23 setembro 2007

Relação vantajosa

Por Léo Alves

Os colegas Pedro e Daniel já trataram do tema em posts anteriores. Mas como o assunto dá “muito pano pra manga” não vou sair da linha da relação (comercial) entre veículo e governo.

O governo é, sem dúvida, um dos maiores anunciantes.

O veículo de comunicação precisa da publicidade do governo para sobreviver.

Reféns das verbas publicitárias, muitos veículos acabam também tornando-se reféns do próprio governo.

Só fazem matérias para agradar o anunciante.

Quando o assunto “bate” no governo é censurado, na maioria das vezes, pelo dono do jornal.

Não deveria ser assim.

Os empresários da comunicação bem que poderiam perceber que o governo precisa de seus veículos para exibir sua propaganda.

Se o governo deixa de anunciar ele perde.

As ações governamentais não são divulgadas.

A publicidade é uma espécie de prestação de contas com a população. O governo precisa dela.

E, mesmo que o veículo seja contra determinada administração, o governo também terá que anunciar nele.

Lógico que esses investimentos serão menores em relação aos veículos aliados.

De certa forma o governo também é refém dos meios de comunicação.

Mas a maioria dos empresários da comunicação não percebe isso. Acha que só o veículo precisa do governo (leiam-se verbas publicitárias).

Ambos são reféns. Um precisa do outro para sobreviver.

Recorro a um termo da biologia para definir a relação entre veículo e governo: mutualismo.

Segundo a ciência mutualismo é a associação entre indivíduos de espécies diferentes na qual ambos se beneficiam. Esse tipo de associação é tão íntima, que a sobrevivência dos seres que a formam torna-se impossível, quando são separados.

20 setembro 2007

Os limites do jornalista

Por Daniel Brito

Diante do chocante caso de tentativa de assassinato ao jornalista Amaury Ribeiro Jr., na noite desta quarta-feira, na Cidade Ocidental, ainda me pergunto até onde um jornalista pode ir?

Para quem não está sabendo da história ainda, Amaury é colega de Correio Braziliense (não me conhece porque eu faço o miolo do jornal, ele apura manchetes de primeira página) e havia mais de um mês percorria as cidades mais perigosas do Entorno relatando os casos de violência dignos da Favela Santa Marta ou Complexo do Alemão, no Rio.

O Entorno tem esse nome porque cerca o Distrito Federal com várias cidades-dormitórios (lá embaixo eu explico isso) pertencentes ao estado de Goiás. Os governos goianos, contudo, não mexem uma palha para mudar a situação de pobreza da região.

A diferença entre o Entorno e o Rio de Janeiro é que lá o crime é "organizado".
Na Cidade Ocidental, aqui no Entorno, é exatamente o contrário.

É uma terra sem lei, com várias gangues inimigas - diferentemente das grandes facções, como ocorre no Rio -, alto consumo e tráfico de drogas. A maioria dos moradores da região é imigrante que trabalha em Brasília, mas volta todos os dias, às 18h para o Entorno, onde o custo de vida é muito mais baixo. A cidade mais próxima do centro do Plano Piloto fica, no mínimo, a 45 quilômetros. Daí o nome de cidade-dormitório. Daí, também, o motivo dos governos goianos não atuarem na região. Muita gente vota no DF, mas mora em Goiás.

Não precisa ir lá para saber que mata-se por um pingo no i.
Rouba-se para sustentar o tráfico e a própria vida.
Vive-se com medo da própria sombra.

Grande repórter investigativo, Amaury reuniu informações suficiente para mergulhar de cabeça na denúncia de que a região está para Brasília como a Baixada Fluminense está para o Rio de Janeiro. O governo federal, após as reportagens do Correio, anunciou um pacote de medidas de segurança com a Força Nacional no meio para diminuir os índices de criminalidade.

A história de Amaury, contudo, não acabava ali. Ele tinha conteúdo para reforçar a tese de que o Entorno está repleto de cães ferais, o que transforma a "nova capital" em uma bomba relógio. A aparente tranqüilidade da cidade planejada está com os dias contados.

O repórter rodou os locais mais perigosos com táticas diferentes para não ser descoberto pelos marginais. Até porque, não há delegacia de polícia na Cidade Ocidental, por exemplo. Até o fim da tarde desta quarta-feira seu plano de apuração dava certo.

Durante uma entrevista em um bar, no final da tarde desta quarta-feira, um adolescente de 16 anos, armado com um 38, disparou três tiros na direção do repórter e fugiu. Até o começo da madrugada de quinta, momento em que publico este post, no calor dos acontecimentos, a informação que me foi repassada é que o garoto foi detido.

O atentado teria sido armado pelos bandidos acusados nas reportagens.
Amaury está consciente e o quadro é estável.
Por um milagre, até onde eu sei, apenas uma bala perfurou seu abdômem, mas não corre o risco de perder a vida.

Sei, também, que Amaury chegou a um ponto em que nem a polícia costuma ir.

Para mim, ficou comprovado que o tamanho da emoção de se fazer o jornalismo investigativo bem feito é proporcional ao risco que se corre.

19 setembro 2007

Jogo de três pontos

Por Daniel Brito

Desde agosto, voltei a trabalhar diariamente com futebol. Minha última experiência diária com o esporte foi em 2002, na TV Borborema.

Futebol é o meu primeiro esporte.

Assisto.
Acompanho.
Mas, incrivelmente, não tenho muita disposição para comentar sobre futebol. Assim como ler notícias de outros times que não sejam aqueles com os quais trabalho todos os dias. Quando cobria Série C, por exemplo, não fazia questão de participar daqueles calorosos bate-papo sobre a situação do Palmeira ou Botafogo.

Por que não costumo comentar muito sobre futebol?

Porque a maioria dos torcedores é burro. Vêem o futebol apenas como uma bola que tem que ser empurrada pelo atacante para o fundo das redes. Eles não entendem o caráter lúdico e até social do esporte. Daí a violência num simples bate-papo sobre o clássico flamengo x vasco.

Se você prestar atenção, todas as discussões sobre futebol rodam em círculos. Ninguém abre mão de sua própria opinião para concordar com o rival e a conversa não termina nem tão cedo.

Por que não leio sobre os outros times?

Porque a notícia de futebol tornou-se repetitiva. Disse em um post anterior que se pegar uma reportagem de tevê sobre o treino de qualquer equipe um mês atrás veremos os fatos idênticos neste momento. Sem contar com as entrevistas manjadas, muito por causa das perguntas mais do que batidas dos repórteres.

Por ter sido um torcedor em algum momento da vida, o repórter de esporte cai no erro de repetir as histórias.

As mais mais dos jornalistas preguiçosos são:

- Quando um jogador dá a volta ao mundo, defende oito clubes em quatro anos e retorna ao time de origem, o título da matéria é "Velhos conhecidos". Serve para quando o treinador do time A enfrenta o time B, que ele mesmo comandava até a rodada passada.

- Antes de um clássico, o time A é líder do campeonato e o time B é o lanterna. Quando eles vão se enfrentar, o título da matéria é "Duelo de opostos".

- Um jogador especial do time X ou o treinador muda de idade no dia do jogo contra o time Y, o texto tem que conter a informação que "tal jogador quer fazer o gol da vitória para dar de presente de aniversário aa torcida"!

O jornal O Globo tem tentado mudar essa história. Às vezes, eles pecam pelo excesso de vontade de fazer diferente, mas tem fugido muito do que foi noticiado exatamente do mesmo jeito nos últimos dez, 15 anos.

Para fugir do óbvio, a Folha de S. Paulo, usa e abusa das estatísticas. Cruzamento de informações para chegar a uma história diferente. Ao ponto de, na véspera da decisão entre Brasil x Alemanha, há cinco anos, dar destaque aa seguinte matéria:

"Estatística aponta uma Seleção Brasileira fracassada com três zagueiros".

Ou seja, porque a Seleção perdeu mais jogos com três zagueiros, significa dizer que pode perder a copa para a Alemanha. Isso foi em 2002, na Copa do Japão.

De volta ao noticiário futebolístico desde mês passado, tenho me esforçado para fazer diferente.
Agora eu sei que na prática, a teoria é outra...

12 setembro 2007

A realidade do jornalismo no Nordeste

Pedro Henrique Freire

Reflexões sobre a capa*

As últimas capas do jornal foram extremamente chapas-brancas. A edição dessa página está fraca e as chamadas pouco atraentes. É preciso descolar a imagem deste veículo com a do governo do estado e prefeitura. Mas parece que trabalhamos para promovê-los.

Exemplo:
A entrevista com Julião Amim (presidente regional do PDT no MA) tratava de um possível racha no partido. A matéria sobre ele vinha com essa tônica. Ele negava o racha e disse que procuraria a unidade. A melhor manchete seria: “Amim nega racha entre prefeito e governador”. Mas colocaram a manchete da pior forma possível. Não lembro os termos exatos. Mas saiu alguma coisa assim: “Julião Amim afirma que PDT sairá unido nas eleições de 2008”.

Esse não era o tom da matéria. Está eleitoreiro e parece um aviso aos adversários do governador. Além disso, ele falou em unidade em alguns momentos, mas apenas como retórica política. Nós sabemos que a unidade como ele quer será difícil. Com a manchete dessa forma, tiramos toda a malícia que um jornal precisa ter para ser respeitado. Está, simplesmente, oficial demais.

Exemplo 2:
Outro exemplo, também recente, de manchete chapa-branca foi a sobre os cadeiões. “Jackson busca entendimento com a população”. Quem lê isso com um pouco mais de crítica, imagina que o próprio governador escreveu e mandou por e-mail para o editor de capa.

A capa é o local mais nobre do jornal. Merece muita atenção. Dentro do jornal, podemos até pecar por excesso de parcialidade – já que não tem outro jeito. Mas na capa, não. É preciso resistir às pressões das assessorias e construir uma imagem mais imparcial. É uma questão vital. Se hoje somos desrespeitados por algum membro do governo, é porque não soubemos resistir às pressões e acabamos cedendo demais. Estamos fracos.

Sugiro, então, algumas mudanças básicas:

1 – Deixarmos de usar o nome Jackson Lago como sujeito da ação. Ou seja, em vez de chamarmos “Jackson inaugura escolas”, colocaremos: “Governo entrega tantas escolas”. O mesmo vale para a prefeitura.

2 – Evitarmos fotos do governador todos os dias na capa. Como as fotos são publicadas sem crivo ou interesse jornalísticos, podemos estabelecer um teto: fotos do governador apenas duas vezes na semana. Do prefeito, só quando o assunto for muito relevante.

3 – As manchetes devem evitar o tom oficial. É preciso isenção, clareza e objetividade. Vamos ser imparciais ao menos na capa.

4 – É comum o governador aparecer em duas e até três chamadas na capa. Podemos evitar esses excessos. Só uma chamada para ação do governo basta.

Com essas pequenas mudanças, acho que podemos livrar o jornal – ao menos um pouco – da pecha de oficial. Afirmo que, hoje, não é preciso ler com profundidade este veículo para saber como ele se comporta em relação ao governo.

No Maranhão, há uma tradição ao avesso de outros estados e da grande imprensa. Ai, apoio jornalístico se dá com elogios. É errado. Os governos devem anunciar para não serem criticados e não para serem elogiados. Não defendo uma postura extremamente imparcial, até porque não se pode fazer isso no universo em que vivemos. Defendo apenas que façamos um jornalismo menos oficial e justo com o leitor.

* Sugestões enviadas ao diretor de redação.

05 setembro 2007

Manchetes atropeladas

Por Daniel Brito

A ordem nas redações é:

"Vamos atrás do furo"

Isso não é de hoje, óbvio. Mas, acredite, a cada dia, mais pessoas querem contribuir para o bom jornalismo. Aquele que investiga profundamente e publica com um texto impecável; que denuncia e pode até derrubar assesores, ministros, senadores, governos inteiros.

O problema é que o Brasil sofre de hemorragia generalizada, na minha modesta, opaca e pálida opinião. Qualquer lugar deste país é possível encontrar uma caveira escondida. Até, quem sabe, no seu armário (opa!).

Na ânsia de dar furos e mais furos, acontecem muitos erros e injustiças, não tenha dúvida, mas eu comento sobre isso em outro post. Agora, quero mostrar o que eu escrevi no título. O atropelamento indiscriminado de manchetes dos jornais. Pelos dois motivos citados no primeiro parágrafo: gargantas profundas (informantes interessados em denunciar) e a necessidade de acusar irregularidades.

Vamos aos exemplos?
Então tá.
Em abril, os jornais estamparam o caso de um ministro do STJ envolvido na Operação Furacão, da PF. Ele foi acusado pela polícia de dar sentenças favoráveis a bingueiros, para beneficiar o irmaõ, que tava diretamente ligado aos donos de bingo. Em maio, explodiu a Operação Navalha, de Zuleido Veras e a Gautama. Em seguida, surgiu o escândalo de Renan Calheiros. No meio dessas confusões, apareceu a denúncia contra o ex-governador do DF, até então senador, que teria recebido milhões de um empresário local, não se sabe porquê, mas diretores do banco do DF estavam no meio dessa divisão de dinheiro aí. Agora começou o julgamento do Mensalão, de 2005, que andava meio esquecido.

Agora, eu pergunto:

o que você se lembra do caso dos bingueiros?
E da Gautama?
A cada bomba que estoura na Esplanada dos Ministérios, Praça dos Três Poderes e adjancências, a bomba anterior perde a força e cai no esquecimento.
Só o caso Renan resiste.
E ele ainda insiste... À espera de uma outra bomba, para que esqueçam da dele!

02 setembro 2007

Jornal relatorial

Por Daniel Brito

Aquele jornal que só traz notícias oficias, muitas vezes com releases reescritos ou copiados ipsis litteris, é o que a gente chama de jornal relatorial.

Aliás, não é só jornal impresso, não. A TV tem feito muito isso. O rádio além de ser relatorial, perdeu sua essência ao deixar de investir em repórteres e passou a ler notícias da internet.

Já disse em um post mais antigo que o departamento de jornalismo das emissoras de TV locais (seja em Brasília, na Paraíba, em Cocal de Telha no Piauí, em Massachusets), já não apura matéria. Pode fazê-la uma vez ou outra, claro, mas os repórteres de TV estão quase que copiando o que é publicado nos jornais.

Foi mais ou menos isso foi o que Da Silva escreveu recentemente.

Peguemos como exemplo, pois, o telejornal de maior audiência do DF. A cada dez matérias exibidas, oito são sobre governo. Crítica ou elogio. Mas são sobre o governo. As outras duas são agenda cultural e meteorologia. Aliás, acho até que previsão do tempo entra como relatório, não é não?

O pior é que os telejornais wannabe das outras emissoras fazem o mesmo na ilusão de ter a audiência idêntica.

No jornalismo esportivo na TV, para ir um pouquinho mais longe. Existe coisa mais repetitiva de se ver do que "Fulano, suspenso, sai para entrada de Sicrano na lateral". Se pegarmos no arquivo do ano passado, vamos encontrar matéria idêntica, mas com nomes diferentes. Isso também é um jornalismo relatorial.

É muito fácil e muito chato fazer jornalismo assim.

Difícil mesmo é colocar opinião no conteúdo.

Sim, porque com a proximidade assustadora dos empresários do setor com políticos e seus partidos, a opinião tende a sair distorcido. As coisas não funcionam como o slogan do Le Monde:

"Sem a liberdade da crítica não existe elogio sincero". Aliás, alguém já me falou - e o Google confirmou - que esta frase é de um camarada chamado Pierre Beaumarchais, autor de teatro do século XVIII.

Do jeito que as coisas se encaminham na nossa área, é capaz de entrarmos na era do jornalismo e da opinião relatorial. Onde toda a verdade vem do governo e só do governo.

PS - Tem um blog novo no ar. É o muitodenada.blogspot.com. Não é sobre jornalismo, como este almeja ser. Tem tudo sobre nada. E ponto final...

25 agosto 2007

Renan ama, e odeia, a mídia*

Pedro Henrique Freire

Além de se apegar ao cargo que ocupa, o senador Renan Calheiros, presidente do Senado, agarrou com unhas e dentes uma velha máxima que ronda as terras por onde cresceu e foi eleito, Alagoas: “o sertanejo é acima de tudo um forte”. Há mais de dois meses sendo bombardeado pela imprensa e tendo sua vida pessoal e política devassada pela justiça, polícia e, claro, pela mídia, ele ainda resiste. Sobe ao plenário e tenta transferir aos pares a idéia de solidez, tranquilidade e força.

O Conselho de Ética da Casa recebeu há pouco mais de uma semana a terceira representação contra o senador. Abriu-se, então, o terceiro processo. Jamais um presidente do Senado respondeu a tantos deles e, ainda assim, continuou no posto por tanto tempo. Dessa vez, vão querer saber se Renan comprou rádios e jornal usando laranjas.

Parte daí, então, a seguinte leitura: o presidente do Senado não abre mão do cargo, mas será morto politicamente por culpa dele e por insistência da mídia. Explico. O primeiro processo que Renan responde é por ter, supostamente, pago pensão à filha que tem com a jornalista Mônica Veloso (olha a mídia ai!) com o dinheiro de um lobista muito chegado. O segundo é por ter, também supostamente, ajudado a cervejaria Schincariol a se livrar de dívidas milionárias. E o terceiro pela compra de jornais (de novo a mídia ai!).

Soma-se a isso o fato de que os três processos foram abertos com base em reportagens da revista Veja (mídia de novo!). Conclui-se, caro leitor, que Renan Calheiros corre o risco de perder o mandato por amar e odiar demais ela, a mídia.

A afeição era antes. Mas, agora, o processo se inverteu. A estratégia sentimental do senador permear o ódio. E ele tem motivos para se voltar contra os orgãos de imprensa. A mãe de sua filha, uma jornalista, denunciou e começou a desmontá-lo politicamente. Uma das revistas de maior circulação do país não larga do seu pé e colabora fortemente para arrebentar sua carreira. E, para completar, os veículos de comunicação que estão em nome do seu filho mais velho são objeto da investigação que pode derrubá-lo.

Renan já começou a transformar ressentimento em resultado prático. Avisou que vai processar a Veja e denunciá-la por fazer, supostamente, negócios ilícitos na compra de um canal de TV. Disse isso nos três discursos que fez atacando a linha editorial da revista. Mas quando desce da tribuna e avança pelo salão azul do Senado, o presidente abre o sorriso, bate a mão para jornalístas, pára e começa a responder seus questionamentos. Uma relação de amor e ódio, ou pura necessidade.

Hoje, a estratégia que ele julga correta para escalar o poço de lama ao qual mergulhou após a primeira denúncia vir à tona, é preservar o espírito sertanejo para manter-se como presidente. Mas, ao não querer largar o osso, dá um péssimo exemplo: a clara e irracional demonstração de apego ao poder. Isso irrita seus colegas, paralisa os trabalhos no plenário, oriça a mídia, sempre ávida por notícias, e faz Renan se afundar ainda mais. Ele está com o olhar turvado pelo ódio e pelo espírito sertanejo, que não lhe deixa abandonar a batalha, mas permite feridas incicatrizáveis. Só pode ser isso.

*Artigo publicado no jornla O IMPARCIAL (MA)

18 agosto 2007

Operários da Notícia

Por Léo Alves

Há quase quatro anos divido com os alunos da Universidade Estadual da Paraíba a minha (pequena) experiência no jornalismo. Nas aulas, procuro sempre trazer um pouco da rotina de um jornalista.

Conto histórias, escuto as curiosidades dos alunos, mas também observo o comportamento deles.
Confesso que durante esse tempo percebi que parte dos alunos está no jornalismo porque se trata, na visão deles, de uma profissão cheia de privilégios. Pensam apenas no reconhecimento que a profissão pode lhes proporcionar.

Esquecem do ônus.

Para alguns, a notícia é construída sem esforço, sem apuração. Ainda na faculdade se mostram jornalistas preguiçosos em pontecial. Não foi apenas uma aluna que me entregou reportagens copiadas da internet.

Descobri com a ajuda do Google.
Nesse caso a nota não passa de zero.

A maioria aprende a lição.
Pelo menos comigo nunca mais repete o erro.

Mas a preguiça -- iniciada na faculdade -- acaba acompanhando aqueles que decidem se tornar repórter depois de formado.

Aqui em Campina Grande, por exemplo, tenho observado que alguns repórteres dessa safra mais recente não gostam de apurar e, acredite, de escrever.

Preferem se deleitar com os falsos privilégios da profissão. Comento muito com meu editor que hoje em dia faltam operários da notícia. Faltam repórteres que, com apenas uma linha de pauta, consiga trazer para a redação uma excelente matéria.

Os novatos querem tudo mastigado. Uma pauta com as informações para ele apenas organizar o texto (quando muito). Para os preguiçosos “perder tempo apurando uma notícia dá muito trabalho”. Eles esquecem que uma boa matéria só vem com muita apuração.

Porém estão mais preocupados em exibir o crachá de jornalista como fazia aquele personagem de Chico Anísio, o Bozó.

É a vaidade que toma conta de alguns profissionais.

Um trecho do livro “O Reino e o Poder” de Gay Talese explica um pouco o motivo de tantos jornalistas serem picados pela mosca da vaidade:

“O jornalista é um aliado importante da ambição, é o acendedor de estrelas. É convidado para festas, cortejado e cumprimentado, tem acesso a telefones que não constam da lista e a muitos estilos de vida. Pode mandar para os Estados Unidos uma matéria provocativa sobre a pobreza na África, sobre distúrbios e ameaças tribais, e depois dar um mergulho na piscina do embaixador. Às vezes, o jornalista pode supor erroneamente que é seu charme, e não a sua utilidade, que lhe rende esses privilégios; mas, em sua maioria, são homens realistas que não se deixam enganar pelo jogo. Eles usam tanto quando são usados”.

Para nosso consolo, ainda existem aqueles que não se deixam enganar pelo jogo.
Para nosso consolo, ainda existem aqueles que passam horas, dias, semanas, apurando, checando, escrevendo.
Tudo para levar ao leitor uma notícia de qualidade.

Para nosso consolo, ainda existem aqueles que encaram o jornalismo como uma profissão.

Esses são os operários da notícia. Que, para nosso consolo, nunca vão deixar de existir.

12 agosto 2007

"...João olhou para as bandeirinhas..."

Por Daniel Brito

Desde que me mandaram o link no You Tube do 'clipe' de Faroeste Caboclo (http://www.youtube.com/watch?v=RLG1qUaOi08&mode=related&search=), alguns trechos da música de Legião Urbana ficaram grudados na minha mente.

Certo dia, em pleno Jogos Pan-Americanos, cantarolava pela Linha Amarela:

"..Sentindo o sangue na garganta João olhou para as bandeirinhas e pro povo a aplaudir. Olhou para o sorveteiro, para as câmeras e para a gente da tevê que filmava tudo ali...".

Não sou daquele tipo de gente que fica cantando enquanto trabalha, mas exatamente este trecho me veio à mente em um dia na competição de judô. O brasileiro que disputava a final chamava-se João Gabriel.

Após o empate com o cubano nos cinco minutos iniciais, eles foram para o golden score, ou seja, quem aplicasse o primeiro golpe corretamente em mais cinco minutos seria declarado o vencedor. Se a igualdade persistisse, a decisão seria dos juízes, um de pé e dois nas cadeiras. Há um nome técnico para este momento na modalidade, mas eu admito, não sei.

Anyway, o tal do joão judoca empatou com o cubano no tempo normal e na 'morte súbita'. os juízes decidiriam o medalhista de ouro levantando a bandeirinha da cor do kimono. O central levantou a bandeira branca, de João, e os de cadeira, atrás dos dois lutadores, levantaram a azul, do cubano.

Por engano, o árbitro central apontou para o brasileiro como vencedor, mas, diante do silêncio do ginásio, da cara de incredulidade do cubano e do brasileiro, olhou para seus auxiliares e reconheceu o erro. Colocou o braço direito, que indicava vitória de João, junto ao corpo e, com o esquerdo apontou o verdadeiro vencedor.

Foi uma cena típica de comédia pastelão. O árbitro, como já era de se esperar, foi vaiado.

Na hora de escrever a matéria, queria muito fugir do lead tradicional. "O brasileiro João Gabriel perdeu a medalha de ouro, ontem, porque o árbitro bla-bla-bla". Na hora de sentar na cadeira e escrever a matéria, todos os meus dois neurônios repetiam a frase:

"...João olhou para as bandeirinhas e para o povo a aplaudir..."

Perdi mais de 45 minutos sentado, em frente ao laptop, com meu deadline me esfolando, tentando agradar meus neurônios. Queria fazer a matéria parafraseando Renato Russo. Era uma situação muito parecida.

Tive dificuldades na hora de substituir apenas os dois trechos:

- o sangue na garganta
- o povo a aplaudir

João judoca não estava sangrando. O povo não estava aplaudindo, e sim, sem entender a decisão do árbitro.

Escrevia uma linha.

Apagava.

Dava CTRL+z no teclado.

Tentava readaptar.

Mas apagava.

Como se diz na minha pequenina, porém heróica, terra natal, foi um vai-e-vem danado no texto.

Sem resultado.

Optei pelo lead feijão-com-arroz.

Fim de papo.

06 agosto 2007

O momento em que bate o cansaço

Por Daniel Brito

O ritual se repetiu em 20 das 25 noites que ficamos no Rio de Janeiro:

um caldo de feijão, uma carne com batatas, um suco de laranja, e, por fim, um chopp.

Ao lado dos repórteres Ivan Drummond, Eneila Reis e do fotógrafo Emmanuel Pinheiro, eu jantava em um restaurante na esquina do hotel em Copacabana para finalizar mais um dia de cobertura dos Jogos Pan-Americanos para o Correio Braziliense e Estado de Minas.

O jantar era sempre depois das 22h30, horário em que todas as matérias já haviam sido lidas e colocadas nas páginas pelo diagramador em Brasília e Belo Horizonte. Ele (o jantar) decretava o fim do expediente, que mais parecia uma semana, de tantos acontecimentos, entrevistas e textos feitos nas últimas 12 ou 14 horas de trabalho.

Um dia de cobertura do Pan era uma das coisas mais desgastantes que já passei na vida. Imagino que em outros eventos como Copa do Mundo, Olimpíada, até uma CPI mesmo, seja tão ou mais cansativo.

Pois bem.

Depois daquele chopp diário (ou noturno), me batia um sono incontrolável. Uma coisa de pagar a conta na mesma hora e seguir para o hotel com os olhos semi-cerrados, evitando conversar para não parecer um sonâmbulo.

Todos-os-dias-foram-assim.

O chopp, uma caneca só, parecia uma dose de Boa Noite Cinderela.

Na manhã seguinte, ficava repensando tudo que fiz no dia anterior. Tentava lembrar o exato momento em que o cansaço me apanhava de tal maneira para me nocautear com tanta facilidade após um humilde choppinho???

Não era a viagem de uma hora de ônibus oficial do Pan até Jacarepaguá;
Não era a conversa com meu editor pela manhã para saber o que eu deveria cobrir a cada dia; Não era o trânsito no Rio de Janeiro;
Não eram os jogos e apresentações; não era o calor da zona mista, onde os jornalistas se acotovelam para entrevistar os atletas antes da coletiva;
Não era o momento em que tinha que escrever a matéria....opa...peraí.

Era isso.

Era o texto.

É o texto.

Tudo que se apure nas coletivas de imprensa, nas espremidas entrevistas na zona mista está, antes mesmo de sua matéria chegar na caixa de email da redação, em T-O-D-O-S os sites de esporte do país.

Então, por que, ora bolas, o jornal investe uma grana alta para me trazer para cá, para o Rio de Janeiro, se tudo que eu apurar estará mais rápido na redação do que o meu próprio texto?

Simples.

Porque o jornal quer um texto diferente, quer detalhes que a rapidez do jornalismo na internet não capta. O jornal aposta que você pode conseguir informações que nenhum outro jornalista conseguiu.

Pensando nisso, passei a prestar atenção nos detalhes. No comportamento da jogador na hora de falar com o treinador, na reação da torcida a cada erro, na maneira como fulaninha olha para o nada quando fala com os jornalistas.

É uma coisa meio de psciologa comportamental.

Ao final do jogo, da zona mista, da coletiva, eu tinha reunido tantas informações que precisava reler as 10, 15 páginas do meu bloquinho para selecionar as principais. Era nesse exato momento em que meu cérebro atingia o ápice do esforço. Ele chegava a mil rotações por minuto com a obrigação de fazer a diferença.

Daí eu me lembrava dos livros que li recentemente, para tirar exemplos legais de narrativas interessantes. Puxava pela memória roteiros de filmes instigantes, até letra do Legião Urbana eu tentei implementar no meu texto mas faltavam algumas rotações no meu cérebro para atingir o nível de adaptar uma história de Renato Russo aa vida real e ao meu texto, claro (depois conto essa história).

Quando terminava de escrever, estava esbaforido. Parecia que tinha corrido atrás de Franck Caldeira pelos 42km da maratona e depois, nadado 10km na maratona aquática com Poliana Okimoto.

Não sei se consegui fazer diferente dos demais jornais, só sei que quero recuperar a disposição para tomar mais de um chopp por noite sem capotar de sono.

24 julho 2007

Beleza Panamericana

Pedro Henrique Freire

Com certeza o nosso amigo Daniel Brito pode falar melhor, com mais verdade e voracidade. Afinal, ele está cobrindo o Pan do Rio e já viu muita coisa por lá. Coisas que poucos brasileiros puderam ver. Não porque ocorreram dentro de quartos ou nos banheiros da Vila (isso também, mas não vem ao caso), mas pelo fato das TVs não mostrarem nada além da beleza panamericana.

Minha crítica começa com o estilo americanizado e parcial de se passar a informação. Pelos canais de TV, aberta, principalmente, tudo virou fantasia. Parece cinema de Hollywood. Basta algum brasileiro perder que a transmissão ganha ares de enterro. Se ganham, gritos, elogios e perguntas bobas (como você se sentiu na hora? Achou que tinha ganho o ouro? Está cansado?). Como diz um amigo, que explorou o assunto em seu blog (www.perceptivo.blogspot.com) – texto no qual me inspirei para este post – "para tudo se tem uma desculpa. Se perde no atletismo, foi o calor; no futebol, zebra".

Os repórteres/estrelas da Globo sofrem de um excesso de empolgação que acaba lhes empurrando para um poço de frustração. Eles, por exemplo, acabaram fazendo do jovem Thiago Pereira um fenômeno quase sem precedentes. Fenômeno brasileiro ele pode até ser. Mas é preciso pé no chão. Isso é Pan e não Olimpíadas. A cada melhada que o rapaz faturava, os próprios repórteres sonhavam com os jogos olímpicos. Agora, Thiago sentirá o peso da responsabilidade e a pressão que é chegar em Pequim como promessa de medalha. Será cobrado pelo povo brasileiro e escurraçado por ele, por culpa do sensacionalismo da TV.

Quero usar também comentários de Juca Kfouri. Ele também fez críticas a esse tipo de postura jornalística. "Thiago é um nadador extraordinário. Mas esqueceram de dizer que os melhores dos Estados Unidos e do Canadá não estão aqui". Juca aposta que o rapaz vai faturar um quarto lugar na próxima olimpíada. E ponto.

Por isso, aconselho, humildemente, que quem quiser saber do Pan, que leia os jornais. Sobretudo os dedicados ao esporte de fato. Eles trazem notícias da Vila e mostram o que realmente acontece por lá. Claro que existem exceções. Existem jornais que fazem uma cobertura medíocre. Mas outros exploram assuntos que só se pode ler nos periódicos. Na internet também.


Pois bem. É isso. Não vou me alongar. DB chega do Pan esses dias e já clamo por uma história sua. Se for possível, umas três. Afinal, nesse período no maior evento esportivo das américas, o que não devem faltar são idéias para posts.

06 julho 2007

Os tijolos mais valiosos

Por Daniel Brito

Até meu último dia como jornalista nesta vida pretendo me lembrar -- e repassar -- um diálogo que ouvi há 11 anos.

Deixe-me explicar a situação para citar a frase.

Em 1996, aos 15 anos, comecei a trabalhar como repórter esportivo de uma emissora de rádio de João Pessoa. A convite do saudoso amigo Werton Soares, arrumei as malas para fazer a cobertura dos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs), em Belo Horizonte. Antes, contudo, precisávamos arrumar patrocínio.

Um dos caras com quem conversamos havia trabalhado com meu pai duas décadas antes e se surpreendeu ao me ver cheio de espinhas pedindo patrocínio para a cobertura. Ele não nos apoiou financeiramente, mas disse o seguinte:

- Você já cursou jornalismo?
- Não!
- Como você já trabalha?
- Errr...eu tenho o registro de radialista. Fiz o curso técnico.
- Hum... tudo bem. Mas, olha, o que você vai aprender nesta viagem, nenhuma sala de aula da faculdade vai te ensinar.

Fazer uma cobertura jornalística fora de seu habitat natural, é sempre um aprendizado maior que o habitual. Ou, como diz um amigo: é um tijolo a mais.

O JUBs em BH foi o primeiro tijolo. Mais para alicerce mesmo do que tijolo na minha personalidade profissional. Tijolo adquirido e não atirado pelos críticos de plantão.

Nos anos seguintes fui a dezenas de cidades no país e somei mais conhecimentos.

Em Franca e Ribeirão Preto, meu último destino jornalístico, há uma semana, tinha tudo para ser mais uma cobertura tranqüila, porque já conhecia a área. Os problemas de horário, dificuldade em acessar aa internet e o ambiente hostil do público, me renderam preciosos tijolos aa minha maneira de trabalhar.

Eles serão muito importantes no desafio que colocaram na minha frente neste ano. Neste domingo, dia 8, embarco para o Rio de Janeiro para os Jogos Pan-Americanos pelo Correio Braziliense.

Sei que o que acumulei até hoje não serão suficientes para cobrir o evento como imagino. Mas vou conquistar os tijolos mais valiosos da minha carreira.

Esses, serão utilizados em desafios maiores, a cada ano...

20 junho 2007

Repórter e/ou representante

Pedro Henrique Freire

Há duas semanas mudei de emprego. Virei correspondente de um jornal do nordeste em Brasília. Antes, trabalhava no portal de notícias do Correio Braziliense, o CorreioWeb. Mas meus olhinhos cresceram quando vislumbrei a oportunidade de cobrir Congresso Nacional, Esplanada dos Ministérios e Justiça. Tudo em âmbito nacional. O salário? Menor. Mas acho que vou aprender mais e não pensei duas vezes, fui!

Pois bem. Nos primeiros dias de "correspondência" levei o primeiro baque. Tive que me adaptar à realidade jornalística do Maranhão, pois presto serviço para o jornal O Imparcial, daquele estado. O primeiro passo foi convencer editores e o dono do jornal que a cobertura feita na capital da república se concentra na bancada de deputados deferais maranhenses, mas deve ser democrática e os interesses do governo do estado não devem influir nela.

Essa tarefa não foi tão difícil. Consegui. Me liberam para fazer a matéria que eu quisesse e ter como fonte quem eu quisesse, independente de partidos e apoios políticos. Gostei e entrei em campo. Mas, de cara, percebi que minhas potenciais fontes olham pro jornal como um adversário, algo a quem eles não devem informações e que só lhes tratam mal.

Antes de começar o trabalho jornalístico, então, encampei uma função diplomática. Me apresentava e dizia: "Deputado, sou o Pedro, correspondente de O Imparcial em Brasília. Agora vamos cobrir os trabalhos da bancada do estado". Os que simpatizam com o jornal abriam os braços, me trataram bem, disseram que dariam exclusivas e tal. Mas aquele que, erroneamente, o jornal achou, por razões partidárias, não lhes dá espaço, soltavam as piadinhas.

O primeiro falou pra assessora, quando ela disse que eu queria entrevistá-lo pra alguma coisa: "Olha, tu tens que entender que O Imparcial não dá espaço pra gente", comentou. O outro: "Vocês são oposição, né?". Ai, entro em campo. "Olha deputado, não é assim. Aqui, pretendo fazer uma cobertura equilibrada, sem entrar na pendenga política existente no Maranhão. E gostaria de um voto de confiança pra poder realizar meu trabalho dessa forma", dizia.

A partir disso, a coisa melhorou. Mas pode melhorar ainda mais. Porém, isso só o trabalho jornalístico dirá. O tempo também. Por enquanto, sigo correspondendo o jornal e tentando representar uma linha editorial isenta, coisa quase inédita pras bandas daquele saudoso nordeste, embora o jornal tenha um nome que aparente isso. Como diz meu amigo DB nas nossas proveitosas e marcantes divagações sobre jornalismo: "Você, além de repórter, é o único representante do jornal aqui". É isso mesmo, amigo.

13 junho 2007

Tirei meu celular do cartãozinho

Por Daniel Brito

Um amigo intolerante sempre me disse que o bom cartão de apresentação, aquele que a gente distribui quando conhece uma nova fonte, não deve conter o número de seu celular. Ele é o mais fervoroso adepto da velha máxima:

Amigos amigos, negócios à parte.

Nos primeiros anos de redação, relutei em aceitar a opinião. Se o cara está disposto a passar informações, que ligue no meu celular. Porém, para uma pessoa com tantas horas de vôo no jornalismo como eu, minhas fontes não passam de duas pessoas e o meu celular no cartãozinho de apresentação me rendeu seguidos constrangimentos.

Nosso eterno-futuro-colaborador Mário Ignácio Coelho levantou a bola em um post recente e aqui conto minha história. As pessoas, no meu caso, atletas ou assessores deles, ligavam para meu celular para pedir matéria. Tipo: 'me dá um espaço no jornal'.

Disse não várias vezes, mas em outras concordei em fazer matéria (não sem antes combinar com meu editor). Quando essa pessoa pede um espaço, ela quer dizer elogio.

Rasgado.

Gratuito.

De página inteira, de preferência.

Acontece que nem tudo são flores e volta e meia saem informações que os personagens omitiram e eu pesquisei na internet. A "realidade maravilhosa e campeã" que ele me pediu espaço é uma meia verdade e, por obrigação, coloco isso no texto.

Do mesmo jeito que esse atleta e/ou assessor me ligou para pedir espaço, ele retorna no dia seguinte para reclamar de determinados trechos. Isso não aconteceu dois ou três vezes comigo. Foram 15, 20, 30 vezes nos últimos três anos. O pior: as ligações sempre foram nas primeiras horas da manhã, tipo 8h30.

Onde já se viu jornalista acordar cedo em Brasília?

Não entendem que se for para falar bem deles, da maneira que desejam, que contrate uma agência de publicidade.

Quando troquei número do celular, há um ano, pedi uma nova remessa de cartõezinhos de apresentação e segui o conselho daquele amigo: tirei o número e só deixei os telefones da redação.

Ontem, por exemplo, fui chamado para fazer uma entrevista exclusiva sobre os novos projetos esportivos de uma grande empresa sediada em Brasília. Eles, executivos de marketing, me apresentaram as idéias como se fossem as maiores e melhores novidades para a determinada modalidade.

Observei, contudo, que as ações excluíam Brasília do projeto marqueteiro da empresa e inclinei minha matéria, pulicada nesta quarta-feira no Correio Braziliense, pelo 'prejuízo' que a cidade sofrerá pela redução do investimento.

Se tivesse deixado um cartãozinho com meu celular aos executivos, certamente teria recebido ligações nesta manhã sobre a abordagem da minha matéria. Eles me deram exclusividade e eu não elogiei o tanto que eles esperavam.

Se eles realmente acharam ruim o foco do texto, poderiam ter ligado para o telefone da redação que consta no nova versão do meu cartãozinho de apresentação. Se tentaram pela manhã, acho improvável que tenham conseguido falar com alguém.

05 junho 2007

Escrever é um exercício

Por Léo Alves

Ninguém esquece depois que aprende a andar de bicicleta. É verdade que sente a falta de prática quando se passa muito tempo sem andar em duas rodas. Agora desaprender, ninguém desaprende.

Acredito que escrever seja do mesmo jeito. Aprende-se e a evolução vem com a prática diária. Mas basta um tempo afastado para perceber que você está enferrujado.

Lembro que quando voltei ao jornalismo impresso, depois de um ano afastado, sentia enorme dificuldade de escrever. Passava horas e horas na frente do computador sem conseguir fazer a reportagem. Mesmo com todas as informações na mão.

Desde que deixei de ser repórter e virei produtor de tevê há quase um ano não tenho escrito com freqüência.

Vez ou outra é que saio para fazer uma matéria. Minhas escritas têm se resumido ao Filhos da Pauta. Admito até que tenho atualizado muito pouco o blog. Daniel e Pedro são os resposáveis pela maioria dos posts.

Ainda escrevo uma coluna para um site de esportes e para uma revista independente (sem periodicidade definida). No meu blog esportivo escrevo tópicos de cinco ou seis linhas.

É muito pouco para quem escrevia pelo menos uma coluna e uma reportagem por dia no jornal e duas reportagens para televisão.

Sábado passado tinha uma matéria para a tevê com o volante Denílson do Arsenal, da Inglaterra, que passava férias na casa de familiares em Alagoa Nova, uma pequena cidade do interior da Paraíba.

Um fato que pouca gente sabia.

A pauta interessou ao Correio. DB me pediu para fazer uma versão para o jornal brasiliense.

Passei a tarde em Alagoa Nova driblando políticos que assediavam Denílson. Peguei as informações, tirei fotos e fiz uma entrevista para a tevê.

Tudo que precisava estava comigo. Tinha todas as informações. Era só escrever. Eis o problema. Senti a falta de prática. Tive dificuldades para começar a escrever o texto, para organizar as idéias.

Apesar das dificuldades o texto saiu. Não sei quando (e se vai) o Correio vai publicar a matéria.

Como em qualquer atividade escrever também necessita de prática.

Quanto mais se escreve mais o texto evolui. É claro que essa evolução vem acompanhada de muita leitura.

Aliar a leitura e a escrita freqüente é fundamental para se ter um bom texto.

29 maio 2007

Você bloga? Cuidado, tem mais chances de perder seu emprego*

O instituto britânico de pesquisas YouGov aponta que os autores de blogs que postam com freqüência correm maior risco de perder o emprego.

É que a prática de escrever os diários pessoais envolvem textos com informações confidenciais, críticas ao trabalho ou a chefes e outros temas que podem ser considerados conduta imprópria no ambiente profissional.

Há ainda, segundo a companhia, a visão de que o blogueiro usa parte de sua jornada de trabalho para escrever posts em seu blog pessoal.

A pesquisa, que avaliou dois mil blogs, concluiu que 39% deles continham informações que poderiam por em risco o emprego do blogueiro.

* Este post foi retirado do blog gjol.blogspot.com/ e publicado por Daniel Brito no computador da empresa em que trabalha.

25 maio 2007

Pense nisso

Por Pedro Henrique Freire

Não acredito que jornalista de redação possa tratar um colega mal, criticá-lo na sua presença ou ausência, ou diminuí-lo perante outros. Eticamente, na nossa profissão, isso é crime. Agora, imagina só um assessor de imprensa fazer tudo que citei acima. Como se não bastasse, esse assessor trabalha para um deputado que está atolado em denúncias de corrupção e, fatalmente, responderá um processo por quebra de decoro parlamentar dentro da casa legislativa que atua.

Pois é, conheço um assessor assim. Trata mal os jornalistas, os chama de incompetentes e vive apontando erros... quase sempre infundados.

Tudo bem que essa função requer um acompanhamento do que sai na imprensa e, sempre que necessário, um pedido de retificação de uma coisa ou outra. Afinal, erros acontecem. Acho que todo jornalista que se preze já errou alguma vez.

O problema é quando um assessor – que, enfatizo, só existe porque existem jornalistas de redação e jornais – quer ser mais realista que o rei e só reclama, critica e diz que tudo está errado.

Dia desses ocorreu um episódio extremamente constrangedor comigo. Procurei uma informação com um desses profissionais. Além de me ironizar, dizer que eu errei ao colocar uma “aspas” do seu chefe (que não estava errada), não me dá a informação que eu queria, essa pessoa ainda desligou o telefone na minha cara.

De fato, uma atitude lamentável.

Antes que eu tentasse explicar que não tinha errado, a ligação foi interrompida de propósito. Não pude dizer nada do que queria. Por isso, escrevo aqui uma carta direcionada a essa pessoa que desrespeita a lei da ética comportamental que rege o relacionamento entre profissionais de imprensa e que me causou momentos de irritação e, sobretudo, pena.

Querido assessor (ou assessora),

Tenho certeza que você não vive um bom momento. Suas tarefas e atribuições aumentaram vertiginosamente, sem contar a pressão a qual está submetida ao prestar serviço para um investigado por crimes graves. Além disso, suponho que não esteja passando por um bom momento em sua vida particular e, naturalmente, anda bastante estressada.

Quero apenas que saiba que levo em consideração todas essas coisas. Posso entender a postura agressiva com a qual trata seus colegas de trabalho, mas não posso aceitá-la como uma coisa normal. Sugiro que tente descansar, se afaste do cargo e tente resolver os problemas que te causam irritação e estresse.

Mais do que isso: quero aconselhá-lo (la) a manter uma boa relação com seus companheiros de trabalho e com as pessoas que precisam dos seus serviços. Você está de um lado que não é exatamente o melhor lugar para se fazer jornalismo. Por isso, entenda: provavelmente seu chefe será cassado e você perderá o emprego. Possivelmente, um dia irá precisar da ajuda de alguém com quem cruzou em algum momento de sua vida. Você pode até ter um bom currículo, mas se não tiver caráter, não terá um emprego.

Pense nisso

Grato

20 maio 2007

A polêmica dos salários atrasados

Por Daniel Brito

Por, aproximadamente, 36 horas pensei se valeria a pena denunciar que o time de basquete de Brasília -- líder do campeonato brasileiro, com jogadores de NBA no elenco, favorito ao título -- não paga salários aos atletas desde março.

Já me meti em confusões assim em outras oportunidades.

Em Campina Grande, como repórter da TV Borborema, um jogador me pediu para denunciar a falta dos salários um dia antes do clássico. Só joguei a denúncia no ar porque ele botou a cara no vídeo para falar. Na segunda-feira, após o jogo (que terminou empatado), um diretor chega ao treino com os bolsos cheios de maços de dinheiro.

Resultado: fui atacado por torcedores e tive que deixar de fazer reportagens. Virei apresentador aos 20 anos de idade...

Mais recentemente teve o caso aqui no Correio Braziliense da minha companheira de trabalho, Cida Barbosa. Com a experiência de ter trabalhado em Copa do Mundo, ela conseguiu dois depoimentos de atletas do Gama também detonando a diretoria por não cumprir com o compromisso mensal. Um diretor se revoltou com ela e fez uma acareação com ela e todos os jogadores no meio do campo de treinamento.

Nenhum gamense se apresentou como autor das denúncias e Cida ficou, por alguns instantes, como a mentirosa da história. O diretor desbocado e desequilibrado caiu matando nas críticas, praticamente agredindo-a verbalmente. Até que um dos caras que deu a entrevista -- e pediu para manter o nome em sigilo na reportagem -- se apresentou. Em seguida, o outro também deu um passo à frente. Logo, eles não atuaram mais pelo Gama e deixaram o clube ao final da temporada sem ter participado dos oito compromissos finais.

Na quarta-feira passada, recebi a confirmação da ausência dos salários no time de basquete profissional do DF. Liguei para um jogador e não consegui confirmar. Liguei para o pai de outro, uma pessoa próxima a mim, e ele ficou de checar. Em seguida, me retornou avisando que o filho dele não falaria. Busquei um terceiro jogador e abri o jogo.

Acompanhe o diálogo que travei na tentativa de publicar minha matéria.

- Fulaninho, o seguinte é esse: sei que vocês estão sem salários desde março, ameaçaram não jogar as partidas contra Sicrano e Beltrano e a diretoria não deu previsão de quando saldará as dívidas.
- Você, Daniel, não falou nenhuma mentira. Se quiser publicar, pode publicar. Mas faça por sua conta, porque eu não confirmo nada disso aí...
- Eu sei que tu é um dos cabeças da ameaça de greve do time. Preciso de uma confirmação oficial? Eu não cito teu nome. Dou minha palavra...
(interrompendo)- Não quero!! O mercado do basquete no Brasil é muito pequeno. Essas notícias correm rápido e salário atrasado não é novidade para mim.
- Será que tu não pode botar na mesa lá, entre teus companheiros de time, que eu procuro alguem que esteja disposto a falar, mas sem a necessidade de revelar o nome?
- Então tá. Daqui 15 minutos você me liga...

Dez minutos antes de terminar o prazo, me liga o diretor do time:
- Que história é essa de você ligar para meus jogadores exigindo declarações sobre os salários atrasados?

Foi uma longa conversa. Aliás, batalha. Mostrei para ele que sabia os detalhes dos salários, por mais que tentasse desqualificar minhas informações. Quando percebeu que estava realmente prestes a publicar a denúncia dos salários, ele desabafou:

- Pela amor de Deus! Esse time existe há quatro anos, nunca fizemos tanto sucesso, uma notícia dessas pode acabar conosco. Estamos, realmente, devendo salários, mas se eu te contar o por quê você me garante que não publica?

Dei minha palavra e o cartola me explicou direitinho a falcatrua. Não cabe aqui a história completa da dívida. Avisei ao meu editor que o time de basquete devia salários mas dera minha palavra de que não publicaria nada. Ele (o editor) ficou insatisfeito, afinal, essas matérias sempre rendem grandes leituras. Tudo isso ocorreu na quarta.

Na sexta-feira, li no Jornal de Brasília:

"Time de basquete não paga salários"

Shit. Fui furado!!!

A matéria estava incompleta. Faltava informação tipo: qual o último mês que os jogadores receberam salários? Nem isso tinha na matéria. O diretor do time sequer fora ouvido pela reportagem para dar uma justificativa.

Antes de ler essa notícia, passei um dia e meio pensando se valia a pena denunciar salários atrados de pessoas que não fazem questão de abrir o jogo para a imprensa. Nem os próprios atletas tinham interesse em detonar a história.

O que é pior: um deles ligou para o diretor para me entregar, como se a culpa fosse minha.

Lembrei-me do que meu sub-editor disse:
"Não adianta fazer uma 'boa ação' e não divulgar uma matéria polêmica, como neste caso em que o diretor implorou para que você não publicasse. Notícia não tem dono, se o outro jornal a tem, ele pode soltá-la a qualquer momento. Aí, meu amigo, quem perde é você..."

14 maio 2007

O poder do off

Pedro Henrique Freire


- Deputado, a quantas anda a relação com o governo? A insatisfação já acabou?
- Em off ou em on?

É preciso pensar rápido. Mas é sempre bom escutar o off primeiro. É de certa maneira lógico. Primeiro você escuta o “impublicável”, que é a verdade. Depois, aquelas firulas todas de um entrevistado. Isso dá base sólida para outras perguntas.

É comum ocorrer em matérias de política. Como todos sabem, políticos têm sempre algo a esconder. Minha rotina é repleta de informações em off. Com elas, eu consigo conjecturar aquela boa história da qual preciso. Não que eu vá publicar o off do cara. Mas eu fico sabendo exatamente o que se passar sobre determinado assunto.

Outro dia fazia uma das várias matérias que fiz sobre o assunto acima. Bombardeei um deputado de perguntas. Ele não cedeu. Foi quando, com jeitinho, eu perguntei. “Deputado, as atitudes dos aliados não condizem com esse discurso. O senhor pode me falar que eu não publico, eu quero apenas ficar sabendo. Qual o motivo do desentendimento?”.

Foi quando ele abriu a guarda e me falou tudo. A briga era por cargos. Deputados estavam insatisfeitos. Queriam mais espaço do governo, mais prestígio entre os secretários. Precisavam ter voz e participar das decisões.

Pois bem. Foi quando eu negociei com ele a possibilidade de publicar a história sem citar nome. E falei que escutaria outros parlamentares da base. Um deles haveria de me confirmar a história. Na mesma entrevista, busquei descobrir quem era o mais insatisfeito. Consegui e fui direto no cara.

Ainda ouvi mais seis deputados. Uns negaram. Outros não disseram que sim, nem que não. E um deles me bancou a informação. Ainda coloquei algumas aspas daqueles que não quiseram se identificar. Pronto. Tinha minha história e ela foi pra rede.

Depois eu fiquei pensando: e se eu não pedisse a declaração em off? A conclusão foi imediata: não teria a história! Ficaria sem subsídio para indagar os deputados. Teria um discurso desinformado e ninguém ia falar por livre e espontânea vontade. Enfim, a pauta cairia.

Em outra matéria que fiz sobre o assunto, quis saber do mesmo deputado como estava a relação com o Executivo. Foi quando ele me perguntou: “Em on ou em off?”. “Em off, claro!”. Ele riu e me contou outras coisas. Hoje cultivo a fonte e sempre que posso o prestigio com algumas boas aspas – mas isso é assunto para um outro post.

Enfim, passei algum tempo para conhecer o poder do off. Hoje, não faço matéria sem tentar arrancar algo que não pode ser dito. Mas é bom lembrar que isso leva tempo. É preciso estar próximo da fonte e conversar bastante antes de pedir uma declaração no tal do off.

Aprendi também que toda autoridade tem dentro da mente uma informação que vai valer uma matéria. O duro é como e quando encontrar.

07 maio 2007

A força dos blogs

Por Léo Alves

Os blogs completaram dez anos de existência. Serviram, inicialmente, como diários virtuais. Há algum tempo, contudo, deixaram de ser ferramentas de amadores. A maioria dos jornalistas tem um blog.

Comecei a utilizar esta ferramenta há pouco mais de um ano, quando eu e Daniel (em seguida, o grande Pedro) decidimos criar o Filhos da Pauta. A idéia era relatar um pouco de nossas experiências jornalísticas e discutir assuntos ligados à área. Nossa pretensão nunca foi ficar famoso. Por isso não nos preocupa muito a pequena quantidade de acessos diários temos.

Gostei tanto da experiência que há pouco mais de três meses resolvi investir em outro blog: o Esportes na Rede (http://blogdeesportes.blogspot.com/).

Como estou afastado do jornalismo impresso, pensei em reeditar na internet o estilo da coluna de esportes que escrevia no Diário da Borborema, na qual abordava notícias dos bastidores do futebol paraibano.

Mesmo longe do esporte, as notícias continuavam chegando a mim através das fontes que cultivei. Na maioria das vezes, repassava as notícias para colegas que ainda estão no batente.

Nestes três meses, o blog conseguiu dar vários furos na mídia tradicional. Eles (os furos) só ganharam força quando divulgados nos outros meios.

E não é que neste pouco tempo, o blog sofreu até ameaça de processo?

Quando publiquei a informação de que jogadores do Campinense, um clube tradicional de Campina Grande, estavam curtindo a Micarande, o carnaval fora de época da cidade. O detalhe é que o time estava mal no campeonato. A notícia foi republicada por um jornal e revoltou a torcida, que invadiu o gramado em um dos treinos.

Como o jornal divulgou a fonte, o número de acessos no meu humilde blog cresceu consideravelmente. E outras notícias como passaram a fazer parte dos noticiários.

Escuto e leio vários comentários a respeito de panelinhas de jogadores, brigas dentro do elenco e da diretoria do Campinense. Notícias que hoje são comentadas abertamente, mas que foram publicadas exclusivamente no blog. Ninguém sabe como elas chegaram a mim.

Não importa.

O que importa é que sabem que são verdadeiras, pois em todas elas procurem usar o princípio básico do jornalismo: checagem. Os jogadores que ameaçaram processar o blog (e o jornal) estão indo embora. O assunto já esfriou.

Esse episódio mostra que o blog pode muito bem ser usado como ferramenta jornalística. Desde que, obviamente, sejam respeitados os princípios éticos.

Os blogs ganham força a cada dia e se torna uma fonte de informação para muitos leitores.