrique Freire

Quero contar uma história que acontece nas piores redações.
Sem citar nomes, claro.

Depois que os jornais viraram empresas arrojadas, com obsessão pelo lucro, o jornalismo mudou. Agora, o diretor de redação está preocupado, sobretudo, em não desagradar grandes anunciantes. Claro que tentam fazer um bom jornalismo. Mas são pressionados de cima a pensarem sempre em não se indispor com quem lhes dá dinheiro.

O duro é quando o cara que dirige a relação empresa-anunciante não entende bulhufas de jornal. Conheço um desses diretores que chega na redação e faz assim: “Olha, publica esse release e coloca três fotos do governador, tá?”.

Os piores profissionais não contestam, mesmo que o erro seja latente. Eles fazem. Muitas vezes, não fazem e não avisam que não fizeram. No outro dia, o tal diretor olha o jornal com apenas uma foto sobre um assunto (como deve ser). Sabe o que ele faz? Desce na redação e fala o seguinte. “Republique o release e coloca as fotos”.

Não precisamos dizer que isso é totalmente desnecessário.

Mas só reflete o despreparo de alguns profissionais que intervém diretamente na redação sem entender nada de foto, de texto, de notícia...

Não entendem nada de jornalismo!

O resultado é um jornal improvisado, cheio de notícias bobas, sem importância. E o pior, com um texto quase publicitário. No Nordeste, principalmente, os veículos impressos têm mania de release. A assessoria dos governadores chega ao cúmulo de obrigar as redações a publicar o mesmo texto, sobre o mesmo assunto oficial. Caso contrário, perdem a verba publicitária.

É um jogo duro que só destrói o bom jornalismo e a possibilidade de praticá-lo. A razão de tudo: no final do mês, depois de ter sido feito tudo que o grande anunciante mandou, chega uma pomposa verba publicitário.

O mau diretor se fortalece.

E o mau jornalismo também.

30 janeiro 2007

"Se eu fosse chefe..."

Por Daniel Brito

Esta semana, percebi que estou cercado de pessoas, jovens jornalistas, ávidas para ser chefe.

Tudo bem, faz parte da vida útil de um profissional competente chegar ao topo da "cadeia alimentar". Geralmente, esse caminho começa no estágio, em seguida, reportagem bruta (hard news pesadíssimo), reportagens qualificadas (no caso de esportes, Olimpíada e/ou Copa do Mundo), fechamento da edição (como sub-editor, por exemplo), editor setorizado até chefia de redação.

Menos de 1% dos jornalistas chegam ao topo desta pirâmide, cada dia mais íngrime e cruel. Mas 99% sonham em chegar até lá.

Conversando com colegas de profissão, já neste ano, ouvi três ou quatro vezes a expressão:

"Se eu fosse o chefe daquele lugar..."

O curioso é que todos que me disseram isso completeram a frase da seguinte maneira:

"...demitiria umas 30 pessoas que não servem de nada para o jornal (e/ou TV)".

Sinônimo de chefia para esses camaradas não é saber trabalhar em equipe.

É botar para fora quem ele não simpatiza. Qualquer demissão é traumática. Desde um incompetente assumido a um caçador de furos que tropeçou em um zero de uma cifra interminável que dava o tamanho da denúncia de uma matéria de política.

Quando ouvi essas opiniões fiquei com vontade de perguntar:

"O que você falaria para as 30 pessoas que demitiria aqui dentro?".

Como disse meu grande amigo Da Silva, nem todas as verdades podem ser ditas. Não se trata de falsidade, mas uma questão de educação.

Hoje, após meus oito primeiros anos como jornalista profissional, afirmo que não faz parte dos meus planos me tornar chefe. Acredito que nem meus chefes têm esse pensamento em relação a mim, obviamente.

O meu sonho de consumo profissional, mesmo, é não ter que dar satisfação a chefe nenhum.
(E eu não estou falando em estar desempregado!!!)

26 janeiro 2007

Nem tudo

Por Léo Alves

Quando criamos este blog, achávamos que poderíamos escrever o que quiséssemos. Afinal, aqui é um espaço livre, onde eu, o Daniel e o Pedro somos os editores.

Mas a experiência mostrou, em mais de um ano de Filhos da Pauta, que a coisa não é como imaginávamos. Não dá para escrever qualquer coisa, contra tudo e contra todos. Até porque todos têm acesso ao contéudo do blog. Basta querer.

Qualquer pessoa que se sentir atingida pode reclamar. Tudo bem que ainda não existe uma legislação específica, mas ninguém (e nenhuma empresa) gostaria de ver seu nome manchado num espaço público.

Estou escrevendo isso, porque algumas pessoas estranharam o fato de Daniel ter mudado a linha editorial do post anterior depois de ter sido alertado por alguém que ele (o post) poderia acarretar prejuízos futuros.

Não é a primeira vez que acontece no Filhos da Pauta. Ano passado, Daniel também retirou o nome de uma pessoa de um post porque ela se sentiu atingida (também pudera, né, DB? Chamar o cara de orelhudo foi demais).

Por mais que seja um espaço nosso, não dá para escrever tudo. É preciso também medir as palavras. Afinal, vivemos em sociedade. E precisamos saber a hora certa de dizer as coisas.

Muitas verdades parecem grosserias.

Em muitos momentos, eu (e talvez Daniel e Pedro) sinto vontade de escrever uma crítica mais forte a uma empresa ou até mesmo a um colega de profissão. Mas não há como negar que seria falta de ética.

Além disso, poderia criar um mal estar (desnecessário) com o colega e até com a empresa.

Já imaginou se no futuro eu estiver trabalhando na empresa e ao lado do colega criticado aqui neste blog?

É o mercado de trabalho. Você pode até não concordar com a linha editorial da empresa, mas não está totalmente livre de trabalhar nela. Lógico que é uma questão de escolha. E neste momento vai pesar a proposta. Principalmente se você estiver desempregado.

Vejo muitos colegas criticarem a Rede Globo. Porém, não tenho dúvida de que a maioria estaria lá se recebesse uma proposta de trabalho.

No blog (como na vida) muitas vezes é melhor silenciar.

Lembro da minha aula da saudade, quando meu ex-professor Rômulo Azevedo disse:

"Em muitos momentos da profissão, precisamos ser como bambus, que se curvam, mas depois voltam a ficar firmes e retos".

Resumindo: é preciso ter jogo de cintura.

24 janeiro 2007

Peladeiros qualificados

Por Daniel Brito

Quem joga futebol sabe identificar uma situação dessas:

Pelada entre amigos. Todo mundo se conhece, sabe onde cada um joga melhor. De repente, um desconhecido chega e pede para jogar. Como o futebol, inicialmente, é um esporte agregador, ele entra na pelada, mas a pergunta é inevitável:

- Tu joga em qual posição, Fulano de Tal?

Quando a resposta é:

- Qualquer uma. Onde me colocarem eu jogo...

Pode entender uma coisa. Esse beltrano aí não joga nada.

Não existe jogador de futebol que seja bom zagueiro, volante, meia-ofensivo e atacante ao mesmo tempo. Não tem profissional assim, quanto mais peladeiro...

Uma entrevista de emprego funciona mais ou menos desse jeito. O entrevistado, neste caso um desempregado, deseperado por uma ocupação, não tem embaraço em dizer:

- Eu faço tudo. Desde cuspe em distância aas reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central. Pode ser em rádio, TV, jornal, internet, semanário, panfleto. Qualquer veículo!!!

O entrevistador, certamente, vai desconfiar deste camarada. Pode, realmente, haver profissionais multifacetados. Mas todas as habilidades do mundo não cabem em um peladeiro só. Tô mentindo?

Como estou viciado em escrever sobre jornalismo na internet, dei esses dois exemplos (desempregado e peladeiro) para ilustrar minha mais nova opinião sobre o ramo.

Seguindo os passos do britânico Daily Telegraph e do brasileiro Lance!, os jornalistas se verão obrigados a se tornar um peladeiro qualificado. Ou melhor, um profissional capaz de lidar com todos os veículos. Estes dois periódicos citados no início deste parágrafo estão fazendo das redações dos jornais impresso e on-line uma só.

Houve gente na Inglaterra e no Brasil que não se adaptou a esse ritmo e foi demitido. É preciso saber atuar em todas os setores do campo.

O repórter vai para a rua com uma máquina digital, onde fotografa, filma e grava entrevistas, além de anotar tudo "como antigamente". Ao voltar para sua confortável cadeira na sede da empresa, ele joga a parte digital na internet e o texto apurado "como antigamente" vai para o jornal do dia seguinte, praticamente sem muitas novidades do que já foi publicado na internet.

Eu, com meu humilde futebol, mal vejo a hora de experientar essa novidade.

22 janeiro 2007

Os cinco MELHORES assuntos

Por Daniel Brito*

Decidi começar 2007 com disposição para fazer todo e qualquer tipo de matéria que me pautarem. De briga de vizinho, aos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro.

O que vier, eu traço.

Divido com nossas quatro testemunhas que visitam este blog (além dos proprietários) quais são as melhores pautas para mim:

5) Triatlo: é um sonho de consumo. Apesar de estar engordando descontraladamente, invejo as pessoas que têm disposição para participar de uma prova de triatlo. É um esporte sensacional. Muita estratégia; contato com modalidades que todas as pessoas gostam e praticada em lugares sensacionais.

4) Natação: por causa da natação passei a prestar mais atenção na importância da matemática no esporte. O cálculo dos tempos ou a soma dos índices pode dar uma margem de acerto muito grande para aqueles jornalistas que gostam de fazer previsões sobre as provas. Eu, por exemplo...

3) Futebol: é o meu primeiro esporte. Respiro futebol, almoço futebol, bebo futebol... Mas só costumo conversar sobre isso com as pessoas que realmente entendem do assunto. Isso é raridade. De tantos pangarés que existem por aí dando pitaco sobre futebol, o esporte perdeu alguns pontos na minha lista de melhores esportes para se cobrir.


2) Vôlei: Desde 2004, quando passei a ser setorista de vôlei no Correio Braziliense, aprendi que este esporte é pura estratégia. A inteligência dos atletas faz a diferença no resultado e isso me intrigou. A cada texto que escrevo sobre vôlei, cada entrevista que faço, aprendo coisas que podem ser adaptadas para minha vida pessoal (E eu não estou falando de bloqueios ou bolas foras!)

1) Basquete: Sempre gostei de basquete. Há 10, 15 anos, era torcedor do Utah Jazz. Nunca soube jogar, mas sempre gostei. Passei um tempo sem ver nada sobre basquete até entrar para o CB. A afinidade com o esporte voltou mais forte do que nunca, a ponto de ele liderar a minha humilde lista de esportes preferidos para cobrir. Confesso, contudo, que preciso aprender um pouquinho mais para escrever textos melhores sobre o tema.

E você, quais são suas pautas preferidas?

* Por motivo de força maior (leia-se: bom senso), o título original deste post e a tendência editorial do texto foram drasticamente alterados.

18 janeiro 2007

A falta que um editor faz

Por Daniel Brito

Desde que os 'simples mortais' passaram a determinar o conteúdo da internet, a vida das pessoas ligadas (direta ou indiretamente) aa rede mundial de computadores mudou.

Desde estudantes que copiam monografias pelo Google; passando por engenheiros que escrevem um blog sobre música erudita; ou um fazendeiro que coloca vídeo do nascimento de bezerros nelore em sua fazenda no You Tube; jornalistas que apuram reportagens com maior precisão, até desocupados que criam sites racistas ou passam o dia fuçando a vida dos outros no orkut ou qualquer coisa parecida.

Já disse isso em posts anteriores.

O que eu não disse foi que o gosto dessa 'liberdade' é (meio) amargo.

Na própria internet pipocam notícias de investigação da polícia em sites. Ainda não conhecemos todos os limites da internet.

O Orkut, por exemplo. Era para ser um local de encontros. Tipo um cartão de visitas.
Se tornou quase que um site de criminosos dada a quantidade de comunidades ofensivas criadas por 'simples mortais'.

Até hoje o Google não sabe se deixa ou não a Polícia Federal investigar os criadores de comunidades racistas. Liberou uma vez, mas não será todo dia, avisou o advogado da empresa.

No Wikipédia, volta e meia alguns itens são retirados do ar às pressas porque um engraçadinho manda uma definição engraçadinha.

O You Tube, por exemplo. Permite quase todo tipo de vídeo: briga de mulher, nascimento de bezerros nelore, enforcamento de ditador, sex-on-the-beach. Mas já percebi que sexo explícito ou imagens tipo o filme Faces da Morte não são permitidas.

Dia desses encontrei um vídeo com o nome:

Britney Spears naked!!!

Curioso, entrei lá para ver.
Não tinha mulher pelada coisa nenhuma.

Era um nerd americano segurando uma webcam com a mão esquerda, falando por seis minutos e gesticulando com a mão direita como se apontasse o dedo indicador para o meu nariz. Ele dizia algo tipo:

"Se você quer vídeos de mulher pelada, sexo ou coisa parecida, vá para outro site. Nào estrague o You Tube. A pornografia está destruindo a internet. E você, ao clicar neste link, está comprovando que quer ver o You Tube chegar ao fim".

Quase que eu mando um email pedindo desculpas oficiais.

Mas o nerdzão lá tá certo.
Talvez não.
Talvez sim!

Se houvesse um editor para 'adivinhar' (ou editar) o que as pessoas querem ou não ver no You Tube ou no Orkut, a internet não teria tanto sucesso.

Se no lugar de um editor, existisse apenas um 'moderador'. Uma pessoa com bom senso para saber o que passa dos limites da convivência harmoniosa e vetar isso ou aquilo teríamos uma internet politicamente-correta.

Ainda assim, não sei se a internet teria a mesma graça!

16 janeiro 2007

Sobre política de políticos

Pedro Henrique Freire

Um dia estava conversando com o repórter de política Rudolfo Lago (ex-Correio, agora Istoé) e ele me dizia o seguinte: “Numa matéria com políticos, o mínimo que você pode fazer é escutar todos os envolvidos na história. Mas é preciso ter cuidado para não ser enganado ou entrar num jogo que não estava previsto”.

Entendi aquilo como a habilidade natural que os políticos adquirem no trato com o jornalista. Tudo, penso eu, é uma relação de poder. Eles querem a boa imagem para si ou a péssima para o outro. Nós queremos notícias. Quando as duas coisas podem ser trocadas sem desgaste, ali está uma boa matéria.

Mas é interessante refletir sobre a maneira como Aldo Rebelo (PCdoB) se comporta nas entrevistas. Ao ser cercado por microfones e gravadores, o presidente da Câmara dos Deputados centra um olhar de peixe morto em algum ponto do ambiente e começa a selecionar palavras com pinça. Fala devagar e quase nunca o que o jornalista espera. Parece ter aversão a imprensa e nunca usar ela em favor próprio.

Diferente do seu adversário na disputa pela casa. Arlindo Chinaglia (PT) é bem mais espontâneo. Abraça e fala alto (e rápido) quase tudo que pensa. Pior pra ele e melhor para nós. O melhor entrevistado é aquele que sabe revidar. E o bom jornalista, penso eu, é o que sabe provocar com perguntas.

Na cobertura sobre as eleições legislativas, ele aparecia e falava todos os dias. Rebelo (antes de ser passado pra trás) evitava polêmicas e reflexões sobre o que está fora de sua alçada. É discreto.

Rebelo e Chinaglia são duas personalidades distintas. Para entrevistá-los, assim como outros políticos, é preciso conhecer seus perfis. Identificar suas reações é fundamental para encaixar a pergunta na hora certa e, assim, obter uma boa resposta, que dê uma ótima matéria. Mas tudo isso, como aconselhou Rudolfo, sem entrar no jogo deles.

Numa fria
No final das contas, é importante ouvir tudo aquilo que os caras têm pra falar (até mesmo quando não têm nada a falar). Mas aqui e ali, segundo Rudolfo, tentam te colocar numa fria. É um exercício comum, feito para alimentar o próprio jogo. Inventam e pedem matéria. Supervalorizam o que acham importante. Quando apuramos, não é nada demais! Mas o que podemos fazer se nosso papel é checar, checar e checar?

Abraços

08 janeiro 2007

O impresso como (boa) fonte

Por Léo Alves

É rotina o jornalismo de tevê se pautar pelos impressos. Não que toda produção dependa dos impressos, mas não há como negar que são boas fontes. Isso não acontece apenas em nível local. O caso dos sanguessugas foi denunciado pelo Correio Braziliense. O mensalão, pela Folha de São Paulo.

Depois os escândalos ganharam o Brasil através da tevê.

As reportagens bem produzidas pelos impressos servem de pauta. Há cerca de um mês o Esporte Espetacular exibiu uma matéria sobre a falsificação de idade de jogadores, os famosos “gatos”. A reportagem foi "pautada" pela Placar, que havia chegado às bancas na mesma semana.

Lembro que em junho, na Copa do Mundo, o mesmo Esporte Espetacular se pautou por uma matéria do colega Daniel Brito sobre os Calungas, uma comunidade da cidade de Cavalcante (GO), que assistia pela primeira vez o Mundial na televisão.

Sempre que os impressos saem na frente surge uma pergunta nas redações das tevês: “Como não ficamos sabendo disso?”. Acredito que não se trata de incompetência da produção. Porém tem que se admitir que os impressos (na maioria das vezes) têm melhores fontes.

A própria estrutura da televisão não permite muito o estreitamento da relação com as fontes.

Explico:
O contato com as fontes para agendamento das matérias é feito por telefone pela produção. O repórter vai às ruas fazer a reportagem apurada pela produção. É ele (o repórter) que tem contato direto com a fonte. Nota-se aí uma quebra da relação. O cara que mantém contato não é o mesmo que faz a entrevista.

Nos impressos é diferente. Na maioria das vezes o jornalista que mantém contato com a fonte é o mesmo que a entrevista. Com o tempo, cria-se um vínculo de confiança. É ao homem do impresso que a fonte vai confiar seus furos.

A setorização que existe nos impressos contribuiu para melhorar a relação com as fontes. O jornalista de esportes cobre rotineiramente só esportes, por exemplo. Cada macaco no seu galho.
Na tevê – refiro-me às emissoras afiliadas – o repórter é um faz tudo.
Esportes.
Polícia.
Política.
Cultura.
O que aparecer.

É praticamente impossível criar vínculo com as fontes de uma dessas áreas. Até porque o repórter não dispõe de muito tempo para aprofundar a relação com os entrevistados no intuito de ganhar a confiança dele.

Produtores visitarem as fontes melhoraria a relação. Ajudaria a descobrir furos. Porém não é o produtor quem faz a reportagem. Existe o risco de o repórter fugir do foco da matéria. Aí não tem jeito. A fonte se irrita (e o produtor também) e tudo volta à estaca zero.

A aparente saída seria o próprio repórter cultivar as fontes e descobrir furos. Senão o jornalismo impresso continuará (na maioria das vezes) furando os outros meios.

05 janeiro 2007

Questão de assinatura

Por ...*

A revista inglesa The Economist é uma das maiores (e melhores) publicações do planeta. Trabalhar nela é motivo de orgulho para qualquer um. Qualquer jornalista que se preze sonha em ver o nome lá assinado em algum artigo.

Mas quem trabalhe na Economist sabe: ninguém assina matéria por lá.

O princípio é o seguinte:

"O texto é da Economist e não do jornalista".

Mais ou menos isso aí.

Imagina a frustração daqueles jornalistas que adoram aparecer mais que a notícia que escreve se trabalhassem na Economist?

Conheço gente que seria capaz de recusar uma oferta de emprego na revista por causa disso.

No New York Times, alguns repórteres com nomes de judeus tinham que abrevia-los para não deixar o jornal com cara-de-judeu. Isso foi na década de 1950, no período pós-guerra. O NYT foi erguido por sionistas.

Tenho um companheiro de trabalho que me parou na redação dia desses para reclamar:

"Há oito anos escrevo matérias sobre ******* e tem gente que ainda pergunta meu nome. Será que eles não lêem quem assina as reportagens?".

Não tinha a intenção de desapontá-lo, mas fui sincero:

"Não, eles não lêem quem assina as reportagens".

Ao leitor comum, não interessa quem escreveu o texto. Quem se importa com isso são os jornalistas, intelectuais, ou personagens criticados na reportagem.

Jornalista que gosta de aparecer tem que ir para televisão fazer gracinhas, como eu (confesso) já fiz bem no início da minha carreira.

* Este texto foi escrito por um dos filhos da pauta. Desde que foi publicado, não pertence mais a ele, e sim ao blog.

03 janeiro 2007

Perseguição ao invasor

Por Daniel Brito

Calça jeans clara, camisa branca, com uma foto de Lula nas costas, por cima de um casaco laranja, e cabelos lisos.

Cinqüenta metros nos separam. Neste espaço, o Rolls Royce Silver Wraith 1958 com o presidente Lula e Dona Marisa, um batalhão de seguranças engravatados, quase 100 cavalos dos Dragões da Independência.

Eu acompanho cada passo dele. No gramado da Esplanada dos Ministério, corro no meio da multidão, esbarrando em criança, vendedores de milhos, faixas vermelhas gigantescas amarradas aos galhos das árvores. Do outro lado do Eixo Monumental, o invasor (Calça jeans clara, camisa branca, com uma foto de Lula nas costas, por cima de um casaco laranja, e cabelos lisos).

Duas grades de aço, de aproximadamente 1,20m de altura cada, à margem de cada calçada (a minha e a dele).

Ensopado pela chuva torrencial que caracteriza o mês de janeiro em Brasília, corro sem olhar para frente. Atenção somente para o camarada do outro lado do Eixo Monumental. Ele É a minha pauta.

O único motivo da minha presença na segunda cerimônia de posse de Lula, em 1º de janeiro, é encontrar com esse cara.
Eis a minha missão:

TRAJETO PRESIDENCIAL - DANIEL BRITO - A PARTIR DAS 13H
Daniel acompanha o carro de Lula da Catedral ao Congresso. Fica atento se alguém tenta pular no carro do presidente e da primeira dama (como aconteceu na posse do primeiro mandato), acenos etc.

Quando recebi esta incumbência, lembrei de um trecho do livro O Reino e o Poder, de Gay Talese, que estou lendo atualmente. Tom Wicker era apenas mais um repórter da sucursal do New York Times em Washington, no final da década de 1960. Foi a Dallas acompanhar um desfile em carro aberto do presidente John Fitzgerald Kennedy e alavancou a carreira com a reportagem sobre o assassinato do presidente.

Não que eu imaginasse que Lula pudesse ser metralhado em plena Esplanada. Mas, quem sabe, um fato inusitado poderia coincidir com o meu plantão na posse da reeleição.

Assim "como aconteceu na primeira posse", uma pessoa pulou a cerca que separava o comboio presidencial do público. Em vez de agarrar no pescoço de Lula, como ocorreu em 2003, o corajoso apenas tirou uma foto ao lado do carro do presidente e saiu pelo outro lado da rua.

Corri no mesmo ritmo que ele por 200 metros. O invasor de um lado do carro de Lula. Eu, do outro.

Tentei invadir a pista logo depois que o comboio presidencial passase por mim. Não contava com a cavalaria dos Dragões da Independência. Um verdadeiro exército de cavalos enfeitados demorou dois minutos para passar. Quando a cavalaria se foi, o invasor já não estava visível.

Isso era por volta de 16h05 de segunda-feira, dia 1º de janeiro de 2007. Passei as três horas seguintes olhando para a multidão buscando as seguintes caracterísitcas:

Calça jeans clara, camisa branca, com uma foto de Lula nas costas, por cima de um casaco laranja, e cabelos lisos.

Tinha uma chance em 10 mil de encontrar o invasor e cumprir minha pauta.

Não encontrei.

Nem a polícia.

Nem os jornais concorrentes.

30 dezembro 2006

Fidel, Andy e a mídia

Por Pedro Henrique Freire

Andy Garcia e a mídia mundial tem algo em comum. O filme CidadePerdida, dirigido pelo ator, mostra uma Cuba injusta nas mãos deFidel Castro e Ernesto Che Guevara. Uma Cuba que reprime a arte e tiradas pessoas o direito de morar em suas casas que construíram comtrabalho e suor. Uma Cuba que confisca propriedades e faz dos ricospobres e dos pobres mais pobres.

Garcia (que representou o calculista e ambicioso Vicent Corleone em OPoderoso Chefão – Parte III) levou para o cinema o desejo e a opiniãode uma leva de neoliberais e figuras capitalistas – que demarcamterritórios nos EUA e no resto do mundo.

Assim como na saga dos Corleone.

Caso alguém pergunte sua opinião sobre o regime de Fidel Castro, instalado há 47 anos, o que você responderia? Uns dizem que é quaselírica a resistência que Fidel e sua família fazem aos EUA de Bush etantos outros presidentes. Mas o socialismo instalado ali representaum atraso. Por um fato simples: não existe democracia.

Outros diriam que aqueles que lutaram por um ideal na insurgência que levou o ditador ao poder devem hoje perceber que o ideal não era ademocracia camuflada e asfixiada pelo então general Batista. O idealera Fidel e suas vontades. Trocaram uma ditadura por outra. Uma a la Pinochet: desenvolvimentista e violenta. E outra atrasada e cheia decensuras.

Uns terceiros podem até falar que o socialismo é o caminho. Que a economia inegociável e uma figura que governa, há tanto tempo, seu povo sob as teorias de Marx é uma avenida de igualdade e liberdade, embora não seja de tanta fraternidade assim.

Enfim, é por isso que quando meu amigo Daniel Brito me propôs um texto sobre como a mídia mundial reagiria com a morte de Fidel (o que não está muito distante, dizem). Respondi que muitas matérias viriam recheadas de confetes, preparando terreno para que o império americano intervenha de maneira quase imediata (imprensa dos EUA).

Outras viriam com um quê de imparcialidade, mostrando as supostas atrocidades do ditador, os atrasos em Cuba e, claro, a magnífica subida ao poder ao lado de Guevara e centenas de barbudos revolucionários. Mesmo assim, a imagem de um socialismo fracassado estaria latente (mídia brasileira e outras).

Ao final do império de Fidel, portanto, a mídia reforçaria a imagem de Cuba como o país que se perdeu dentro de suas teorias impraticáveis e revelaria que aprendeu bastante ao viver em uma democracia de verdade, podendo ouvir, ver e falar o que quiser.

O jornalismo é liberdade.

A mídia é capitalista.

Para felicidade de Andy Garcia e tristeza de Fidel.

26 dezembro 2006

Análise dos grandes portais

Por Daniel Brito

Aos poucos, a internet vai substituindo a televisão na vida dos brasileiros de classe média/alta. Em vez de correr para a frente da tevê para ver um noticiário ao chegar em casa, o hábito agora é disputar a cadeira do computador para acessar a internet.

Aqui em casa é mais ou menos assim.

Isso gera o (excelente) hábito da leitura e destaca a figura do "sabe-tudo". Aquela pessoa que tudo viu, tudo leu e tudo entendeu. É diálogo comum em mesas de botecos de Brasília:

- Deu no Globo.com que Clodovil xingou Marisa Monte.
- Ah, é? O que ele falou?
- Eu só vi a chamada lá, ele dizendo que ela só canta para comer...
- É mesmo? E quê mais?
- Ah, nem li o resto da notícia, só vi o título lá mesmo.

Isso é só uma ilustração do que as notícias da internet costumam causar nas pessoas. Deve acontecer em todos os cantos do país, claro. Tipo: "Eu vi, mas não li até o final".

É muita notícia disponível facilmente se esfregando na cara do internauta. Muitas delas inúteis, como esta de Clodovil, por exemplo. Mas são essas que fazem o sucesso de um portal.

Veja o caso do próprio Globo.com. Logo na Home dele tem quatro grandes espaços para notícias. Um no alto, para a manchete, e três "tripinhas" embaixo da manchete: uma para notícias gerais (inflação, Iraque, Lula), uma para esportes e outra para "entretenimento" (popularmente chamado de FOFOCA).

Na espaço da manchete há a principal notícia do dia. Hoje, por exemplo, é sobre a auditoria na TAM, e o resto, neste momento, estão lá, logo abaixo:
1 - Saddam será executado em 30 dias;
2 - Pelada reúne Diego, Robinho e Elano, em SP;
3 - Uma Thurma é operada após acidente;
Foto-legenda: China revela porcos que brilham no escuro.

De notícia, notícia mesmo, aquela que vai estar nos jornais amanhã, talvez até na primeira página deles, apenas a da TAM (que é a manchete do site) e a de Saddam. O resto é amenidade para os leitores "sabe-tudo".

Tudo bem que a Globo criou o G1 para fazer jornalismo de verdade, mas a página principal é voltada para curiosos e pessoas interessadas em fofocas.

O G1 concorre diretamente com o UOL. Pertencente ao Grupo Folha (de S. Paulo), o Universo On-Line (UOL) é o maior (e melhor) portal da internet verde-amarela. Tem de tudo. Muito do que se vê nos jornais impressos e nos telejornais aa noite saiu do UOL.

É a minha primeira parada quando acesso aa internet. Dá destaque ao jornalismo hard news e não deixa de colocar as amenidades, porém, em menor destaque na parte de baixo da página principal. Desde horóscopo aos manjados sites de bate-papo, passando por dicas de turismo até trânsito de São Paulo.

O Estadão poderia fazer frente ao UOL, mas não me parece interessado em marcar terreno no mundo virtual.

A terceira maior força no jornalismo "internético" na minha modesta, opaca e pálida opinião, é o Terra. Investe muito em formas de acesso: banda larga, internet phone, coisas do tipo. Na Home do site há mais destaque para publicidades do que para notícias. Pode entrar lá e ver.

Talvez por isso, o Terra esteja em todos os lugares. Eles têm jornalistas em vários cantos do planeta. Tinham seis ou cinco na Copa do Mundo da Alemanha, por exemplo.

Justamente porque vendem bem os espaços na capa do seu site. É muito difícil vender anúncios na internet (tema para outro post).

Sem limite de tempo e espaço e com a opção de ser lido, visto e ouvido, o jornalismo da internet está deixando de engatinhar e começando a andar com as próprias pernas.

É bom ficar atento, para não perder nenhum passo nessa revolução.

23 dezembro 2006

Nova geração de jornalistas

Por Daniel Brito

Já ouvi uma meia dúzia de três ou quatro jornalistas mais antigos dizerem de boca cheia:

"Ainda bem que nem todo mundo sabe escrever"

É uma brincadeira, claro, mas é verdade.

Se TODO MUNDO escrevesse bem, (ou, pelo menos, organizasse as idéias corretamente em uma folha de papel) o que teria de jornalista e escritor no mundo não seria brincadeira. Mas escrever não é fácil.

Um exemplo: tentei explicar como foi feita a escolha do Prêmio Esso de Jornalismo deste ano e meu texto gerou dúvidas nos nossos quatro ou cinco leitores fiéis.

Foi mal escrito?
Pode ser.

Não tem problema, eu ainda aprendo a explicar melhor minhas idéias. Como esta que vou tentar aqui agora.

A internet fez com que mais pessoas lêssem mais e escrevessem mais. Quanto mais se lê, mais vontade se tem de escrever. Quem esccreve, gosta de ser lido e assim sucessivamente.

A partir desta idéia, acredito que estamos prestes a presenciar um BOOM de jornalistas. Sim, porque a internet abriu espaço para que contabilista, bombeiro, arquiteto, advogado, estudantes de ensino médio (principalmente eles), até mesmo jornalistas escrevam à vontade sem limite de tempo e espaço na Rede Mundial de Computadores.

Escrevi algo parecido a isto no artigo "Ergonolepticamente falando", no início do ano.

Já viu a quantidade de blogs soltos por este mundo?

É gente interessada em ser lida. Existem duas maneiras básicas de saber se está sendo notada:

1 - Os comentários deixados no seu blog;

2 - Trabalhando por um grupo de comunicação (desde jornal, tevê, portais de internet) e escrevendo textos ainda mais interessantes.

Quanto mais pessoas escrevem na internet (repito, principalmente os estudantes), mais jornalistas e/ou escritores surgirão. Esse hábito vicia. Eu, Da Silva e Predo estamos aí para confirmar a tese.

A nova geração de jornalistas que virá daqui cinco ou dez anos será especializada em textos na internet.

Isso aí já é assunto para outro post.

19 dezembro 2006

A conquista do Prêmio Esso

Por Daniel Brito

Concorrente na categoria Regional Centro-Oeste no Prêmio Esso de Jornalismo 2006, a série de reportagens Amores Possíveis, da repórter Conceição Freitas surpreendeu a todos, na noite do último dia 12, no Copacabana Palace. Inclusive seus companheiros de Correio Braziliense.

O Prêmio Esso de Jornalismo, para quem não sabe ou não se lembra, é a máxima distinção no jornalismo nacional. Neste texto aqui, quero contar um pouquinho do que consegui apurar sobre a vitória de Conceição Freitas deste ano.

Em 11 matérias, a jornalista do Correio Braziliense, lotada na editoria de Cidades, contou histórias de amor que fugiram do lugar comum. Como um casal de idosos que retoma o namoro depois de 40 anos separados; a moça que aprende a linguagem de surdo e mudo para se casar com um deficiente auditivo; a catadora de lixo apaixonada por um companheiro de profissão que é viciado em bebida alcóolica, mas não o larga porque sabe que "nunca é traída".

São, realmente, história curiosas e MUITO bem contadas por Conceição. Não tenho muito contato com ela na redação do CB, mas tenho profunda admiração por seu estilo de texto.

Isso fez a diferença (não a minha admiração, mas o estilo dela).

A comissão julgadora do Esso gostou tanto da série que tirou Amores Possíveis da categoria regional e a colocou na categoria principal (melhor reportagem do ano). Normalmente, quem ganha o Prêmio Esso de melhor reportagem são os repórteres de política.

Ano passado, Renata Lo Prete, da Folha de S. Paulo, levou pela entrevista do mensalão com Roberto "Canalha" Jefferson. Em 2000, o Correio havia ganho com a denúncia de desvio de dinheiro da obra do TRT de São Paulo pelo então senador Luiz Estevão.

A escolha dos vencedores é feita, inicialmente, pela comissão de 26 jornalistas de diversas partes do país. Eles reúnem-se duas ou três semanas antes da noite de cerimônia e escolhem os melhores em cada categoria.

No dia do evento, pela manhã, cinco jornalistas que NÃO fizeram parte da comissão dos 26, lêem os trabalhos e escolhem os melhores entre os melhores. Todos os anos esse grupinho de cinco jornalistas muda.

Em 2006, o chefe da comisssão final era um camarada chamado Audálio Dantas. Se você tem menos de 25 anos, não deve ter na memória o imenso trabalho que esse alagoano já fez pelo jornalismo brasileiro.

Coloco, abaixo, um trecho de um texto da Unisinos que conta algumas das ações de Audálio nas redações deste país:

Trabalhou na revista O Cruzeiro, Quatro Rodas, Realidade e Veja. Cobriu, sem querer, a guerra entre Honduras e El Salvador, enquanto fazia uma reportagem sobre os pontos turísticos do México.
Foi presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, presidente da FENAJ, da Imprensa Oficial de São Paulo, e do Conselho da Fundação Cásper Líbero.
Como escritor, escreveu três livros, porém existe um principal. "Quarto de Desejo", relata a vida da favelada Carolina Maria de Jesus. Outro livro bastante famoso de Audálio Dantas é "O Circo do Desespero", de 1976, no qual ele reúne suas principais reportagens.

Ele era presidente do Sindicato dos Jornalistas de SP quando Wladimir Herzog foi assassinado.

Pois bem, como você pôde perceber pelo breve currículo, Audálio, hoje com 77 anos, é mestre da escola do jornalismo social/psicológico. Aquele que observa as coisas simples da vida e transforma numa grande reportagem.

O livro sobre a empregada doméstica mineira Carolina Maria de Jesus, que virou famosa depois do Quarto do Desejo é um exemplo.

Mais ou menos que Conceição fez com a série Amores Possíveis.

Concorrendo com a reportagem que denunciou a máfia da compra irregular de ambulâncias pelos deputados sanguessugas (também feita pelo Correio), Conceição Freitas foi contemplada com o Prêmio Esso de Jornalismo 2006.

Graças a Audálio Dantas.

Profissão perigo

Uma notícia dessa nós não poderíamos deixar de ler. Afinal, são atentados contra jornalistas e contra o jornalismo. Abaixo, uma notícia da Agência France Presse. Com a seguinte constatação: 2006 foi o ano em que mais jornalistas morreram em serviço. Matança parecida só havia ocorrido na Segunda Guerra Mundial.

94 jornalista morrem em serviço em 2007

GENEBRA (EUA) - Mais jornalistas foram mortos em 2006 do que em qualquer outro ano, com o Iraque aparecendo como o local mais mortal do mundo para funcionários da mídia pelo terceiro ano consecutivo, informou nesta terça-feira um grupo suíço de defesa da imprensa.

A organização Press Emblem Campaign (PEC), sediada em Genebra, registrou a morte de 94 jornalistas no exercício da profissão em 2006, o que representou um aumento de 38% com relação aos 68 mortos em 2005. As mortes de funcionários da mídia no Iraque quase dobraram de 25 para 48 no mesmo período. Pelo menos 103 jornalistas morreram no Iraque desde a invasão americana, em 2003, tornando a guerra naquele país o conflito mais sangrento para jornalistas desde a Segunda Guerra Mundial, destacou a PEC em um comunicado.

A organização registrou ainda o assassinato de oito jornalistas no México em 2006, sem que os criminosos tenham sido levados à Justiça, e de quatro na Rússia, entre os quais a repórter investigativa e crítica do Kremlin Anna Politovskaya. Quatro jornalistas foram mortos tanto no Sri Lanka e nas Filipinas; três em Paquistão e Colômbia; dois em China, Índia, Angola e Líbano; e um em Brasil, Equador, Venezuela, Somália, República Democrática do Congo e Sudão.

Os registros da PEC incluem mortes de jornalistas funcionários de organizações, freelancers, cinegrafistas, fotógrafos, assistentes e técnicos, mas não agentes de segurança, motoristas e intérpretes.

O secretário-geral da PEC, Blaise Lempen, disse que na maioria os jornalistas foram mortos por milícias, insurgentes, grupos paramilitares e serviços de segurança.

14 dezembro 2006

O esdrúxulo também é notícia

Pedro Henrique Freire

Uma amiga minha aqui da redação do CorreioWeb sempre diz a seguinte frase: “O esdrúxulo também é notícia”. E é mesmo! Notícias assim fazem do jornalismo uma fonte inesgotável de criatividade. E mais: são responsáveis por deixar o dia mais leve, sem tanta informação sobre tragédia, escândalos e aquelas coisas que já estamos “por aqui” de ler, ouvir e assistir.

Portando, para o bem das notícias esdrúxulas e do jornalismo curioso, ai vão algumas notícias (em forma de pílulas), que a Agência France Presse publicou neste ano de 2006.

Da France Presse
PARIS (França) - O ano de 2006 foi cheio de histórias insólitas com protagonistas diversos e inesperados.

Baleia no Tâmisa
Em 20 de janeiro, os londrinos perderam sua fleuma tradicional ao descobrir uma baleia nas águas do rio Tâmisa. O cetáceo, uma espécie de golfinho primitivo de 5,85 metros, estava ferido e morreu no dia seguinte, devido à água doce.

Cordeiro de seis patas
Em 19 de março, na Bélgica, uma ovelha de Limburgo pariu um cordeiro de seis patas. Como o animal era incapaz de se locomover por sua própria conta e se aproximar da mãe, o criador teve que alimentá-lo com mamadeira.

Pavões com gosto eclético
A polícia britânica informou em 17 de junho que Mister P., um pavão apaixonado, passava 17 horas ao dia fazendo a corte a uma bomba de gasolina em Brierly (sudoeste). Os irmãos de Mister P. também demonstraram o mesmo problema: um está louco por um gato e outro quer conquistar um semáforo.

Ovo divino
Em 13 de julho, uma galinha cazaque deixou perplexos seus donos ao pôr um ovo que na casca trazia inscrita a palavra "Alá" em árabe. Os agricultores da cidade de Stepnoi, nordeste do Cazaquistão, registraram o ovo e sua inscrição na mesquita local.

Placa da sorte
Uma placa com o número "888", que na China significa boa sorte, foi leiloada em 22 de abril por 237.000 iuanes (cerca de 30.000 dólares) em Cantão. As estradas chinesas são apontadas como as mais perigosas do mundo. Segundo números oficiais, em 2005 houve 456 mil acidentes e 99.000 mortes.

Rum assassino
Operários descobriram em 3 de maio um tonel de rum jamaicano enquanto restauravam uma casa na Hungria, e beberam o conteúdo de 300 litros de álcool antes de descobrirem, horrorizados, que o barril também continha o corpo mumificado de um homem nu. Uma investigação policial determinou que o corpo pertencia a um diplomata húngaro morto há 20 anos na Jamaica.

A correspondência mais demorada do mundo
Um cartão postal demorou 96 anos para chegar da Bélgica a um povoado da Normandia (França), onde foi entregue em 16 de maio à família da destinatária, falecida em 1978. Enviada em 29 de setembro de 1910, a correspondência chegou dias depois ao escritório dos correios de Mesnil-Guillaume, cidade situada a 3 km da residência de Yvonne Boucher, e ali ficou até 1978.

Pastor morre afogado ao tentar imitar Jesus
Um pastor da Igreja do Despertar (pentecostal) se afogou em 28 de agosto em uma praia da capital do Gabão, Libreville, quando tentava caminhar sobre as águas como fez Jesus Cristo. O religioso, de origem camaronês, quis cruzar a foz do rio Komo, travessia que dura 20 minutos de barco, mas afundou na presença de um fotógrafo que estava presente para imortalizar a façanha e de vários fiéis que esperavam uma cura milagrosa.

Para juízes egípcios beleza não é fundamental, já a higiene...
Um tribunal do Cairo negou em 5 de março o pedido de divórcio de uma mulher que queria se separar do marido por um estrabismo que, segundo ela, a deixava "de cabelo em pé". O marido tirou os óculos na frente dos magistrados e perguntou: "Assusto vocês?". "Não", respondera, e a esposa perdeu o caso. Em 28 de setembro, outra mulher pediu o divórcio por incompatibilidade de odores com o marido e os juízes não a levaram muito a sério. Mas quando o marido apareceu, os magistrados não puderam suportar o mau cheiro e suspenderam a audiência de reconciliação.

"Masturbatona"
Mais de 250 pessoas participaram em 5 de agosto, em Londres, da primeira "masturbatona", uma competição destinada a financiar a luta contra as doenças sexualmente transmissíveis. "Eu não sei nadar, nem correr bem, mas isto eu posso fazer por uma boa causa", declarou à imprensa um dos competidores.

11 dezembro 2006

Quando venci a preguiça

Por Daniel Brito

A preguiça dos tempos de colégio insistia em me perseguir.

Apurar, para quê?
Vou copiar...

Perguntar?
Deixa o entrevistado falar à vontade...

Escrever...melhor copiar o release.

Há 10 anos começava no jornalismo. Carregava essas verdades-absolutas. Era repórter de rádio em João Pessoa. Afinal, em apenas seis meses de atividades, já conseguia falar ao vivo num programa de rádio sem gaguejar.

"É muito fácil ser jornalista", presumi em setembro de 1996. Nesta mesma época já não freqüentava o colégio diariamente. Resolvi largar os estudos e me dedicar ao jornalismo.

Santa ignorância.

Não adiantava apelo de pai, mãe, irmãos, namorada, amigos, pais dos amigos. Meu negócio não era estudar. Era trabalhar em rádio. Mais precisamente dentro do estúdio da rádio "103,3 - FM O Norte".

Recebia a pauta de ir ao jogo de futebol de areia e derrubava a pauta. Apresentação de mestres de Kung Fu... nada feito. "Não tinha ninguém lá para falar sobre o evento", justificava a ausência. Resultados dos jogos do Campeonato Paraibano realizados no domingo à noite: "Tarde demais".

Queria apenas falar na rádio. Falar e ser ouvido. Como se tivesse SEMPRE algo interessante a dizer.

Duas frases mudaram a minha idéia sobre o resto da minha vida.

1 - "Ou você apura as informações direito, ou você será um profissional tão bom quanto o estudante que é agora".

Frase do meu pai às 21h de domingo, enquanto ligava para as rádios do interior da Paraíba para pegar os resultados dos jogos de mais uma rodada do Campeonato Paraibano de 1996.

Para um adolescente que reprovara duas vezes o ensino médio, o comentário atingira átrio e ventrículo direitos.

2 - "Quanto mais você for visto, quanto mais você circular, quanto mais matérias fizeres, mais chances terás de ser lembrado em oportunidades melhores lá na frente".

A frase está melhor escrita do que a maneira como foi dita, há 10 anos. Foi proferida pelo saudoso amigo Werton Soares, falecido há seis anos, e um grande professor, alertando sobre os perigos de minha indisposição de fazer matérias na rua.

Átrio e ventrículo esquerdos destroçados.

Foi o suficiente para entender que ficar trancado na redação pegando a rebarba dos outros e auto-elogiando minhas atuações me transformaria no pior dos profissonais.

Enquanto me derem a chance de escolher, prefiro continuar fazendo minhas "materinhas repetitivas".

Humildemente

04 dezembro 2006

Post de aniversário

Saudamos os nossos sete leitores mensais com as melhores frases e citações dos primeiros 12 meses de existência dos Filhos da Pauta.

A seleção foi feita por Daniel Brito, Leonardo Alves e Pedro Henrique Freire e dividida por "editorias".

Se você quiser contribuir conosco, deixe, no local destinado aos comentários, qual melhor citação ao longo deste ano.

Frases/diálogos de impacto
4 de dezembro de 2005
- Boa tarde, o senhor já fez exame de próstata?
- Já, respondeu um senhor de aproximadamente 60 anos, com a cara de safado.
- Teve preconceito?
- Não... Ele fez um silêncio. Eu continuei com o microfone como se esperando mais alguma coisa. E não é que veio.
- Não, não tive preconceito. Ele só colocou um ferro no meu ‘furico’, disse o senhor se referindo ao exame de toque retal.
Imediatamente liguei pra redação.
- Adriana, o fala povo caiu.
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14 de maio de 2006
"Repórter de esportes é o cara mais burro de uma redação de jornal. É o tipo de pessoa que não foi aceita em nenhuma editoria do jornal e acabou tendo que fazer futebol mesmo"
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17 de agosto de 2006
“Olha, Pedro”, disse o deputado, “honra de homem se lava com sangue. Tu toma cuidado”.Não tive muito tempo para me recompor da declaração. Só soltei um tímido: “Quê isso, deputado!”. A única coisa que conseguia pensar era num gravador.
Que droga!
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11 de setembro de 2006
- Noventa e nove por cento das pessoas do planeta trabalham, para o bem ou para o mal, para pagar a hipoteca.
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6 de novembro de 2006
“Meu trabalho como jornalista pode ajudar mais a sociedade onde vivo do que o meu voto. Não preciso votar. Vou anular!"
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Opiniões marcantes
12 de fevereiro de 2006
Seu contato com a fonte pode durar apenas poucos minutos. E nesses poucos minutos você tem que pegar todas as informações. Se isso não ocorrer, já era. Existem outros casos que não dependem do repórter. Principalmente em tevê, onde o resultado do trabalho depende muito do cinegrafista.
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11 de abril de 2006
Eu não sou nada malicioso, mas gosto de fazer mais ou menos assim.
1 - Converso amenidades com o entrevistado;
2 - faço perguntas óbvias (tipo: "é muita emoção?");
3 - Tento conquistar a "amizade" do entrevistado;
4 - Dou a "facada", ou seja, entro no assunto espinhoso.
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11 de maio de 2006
São dois pesos e duas medidas. Dois estados, dois jornais e dois tipos de jornalistas. Um dia, todos entenderão, ao menos, o sentido básico do jornalismo: os dois lados. Pois em muitos cantos, isso tem que ser rechaçado em função de alinhamento político.
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12 de julho de 2006
Pode ser que eu mude de idéia. Mas, no momento, acho que jornalismo é um mar e nós, repórteres, navegamos nele. Ou melhor, somos levados por ele. Então, como mudar a rota do barco se não sabemos de onde vem a chuva? Como reservar espaço para matérias que nem mesmo sabemos se é notícia?
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8 de agosto de 2006
Alguns esportistas não admitem perguntas estúpidas, principalmente de quem não é da área. Quando o repórter é da área o cara até releva. Porque conhece o repórter. Falo por experiência própria. Já fiz perguntas imbecis, mas tive respostas pelo menos educadas
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18 de outubro de 2006
Tomo os devidos cuidados para não cometer erros absurdos, checo todas as informações vitais de uma matéria e reviso com freqüência meus textos. Mas não me prendo a detalhes. Coisa peculiar aos perfeccionistas. Talvez por isso minhas matérias saem com erros aqui ou acolá. Não é porque eu quero.
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Histórias curiosas
28 de novembro de 2005
Conversamos por 15 minutos. Tirei uma foto ao lado dele. Em seguida, perguntou do Brasiliense. Contei que o time estava mal, mas ganhara do Santos. Quando falaria que o Santos não jogou nada, principalmente Ricardinho, me lembreique tava conversando com ninguém menos que o técnico da Seleção Brasileira. E o técnico da Seleção Brasileira está pensando em levar Ricardinho para a Copa.
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17 de março de 2006
Eu quase caio da cadeira. Não acreditava que o cara fosse me passar tudo de bandeja. Pelas histórias que li, o repórter tem que ter sorte para descobrir os dados da denúncia. Vibrei por dentro. Procurei agir com naturalidade para mostrar que não estava surpreso. E que estava para apurar as denúncias mesmo.
E ele continuou:
- Estou aqui com uma lista de 35 pessoas beneficiadas que são parentes de funcionários da prefeitura.
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23 de março de 2006
De tanto cobrir os treinos do time de vôlei feminino, o camarada passou a sair na night com as jogadoras, e receber ligações a cobrar das atletas. Ao final da temporada, ele traçou duas grandalhonas (no mal sentido mesmo).
Vamos ser companheiros de trabalho, mas daí a virar amante já é exagero...
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3 de abril de 2006
Os filhos dos jornalistas (eram dois repórteres, um homem e uma mulher) começaram a sofrer ameaças, eles passaram a ver a mesma pessoa com cara ameaçadora na portaria do prédio delas, na porta da escola do garoto e coisas do tipo. Teve uma repórter que pediu demissão do jornal por causa disso.
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20 de abril de 2006
Dizem que ele tomou umas e outras num bar perto do jornal. Depois, pegou uma marreta, arrombou a porta e quebrou o parque gráfico. Quando voltou para o bar contou o feito. Alguém perguntou: “quebrasse a redação também?”. Tem sempre alguém que quer a desgraça maior. Não deu outra, Edson Gaudêncio voltou e quebrou a redação.
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21 de junho de 2006
Saí para ganhar a metade. Só pararam de tentar me seduzir quando disse que poderia chegar a ser presidente do BB, mas toda vez que lesse uma notícia no jornal que não fosse eu que tivesse escrito, ficaria triste.
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1º de novembro de 2006
Sarney deixava o povo burro. Sério! Se ele fizesse o povo pensar, perderia votos. Depois, acionava dezenas de rádios, a TV (Globo-MA) e o jornal em prol de sua campanha. Bom, então ele unia a asneira do povo, os veículos de comunicação e seu talento político... e pronto! Estava eleito e elegia quem quisesse.
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20 de novembro de 2006
Você chega na redação e fala: tenho isso, isso, isso e isso. Quero começar meu texto com isso. Achei mais forte e foi o assunto mais polêmico que apurei. Aí vem a resposta: “Bom, mas nós não podemos publicar. Começa mesmo com o assunto tal”.
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Humildes Constatações
13 de janeiro de 2006
Quase todos os jornalistas têm uma assessoria pra complementar o salário. Como gostam de dizer alguns políticos “é uma laminha que a gente paga”. Basta dar uma lida nas colunas políticas que logo se percebe de que lado o colunista está. Por aqui na Paraíba é assim.
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30 de julho de 2006
Minha maior dificuldade é entrevistar crianças. Sinceramente não consigo ser compreendido por elas. Na maioria das vezes o máximo que consigo na primeira resposta é um “é..”. Tento mais uma vez. E tenho um balançado de cabeça como resposta. Tentativas esgotadas.
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13 de agosto de 2006
A crítica, quando bem feita, evita que a outra pessoa te trate com o pior dos sentimentos: a indiferença.
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19 de setembro de 2006
Quando você acorda, toma banho, e pensa que, quando chegar ao trabalho, a primeira coisa que fará é procurá-la. E, partir daquele momento, ela guiará seu dia. Tudo que ela quiser, você fará. Ela é a musa, dona da inspiração, chefe do seu dia (às vezes da noite). Por isso, é fácil amá-la e odiá-la, tudo ao mesmo tempo.
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25 de setembro de 2006
O legal de trabalhar em esportes é que, durante o plantão de final de semana, você vai a lugares que já iria se estivesse de folga. E mais: ainda pode falar com os protagonistas da história.
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29 de setembro de 2006
Talvez não percebamos, mas o que ocorre hoje pode ter um significado definitivo na formação dos nossos filhos e netos. Eles irão aprender na escola quem é o Lula e seus comparsas. Enquanto tudo isso não passa, vamos registrando, apurando,discutindo, criticando, escrevendo.
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12 de novembro de 2006
No jornalismo, você ajuda hoje para ser ajudado amanhã. Esse meio é imprevisível: ninguém é chefe para sempre e ninguém é subordinado para sempre.