01 junho 2008

Bola fora

Por Léo Alves

Eu publiquei no meu blog de esportes.

O Juca Kfouri no dele.

O colega Expedito Madruga do Jornal da Paraíba já estava com uma página pronta sobre o assunto.

A maioria dos jornalistas embarcou na (falsa) pesquisa Gallup sobre as torcidas no Brasil. Aqui na Paraíba o time do Treze chegou a publicar em seu site oficial.

A pesquisa fazia um levantamento da quantidade de torcedores de cem times brasileiros. Era intitulada “A Maior Pesquisa da História”.

Quando recebi o mail de um dos poucos leitores do meu blog o assunto já estava amplamente divulgado.

Como todo mundo já tinha divulgado não quis ficar pra trás.

Divulguei. Mas divulguei desconfiado.

Primeiro porque a pesquisa estava publicada apenas num blog, o gallupnobrasil.blogspot.com

Entrei no site do Gallup. A pesquisa não estava.

Achei estranho um instituto publicar uma pesquisa dessa proporção apenas num blog.

Outro fato me chamou atenção. É a única postagem do tal blog. As outras quatro são em inglês.

Desconfiado enviei um mail para a Editora Ática, que segundo a notícia teria pedido a pesquisa, e para o Instituto Gallup.

A “eficiente” assessoria de imprensa da editora nunca me respondeu. Não demorou mais de duas horas pro Gallup enviar a resposta desmentindo a pesquisa.

Nesse período outro blog desmentia a pesquisa. O Uol publicava uma errata. Juca Kfouri se desculpava: “Mil perdões! Errei feio. Cai num conto que não poderia cair. A "pesquisa" do Gallup não existe. Obra de algum engraçadinho para enganar trouxas. Como eu!”

Realmente fomos todos trouxas. Impulsionados pela velocidade da internet esquecemos o básico do jornalismo: checar a fonte.

Tudo bem que o texto do blog era até convincente.

Mas não tem desculpa. É um erro divulgar sem checar.

Esse fato apenas externou algo que vem acontecendo há alguns anos. A geração internet de jornalistas muitas vezes apenas reproduz o que está na internet. Nada de checagem.

É só “Ctrl C” e “Ctrl V”. Tudo resolvido.

A falsa pesquisa Gallup deu uma lição em todos nós. Aliás uma lição que todos já sabíamos, mas vez por outra, seja por acomodação ou por qualquer outra coisa, esquecemos: não se pode confiar em tudo que está na internet.

Não resta dúvida que é um excelente instrumento de trabalho para o jornalista, mas é nela que surgem as chamadas “lendas urbanas”.

“Lendas urbanas” são aquelas histórias repassadas por mail para vários lugares. Em cada estado é adaptada à realidade. E todo mundo conta como se fosse verdade.

Só para lembrar uma. Tem aquela do cara que está no cinema no shopping é seqüestrado dentro da sala. O seqüestrador o obriga a fazer várias compras usando o cartão de crédito no shopping.

Recebi esse mail de uma colega de trabalho para checar a informação. Também recebi outro de um possível eclipse. Nesse eu quase embarcara. Um astrônomo evitou o vexame.

Exemplos não faltam.

A “pesquisa” Gallup relembrou pra gente nunca mais - nunca mais mesmo – esquecer: não dá pra confiar em tudo da internet.

E nunca deixar de lado o que aprendemos nos bancos da faculdade: sempre checar a informação com a fonte. De preferência com mais de uma.

29 maio 2008

Os extremos da cobertura de um ídolo

Fazia tempo que eu não conseguia ler a Folha de São Paulo com atenção. Como assessor de uma parlamentar do DF, me preocupo com os quatro jornais diários de circulação local, as duas rádios de notícias, internet, televisão, e por aí vai. Sem contar as demandas naturais de uma assessoria, que está longe de se limitar à simples ponte entre imprensa e assessorado. Na última segunda-feira, esperava no plenário da Câmara Legislativa o início de uma audiência pública organizada pela minha chefe. Para passar o tempo, peguei o jornal paulistano.

O que eu li nas páginas de Esporte há três dias me emocionaram. Depois de anos e anos, a Folha tinha mudado de lado. Um embarque tardio na popularidade de um ídolo ímpar do esporte brasileiro. O jornal, finalmente, fazia uma cobertura honesta do tenista Gustavo Kuerten, o Guga. Foram três páginas redigidas sem exageros, com recursos de edição como opinião de colunistas, lembranças da carreira e boas matérias sobre a partida de despedida do catarinense em Roland Garros.

Durante todo o tempo que Guga ficou no topo, entre os melhores da modalidade, eu comparava duas coberturas, que pra mim estavam em lados totalmente opostos e que tinham como única semelhança o fato de estarem erradas. O grupo gaúcho RBS, que detém o monopólio da imprensa em Santa Catarina, era e é entusiasta demais. Nunca abordava os problemas de contusão, as confusões, os problemas de patrocínio de maneira adequada. Chegaram até, dando uma demonstração de absoluta falta de profissionalismo, a construir uma estátua de bronze do tenista. A família, com noção das coisas, declinou da homenagem.

No outro lado, estava a Folha. Apesar do manezinho da Ilha ser primeiro do mundo por 43 semanas, tricampeão de Roland Garros, o jornal sempre achava um motivo para bater no Guga. Lembro bem do famoso título "Guga troca ouro por dinheiro", quando ele afirmou que não iria aos Jogos Olímpicos de 2000 por não poder usar o uniforme de seu patrocinador. Tanto brigou com o Comitê Olímpico Brasileiro que sua vontade foi respeitada. Afinal, se a CBF pode usar a Nike, por que ele não usaria a Diadora?

Nem tanto ao céu nem à terra, diria o chavão. De todos os veículos, quem conseguiu fazer uma cobertura equilibrada dos 11 anos de Guga no circuito mundial foi o Estadão, onde nosso amigo DB está hoje. O motivo é bem simples. O jornal paulistano era o único que tinha um repórter que cobria tênis há um bom tempo. Os outros veículos foram pegos de surpresa. Até descobrirem como cobrir um esporte considerado elitista, para riquinhos esnobes, levou um bom tempo. Aí todos exageraram na dose. Uns a favor, outros contra. Em comum, o erro de todos.

Sei que fiquei feliz com a maneira como a Folha mudou. Hoje, com outro editor de Esporte, talvez a filosofia tenha mudado. Já a RBS continuou da mesma maneira, errando a mão nos elogios, no ufanismo. Como se Guga fosse um Policarpo Quaresma moderno. Chega a ser bizarro. Mas esses lados revelam que nossa imprensa esportiva muitas vezes não está preparada para novidades como foi o Guga. E que não consegue se ajustar no meio do caminho. Tudo que aconteceu nesses 11 anos é prova de que, na verdade, temos uma imprensa de futebol, quase cega para os tais "esportes olímpicos". O que é uma pena.

20 maio 2008

O deus da pauta

Por Daniel Brito

Fui apresentado, nos últimos dias, ao deus da pauta.

Na tarde desta terça-feira, vivi um lapso presencial dele aqui na gigante redação suspensa na qual trabalho atualmente.

Um depoimento qualquer da CPI dos cartões corporartivos foi abruptamente interrompido para a exibição, ao vivo, de imagens aéreas de São Paulo com uma enorme mancha de fumaça preta descolorindo a selva de pedra.

Todos na redação se voltaram para as televisões espalhadas pela redação esperando o pior...ou o melhor mesmo! Quanto pior a notícia, melhor para o jornalista!

A GloboNews preencheu as expectativas: um avião comercial, da empresa Pantanal, caíra sobre um prédio comercial próximo ao aeroporto de Congonhas.

Editores, que já riscavam as páginas normalmente, desfizeram tudo e começaram a separar a página para mais uma tragédia da aviação na capital paulista. Repórteres apanhavam celulares, às pressas, na secretaria da redação, para cair em campo, motoristas alinharam os carros no pátio para transpor o interminável congestionamento.

Cinco ou dez minutos depois de entrar no ar com o flash 'bombástico', a GloboNews anunciou que a fumaça era originada de um incêndio numa loja de colchão. Neste momento, espalhou-se pela redação um sonoro:

Aaaaaaahhhhh

Apesar dos traumas que uma tragédia aérea causa na cidade, nas pessoas e até nos jornalistas, todos aguardavam uma notícia forte, por que não dizer triste, para explorá-la até a última gota de sangue?

Eis, portanto, a ocupação do deus da pauta.

Ele faz o mundo girar em torno de notícias extraordinárias. Como um galanteador campeão mundial de futebol ser encontrado com travestis num motel de duas estrelas. Uma criança ser atirada pela janela pelo próprio pai. Um avião perder o ponto da freada e ir de encontro a um prédio a alguns poucos metros de distância da cabeceira da pista. Ele quer que o presidente deixe sua impressão digital em transações escusas e mal explicadas.

O deus da pauta é quase um facista. Ele gosta de crescer os gigantes. No esporte, ele quer que os grandes se matem numa final eletrizante de campeonato. Não é um facista por completo porque
ele também torce para que os pequenos desmoralizem os grandes, quando eles se cruzam em momentos decisivos.

Por outro lado, já pensando no nosso lado cidadão, o deus da pauta é responsável pela guerra no Iraque, o aquecimento global, o conflito de terra na Região Norte...

É exatamente o deus da pauta que nos faz pensar que o mundo está se acabando!

08 maio 2008

A morte e a morte de Isabella Nardoni

Por Daniel Brito

Recente pesquisa publicada pelos jornais paulistanos mostrou que mais de 95% da população da cidade sabia do caso Isabella. Parece uma obviedade, mas o dado é importante para apontar a (d)eficiência do trabalho da imprensa nesta história.

A tragédia comoveu por envolver pessoas de classe média, que, até então, não aparentavam graves distúrbios de convivência social nem em família. Como os jornais e a tevê são voltadas para a classe média, a história rendeu quilômetros de páginas de jornais e semanas de reportagens de televisão.

A primeira notícia, ainda em março, de que uma menina havia caído do sexto ou sétimo andar (sei lá) buscou informações básicas (quem, como, onde e por quê), além de fotos. Como um soco na boca do estômago, começou-se a suspeitar do pai e da madrasta ao mesmo tempo que as imagens de uma Isabella espontânea em fantasias carnavalescas e com seus dentinhos de leite se espalhavam pela imprensa para dramatizar ainda mais a história.

Influenciados pelo velho clichê hollywoodiano e novela global, em que os bandidos e os mocinhos sempre estão muito bem definidos, as baterias foram voltadas para o pai e madrasta. Se tivéssemos que definir algum papel neste caso, na minha pálida opinião, seria a do mocinho.

Na busca incessante de culpar quem estivesse mais perto o mais rápido possível (coisa que a polícia e a justiça no Brasil não estão acostumadas a fazer), Isabella foi morta novamente para que os "detalhes técnicos" viessem à tona:

- asfixiada por três minutos;
- marcas de sangue no lugar X;
- hematomas na região Y;

Chegou-se ao cúmulo de mostrar as marcas dos dedos da menina tentando se agarrar à janela antes de ser atirada, numa imagem cruel, aterrorizante e totalmente desnecessária para o grande público.

Público, aliás, que alimentou a história. No jornal onde eu trabalho, cada depoimento exclusivo de vizinhos fofoqueiros estampados na capa, a vendagem subia cinco mil exemplares.

Até onde pude acompanhar, Isabella foi morta pelo pai, mas sua imagem, sua pequena história e o sentimento de compaixão que ela despertou quando das primeiras notícias da tragédia foram brutalmente assassinadas a partir do momento em que polícia e imprensa passaram a jogar Scotland Yard em público e fizeram questão de exibir as vísceras de modo que 95% da população de São Paulo soubesse da história.

22 abril 2008

Jornalismo, emprego e Fórmula 1

Por Pedro Henrique Freire

Eu troco pouco de emprego. Comparado a vários colegas e amigos jornalistas que tenho e conservo. Quando fui contratado como repórter pela primeira vez, conheci um grupo bom. Éramos uma equipe animada e competente. Aos poucos, ela se desfez. Uns pediram demissão, outros foram demitidos. Achei que pudesse ser um fenômeno atípico. Que nada. Isso é da nossa profissão. Uns saem, outros entram.

Aliás, muitas profissões são assim: rotatividade pura. O que é hoje não é amanhã. Tive oportunidade de conversar com alguns desses amigos jornalistas justamente no momento de transição. Desde que receberam a proposta até deixarem o emprego, por exemplo.

Em todos os casos, nunca vi alguém mudando pra pior. Mas, sempre com aquele discurso: “Vale arriscar! Estou novo”. Exatamente isso. Vale mesmo. Acho que passar por diferentes ambientes de trabalho é extremamente proveitoso. Só enriquece nossa capacidade de conviver em equipe, entender os limites das diferentes empresas e, claro, ser chefe.

E aqui enfatizo: ambientes diferentes nos trazem experiências diferentes. No final delas, nossa bagagem é grande e capaz de perceber (e resolver) os problemas com mais facilidade.

Pense na Fórmula 1: imagine um piloto que correu a vida toda no GP do Brasil. Quando ele chegar em Mônaco, ficará perdido. Correrá mal. A resposta é fácil: ele só correu em uma pista. Acostumou-se as mesmas subidas, descidas, direitas e esquerdas. Com um tempo, automatizou seu serviço. Ou seja, continuou pilotando, mas sem inovar na postura, empenho e idéias.

É uma comparação meio esdrúxula. Mas trocar de emprego, em jornalismo, quase sempre evita a acomodação, nos impõe novos desafios e acaba por nos atualizar e fazer crescer. É uma visão otimista, claro. Mas é meu modo de entender isso.

Não trocar de emprego, hoje, é uma das minhas maiores angústias. Trabalhei, firme, em três lugares. E na empresa onde me encontro agora, pretendo ficar a vida toda. Não por acomodação. Mas porque meu desafio é esse. E enfrentá-lo talvez seja bem mais difícil que pular de emprego em emprego.

Mesmo assim, continuo com a certeza: se trabalhasse em mais jornais (grandes, pequenos e médios) e mídias distintas, teria uma bagagem e tanto. No futuro, seria um melhor profissional.

***

Tenho curiosidade de colher alguns testemunhos dos amigos que deixaram o emprego com um friozinho na barriga nos últimos meses. Dos mais antigos com os quais conversei só ouvi coisas boas. Estranharam o novo habitat, claro. Mas acabaram confirmando e aprovando a decisão que tomaram.

Mudar na carreira é algo que muitos evitam. Mas todos precisam. Aprovo sempre a decisão do funcionário que abraça novos desafios, muda de emprego, de vida, sem medo de errar. Por isso, se um dia eu for chefe, direi ao funcionário que me pedir pra sair a mesma coisa que ouvi da minha chefe no meu penúltimo emprego:

“Olha, não posso segurar você. E fico muito feliz que tenha sonhos assim e corra atrás. Torço por você e acho mesmo que deve enfrentar esses desafios. Por aqui, as portas estarão sempre abertas”.

17 abril 2008

Eu vivo para trabalhar

Por Daniel Brito

Todo dia eu faço tudo sempre igual, me sacudo às 8h da manhã....

Desço na banquinha, na Venâncio Aires, sete andares abaixo da minha janela, e compro o JT e o Estadão. Leio o caderno de esportes dos dois de cabo a rabo. Vejo as fofocas em Variedades no JT, folheio as notícias sobre o trânsito e passo para o Estadão. Leio as colunas do caderno de Cultura, as críticas de cinema e passo para Economia. Passo os olhos no noticiário, demoro mais cinco minutos no caderno de cidades e vou para o primeiro caderno. Leio a editoria de Internacional, dou uma bizurada em política e paro nas páginas 2 e 3 para ler Opinião.

Enquanto acesso aa internet, ligo no SporTV para saber o que rolou nos outros jornais. Almoço pensando na pauta do dia e chego no jornal com pelo menos um texto na cabeça.

Depois de oito, nove horas de expediente, volto para casa pensando no que escrevi.

Resumindo: eu vivo para trabalhar.

Dizem que os cariocas são os que melhor sabem viver, porque, sabem exatamente o que fazer quando não estão trabalhando. Vão malhar, vão correr com o cachorro na praia, vão remar na Lagoa Rodrigo de Freitas, vão tomar UM chopp, vão escalar a Pedra da Gávea...opção não falta!

Eu realmente admiro as pessoas que sabem encaixar a vida normal aos horários do trabalho. Porque, no final das contas, todo mundo vive para trabalhar. No meu caso, eu não reclamo porque fico muito satisfeito quando produzo algo novo. E o jornalismo me dá essa possibilidade.

Não é o caso de um cara que trabalha numa empresa de contabilidade, que passa 15 dias preparando um balancete, ou até mesmo um arquiteto - que é uma profissão sensacional - que demora meses produzindo um super-prédio no estilo neo-clássico. Ou até mesmo um bancário, que todo dia salva ou mata vida de um monte de gente, mas faz algo todo dia, nao é verdade, Da Silva?

No jornalismo tem aquela história de que tem que ser "repórter 24 horas por dia". Se cair um avião aqui em cima da banquinha na Venâncio Aires, agora de madrugada, eu vou lá embaixo apurar de qualquer maneira e NÃO vou cobrar hora extra. Muito pelo contrário.

Bom, deixa eu encerrar o assunto de hora extra nesta linha porque isso é muito controverso para jornalistas.

Aliás, se cair um avião na banquinha da Venâncio Aires, minha rotina vai mudar porque vou ter que procurar outro lugar para comprar o jornal.

Anyway, minha vida é regida pela redação. Pelos horários, temas, furos sofridos, entrevistas para cavar...

Todos os dias eu chego aa conclusão de que poderia ter feito muito melhor daquele jeito ou daquele outro. Durmo pensando no texto que vai ser publicado, para no outro dia acordar aas 8 da manhã e começar tudo de novo!

13 abril 2008

Terroristas para os chineses

Por Daniel Brito

Quem reclama do imperialismo norte-americano, mudaria de opinião se o imperialismo dominante fosse o chinês. Olha a confusão no Tibete aí para não me deixar mentir.

Antes que me xinguem de "amigo do rei", deixe-me esclarecer que foi o exemplo mais prático que pude encontrar para entrar no assunto da China. Essa comparação, inclusive serve para um post futuro (todos os posts deste blog ficaram para o futuro. Uma pena...) sobre a briga Record x Globo.

Aliás, se a Olimpíada de 2008 fosse nos Estados Unidos, o mundo pediria boicote ao evento por causa da ingerência norte-americana no Iraque, por exemplo?

Humpf...

Mas o governo chinês já encontrou um culpado para o caso de seus jogos olímpicos ficarem marcados por protestos, revoltas populares e invasões: a imprensa internacional.

A partir do momento que as agências repassam para o resto do planeta as imagens e notícias de tentativa de sabotagem da inocente tocha olímpica nas ruas das cidades mais simbólicas do planeta, elas incentivam mais e mais protestos.

Quando a tocha desfilou escoltada por dezenas de soldados na Inglaterra ou na França, não me lembro bem, uma atleta paraolímpica da China chegou a abraçar a tocha para evitar que alguém tentasse roubá-la de suas mãos. Essa atleta virou heroína para os chineses. O gesto foi bonito, mas no mesmo dia os jornais de lá noticiaram outra história além disso.

Eles preferiram mostrar o lado festivo do evento e criticaram o que chamaram de atitude ''desprezível'' dos grupos pró-Tibete. "Os protestos foram 'irrelevantes e insignificantes'', lembrou uma reportagem, que copio e colo aqui.

Para o governo, controlar os chineses, tudo bem...A começar pela imprensa. Até porque, a maior parte dela é oficial. O grande lance vai ser evitar os gringos, que vêem como combustível as notícias de protesto com amplo destaque pelo mundo afora.

26 março 2008

Agenda (quase sempre) desatualizada

Por Léo Alves*

Todo jornalista sabe que precisa ter uma agenda telefônica atualizada. E sempre à mão. Afinal, ninguém sabe a hora que será preciso contactar uma fonte.

Para quem trabalha em produção de tevê é inadmissível não ter uma boa agenda. É o produtor quem marca pautas, checa informações junto à fonte e apura as notas pés. Tudo por telefone.

O trabalho do produtor tornou-se mais difícil depois da popularização.

Na verdade não sei se a expressão certa é popularização. Refiro-me à facilidade de trocar de número de celular hoje em dia com esses chipes.

As pessoas são atraídas por aquelas promoções: “compre dez reais, ganhe cem”.

Não conto as vezes que liguei para um número (que seria da fonte) e outra pessoa atende.

Aqui na Paraíba tem um prefeito que troca de número todos os meses para não ser incomodado.

E ainda tem o identificador de chamada. Quando a fonte reconhece o número e não quer atender, recusa com um simples toque no teclado.

Esta semana liguei para um prefeito – depois de ter conseguido seu novo número – e ele não atendeu. Suspeitei que ele não atendia porque se tratava de um número estranho. Confirmei com um assessor. E tive que mandar uma mensagem informando que queria uma entrevista.

Menos de cinco minutos, o prefeito me ligou de volta.

Nessa época de chipes, de acesso fácil ao celular manter a agenda atualizada é mais um desafio do jornalista.

*Uma das poucas pessoas que mantém o número de celular há mais de doze anos.

03 março 2008

100% notícia?

Por Pedro Henrique Freire

Pode ser controverso, mas é verdadeiro: jornalistas de redação são apaixonados por notícia. Mas só vão atrás dela por dinheiro. Mais controverso ainda: indignam-se quando o jornal tolera o indesejável em busca da sobrevivência. Pura contradição: trabalham por dinheiro (salário) e contra o que lhes dá dinheiro (parcerias).

Mas tudo isso, em tese, claro. Existem aqueles que vão atrás da notícia porque adoram dar furo, apreciam a adrenalina da investigação ou simplesmente gostam de descobrir, escrever e ver seu nome assinando uma informação exclusiva. Mas nada disso seria possível sem um salário, até para viabilizar a produção.

Falo porque é comum escutar jornalistas sentarem à mesa de um bar para criticar a empresa para qual trabalham. Eu mesmo sou um deles. Mergulho em profunda irritação quando vejo que uma boa pauta foi sacada das páginas “em prol da estabilidade” empresarial. Não acho que devamos esconder a verdade para encher os cofres do jornal.

Por isso, porém, pensando friamente, chego a dizer que somos potenciais “quebradores” de mídias privadas. Arrisco-me a achar que até posso entender a reação de alguns dirigentes.

Lá vai:

Imagine-se trabalhando numa empresa cuja principal parceria pode desmoronar após a primeira “coça” que o tal parceiro levar do jornal. O chefão, aquele que no final diz o que pode ou não ser publicado contra quem sustenta a empresa, lembra que terá dificuldades em sustentar os 100, 500 ou 1000 funcionários que ali trabalham (inclusive você) caso desagrade o tal parceiro. O que ele faz? Arrisca-se?

Duvido. Manda vetar a matéria. Sobretudo se ele não for jornalista, mas, sim, um hábil negociador.

Para nós, que estamos ali no “chão de fábrica”, é difícil entender como um jornal “se vende fácil”. É porque estamos distantes das decisões da empresa. Olhamos só uma parte do processo.

Enrolo tudo isso pra dizer que a natureza do jornalista é combativa, mas somos humanos, com necessidades, limites e desejos. Portanto, ao menos uma vez na vida, iremos colocar a notícia em segundo plano e pensar simplesmente no dinheiro.

***

Temos que ser honestos: nossa profissão é pura sorte. Se hoje você entra numa redação, não pode imaginar que ficará por lá a vida toda. Não pode prever que será um fenômeno do jornalismo a ponto de ganhar rios de dinheiros. Às vezes acontece. Às vezes, não.

Para quem não tem tanta sorte, mesmo depois de tantas cervejas e tantas críticas que fez a sua empresa e elogios à “mídia combatente”, poderá ser seduzido por uma assessoria, que dará estabilidade e qualidade de vida que lhe permitam brincar com seu filho aos domingos, sábados ou buscá-lo na escola no final da tarde.

Humildemente...

25 fevereiro 2008

Vaga hereditária

Por Daniel Brito

O New York Times publicou, na semana que passou, uma matéria sobre o neto do criador da Toyota. Akio Toyoda tem 51 anos, 24 dos quais dedicados à maior montadora de carros do Japão. Seu pai, Suichiro, já era presidente da Toyota, mas nem por isso Akio foi privilegiado na carreira dentro da empresa.

Para começo de conversa, esse japinha estudou muito. Formou-se no Japão, fez MBA em Boston e virou investidor em Nova York. "Ninguém quer ser seu chefe. Mas se você quer trabalhar aqui, que seja pelo caminho normal", avisou o velho Suichiro quando Akio expressou o desejo de integrar a "família Toyota". Aos 27 anos integrou-se ao negócio da família como trainee, diga-se.

Na reportagem, traduzida para o português e publicada no domingo na Folha de São Paulo, o repórter deu um contraponto à declaração do pai ao dizer que o sobrenome facilitou o caminho do garoto na escalada até a diretoria. Ao mesmo tempo que o texto mostra que Akio mostrou muita competência para chegar ao topo porque passou por todos os setores da indústria, "menos na engenharia".

Agora, uma pergunta:
Quem vai criticar a família Toyoda por ter colocado parentes de primeiro grau na fábrica?

Toyota é o carro importado mais vendido nos Estados Unidos, além de ser o veículo mais "popular" do Japão.

Certamente, se o velho Toyota, criador da fábrica há milhares de anos-luz, fosse um vendedor de maçãs, ele colocaria seu filho para trabalhar no ramo, até mesmo para ajudá-lo. Aí as críticas, se é que elas existem hoje, pelo "nepotismo" jamais existiriam. Seria, sim, elogiado por ser um pai atencioso, que faz de tudo para sustentar a família.

Antes que me interpretem mal, é preciso esclarecer que não defendo aqui o nepotismo "tradicional", daquele que vira manchete de jornal porque deputados empregam 12 membros da família em seu gabinete para cada um faturar R$ 5 mil por mês sem pisar no congresso. Nem o nepotismo cruzado, quando os políticos distribuem sua verba de gabinete a parentes de alguém a quem deve um grande favor.

Os pais, naturalmente, servem de inspiração para os filhos. Ronald, filho do Ronaldo Fenômeno quer ser jogador de futebol. João Paulo Diniz, filho de Abílio Diniz, é empresário. Maria Rita é cantora, como foi sua mãe, Elis Regina. Ticiane Pinheiro é modelo, assim como Helô Pinheiro, a garota de Ipanema.... Posso passar o resto do dia aqui citando exemplos.

Ao mesmo tempo que a vocação vem como herança genética, a pressão e a necessidade de mostrar mais que o familiar "famoso" fez são dobradas. Caso contrário, o herdeiro cai no ridículo. Taí Edinho, filho de Pelé, para não me deixar mentir. Isso serve em todas as áreas.

Eu, por exemplo, passei os últimos 12 anos ouvindo que só estava no jornalismo por causa do meu pai, que não é famoso, não tem uma fábrica de carro, nem nada. Apenas dirigiu uma empresa de comunicação na pequenina e heróica Paraíba e me deu um grande incentivo. Aos 15 anos, comecei na rádio. Aos 19, fui para a TV. Fui criado ouvindo que só estava no ar por causa do meu pai. Nunca me importei com isso.

Aos 22 anos, me formei e vim para Brasília. Passei por um portal de internet, dois jornais. Em um deles, o último que estava, meu pai já havia trabalhado como editor dez anos antes de minha chegada. Isso, aliás, foi motivo para eu ouvir a crítica mais criativa e ácida que já fizeram ao meu trabalho. "Existe uma vaga hereditária na editoria de esporte". Nunca deixei de fazer o que sempre gostei de fazer por causa dessa afirmação, nem quis provar nada para o autor. Evitei, inclusive, de repassar a frase ao meu editor porque ele foi um dos mais atingidos com a crítica.

Agora estou de mudança para São Paulo. Vou trabalhar com pessoas que nunca vi antes, não sabem sequer tenho pai, mas que gostaram das reportagens que eu fiz no jornal onde a vaga "é hereditária".

14 fevereiro 2008

Vai um jabaculê aí?

Um punhado de alunos de jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina decidiu, em 2000, chamar alguns palestrantes, montar umas oficinas e dar início a primeira Semana do Jornalismo. Esse tipo de evento era comum em outros cursos da UFSC, como direito e economia. Uma boa oportunidade para ouvir gente mais experiente sobre as dificuldades da profissão e do mercado de trabalho. A iniciativa deu certo: apareceram o então editor-chefe do Último Segundo, Leão Serva, o então editor de fotografia da Folha de São Paulo, João Bittar, o então editor-executivo do Correio Braziliense, Chico Amaral, e Émerson Gasperin, então editor-chefe da ShowBizz, principal revista de música do país na época.

Gasperin, além de um dos melhores jornalistas da área cultural da república bananal, era ex-aluno do curso, o que fez a primeira palestra da sua vida ter lotado o principal auditório da universidade. Uma das perguntas mais recorrentes naquela noite, a penúltima do evento, era sobre jabá. Afinal, editorias de cultura são as que têm mais jabaculê disponível. Gasperin devolve com duas perguntas. "É jabá ganhar um CD?", questiona, de primeira. Os estudantes ficam calados. Ele logo responde: "Não, não é. E quem é que se vende por um CD, assim tão barato?", responde. O segundo petardo vem alguns minutos depois. "Uma gravadora oferece uma viagem com tudo pago para cobrir um show do U2 na Irlanda. Eu aceito ou não?"

Mais silêncio na platéia. "É claro que sim, porra. Os meus leitores querem ler sobre o U2, é relevante. E o fato da gravadora ter pago tudo não significa que eu vou falar bem da bada", disse. Mais aplausos. O que Gasperin realmente queria dizer é que o jabá pode ser analisado caso a caso. Você pode receber o presente, desde que não seja nada absurdo, não devolver e fazer uma crítica ao produto em questão. Ou então nunca aceitar os "bônus" que empresas gostam tanto de oferecer aos jornalistas. O que realmente importa é se o que você ganhou vai influenciar ou não na sua matéria. Falo de jornais, e não de rádios, onde as gravadoras realmente pagam para as músicas serem executadas. Ah, por sinal, foi justamente nas rádios que o jabá surgiu.

As editorias de cultura, como mencionei, são as que têm mais jabás baratos: livros, discos, ingressos para cinema e teatro, por aí vai. Com a lenta mudança para variedades, outros temas acabaram agregados. Gastronomia, arquitetura, decoração e até turismo fazem parte dessas editorias. E dá-lhe convite e lembrancinhas chegarem nas redações cada vez mais em estado de contenção de despesas. Alguns muito caros, outros com o valor do troco da padaria. Quase quatro parágrafos e eu chego onde queria (esse deve ser, provavelmente, o maior nariz de cera da história do filhos da pauta!): até qual valor é aceitável você ficar om o presente?

Algumas empresas de comunicação têm regras rígidas sobre o assunto. Outras deixam seus jornalistas com suas consciências. Em maio de 2005, um caso "abalou" a crítica musical brasileira. A revista Veja publicou a matéria "O mensalinho da Maria Rita". O que aconteceu na época: a gravadora da filha da Elis Regina, a multinacional Warner, presenteou 30 jornalistas com um iPod shuffle - aquele mais baratinho, não tem? - recheado com as músicas do segundo disco da cantora. A matéria era uma paulada em três direções: em um repórter da concorrente Época, na gravadora e na própria Maria Rita. Só para constar. O dicionário Houaiss diz que jabá é "dinheiro ou qualquer coisa usada para corromper alguém, para ganhar uma inserção publicitária".

Se era demais a Warner dar os iPods? Sim, com toda a certeza. Pior eram os jornalistas que aceitaram. O iPod não é somente caro; é um objeto de consumo, um ícone da Apple. Quase três anos depois, vejo que a prática de dar iPods para jornalistas não é exclusiva da Warner. O Portland Trail Blazers, uma das 30 franquias da NBA, a principal liga de basquete do mundo, fez a mesma coisa. Na tentativa de encaixar um dos seus atletas no All Star Game, o departamento de marketing da equipe mandou, para os principais setoristas de basquete dos EUA, um iRoy, uma edição especial do iPod Nano. O Marty Burns, da Sports Illustraded, escreveu sobre isso. Ele é um dos principais colunistas de NBA dos Estados Unidos.

Os dois casos acabaram de maneiras diferentes. No Brasil, serviu como bala de canhão de publicações rivais. Depois de toda a repercussão, quase todos os colegas negaram ter aceitado o aparelhinho. Se isso realmente aconteceu, ninguém realmente sabe. Já nos EUA o debate praticamente não existiu. Os colegas simplesmente acharam um exagero ganhar o mp3 player da Apple. E todos devolveram. Ah, os repórteres norte-americanos não têm influência direta na escolha dos 24 jogadores que participarão do jogo das estrelas. O quinteto titular de cada conferência é escolhido pelos torcedores; os reservas são votados pelos treinadores.

Conseguiu chegar à alguma conclusão? Eu só sei que é preciso analisar caso a caso. Ao mesmo tempo que devolveria o iPod - nas duas situações acima - aceitaria, como já aceitei, viajar para conhecer algum destino turístico. Seja a convite do governo de um estado do Centro-oeste, como no meu caso, ou de empresas de turismo. A resposta para a pergunta lá do quarto parágrafo: o valor nem sempre será determinante para saber se o presente é abusivo ou não. Fica da consciência de cada um.

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Obs.1: essa é a minha estréia como o mais novo participante do filhos da pauta. Já tinha colaborado duas vezes, em textos que vocês acham com facilidade nos arquivos (tô com preguiça de linkar agora...). Um era sobre a morte do Norman Mailer e outro sobre os perigos da profissão repórter. Rapazes, obrigado pelo convite, espero honrar o espaço.

Obs.2: a quantidade excessiva do advérbio "então" no primeiro parágrafo não foi por falta de sinônimo ou por falta de atenção no texto. É proposital mesmo, para chamar a atenção para a rotatividade da profissão Nenhum dos jornalistas citados estão nos mesmos veículos. Gasperin voltou para Florianópolis e vive de frilas. Serva era chefe da assessoria de imprensa do José Serra na prefeitura de São Paulo; hoje não sei onde está. João Bittar é editor de fotografia da editora Globo e Chico Amaral está na Espanha, como sócio de uma empresa de design gráfico.


Obs.3: tem duas coisas que eu aprendi nos cinco anos de curso - eu demorei um pouco mais para me formar. A primeira é que ética se discute em mesa de bar. A outra é que a minha ética é a mesma do marceneiro.

11 fevereiro 2008

A tal falsa realidade

Por Daniel Brito

Os (agora) famosos cartões corporativos existem desde 2001. Volta e meia um veículo de comunicação fazia o registro meio tímido do chafariz eletrônico de dinheiro público torrado indiscriminadamente. Ao longo dos anos, os gastos só aumentaram.

No primeiro debate entre os candidatos à presidência da República, na eleição passada, Lula ficou revoltado ao ser pressionado a abrir as faturas dos cartões de seus "funcionários".

- Não fffeja leviano, Alcooemim!

Ele ficou sem resposta e repetiu essa frase oito vezes para fugir do constrangimento. Por certo, ele sabe da algazarra com esses cartões durante a gestão do PSDB.

Diante das cifras obscenas alcançadas pelos portadores dos cartões mágicos no ano passado, o caso ganhou a dimensão que sempre mereceu. Está para completar dois meses que jornais, telejornais e portais escancaram o "abuso do poder econômico" em os escalões mais altos do governo.

Enquanto a imprensa posicionou todas suas baterias para os "felizardos" que têm direito ao cartão, Cláudio Weber Abramo, diretor-executivo da ONG Transparência Brasil, não livrou a imprensa da sua parcela de culpa.

Segundo ele, havia anos procurava os jornalistas para repassar tais informações, mas somente agora o caso veio à tona. Abramo disse também que, nos anos anteriores, os dados sobre os gastos não estavam totalmente destrinchados como agora. Deixou subentendido que a preguiça dos repórteres é a culpada pela demora na publicação das denúncias.

Até onde sei, Abramo e sua ONG são alguns dos responsáveis pela avalanche de faturas escandalosas reveladas diariamente, quase como uma tortura chinesa ao governo.

Por intermédio dele -- ainda, até onde vai meu conhecimento -- soubemos que o ministro pagou absurdos R$ 8,30 por uma tapioca; que a presidência da República fez a feira do mês numa adega e em uma casa de "carnes finas"; que a ministra da Igualdade Racial curtiu as férias por conta do nosso dinheiro e ainda chamou a imprensa de racista por denunciá-la por tal ato.

Bom, então se os cartões sempre existiram e somente agora foram devidamente devulgados, fica comprovada a tese (mais uma vez) de que vivemos numa falsa realidade. Escrevemos e acreditamos nela, também.

O governo corrobora a tese. Caso contrário, não criaria normas para o uso do cartão somente agora, depois que numseiquantos milhões já foram para as tapiocarias, free shopings, etc... Quem queria encobertar o "crime", aliás, acabou entregando outro cúmplice.

Metade da bufunfa gasta com os cartões mágicos (que o portador não paga a conta nunca e não perde o crédito!) foi sacada na boca do caixa. Se eu tirar R$ 50 do meu cartão de crédito no caixa eletrônico do Bradesco, eu pago quase o dobro de juros quando a minha fatura chegar, no mês seguinte. Então, quer dizer que o Banco do Brasil não cobra juros nos cartões corporativos, é isso?

Algum jornal já falou sobre isso?
Se sim, me avise, porque eu quero ver a posição do BB nesta história...

A sorte do governo é que o PT não é mais oposição. Quem está nessa posto atualmente também tem um amplo telhado de vidro.

07 fevereiro 2008

Para prêmios ou para o leitor

Por Daniel Brito

Para ser um bom jornalista, seu senso de competitividade precisa estar sempre perto da casa dos 100%. No mínimo, tem um editor de olho na sua produção, para cobrar mais pautas e de melhor qualidade. Tem aquele repórter que senta perto de você de olho para ocupar seu posto. Tem a concorrência buscando o mesmo furo que você está atrás deseperadamente. Tem ainda um prêmio legal de jornalismo para embolsar uma grana preta por uma reportagem bem produzida e tem, principalmente, o leitor/ouvinte/telespectador querendo estar bem informado.

No meio desse caldeirão, é fácil o jornalista sucumbir. Confudir as bolas. Afinal, faz-se um jornal para o leitor, para o editor, para a concorrência, ou para ganhar prêmios?

O grande lance é que existe um gigantesco e invisível insconsciente coletivo nas redações que nem sempre corresponde aos anseios do leitor. O que o jornalista quer ler ou escrever dificilmente corresponde ao que o leitor comum (aquele que já foi chamado de Homer Simpson por um apresentador famoso) está interessado.

Olha aí os prêmios de jornalismo para comprovar.

O que está em questão nessas premiações:

A capacidade de mostrar a miséria do país?
A hemorragia generalizada do sistema político?
O texto refinado?
A história pitoresca?

Não creio que sejam todas as alternativas acima.

Sim, porque as grandes redações estão recheadas de jornalistas em busca do estrelato. Caçando mais prêmios, mesmo que a pauta seja repetida. Eles querem o holofote voltado para seu nome e seus textos, o reconhecimento público.

Esquecem-se, no entanto, que o jornal é feito para o leitor....

31 janeiro 2008

Em todas as áreas

Por Léo Alves

Em televisão todo mundo faz tudo. Não estou falando das redes, que têm departamentos especializados.

Não existem especialistas. O repórter faz o que aparecer no seu horário. Faz desde um assassinato na esquina, passando por uma visita ministerial até uma partida de futebol.

Daí a necessidade das pautas de tevê serem mais recheadas de informações que as dos jornais.

O repórter é um genérico.

Na produção não é muito diferente. O produtor pauta o que aparecer no seu horário. Cada turma é responsável pelo seu turno.

Essa estrutura gera uma grande dificuldade na hora de fazer suítes das matérias.

Um, dois dias, uma semana e até um mês se faz suíte. Depois disso o produtor está envolvido com outras pautas.

No jornal impresso existe a setorização. Fica mais fácil retomar o assunto porque o jornalista acompanha bem o que acontece na sua área.

Já pensei em algumas alternativas para melhorar esse acompanhamento dos casos de repercussão.

E confesso não achei (ainda) uma fórmula de não ser furado pelos jornais nas suítes.

Adotei uma estratégia que pode ser o primeiro passo para diminuir esse problema.

Quando acontece um caso de repercussão indico um produtor para ficar responsável pelo acompanhamento.

O próximo caso que surgir será de responsabilidade de outro. Funciona em rodízio.

Dessa forma ninguém fica tão sobrecarregado tendo que acompanhar tudo. E no fim não consegue dar conta.

Nesse sistema o produtor é responsável para informar a todos da redação como está o caso.

Num local onde não se pode ser responsável por cobrir apenas uma área a melhor solução – por enquanto – é dividir bem as tarefas.

24 janeiro 2008

Terrorismo?

Pedro Henrique Freire

Tudo bem que há um surto de febre amarela. Até aqui foram nove mortes no Brasil. Tudo bem também que os jornais e as autoridades devem estar ligados, monitorar e divulgar os novos casos e dar todas as informações necessárias à população. Mas, pondero, não exageremos, amigo.

Outro dia escutei no rádio um especialista que dizia o seguinte: vamos tomar cuidado com a vacina. Nem todo mundo precisa. Não faremos como no final da década de 90, em São Paulo, quando sete pessoas tiveram a doença, mas nenhuma morreu. Três morreram, sim, por tomar a vacina.

Ou seja, as nove que estão com febre amarela correm risco de vida. E os um milhão de pessoas que tomaram a vacina com medo dela, também.

Há uma semana, encontrei um amigo que trabalha na Globo de Brasília. Ele me contava o seguinte: “Rapaz, tava quase saindo da redação, mas descobrimos um cara que tomou a vacina três vezes. Ele foi parar no hospital, com ‘overdose’ de febre amarela. Quando descobriu isso, ele fugiu do hospital, com medo”, comentou. Ainda não sei o resto da história.

Concluo que esse cidadão estava com medo da doença. Apavorado, sobretudo, por um provável terrorismo da mídia.

Desde o primeiro caso da doença no Centro Oeste, os jornais da região começaram o carnaval. Claro, com reportagens bem feitas e dando todas as informações que o público precisa. O problema é que a cobertura diária – a qual atribuo simplesmente à tradicional escassez de notícias de janeiro – cria um clima de insegurança.

Eu, que tomei a vacina há dois anos, estou perto de ficar com medo de contrair. Minha mãe, que viria para Pirinópolis no Carnaval, desistiu. No Maranhão faltam vacinas e pessoas passam mal na fila. Outro dia uma senhora teve um AVC enquanto esperava pra tomar a dose. Estava lá há três horas. E olha que em São Luís e todas as outras 216 cidades do estado não é registrado um caso sequer há 10 anos.

Ou seja: penso que a mídia erra a dose e cria a instabilidade, transformando um problema localizado numa coisa global. Acaba fragilizando a população. Espalha o medo. É como nos EUA, após 11 de setembro: os jornais colocavam o Bin Laden na capa com uma arma apontada para o território americano e o Bush com algumas tropas de jovens sem rumo dizendo: votem em mim que eu pego ele. Com medo, o povo votou. No Brasil, o povo se vacina. Mas só por imposição da mídia.

Humildemente....

14 janeiro 2008

Acima dos critérios jornalísticos

Por Daniel Brito

Quando o jogador de basquete foi encontrado morto, em uma cidade próxima a Brasília, em novembro último, eu era o responsável pelo assunto. Fui eu quem noticiou em primeira mão o sumiço de um norte-americano, recém-contratado pelo time de basquete de Brasília, e ele tinha comportamento típico de portador da síndrome do pânico.

Quando ele sumiu, consengui o telefone da esposa dele em Seattle graças a uma coincidência incrível. A colunista social do Correio Braziliense é amiga de um médico que trabalha em Brasília. Ao ler a notícia do sumiço, o doutor comentou com a filha, que mora em Seattle. Para surpresa dele, a filha não só tinha ouvido falar da história como trabalhara com o jogador no departamento de serviço social da prefeitura de Seattle. A filha do médico conhecia a esposa do atleta.

O médico comentou com a colunista esta incrível coincidência e ela pediu o telefone da filha dele para tentarmos o contato com a família do gringo.

Pelo menos 10 dias antes de o jogador aparecer enforcado na árvore, conversei com a esposa dele. Ela me contou que estava grávida de oito meses. Nas entrelinhas, deixou a entender que sabia onde o marido estava e porque ele fugira do time sem dar explicações, mas não tinha comportamento nem tom de voz de quem parecia estar desesperada. Ela também assegurou que o camarada nunca teve problemas psicológicos.

Dias mais tarde, chega a notícia da morte do cara. Era início da noite de um domingo qualquer de novembro. Eu estava de folga e fui convocado às pressas para a redação. Chegando lá, o chefe dos chefes me passou a ingrata missão de ligar para a esposa do jogador.

Por três vezes, disquei, a ligação chamou do lado de lá do Equador, mas antes que ela atendesse eu desliguei.

Passar a notícia de que algum parente morreu já é muito complicado na sua língua materna, imagine, então, em inglês? Com dois agravantes: a esposa do cara estava grávida de oito meses e não ficara satisfeita com a minha insinuação de que ele apresentava sintomas de síndrome do pânico.

Em meio ao fechamento, cheguei na sala do editor e falei:

- Não sei se estou certo fazendo isso, mas queria te pedir para me livrar da tarefa de ligar para a esposa do jogador.
- Tá certo, ele respondeu secamente, checando os prints da primeira página. Foi a primeira vez que uma matéria minha foi manchete principal do jornal.

(Esporte é assim, se não for final de Copa do Mundo, somente uma tragédia coloca o notícia na manchete.)

Aima dos critérios jornalísticos de apuração está o "amor à humanidade", como já disse Leonardo Boff. Não que a esposa represente a humanidade inteira, claro que não. Mas me incomodava o fato de desrespeitar o profundo sentimento dela e da família naquele momento. Isso se chama compaixão, o que para um jornalista soa como um pecado capital. Mesmo que eu estivesse disposto a fazer isso no dia seguinte, depois que ela assimilasse melhor a situação.

Estava, realmente, a fazê-lo.

No dia seguinte, no entanto, peguei a estrada atrás do corpo do cara e das investigações sobre a causa da morte e segui esse périplo por mais três, quatro dias. Uma semana depois entrei de férias e nenhum jornalista brasileiro conseguiu falar com ela.

07 janeiro 2008

Certo ou errado?

Pedro Henrique Freire

Nos tempos mais atuais, ficamos sabendo hoje o que os jornais vão publicar amanhã. É só ligar o computador e entrar em algum bom site de notícias. Para a população, é ótimo. E para o jornalista do velho e ainda lido jornal impresso?

Não saberia dizer.

Eu, que trabalho em mídia de papel, ganho cada vez mais responsabilidade quando a possibilidade do furo some. Tudo porque não tenho outra coisa a fazer senão procurar “outra coisa”, além do que os sites já estão dando. No mínimo, um enfoque diferente, uma informação mais aprofundada ou exclusiva. Mas isso nem sempre é possível. E quando não ocorre, o dia seguinte parece mais um flash do anterior.

***

Introduzo para chegar num ponto: quando a internet parece ultrapassar o limite ético? Confira a seguinte situação, aparentemente hipotética para uns, mas (infelizmente) usuais para outros.

Situação 1

Um repórter é enviado para cobrir as Olimpíadas. Lá, não consegue entrevistar todos os atletas de seu interesse e nem conferir todas as provas. Afinal, ele é apenas um. Como perdeu uma coletiva ou outra, foi lá na internet e “chupou” a informação, acrescentando ao seu texto algumas aspas e o clima da entrevista.

Isso é ético? É usual? Como a noção de ética é subjetiva, portanto, completamente pessoal, falo por mim: não considero isso correto.

Situação 2

Um repórter é enviado para cobrir as Olimpíadas. Lá, não consegue entrevistar todos os atletas de seu interesse e nem conferir todas as provas. Afinal, é apenas um. Como perdeu uma coletiva ou outra, correu para o local da coletiva e encontrou um amigo, que trabalha num site de notícia do Brasil:

- E ai, cara, beleza? Pô, tava tão enrolado com a prova de atletismo que perdi a natação. Tu pegou o que o Tiago falou?
- Peguei. Eu tava aqui.
- Ô... então me passa?
- Claro, irmão... claro.. anota ai!

Nesse caso, é ético ou não? Já não sei. No jornalismo, é comum colegas ajudarem os outros, por pura camaradagem. Eu já fui ajudado e ajudei, muitas vezes. Ainda hoje ocorre.

Pois bem. Prossigo: se o amigo já tivesse postado no site a matéria da coletiva e o cara levasse alguma coisa para seu texto? Seria profissional? Não, né? Mas, por que? Talvez porque não tenha pedido para “o dono da informação”, no caso, o amigo que estava na coletiva. Certo ou errado? Não sei.

O que sei é que o certo mesmo é você fazer a sua parte e mandar ver com suas informações. Se você perdeu algo, corra atrás e tente resgatar. Copiar dos amigos fará com que sua matéria fique igual a dele. Bebendo da fonte, você tem mais chances de pegar algo que ele não pegou. Mas, se não tiver jeito de encontrar o entrevistado, resgatar a história e tudo, talvez deva ir com as do amigo mesmo. Ou avise pro seu jornal pegar de agência.

26 dezembro 2007

Salvo pelo Orkut

Por Léo Alves

Em muitas redações o acesso ao site de relacionamentos Orkut e ao MSN é proibido. É para evitar que o jornalista “fuja” do trabalho enviando mensagens.

Li a entrevista de uma jornalista (ou era estagiária) da Folha de São Paulo, na qual afirmava que usava o Orkut como ferramenta de trabalho.

Quando deseja conseguir um personagem para uma matéria entra numa comunidade relacionada. Foi assim que conseguiu personagens para uma reportagem sobre pais adotivos.

No início de outubro entrei nas comunidades dos dois times de Campina Grande – Campinense e Treze – a fim de conseguir personagens para uma reportagem especial.

Não surtiu muito efeito. Mas no MSN encontrei um colega que foi um dos personagens da matéria.

Até bem pouco tempo o acesso a esses sites eram proibidos na redação da TVPB. Não sei quem liberou. E espero que ninguém da direção esteja lendo esse post.

Mas semana passada foram o Orkut e o MSN que salvaram a nossa reportagem.

A sobrinha da ex-prefeita da cidade havia morrido num acidente de carro quando viajava para Recife, a cerca de 80 quilômetros de Campina. Os familiares sobreviventes foram levados para um hospital em João Pessoa.

Mantivemos contatos com familiares e amigos da vítima para conseguir uma foto.

Todos tinham viajado para João Pessoa.

Foi aí que a produção acessou o Orkut para conseguir a foto da vítima. A produtora encontrou pessoas com o mesmo nome.

As mensagens de luto dos amigos no Orkut confirmaram quem era a vítima do acidente.

Sinceramente eu não sei como é que após a morte de alguém as pessoas já acessam o Orkut para deixar mensagens. Mas tudo bem.

Só que as fotos não davam para ser exibidas na tevê.

Por sorte encontramos uma colega nossa - da assessoria do Governo do Estado - no rol de amigos da vítima.

E por mais sorte ainda ela estava online no MSN com outro produtor. E o melhor: ela tinha inúmeras fotos da vítima, pois era amiga íntima.

Na mesma hora ela nos enviou as fotos pelo MSN que salvaram a reportagem.
Para conseguir as fotos os produtores trabalharam quase toda a tarde.

E o resultado positivo só foi possível porque liberaram o acesso ao Orkut e ao MSN na redação.

Tomara que depois deste post não seja restringido novamente.

Afinal o Orkut também é uma ferramenta de trabalho do jornalista.

Difícil vai ser algum diretor acreditar nisso.

14 dezembro 2007

Uma lição do Mané

Por Daniel Brito

Manoel dos Santos, o nosso Mané Garrincha, não me impressionou apenas por ter inventado o drible ou por beber mais que qualquer desses carros total flex. Cada movimento fora do planejado ou um novo desafio que me é apresentado na carreira recorro à simplicidade do craque.

Não me recordo exatamente em qual trecho do livro "Estrela Solitária" está o trecho que vou citar aqui, agora.

No vestiário, às véspera de mais uma Copa do Mundo, ele viu os companheiros de Seleção Brasileira tremerem nas bases. A torcida ainda amargava, nas décadas de 1950 e 1960, aquele trauma do Maracanazo e os jogadores, obviamente, sentiam a pressão.

Descendente de índios, quase um deficiente físico (como já disse Nilton Santos), condenado à pobreza por ser semi-analfabeto, Garrincha não tinha o mesmo sentimento que os demais antes de jogar uma Copa do Mundo.

Para ele, tanto fazia jogar futebol em Pau Grande, hoje distrito de Magé, no Rio de Janeiro, no Maracanã, na Rua Bariri, no Rasunda Stadium. Ele queria apenas fazer o que gostava: jogar futebol.

Nunca sentiu a pressão do momento. Chegou, inclusive, a reclamar do sistema de disputa da Copa do Mundo porque não tinha segundo turno; confundiu a Inglaterra com o São Cristóvão, por atuar com o uniforme branco; sem contar a já batida história de que todo adversário se chamava João ou José. Podia ser Bobby Charlton ou Jordan, do Flamengo.

Isso era reflexo da alma pura do craque. Contaminada e vencida, "apenas", pelo alcolismo.

Fiz esse tremendo nariz-de-cera para contar a história do meu outro blog. De férias em Campina Grande, fui assistir ao último jogo da Série C do Campeonato Brasileiro e resolvi tirar umas fotos.

Conversa-vai-conversa-vem, cerveja para lá e para cá, ouvi uma série de histórias engraçadas das testemunhas que estavam no estádio naquele momento pitoresco e resolvi contá-las no Tudo Sobre Nada (muitodenada.blogspot.com).

As fotos mais o texto saíram quase que no piloto automático. Nem me preocupei muito em deixar as idéias hierarquizadas por grau de importância. Até porque, havia bebido naquele dia do estádio e fiz um breve relato totalmente espontâneo em um espaço pessoal, sem regras jornalísticas estabelecidas.

Mandei o link do texto para aquelas pessoas que gostam do futebol e de suas histórias malucas. Como resultado, meu humilde blog pipocou em acessos e comentários (continua até hoje, 11 dias depois de publicado); meu editor, em Brasília, leu o texto, achou sensacional e me pediu autorização para publicá-lo.

O relato do último jogo da Série C saiu nas páginas do Correio Braziliense em 7 de dezembro, com direito a foto tirada por mim, fugindo do padrão do espaço em que foi publicado.

Se tivesse recebido a pauta do meu editor para escrever sobre aquele jogo não faria tão bem feito como saiu no blog.

Moral da história:
Garrincha morreu há 25 anos sem saber de muitas coisas. Sem saber, por exemplo, que deixou essa lição de simplicidade: quando se tem habilidade para produzir algo que gosta, não interessa a situação, faça tudo que sabe, porque será bem feito.

30 novembro 2007

O filho está crescendo

Por Léo Alves

“Não vai ser fácil manter este espaço atualizado”.

Esse trecho do primeiro post do Filhos da Pauta revela que eu e o Daniel sabíamos a dificuldade de manter um blog atualizado. Mesmo com as falhas de atualização este humilde espaço completou dois anos de existência.

Estã durando tanto porque contamos com o reforço substancial do grande Pedro.

Confesso que no começo pensei que o blog seria um espaço de inteira liberdade de expressão. Poderia escrever o que quisesse e sobre qualquer assunto. Não é bem assim. Como qualquer veículo de comunicação (o blog se transformou numa ferramenta alternativa) é preciso responsabilidade.

Afinal, tudo que é escrito está na rede. Se está na rede, obviamente, é facilmente encontrado pelo todo-poderoso Google.

Faz parte do (invisível) “Manual de Redação do Filhos da Pauta” não citar nomes de pessoas. A não ser que o personagem nos autorize ou se o próprio personagem da história seja um de nós.
Mesmo assim muitas histórias desagradaram os personagens. Basta lembrar da polêmica do post “Gafes”.

Para mim, este blog é também uma extensão da sala de aula. Sempre faço referências aos meus alunos sobre uma ou outra história contada aqui. O FDP é um canal de diálogo entre pessoas que não se conhecem. Eu, por exemplo, não conheço o Pedro. Já dialoguei através de comentários com outro que nunca vi pessoalmente, o Felipe. Exemplos não faltam.

Esses são alguns dos motivos que fazem os blogs crescerem tão rapidamente. Estima-se que a blogosfera reúna mais de 73 milhões de blogs. Esse número aumenta a uma razão de 175 mil por dia.

O jornal espanhol El País publicou o artigo "Os weblogs fazem dez anos de agitação" no qual afirma que: "Nunca um meio de comunicação cresceu a tal velocidade".

Em 1º de abril de 1997, Dave Winer lançou na rede a primeira postagem. De lá pra cá o blog deixou de ser uma brincadeira de adolescente ou um diário virtual. É um veículo de comunicação importante no mundo.

Nas últimas eleições presidenciais nos Estados Unidos, as equipes dos candidatos - George W. Bush e John Kerry - mobilizaram a opinião pública, criando correntes por meio de blog.

No mundo das empresas a norte-americana Kryptonite, líder de fabricação de cadeados e travas teve um prejuízo estimado de US$ 10 milhões. Foi obrigada a substituir quase 40 mil cadeados de seu estoque e levou um bom tempo para recuperar sua reputação.

Tudo porque um blogueiro percebeu que poderia abrir uma das trancas, que era vendida a US$ 100, usando apenas uma caneta Bic comum e colocou em seu blog um vídeo que provava ser possível o "arrombamento".

Em questão de horas, todos os blogs falavam do assunto. A companhia só soube cerca de uma semana mais tarde, quando todos os meios de comunicação já falavam a respeito.

O Filhos da Pauta ainda não causou (e nem pretende) causar um estrago tão grande. A idéia é trazer assuntos, na maioria das vezes relacionados ao jornalismo, que possam ser discutidos com o nosso pequeno número de leitores.

E como há dois anos o desafio continua sendo manter este espaço atualizado...continuaremos tentando.