15 fevereiro 2012

A estreia de um novo blog


Como estamos na lista de blogs do jornal O Imparcial, faz bem divulgar os parceiros. Hoje, mais um blog nasceu por lá. "O Mundo é Meu" escreverá sobre Turismo. A editora de Turismo, Rafaela Lima, será titular da página. E já anunciou promoção e uma viagem (a convite do Governo de Pernambuco) para cobrir o carnaval por lá.

Aproveitando o ensejo, gostaria de abrir um debate com uma pergunta:

O que acha de coberturas de turismo com viagens pagas pelo interessado, afim de produzir matérias, programas ou até cadernos especiais?

Opine, compartilhe, cutuque.

14 fevereiro 2012

O jornalismo, por Hunter S. Thompson

Fiz algumas amizades interessantes, ganhei dinheiro suficiente para me virar e aprendi muitas coisas sobre o mundo que nunca poderia ter aprendido de outra forma.


Como a maioria dos outros, eu procurava alguma coisa, vivia em movimento, nunca estava satisfeito e, às vezes, me metia nas mais imbecis enrascadas. Nunca ficava parado por tempo suficiente para me dar ao luxo de pensar, mas, de algum modo, sentia que meus instintos estavam certos. Compartilhava uma espécie difusa de otimismo que dizia que alguns de nós estavam realmente progredindo, que estávamos num caminho honesto, e que os melhores dentre nós inevitavelmente chegariam ao topo.


Ao mesmo tempo, nutria suspeitas melancólicas de que a vida que levávamos era uma causa perdida, que não passávamos de atores, enganando a nós mesmos numa odisseia sem sentido. Era a tensão entre esses dois pontos -- um idealismo incansável e uma sensação de catástrofe iminente -- que me dava forças para seguir adiante.

Trecho do livro "Rum: Diário de Um Jornalista Bêbado", de Hunter S. Thompson

09 fevereiro 2011

O Filho está crescendo

Léo Alves

Antes de qualquer coisa é preciso dizer que este post sai com mais de dois meses de atraso. Porém a correria normal de fim de ano e o surgimento de temas mais interessantes o fizeram ser relegado até esta data.

No dia 24 de novembro de 2005 Daniel Brito escreveu:

“Esta é a primeira mensagem do blog "Filhos da Pauta". Criado por Daniel Brito e Leonardo Alves, este espaço tem como objetivo contar um pouco do cotidiano de duas redações totalmente diferentes. Daniel é repórter de esportes do Correio Braziliense, em Brasília. Leonardo é repórter da TV Paraíba, em Campina Grande. Ambos contarão aqui o que viram, o que fizeram, e o que farão em seus "expedientes", se é que jornalista pode ter expediente.

Além disso, a dupla postará textos, comentários e reportagens interessantes. Não vai ser fácil manter este espaço atualizado. Então, boa sorte para nós dois...”

No dia seguinte escrevi meu post de estreia anunciando o primeiro assunto a ser abordado neste humilde espaço:

“Como disse Daniel, não será fácil manter o blog atualizado. Esse é o nosso desafio. Quem é jornalista sabe da correria que é ter que fechar os textos, produzir os VT' s. Mas dentro do possível tentaremos socializar nossas experiências do cotidiano. Procuraremos contar como foram produzidas algumas de nossas reportagens, postura adotada, direcionamento e, é claro, as dificuldades e conquistas que envolvem a produção de uma matéria. É claro que alguns momentos do trabalho é preciso ter sorte. Como aconteceu com Daniel, quando voltava da viagem de férias da Espanha e no seu vôo estava Carlos Alberto Parreira, técnico da Seleção Brasileira. DB se 'esqueceu' que estava de férias e conseguiu uma exclusiva com o treinador. A entrevista foi capa do Correio Braziliense de quarta-feira. A história da entrevista quem vai contar é o próprio DB. Não podia ter uma história melhor para abrir o nosso blog.”

Desde a sua criação o Filhos da Pauta não teve grandes pretensões. Não pretendia – como ainda não pretende – ser uma referência no jornalismo. Como já escrevemos outras vezes aqui não somos os donos da verdade. Longe disso.

Desde 2005, muita coisa mudou. Daniel não está mais no Correio Braziliense. No intervalo de cinco anos esteve no Jornal da Tarde, Assessoria do Comitê Paraolímpico, voltou para trabalhar no caderno Cidades do Correio (onde ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo) até aportar na Folha de São Paulo.

Eu, no caso, quando comecei a escrever no FDP era repórter. Depois passei a Chefe de Produção, Editor, Editor Assistente do Globo Esporte, sai e voltei para a UEPB, até que em 2009 quase tive um infarto (eu sei que não existe ‘quase infarto’, mas é um sentido figurativo) pelo excesso de trabalho. Abri mão da editoria de esportes. Fui aprovado num mestrado. Saí da TV Paraíba em abril do ano passado e da UEPB em dezembro. Agora, estou prestes a fazer uma nova seleção para a UEPB e participo como repórter das transmissões esportivas da Rádio Cariri. Aliás função na qual iniciei minha carreira.

Mesmo com tantas reviravoltas profissionais, o blog se manteve no ar. E o melhor ganhou o reforço de Pedro Henrique Freire e Mário Coelho, que por ociosidade teve o nome excluído inadvertidamente do quadro de colaboradores.

Mas Mário Coelho vez por outra tem dado sua contribuição, assim como já fizeram Jurani Clementino, João Paulo Medeiros e outros que permitiram publicações de suas colunas no blog.

Durante estes cinco anos, os leitores mudaram. Pouca gente que era assíduo no início nem sequer acessa mais o blog. Por outro lado, apareceram 50 seguidores. Número até considerável para quem – como disse – não tinha grandes pretensões.

E sem ambições o Filhos da Pauta ganhou seu espaço. Hoje faz parte da lista de blogs do Jornal O Imparcial do Maranhão com a seguinte descrição: Jornalistas do Maranhão, Brasilia, Paraíba e São Paulo debatem os rumos da profissão.

Para quem não queria muito, foi até longe ao ser citado por um dos mais respeitados jornalistas do país. Ricardo Noblat escreveu em 6 de janeiro de 2008:

"Filhos da Pauta é um blog atualizado por três jornalistas em plena atividade. Nele, contam histórias que provocam discussões em torno da visão do Jornalismo sob o ângulo dos próprios jornalistas. Sugiro diariamente sites, blogs e fotologs que valham a pena ser acessados. Esses passarão a fazer parte da seção aí acima, do lado esquerdo, chamada 'Vale a pena acessar'".

Hoje o blog não é atualizado como antes. Uma tendência própria dessa ferramenta. O twitter tem tomado muito tempo. Mesmo assim o Filhos da Pauta vai continuar no ar trazendo histórias e discussões acerca da profissão. Por muito tempo.

01 fevereiro 2011

Vem ai o The Daily

Pedro Henrique Freire

O magnata da comunicação Robert Murdoch apresenta amanhã o seu mais novo sonho: The Daily. Um jornal feito exclusivamente para Ipad - a menina dos olhos de Steve Jobs. Murdoch gastou 30 milhões de dólares no projeto. Tudo para apresentar, segundo ele, "uma verdadeira mudança na apresentação de notícias".

A plataforma do The Daily, claro, é multimídia. Será um jornal diário, mas terá vídeos, gráficos, podcasts, além de textos e fotos. E abordará notícias, principalmente, de cultura e entretenimento. Ou seja, um portal de notícias para Ipad. É isso?

Precipitado fazer análises antes de analisar o que trará o The Daily - dono de uma redação "modesta" com cerca de 120 pessoas. O trunfo de Murdoch é usar outras plataformas da News Corp - dona do Wall Street Journal, entre outros - para capilarizar a atuação do The Daily.

Não me furto a provocar dúvidas.

É um jornal diário?

Com textos, vídeos, áudios e fotos?

Em tempo real ou com apenas uma atualização diária?

Se for tudo isso acima, no que se diferencia o The Daily de portais de internet, por exemplo?

A aposta é na popularização do Ipad e no exclusivo conteúdo editorial. O crescimento do The Daily dependerá disso. Caso contrário, o sonho de Murdoch vai lhe tirar os 30 milhões sem trazer muito.

30 janeiro 2011

O mal no jornalismo

Léo Alves

O post de aniversário de cinco anos – que está atrasado dois meses - deste humilde blog como gosta de dizer o grande DB vai esperar um pouco mais. Esta semana a jornalista Cláudia Carvalho escreveu uma coluna no www.parlamentopb.com.br que nos faz refletir acerca de uma prática que se tornou comum no jornalismo paraibano e coloca em xeque a credibilidade da profissão Estado. Com a devida autorização de Cláudia, O Filhos da Pauta reproduz abaixo a coluna.

Síndrome de Estocolmo
Cláudia Carvalho*

Na Paraíba há um adágio que diz: você vale pelo mal que pode causar.
De adágio, virou estilo de vida. Rentável e eficiente, tornou-se lema para muitos que militam na imprensa do Estado. Igual a rastilho de pólvora, a fórmula contagiou muitos que nem tinham aptidão ou formação para a comunicação e nem sabiam qual sua destinação. Mas, isso também pouco importa. Basta repetir alfinetadas, ataques, chacotas, ameaças e constrangimentos até que a vítima peça arrego e abra a carteira.

Sem romantismo, essa prática não é minoritária no jornalismo paraibano. Ela se disseminou e virou sinônimo de prosperidade, prestígio e, claro, poder.
Até aí, não está tudo bem, mas é compreensível que a tática ofensiva, uma vez gerando resultados, seja repetida à exaustão por quem não tem muitos pudores. O que chama a atenção é a reação despertada nos "alvos".

A psicologia, desde a década de 70, chamou o estranho fenômeno em que a vítima desenvolve simpatia por seu algoz de "síndrome de Estocolmo", numa referência a um famoso assalto a banco ocorrido em 1973 e no qual os reféns defendiam seus captores.
Muito longe de Estocolmo e no calor dos trópicos, muitos paraibanos de estirpe se apalermaram com seus algozes. Ao mesmo tempo que reclamam, também dão Ibope, citam, repercutem e valorizam justamente quem lhes ataca.

Questão de gosto ou falta de gosto não se discute, já dizia outro sábio provérbio. Mas, eis que surge um complicador: apesar de nem todo mundo ser vilão na estória, acaba sendo enquadrado na generalidade e topando com as pechas vis que levam à vala comum.

Causar o mal é deleite para quem gosta dele. Quero estar longe perseguindo uma utopia que ensinaram na faculdade que teimei frequentar para ter direito a um diploma cujo valor expirou numa cacetada vingativa do STF. Mas, o que vale não é o papel. É um sentimento, a vontade de acertar e de ainda teimar em querer fazer o certo mesmo que ao redor digam que essa preocupação é típica dos fracos. E haja fraqueza para reagir, devolver as bordoadas e não quedar diante da tentação de aderir ao modus operandi da estação.

Deve ter sido em meio a uma crise deste naipe que Renato Russo concebeu os célebres versos de "Há tempos" que dizem: "Compaixão é fortaleza.
Ter bondade é ter coragem".

Renato não era mais um na multidão. Não ficou rico nem dominou o mundo, mas continua sendo respeitado. É uma boa marca.

*Cláudia Carvalho é radialista e jornalista premiada, com especialização em Jornalismo Cultural. Pioneira no webjornalismo da Paraíba, é apresentadora da Rádio 101 FM e mantém o blog Parem as Máquinas!

20 janeiro 2011

Um jornal de 4 milhões de leitores


Pedro Henrique Freire

O mundo discute alternativas ao jornalismo impresso. Está ficando até chato falar da sobreposição de tablets e e-reads ao papel. O imediatismo do ser humano chega a considerar palpável a mudança de modelo. Rápido assim?

Jornais são diferentes em diversas partes do mundo. Impressos no Brasil detêm características completamente distintas de jornais da Europa, que se diferenciam dos da Ásia e também daqueles que circulam na América do Norte... etc.

Fazer jornal que supere expectativas depende, principalmente, de conhecimento social e econômico da localidade de atuação. Não fosse assim, uma fórmula bem sucedida bastaria para levar jornais em todas as partes de nosso planeta azul ao sucesso absoluto, agradando leitores e pagando os altos custos da produção jornalística.

Alguém ai conhece o Times Of Índia (olha ele ai do lado)? Eu não conhecia. Mas li algo sobre ele esses dias que me intrigou. Circula com quatro milhões de exemplares por dia (isso mesmo!), é barato (preço equivale a R$ 0,10) e full color. Algo diferente de alguns jornais brasileiros além da tiragem? Suponho que não.

Se em países ricos se gasta tanto pra encontrar maneiras de manter jornais (ou ao menos suas marcas) vivos, por que a emergente Índia consegue vender quatro milhões de exemplares por dia apenas fazendo um jornal colorido e de qualidade?

É preciso analisar o país...

...socialmente: a Índia reúne várias culturas. O singelo estranhamento social é cotidiano. O Times Of Índia procura reunir diversos pontos de vista das múltiplas culturas, publica matérias de serviço e utilidade pública e reivindica para si o papel social de unir os povos em campanhas voluntariosas. Ou seja, o conteúdo é altamente identificado com a sociedade.

...economicamente: apenas 20% da população da Índia acessa a internet. Ipad lá, portanto, não é algo que apeteça a grande classe a ponto de contestarem a existência de jornais impressos. o Times sabe como ganhar dinheiro. Ele permite que empresas paguem anúncios com ações na Bolsa. Usa seu papel para especular.

O sucesso, portanto, não é em vão. O Times Of Índia sabe como e para quem vender jornal. O processo tem começo, meio e fim. E entende a organização econômica na qual está inserida.

Ele se identifica com o leitor.

06 dezembro 2010

Sempre a imparcialidade 2

Por Léo Alves

Num post anterior falei sobre o caso do Estadão que suscitou o debate sobre a imparcialidade jornalística. Saindo dos exemplos nacionais, nos concentremos na pequenina e heróica Paraíba. Na terra de Assis Chateaubriand os jornais e tevês apóiam projetos políticos de candidatos. É a moeda de troca. Apoio garante bons contratos de publicidade no futuro. É incrível como esse pessoal ainda acha que o leitor/telespectador/ouvinte é burro.

Basta dar uma olhada nas colunas políticas dos jornais locais para perceber o lado de cada um. A Paraíba se divide entre os que se intitulam Cassistas (apóiam o ex-governador Cássio Cunha Lima, eleito para o Senado e barrado pela ficha limpa) e Maranhistas (os do lado do ainda governador José Maranhão).

Descobrir o comprometimento político dos colunistas e editores de política não é difícil. No caderno de política de um dos impressos uma expressão é frequente e revela a tendência pró Cunha Lima: “o senador de mais de um milhão de votos”. Precisa de mais alguma coisa? Quando escreve algo sobre José Maranhão é crítica.

O mesmo jornal mostra sua preferência ao insistir que Cássio irá assumir o senado. A candidatura dele foi indeferida e o caso está no TSE. Não que o assunto não seja notícia. O problema está na forma de escrever, demasiadamente apaixonada.

Em outro jornal, a editoria de política nunca foi capaz (pelo menos nunca li) de fazer um elogio a gestão de Cássio, que passou seis anos no governo. Qualquer ação, por melhor que fosse, era anunciada acompanhada de críticas. Muitas delas sem fundamento, que revelavam a insatisfação de quem durante muitos anos do governo Maranhão foi contemplado com gordos contra cheques. Na maioria das vezes sem aparecer na repartição pra cumprir expediente.

Se durante seis anos esses profissionais criticaram a gestão Cunha Lima, nos últimos vinte meses a postura foi bem diferente depois que Maranhão voltou ao poder. Cássio foi cassado pelo TSE. Elogios e mais elogios ao governo com o intuito de convencer a população da boa administração e ajudar na reeleição.

Maranhão não foi reeleito. A aliança de Cássio com Ricardo Coutinho (ex-prefeito de João Pessoa) saiu vitoriosa. Para muitos colegas de imprensa a vitória representa a garantia de um bom salário na nova/velha gestão. Os perdedores buscam uma relocação no mercado da política.

Não deveria ser assim. Infelizmente é. No estado, 46% (segundo o colega Josusmar Barbosa) dos empregados estão no setor público. E uma parcela desse percentual é formada por jornalistas. Infelizmente, de novo. Daí não dá pra pensar em imparcialidade. E essa certamente é uma das razões que na Paraíba as eleições nunca acabam. As conjecturas políticas para as eleições municipais de 2012 já tomam conta do noticiário político. Muita gente querendo garantir uma ‘boquinha’ na máquina pública.

26 novembro 2010

Diário de uma cidade em guerra

Por Jurani Clementino*

Lanchonete no centro de Copacabana, oitos horas da manhã. Televisão ligada e segundo dia de operação sendo transmitida ao vivo. Alguém, antes de sair, torna pública a sua indignação:

- A culpa é desses idiotas que votaram em Lula.

Silêncio. O emissor da mensagem se retira. Funcionários se entreolham. Um cliente quebra o silêncio.

- Esse deve ser um imbecil aqui da zona sul que nunca foi a uma favela, que não sabe como as pessoas vivem e que tá “se lixando” pra miséria alheia. No fundo deve financiar essa “merda” toda, consumindo produtos do tráfico.

Não concordo nem discordo. Apenas sorrio. Continuo olhando fixamente para a TV. As (contra)indignações vão sendo externadas. Acabo de tomar o meu café, pago a conta, me retiro. Nas ruas deste bairro da zona sul do Rio, a movimentação é aparentemente normal. Tomo o ônibus em direção a zona norte (depois dos ataques, muitos chamam essa região de zona da morte). A cobradora lê um jornal. Na verdade, quase todo mundo resolveu adquirir um exemplar dos jornais diários. Em todos eles diferentes manchetes para o mesmo assunto: “Guerra ao Tráfico”, “Dia D para o Rio no combate ao tráfico”, “Bundões da Vila Cruzeiro fogem como baratas”. “Deu pra entender quem manda no Rio?”, “O Rio contra ataca”... As charges colocam a imagem do Cristo Redentor com o uniforme da PM, colete a prova de balas, boné; os textos fazem inevitáveis referências ao filme Tropa de Elite, chamam a operação de “guerra de cinema”.

O assunto está também na vida da cobradora do ônibus 485B – Linha PENHA – Via Ilha do Fundão. Ela descreve a agonia de uma senhora (gorda e negra) que foi flagrada por policias, durante a operação de ontem na Vila Cruzeiro, com as duas mãos sujas de gasolina.

- Levanta as mãos!!!

Ordena o policial que formava parte de um grupo de cinco ou seis.

- Não se mexe! Qualquer movimento nós vamos estourar.

A cobradora lembra ainda a forma como os incendiários estão agindo.

- Antes eles pediam para os passageiros descer. Agora não. Tocam fogo no ônibus com a gente e tudo.

Ela é moradora da região da Penha. Vive próximo a área tomada pela operação da polícia ontem e lembra um caso da noite passada:

- A expresso (...) tirou todos os ônibus de circulação. Os bandidos ligaram e ordenaram: “ou tira ou a gente toca fogo em todos eles!”. Ainda queimaram três. Milhares de pessoas ficaram sem condições de voltar pra casa. Os pontos de ônibus estavam lotados. Chovia bastante. A minha sorte é que um colega meu ia passando e gritou: “Ei! Ei!” Quando corri um monte de gente me seguiu. Ele disse: “Não, é só ela. Calma gente, ela é minha vizinha”.

O ônibus que geralmente passa lotado nesse horário da manhã, estava praticamente vazio. Ocupei estrategicamente uma das primeiras poltronas, com acesso a janelas e próxima a porta de desembarque. Durante o percurso, rumo a zona norte, observo o trânsito que me parece fluir tranquilamente. Menos caos do que o habitual. Cerca de quarenta/cinquenta minutos depois, chegando a Ilha do Fundão a cobradora retoma a conversa com o motorista:

- Você acha que vão parar?

- Devem parar alguns. Não todos.

- Nada disso, vamos aguardar, mas se pedir pra parar vão parar todos.

Desembarquei. E agora vou depender de uma decisão ou uma resposta ao imperativo desse sujeito oculto para poder voltar pra casa. Ainda é incerto se terei transporte para retornar a zona sul no final da tarde.

* O autor é jornalista, mestrando em Desenvolvimento Regional (UEPB/UFCG) e está no Rio em intercâmbio na IPPUR/UFRJ.

17 novembro 2010

Sempre a imparcialidade

Por Léo Alves

Desde a época da faculdade escuto o discurso que o jornalismo deve ser pautado pela imparcialidade. Hoje, como professor reproduzo a mesma versão. Mas o tempo de profissão me mostrou que essa imparcialidade parece algo utópico.

A imparcialidade é uma característica do imparcial, que o dicionário define como um adjetivo de dois gêneros: que julga desapaixonadamente; reto, justo e que não sacrifica a sua opinião à própria conveniência.

Sempre que esse tema surge gosto de me perguntar se é realmente possível agir de forma imparcial em algum momento da nossa vida? Antes de sermos jornalistas somos pessoas que possuem arcabouços diferentes. Somos resultado de nossa construção histórica, influenciada por gostos familiares, educação, leituras, filmes, músicas e outro tanto de coisas que formam a nossa personalidade.

Por mais imparcial que tentemos ser, algo de nós possivelmente vai influenciar a nossa construção textual. Se for alguém mais sensível à dor do outro, uma reportagem sobre fome tentará sensibilizar as pessoas para a solução do problema. Talvez sendo um repórter mais “seco” a descrição será mais fria. Nenhum dos dois está errado. É apenas um exemplo de como nos influenciamos por nós mesmos.

Na hora crítica de fechamento de jornal, por exemplo, ao optar por essa ou aquela matéria para ser derrubada o editor vai se basear em sua opinião. Provavelmente alguém que está lendo esse texto vai dizer que essa escolha está baseada em critérios. Se os critérios fossem universais as decisões dos editores seriam iguais. E não são. Editar tem muito de subjetividade. Fazer jornalismo, também.

Não esperava que esse preâmbulo ficasse tão grande. Enfim, vamos ao tema que me levou a voltar a escrever sobre a imparcialidade. Durante as eleições, o Estadão se posicionou. Assumiu apoiar a candidatura de José Serra no artigo “O mal a evitar” (clique e leia).

A (o)posição do jornal paulista, como não poderia deixar de ser, trouxe novamente à tona o tema imparcialidade. A maioria foi contra a exposição do apoio. A justificativa: “O jornalismo tem que ser isento”.

Entre alguns colegas, a opinião de um me chamou atenção. Ele alegou que achava correta a posição do Estadão que teve coragem de assumir seu apoio a Serra. Afinal, segundo ele (o que eu concordo), todos os veículos têm seu alinhamento político. De fato. Uma determinada publicação semanal de grande circulação no país não se posicionou (e precisava), mas todo mundo sabe de que lado estava.

De algum lado toda empresa de comunicação está. O apoio é moeda de troca. Garante bons contratos de publicidade em caso de vitória do candidato apoiado. Mas nem todo mundo tem coragem de assumir como fez o Estadão. A parcialidade da imprensa já não é tão velada. E isso coloca em xeque a credibilidade do jornalismo.

09 novembro 2010

Uma nova velha ideia

Por Léo Alves

Na segunda-feira pós eleições, o Jornal da Paraíba lançou numa mesma edição duas manchetes. Uma sobre a eleição de Ricardo Coutinho e outra a de Dilma Roussef. Bastava virar o jornal de ponta-cabeça e escolher o destaque que mais lhe apetece.

Entre os coleguinhas de profissão, a edição foi alardeada como uma inovação no jornalismo. A ideia é interessante, mas está longe de ser uma novidade. Na Copa do Mundo de 2002, o Correio Braziliense já havia feito uma capa “carta de baralho”.

O detalhe é que a capa do Correio tinha uma justificativa. Naquela madrugada o Brasil enfrentaria a Inglaterra na Copa Mundo da Coréia-Japão. Para driblar o tempo (já que depois do jogo não daria tempo imprimir o jornal), o CB fez duas manchetes na mesma capa. Uma com vitória da Seleção Brasileira e outra com o triunfo dos adversários.

Analisando os dois jornais, a minha humilde opinião é de que a capa do Correio se justificava.

O impresso usou a criatividade para trazer a notícia do dia, que era o jogo da Seleção, ocorrido na madrugada. No caso paraibano, o JP poderia muito bem ter colocado as duas notícias (Ricardo e Dilma) numa mesma manchete.


Nesse caso, a criatividade não foi funcional. Apenas uma forma de passar a ideia de pioneirismo. Talvez para os leitores menos atentos ou antenados, tratou-se uma grande inovação, mas como se viu não foi nada além de uma cópia, um plágio, uma reprodução de uma ideia de oito anos atrás.

27 outubro 2010

O fim está próximo ? (Parte II)

Por Léo Alves

No primeira parte desse post, o grande Pedro fez uma reconstrução histórica suscinta, mostrando que o fim do jornal impresso vez por outra volta à discussão. O impresso voltou a ser questionado com a chegada do Ipad. O assunto cessou um pouco nos últimos meses. Não significa que as publicações diárias deixaram de estar em xeque.

Há pelo menos sete anos escuto (época em que trabalhava em redação) que o jornal impresso dá prejuízo. Ressalto que esses comentários se restringem à Paraíba. Não conheço a fundo a realidade de outros centros. Mas no estado de Assis Chateubriand, o número de jornais vendidos (assinantes e avulsos) somado aos anunciantes não paga os custos de manutenção da publicação.

Os quatro maiores jornais do estado fazem parte de grupos de comunicação, que congregam rádio, TV e portais. E segundo os comentários de bastidores são as tevês - onde o volume de publicidade é muito maior e os preços mais altos - que bancam os jornais.

Se o jornal impresso na Paraíba dá prejuízo por que mantê-los?

É uma pergunta que pode ter várias respostas. O jornal impresso ainda tem seu charme, exerce poder. Quem o lê é o público (teoricamente) mais culto. Encerrar a publicação pode dar a ideia de que o grupo de comunicação está em decadência. Até na vaidade dos donos o jornal encontra suporte para se manter.

Não sei precisar, mas acho difícil um jornal impresso atingir a marca de 15 mil exemplares diários na Paraíba. E olha que essa é uma previsão muito otimista. E mesmo se chegasse a esse número de publicações acredito que não daria para cobrir as despesas.

O jornal impresso pode até chegar ao fim, mas ainda vai demorar um bom tempo. Ainda o veremos com suas manchetes estampando as bancas por muitos anos.

Porém, para se manter na ativa o jornal impresso precisa se reinventar. Há alguns anos defendo a ideia de que o jornal deveria ser distribuído gratuitamente. O valor de um exemplar (em média R$ 1,50) não acrescenta muita coisa no orçamento.

Depois da internet as pessoas se acostumaram a não pagar pela informação. E boa parte acha desperdício comprar um jornal que na maioria das vezes não traz além do que já foi publicado na rede.

Eu sou assinante de um jornal impresso há mais de um ano. Só renovei a assinatura porque mantiveram o valor da mensalidade do ano passado: R$ 14,90. Cada exemplar sai por 62 centavos. Menos da metade do valor da banca.

Como não disponho mais de muito tempo para ler as notícias na net, o impresso é suficiente para me manter informado.

Dei esse exemplo da assinatura para reforçar que realmente não é a assinatura, tampouco a venda avulsa que segura o jornal.

Alguém pode até dizer que distribuir tiraria o valor do jornal. Tem até um certo sentido, mas já temos experiências no Brasil, onde publicações são gratuitas. E essas vão muito bem. Os anunciantes tem a garantia que sua publicidade vai ser vista por um grande número de pessoas.

Tenho um amigo que faz um jornal em Tocantins que desde o início é distribuído gratuitamente. O empreendimento cresceu e hoje é um dos mais respeitados da região.

Na Paraíba, edito duas revistas que são distribuídas. Não sobra nenhum exemplar.

O jornal distribuído também evitaria encalhe.

Para quem quisesse receber o exemplar em casa pagaria uma assinatura para cobrir as despesas da entrega. Ou alguém tem dúvidas que os R$ 14,90 que pago por mês da minha assinatura dá pra mais alguma coisa?

A informação de graça certamente reavivaria o jornal impresso tão contestado ultimamente.

11 agosto 2010

Central da revanche

Por Léo Alves

A Globo não quis alterar sua programação para exibir o primeiro amistoso da Seleção sob o comando de Mano Menezes. O assunto foi muito bem exposto pelo Saulo no post anterior. A rede preferiu manter sua Passione no ar. Atitude que levaria o torcedor comum (o que não tem TV por assinatura) a pensar que era um simples amistoso. Poderia até ser porque muita gente estava desinformada sobre a partida. Mas a maior rede de televisão do país fez questão de transformar o jogo na “hora da revanche” ou a “ hora do troco”. Era o momento certo para dar uma resposta ao técnico Dunga, que durante o Mundial da África acabou com as mordomias da Globo junto ao elenco verde e amarelo.

O Brasil venceu. Era tudo o que a tevê precisava para soltar ‘diretas’ ao Dunga. Mesmo se não tivesse vencido a desculpa seria “temos que ter paciência porque é início de trabalho”. O clima de lua de mel entre Globo e CBF já começara no Globo Esporte de terça-feira (10/08). Alex Escobar foi presenteado com a camisa 10 personalizada da Seleção. Sinceramente nunca tinha visto a emissora noticiar com tanta ênfase um presente recebido por um de seus profissionais. Achei até que fosse contra o código de conduta da empresa. Para quem não lembra Escobar foi agredido verbalmente por Dunga durante uma entrevista coletiva na Copa do Mundo.

O veneno global foi destilado à vontade no Central da Copa Especial. Um programa totalmente fora de contexto se não fosse pelo clima de revanchismo.Quantos técnicos estrearam pela Seleção e tiveram um programa para repercutir o jogo?

No programa apresentado por Tiago Lierfert estavam presentes vários convidados, entre eles, Galvão Bueno, Falcão, Arnaldo César Coelho, Caio Ribeiro e o (sem graça) Marcius Melhem, que interpreta um dos Caras de Pau, programa da emissora.

A vitória sobre o todo poderoso Estados Unidos foi a deixa para Galvão dizer que “se divertiu muito com Pato, Ganso e Neymar”. Tiago emendou ao afirmar “que o talento voltou graças a Deus”. Logo depois Marcius disse que “tava ruim torcer para Seleção. Agora tá fácil”. E ainda ironizou Dunga ao chamar a Seleção da África de time cintura dura, time do exército.

Por essas declarações já dá para perceber que Central da Copa foi ao ar apenas como revanche. E Galvão Bueno novamente foi hipócrita (é por isso que o mandam calar a boca) ao afirmar “que quem se alimenta de revanchismo sempre está mais perto da derrota que da vitória. Temos que tomar cuidado para que não venhamos a nos alimentar de revanchismo”, tentando enganar os telespectadores.

O que estava escancarado ficou ainda mais. Március disse que “era o dia do exorcismo, dia da libertação. No banco agora temos um cara que não agride jornalista e nem a gramática e usa agasalho”

Depois de Tiago dizer que a Globo tinha tido acesso a preleção dos jogadores Galvão ironizou: “que diferença hein?”. E é porque não queria revanchismo. O que menos atingiu Dunga foi Caio, que se limitou a dizer que Mano “trouxe o talento de volta à Seleção”.

O programa durou quase 42 minutos. O leitor pode vê-lo novamente aqui. Ficou claro que Mano Menezes vai ter vida fácil na Seleção porque se dispôs a cumprir o que a Globo quer. Na Central da Revanche o que se viu foram reportagens mostrando os quartos dos jogadores, o comportamento (exemplar, para eles) de Mano à beira do gramado, a intimidade do grupo. Nos bastidores está tudo acertado para que a emissora volte a ter exclusivas, acorde os jogadores a hora que quiser para dar entrevistas e outros benefícios que se acostumou ao longo dos anos.

Em retribuição aos afagos, todos (todos mesmo) seus profissionais vão apontar apenas virtudes na nova Seleção Brasileira e em Mano Menezes. Tudo está perfeito. E será assim até a nossa Copa em 2014. O pior é que muitos torcedores e jornalistas esportivos (já ouvi isso na Paraíba) vão seguir a Globo e achar que realmente o Brasil não tem problemas só porque o Dunga saiu.

O risco que corremos é de ter em 2014 um Maracanazzo ainda pior. Como é anfitriã, a Seleção não disputa eliminatórias. Os defeitos serão encobertos pela Globo. Só teremos a Copa América para medir a qualidade dos meninos de Mano. Nunca é demais lembrar que fomos desclassificados nos últimos mundiais por seleções européias. Mas como diz o Casseta e Planeta da Globo: “os seus problemas acabaram”. É o que veremos em 2014.

10 agosto 2010

Passione pelo Brasil

Saulo Duailibe*

Na noite desta terça-feira, a Seleção Brasileira faz o primeiro jogo após a eliminação da Copa do Mundo da África e do fim da era Dunga. Toda renovada, desde a comissão técnica ao time, a seleção, enfrenta os EUA, às 21h, em Nova Jersey.

Quem estava ansioso para ver a ‘Molecada do Santos’, e até uma dupla animal, com Pato e Ganso, vai ter esperar mais um pouco. A Rede Globo não abriu mão de exibir mais um capítulo da novela Passione, que passa no mesmo horário do jogo.

Agora o torcedor canarinho tem que sair de casa para poder prestigiar a nova fase brasileira e assistir a partida em botecos ou bares. Ou assinar uma TV paga. Mas a maioria vai ver Totó correr atrás de Clara e deixar uma fortuna pelo amor de uma mulher que poderia ser a filha dele.

Ou melhor, olhar Reynaldo Gianechinni tentar fazer um papel de vilão, enquanto Bruno Gagliasso faz um bígamo com duas mulheres lindas e ricas. Além de assistir uma mulher fútil, a Clô, casada com Francisco Cuoco, que interpreta um dos piores papeis da carreira, fazer de tudo pela decoração da casa nova. Este que é o único momento hilário do folhetim.

E, acima de tudo, quando as cenas vão para a Itália fica pior. Todos falam uma língua ainda desconhecida para os estudiosos: o ítalo-português. E assim também era na novela Caminho das Índias, onde o Harebaba se misturava gírias brasileiras.

Na maioria das vezes não podemos escolher o que degustar na programação da televisão. As emissoras que detém os direitos de imagem fazem o que querem e tudo pelo lucro incessante.

Um exemplo: a Globo compra o direito de transmitir o Brasileirão e libera os piores jogos para as outras emissoras. E quando não libera a mesma partida.

Na verdade, não controlamos nem mais o que pagamos. Se a televisão é minha, assisto o que quiser, mas não é assim. Pagar não é poder.

*Saulo é jornalista, editor de O Imparcial Online (www.oimparcial.com.br), portal de notícias do Maranhão

02 agosto 2010

O fim está próximo?

Pedro Henrique Freire

O rádio nasce. Será o fim dos jornais. A tevê nasce. Será o fim dos jornais. A internet nasce. Será o fim dos jornais. Agora os e-readers, os tablets chegaram... Será o fim dos jornais? Estamos diante, pra variar, de mais uma conjuntura apocalíptica para os jornais. Depois que a Apple inventou o Ipad, um tablete digital que só falta falar, a discussão gira em torno da existência (e persistência) do impresso de cada dia.

Em setembro, o tradicional e marcante Jornal do Brasil fecha seu parque gráfico após 119 anos em circulação. Economicamente, bom pra ele: não irá gastar mais com chapas, tinta, toneladas de papel, manutenção de máquina, entre outros custos inerentes a produção de um impresso.

Mau porque perde sua marca, seu charme de ser chamado de jornal, sua influência, seu leitores e sua credibilidade. Agora vai existir apenas na internet. Não será mais o Jornal do Brasil. E, sim, o Portal do Brasil. Não é a mesma coisa, convenhamos.

O que fazer para reverter essa tal “decadência”, há décadas discutida e incompreendida por todos? Eis que com os e-readers e tablets surge uma nova interpretação da crise, amadurecida naturalmente pelos trancos e barrancos causados pelo rádio, tevê e internet. Não queremos fugir do afogamento, mas estudar o melhor modelo de mergulhar e explorar com profundidade o mar dessa nova tecnologia.

“O desafio é usar os e-readers e tablets para vender conteúdo, evitando os ‘erros’ cometidos com a migração para a web. Os efeitos da gratuidade ainda assombram”. Quem fala é o estudioso em comunicação Kerry Northrup, da Western Kentucky University, que acompanha a alarmante adesão à nova tecnologia pelos Estados Unidos.

É um passo. Afinal, hoje investimos em tecnologia quase por uma imposição da modernidade. Somos obrigados a acompanhar as novidades do meio e implementá-las. Se pudermos gastar ganhando, mais justo. A crise, ninguém esconde que há. Mas é uma crise dos jornais. E não do jornalismo. E ela existe há muito tempo. A morte deste papel já esteve próxima por diversas ocasiões. Será que agora ela chegou? Não creio.

28 julho 2010

(Quase) Adeus, leitores...


Prezados jornalistas, tive acesso, acidentalmente, aqui nosso humilde Maranhão, à carta enviada aos assinantes do Jornal do Brasil e assinada por Humberto Tanure, irmão de Nelson, dono futuro-ex-Jornal do Brasil.

Segue a imagem com a carta, assinada. Ele discorre sobre uma nova era do períodico, na qual se tornará o "Portal do Brasil" (digamos assim) e não mais o "Jornal do Brasil". Serve para avaliarmos e tirarmos as nossas próprias conclusões.

Devemos acreditar nisso? No fundo, mesmo que por uma medida "economico-compulsória", ele não estaria certo?

Abraços a todos

22 julho 2010

É o fim ou o fim da picada?

Outro dia conversava com meu chefe e pedia-lhe permissão para ir ao Congresso Brasileiro de Jornais, realizado a cada biênio pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) – veja o serviço abaixo. Falava do nosso interesse sobre o tema que será discutido (Jornalismo e Democracia na Era Digital). Conversa vai, conversa vem, ele me incumbiu: “Preciso que me tragam alguma solução nesse aspecto. Não que tenha deixado de acreditar no papel, mas precisamos discutir aqui novos meios de transmitir informações”.

Não sei se estamos abatidos pelo fechamento do Jornal do Brasil, na última semana, ou se definitivamente consideramos que as novas mídias estão permitindo que árvores vivam mais e jornais vendam menos. O fato é que todos discutem agora a presença dos tablets ou e-readers como ferramenta de transmissão de informação. Será que irão substituir o papel (e o papel) dos jornais? Isso representa o começo do fim dos clássicos impressos ou o fim do jornalismo?

É o fim ou o fim da picada quererem matar os jornais de novo? Não tenho ideia.

Lendo a reportagem de capa do jornal da ANJ deste mês, uma frase fixou na mente: “O desafio é usar os e-readers e tablets para vender conteúdo”. Concordo. Até porque já se gasta dinheiro demais com a produção de conteúdo na internet, onde tudo é de graça. Gastar mais para dar de graça de novo pode ser insustentável a pequenas empresas. Concordam? Veremos. Após o Congresso escreverei mais sobre o tema.

Congresso Brasileiro de Jornais – Ano 8
“Jornalismo e Democracia na Era Digital”
Palestra com Robert Thomson, editor do The Wall Street Journal
Otávio Frias Filho, diretor de redação da Folha de S. Paulo
Francisco Amaral, da Cassis i Associats

Entre outros feras.

Mais informações: www.anj.org.br

19 julho 2010

Imparcialidade espanhola

Por Daniel Brito

Na Espanha é assim: reporter pode se pegar com jogador ao vivo, jornalista pode usar camisa da selecao na redacao e esquecer-se do fechamento...

Olha ai como a redação do Diario Marca, um dos mais renomados veículos esportivos do planeta sediado em Madrid,, assistiu aa final da Copa.

08 julho 2010

Os cinco clichês da Copa de Catorze (até que a bola role)

Por Daniel Brito

A "Copa de 14" (aspas para Ricardo Teixeira e sua maneira de se referir ao próximo mundial) tem tudo para ser uma das mais chatas até que a bola role.

Por quê?, você vai me perguntar.

Por causa dos assuntos que vão bombar na imprensa até que o Brasil enfrente os Emirados Árabes em 13 de junho, na abertura da Copa em um futuro White Elephant que está por venir.

Abaixo, relaciono os cinco temas preferidos dos jornalistas para a Copa de 14:

1 - Arenas verdes
Brasil fará a Copa verde. Por causa do aquecimento global, o Brasil é personagem principal no cenário internacional para conscientizar as pessoas da importância de se jogar futebol em verdes relvados, em estádios com teto solar, reuso da água da chuva... (Enquanto isso, em 2018, Qatar surge como favorito por propor a criação de 12 arenas completamente climatizadas no deserto)

2 - Arenas multiuso
Futebol por si só não sustenta estádio. As arenas tëm que ser multiuso. Todos os anos, cada um dos estádios da Copa de 14 vai receber um show do Elton John, outro do Rolling Stones, Madonna. Só assim eles vão se sustentar e não virar White Elephants.

3 - Licenciamento ambiental
Como Fortaleza, Salvador, Recife, Natal, Cuiabá e São Paulo (metade das cidades sedes) ainda não tem estádio pronto, vão ter que encontrar uma área adequada para tal. Vão descolar um terreno baldio na perifa (O estádio de recife, veja voce, vai ser em ...Olinda!!) e desmatar. Acontece que aquele terreno baldio, na verdade, era zpna de proteção ambiental. E para desapropriar a área serão necessários dois anos de análises do Ibama.

4 - PPP
O Estado, sempre previdente, não vai bancar pelos estádios novos. Que venham as empreiteiras e os consórcios. Vamos celebrar as parcerias público-privadas. Nosso castelo de cartas marcadas, trabalho escravo, nosso pequeno universo.

5 - Tribunal de Contas da União
É hora de conhecermos os nomes dos ministros do TCU. Eles serão inseridos paulatinamente em jornais e revistas, e depois portais noticiosos e transparentes e, em seguida, matérias de tv. Quando eles estiverem bombando na TV é pq o monstro já vai estar formado. Os ministros que serão cobrados por fiscalizar os gastos pelas arenas verdes (1), arenas multiuso (2), os gastos para agilizar o licenciamento ambiental (3)e as parcerias público-privadas (4). Se eles vão conseguir...Aí é outra história!

25 junho 2010

Torcer ou não torcer, eis a questão

Por Mário Coelho*

Época de Copa do Mundo de Futebol sempre traz uma série de questões. Os debates ficam mais acalorados. Nos bares, nos fumódromos, no ponto de ônibus, a competição é um dos principais assuntos. E, ao cabo disso, vem a discussão sobre o papel da imprensa na cobertura esportiva. Seja qual for a posição, é quase certeza que vamos apanhar. Agora, se é para levar porrada, que pelo menos seja pelo motivo certo.

Em uma das coletivas de Dunga & Cia, o auxiliar técnico Jorginho fez um discurso emocionado sobre qual, na concepção dele, deveria ser o comportamento da imprensa. Invocou o patriotismo, disse que nessas horas devemos torcer pela seleção da CBF. Em outra coletiva, já na África do Sul, desafiou um jornalista que criticava a equipe. Não disse quem era, mas falou que queria o debate.

Depois veio a história do Dunga com a Globo. Ali, mistura-se jornalismo com entretenimento, com negócios da maior empresa de comunicação da América Latina. Nem tanto ao céu, nem tanto à terra, ambos tinham suas razões e seus erros.

Dunga acertou em bater no peito e acabar com privilégios.

A Globo, em reclamar o cumprimento de um acordo.

Um errou por mostrar-se mais mal educado do que o normal.

A emissora, em agir de forma promíscua com o presidente da CBF.

Enfim, não quero falar sobre isso, nem sobre o cala-boca Globo, Tadeu Schmidt ou qualquer outra pessoa. Esse pensamento binário no twitter me irrita. Talvez por imposição dos 140 caracteres, as pessoas sejam forçadas a se mostrarem maniqueístas.

Sei lá, às vezes dá uma preguiça de debater o bom debate nesses termos.

Ok, voltemos ao que queria escrever desde o começo.

Pede-se que a imprensa seja imparcial. Tá, acho que ninguém percebe que não existe imparcialidade no jornalismo. Isso simplesmente porque o ser humano não é imparcial. Médicos não atendem e tratam parentes por conta da falta de isenção. O nepotismo é proibido e condenado por conta disso também. Então por que nós, que relatamos os fatos devemos ser desse jeito?

É claro que reconhercemos que somos parciais não é motivo para fazer um trabalho tendencioso. São coisas completamente diferentes. A verdade não é única, não tem apenas um lado, mas sim vários. Ouçamos todos. Depois, é deixar para os leitores/ouvintes/
telespectadores tirarem suas conclusões. Só que, ao ouvir tantas queixas sobre a cobertura da imprensa e sobre jornalistas, as pessoas não sabem o que querem.

Leio no twitter e em blogs que jornalistas são, em sua maioria, tendenciosos, safados, um bando de mau caráter, prontos para sacanear o primeiro que der mole. Sim, eu digo, alguns são tudo isso. No entanto, os mesmos que criticam e cospem, são aqueles que mostram uma matéria com um ponto de vista que o agradam.

É fato, então, que o jornalismo que agrada é aquele que vai ao encontro da nossa opinião.

O Daniel costuma dizer que eu sou o único torcedor do Avaí fora da Ilha de Santa Catarina. É mentira, conspiração de um trezeano. Ok, isso não tem nada a ver, eu só queria dar uma cutucada no moleque. ;) O fato de eu ser avaiano me faz ler uma série de blogs de torcedores diariamente. Raramente eles trazem informações. A grande maioria dá pitaco, faz comentários e clipagens do que sai sobre o time na imprensa tradicional.

Apesar de usarem a imprensa tradicional como base para abastecerem seus blogs, a grande maioria deles diz que os veículos da principal empresa de comunicação do sul do país persegue o Avaí. Xingam, dizem que os gaúchos são tendenciosos, que é um desrespeito que fazem com a equipe, blá blá blá.

Quando sai algo contra o Avaí, é um deus-nos-acuda. Vêm à tona uma porção de teorias da conspiração. Porque a empresa quer que o Avaí caia de divisão, morra de inanição, etc. Se alguém noticia que o treinador atual recebeu convite de uma equipe x, é golpe para desestabilizar a equipe. Aí, dias depois, o próprio treinador reconhece que recebeu proposta mas negou, ninguém fala nada.

Basicamente, o que torcedor na sua grande maioria quer, seja ele do Avaí, do Treze de Campina Grande ou da seleção brasileira, é de ler coisas positivas e fatos comuns do dia a dia. É falar sobre a contusão do jogador, a escalação do time, a confirmação oficial de um patrocínio. Poucos querem saber da cobertura de bastidores, da cobertura política ou econômica do esporte. Por conta da paixão, atacam quando algo foge do normal. Como se não fosse notícia do mesmo jeito.

*Mário Coelho é o único torcedor do Avaí fora da Ilha (há controvérsias), foi sócio contribuinte inadimplente deste blog e foi retirado das fileiras "do mesmo" por absoluta incompetência do administrador "do mesmo"

05 junho 2010

Top 5 clichês da imprensa brasileira na Copa do Mundo na Sud'Africa

Por Daniel Brito

5 - País tropical, abençoado por deus, bonito por natureza. Que beleza! Em fevereiro... - Semelhanças entre Brasil e África do Sul. O ceticismo quanto à capacidade de organizar um evento tão grandioso, a roubalheira, a corrupção, os problemas estruturais como energia eletrica, rede hoteleira, aeroportos, estádios em formato de elefantes-brancos...


4 - A alegria do povo africano - Essa gente bronzeada que mostra seu valor. Que canta, que ri, que alegra os estadios e as ruas da south afrika com sua ginga, sua malicia, sua malemolencia.

3 - O sofrimento do povo africano - Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas. Massacrado pelo branco europeu e sua mentalidade imperialista, que tolheu a liberdade desse povo e deixou cicatrizes que não serao apagadas nem tao cedo. Talvez nunca mais.

2 - Lei da selva - Bem-vindo à selva, nós temos diversão e jogos. Não tem direito de errar. O mais forte sobrevive e chega à final. É o mata-mata, amigo. Haaaaajjjjaaaa coração!

1 - United Colors of football - O futebol como a união dos povos e das raças. As diferenças históricas deixadas de lado em prol de um mundo melhor, que assiste futebol, que torce, que vibra, que se emociona junto.Imagine todos os povos vivendo num mundo em pazzzz...u-uuhhh. You may say i'm a dreamer...


Reproduzido do blog bolaetudo.blogspot.com com a devida autorização e os direitos reservados ao autor da obra.